
Quando soube que havia conquistado o primeiro lugar no Concurso Literário Senado Dom Dinis, em Portugal, pensei no meu avô materno, Bernardino Rodrigues. Entre tantas pessoas a quem eu queria dar a notícia, havia uma a quem eu ainda quis dizer, como quem começa uma conversa à mesa.
— Vô, ganhei um prêmio de literatura na sua terra.
Na alegria daquele instante, dizer “na sua terra” me pareceu mais íntimo do que dizer “em Portugal”. Era o mesmo lugar, mas, naquela frase, Portugal tinha o nome e o sobrenome do meu avô.
Escrever tem me dado muitas alegrias. Algumas chegam na forma de uma carta de leitor. Outras, no dia em que finalmente seguro nas mãos um livro que levei meses para terminar. Desta vez, a alegria veio acompanhada de uma vontade simples. Eu queria ver o rosto do meu avô enquanto lhe contava a novidade. Queria dizer “primeiro lugar” e fazer aquela pequena pausa que a gente faz quando espera que o outro sorria.
Recebo esse reconhecimento com gratidão a quem leu meu texto e a quem celebrou comigo. E, ao escrever sobre o prêmio, posso enfim dar ao meu avô um lugar nesta alegria.
Vô Bernardino, eu queria que o senhor soubesse. Foi em Portugal. E eu me lembrei do senhor.
Tania Regina Castelliano
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