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Neste 1º de Maio

Trabalha-se por que, então? Pela sobrevivência já falada, com o mínimo de dignidade, e para manter um nível de vida aceitável. Alimentação, saúde, moradia, educação, lazer, cultura e mesmo algum “consumismo básico”, afinal, ninguém é de ferro. A participação efetiva nesse mundo, parecem cantar os apologistas do sistema, se dá pela garantia do trabalho ou, em nosso meio, do emprego com um mínimo de garantias. Por esse prisma, contabilizamos milhões totalmente fora do círculo. Nada a comemorar, portanto”.

01/05/2024 às 11h38
Por: Nailson Júnior Fonte: Edson de França
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Neste 1º de Maio

A cultura humana tende a revestir algumas datas de simbolismos que visam, intimamente, tocar a alma e despertar sentimentos. É o caso do Natal, da passagem de ano, do dia dedicado às mães. Numa sequência lógica, o espírito da religiosidade, a confraternização universal e a sentimentalidade imanentes aos núcleos familiares marcam as comemorações destes dias. 

Alguns outros dias, mesmo não tendo a mesma pegada, conseguem angariar a adesão e absolvição por sua existência tão somente pela possibilidade do ócio proporcionado. Os dias chamados pátrios vêm, ao longo do tempo, incorporando essa tendência. Qual a serventia de dias como o 21 de Tiradentes, 7 de setembro ou 15 de novembro? O que dizer, então, (ou em que categoria colocar) o 1º de maio? Nos primeiros, nos segundos ou numa categoria ainda não denominada, uma vez complexa, problemática e traumatizante? 

Simbolismo, claro, ele tem. É inegável. Contudo não consegue congregar nem a religiosidade, nem o espírito de confraternização e, muito menos, a sentimentalidade almática tão cara aos outros dias. Nem o ócio ele sugere.  Definitivamente, não há o que comemorar. O que se comemora atualmente, ao menos entre os milhões de “empregados” mal remidos ou sub-empregados, é o fato de ainda abrigar-se pensamente num posto de trabalho.   

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Para os sindicatos, associações de classe e alguns partidos de espectro mais popular, a data  serve para por em pauta a “luta coletiva” dos trabalhadores. Não há nada a comemorar, já nos repetindo, mas a lutar, reinvindicar, “estar atento e forte”, alerta. Muitos dirão (ou confundem) a data como uma pauta de fundo esquerdista radical. Mas não é. O dia do trabalho é antes uma data de reflexão e insatisfação.

Os embates entre o capital e o trabalho, o estado e a regulamentação do mercado, o desenvolvimento e o subdesenvolvimento, a inclusão e a exclusão são dicotomias de fundo teórico que, materialmente, se materializam na mesa e no cotidiano de muitos. Esses que buscam, através do seu trabalho, a manutenção de condições básicas de sobrevivência. E, ao menos que nasceu em “berço de ouro” ou é insensível a realidade não percebe.

Trabalha-se por que, então? Pela sobrevivência já falada, com o mínimo de dignidade, e para manter um nível de vida aceitável. Alimentação, saúde, moradia, educação, lazer, cultura e mesmo algum “consumismo básico”, afinal, ninguém é de ferro. A participação efetiva nesse mundo, parecem cantar os apologistas do sistema, se dá pela garantia do trabalho ou, em nosso meio, do emprego com um mínimo de garantias. Por esse prisma, contabilizamos milhões totalmente fora do círculo. Nada a comemorar, portanto. 

Trabalhamos diária e rotineiramente. O labor descompromissado tende a dar prazer. Penso até que quando criaram aquela expressão do trabalho como “nobreza” talvez se adeque às atividades nos quais a criatividade e a liberdade aplicadas, indiferente ao status econômico que ele vá proporcionar, merece ser comemorado. O contrário, não. 

Quesitos como condições ambientais de trabalho, baixa remuneração, direitos trabalhistas vilipendiados e alguém sugerindo que o “pleno emprego” é ruim para a economia do país não é estado a ser comemorado. Não há religiosidade, sentimento de agradecimento pleno, espírito de confraternização. Nada. Talvez o que nos pudesse nos irmanar  fosse o sonho de que todos tivessem direito a exercer uma atividade para manter uma vida digna. Infelizmente, muitos não compreendem assim.

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