Sobre Datas

Dias de Santo

“O santo só pintou aqui porque o televisivo matutino me lembrou do seu dia. Aproveito porém o ensejo para pedir, já que falamos do “protetor das causas impossíveis”, resoluções pessoais para certas impossibilias em minha vida. Por exemplo, uma grana extra e generosa a fundo perdido.”

Edson França

Edson FrançaNas Entrelinhas

05/11/2021 10h02
Por: Nailson Júnior
Fonte: Edson de França

“O santo só pintou aqui porque o televisivo matutino me lembrou do seu dia. Aproveito porém o ensejo para pedir, já que falamos do “protetor das causas impossíveis”, resoluções pessoais para certas impossibilias em minha vida. Por exemplo, uma grana extra e generosa a fundo perdido.”

 

Queria ter o poder de escrever sobre datas. Me salvaria, o artifício, das marés da falta de assunto. O calendário é o pai e mãe dos cronistas de ofício, a verdadeira mão posta pros períodos de aridez de motivos. As datas em vermelho que o marcam, acentuam nos cronistas a veia sentimental, o viés filosófico existencial, a memorização de passados e passagens marcantes. 

Todo um caudal de apreciações e reminiscências evolam no dia dedicado às mães, natal, ano novo, semana santa, ao dia do médico, do fotógrafo, de São Jorge ou São Judas Tadeu.

Não tenho muito disso, infelizmente. “No dia de São Judas, hoje,  busco motivos para escrever. O santo só pintou aqui porque o televisivo matutino me lembrou do seu dia. Aproveito porém o ensejo para pedir, já que falamos do “protetor das causas impossíveis”, resoluções pessoais para certas impossibilias em minha vida. Por exemplo, uma grana extra e generosa a fundo perdido.”

Mas voltando ao mote da crônica, gostaria de me guiar pelas datas comemorativas para produzir textos. Não faltariam pretextos, afinal todo o nosso calendário está salpicado de dias festivos, feriados, homenagem a santos, categorias profissionais e efemeridades de somenos. O calendário - ou cromo detalhado - faz vez de “lunário perpétuo”, a bíblia inspiradora dos cantadores de antigamente,  para os cronistas. 

Os sucessos das semanas - como dizia Machado de Assis, cronista - são motivo de apreciação permanente para os cronistas. A cidade não pára, “o transe, o trânsito e a pressa” de veículos e transeuntes dão a tônica. A violência, os problemas urbanos, a algaravia política, os instantâneos hilários do populacho atraem olhares. 

A crônica sobrevive à margem do factual que recheia o cotidiano dos noticiários. Com as sobras, aparas, limalha do noticioso e abusando de boas doses de subjetividade, o cronista monta um texto para “desfrute” do leitor. Especulava o acadêmico Wellington Pereira onde se localizaria tal produção: entronizado no território do “útil” ou residindo nas periferias, feito futilidades, necessariamente dispensáveis.

Estilisticamente, a crônica é dominada pela leveza na linguagem. Estratégia largamente usada para fisgar o leitor e conduzi-lo por uma trilha de puro divertimento e, extemporaneamente, pelos caminhos da reflexão. Assim, o escriba constrói um mundo à parte da realidade nua e crua do fato, por vezes, explorando suas entranhas e particularidades, por outras, seu lado sentimental, trágico ou cômico. Por vezes, recorrendo ao calendário para lembrar ao leitor distraído que hoje, 28, é dia de São Judas.

 

por Edson de França

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