Edson

Ninguém mais se chama Edson

Os nomes  entram e saem de moda.

Edson França

Edson FrançaNas Entrelinhas

11/06/2021 10h33Atualizado há 6 meses
Por: Nailson Júnior
Fonte: por Edson de França

O Edson mais jovem que conheci na vida era já um frangolão de uns 12,13 anos - e isso já conta um bom par de anos - e carregava, feito herança, o nome do genitor. Tratava-se de um Edson Junior, portanto. Um desses casos onde o sobrenome é tão forte que suplanta e sub-significa o prenome. Era um edson diminuto frente ao JUNIOR dominante e escandalosamente exibido.

Depois dessa concluí: carrego um nome em vias de extinção. Os nomes  entram e saem de moda. Alguns nomes nascem da reengenharia promovida pelos genitores de alma nova e costumam embutir estranhas composições de tributos aos antepassados. Fusões são naturais na montagem de um nome novinho em folha, destinado a homenagear pais zelosos, avós corujas ou algum ilustre ancestral. Conheci um gente fina chamado rosálvaro.

Nomes também costumam emanar diretamente de consultas aos dicionários onomásticos relativos à toda raça humana. 

Nomes entram para os abecedários da tradição, sobretudo quando relativos aos santos ou personagens do livro sagrado. Pedros, Antonio's,Joões, Franciscos, Paulos, Marcos e Bentos estão por aí a contar suas histórias há séculos. 

Não estranhe se, de repente, topar com algum fulano que seja chamado por um nome só encontrável no velhíssimo testamento ou nos escritos apócrifos. Nomes de origem grega também fazem sucesso, né, Aristoteles? 

Alguns outros exibem originalidade e desfilam solitários. Já nascem únicos e intransferíveis. Meus amigos Junerley, Juneldo e Wadjane compõem um meio de campo incomparável nesse time.  

Muitíssimos nomes, porém, caem no gosto popular, se eternizam e são revisitados por gerações. Há sempre um rebento novo a ostentá-los. Traduzem algo da nobreza e trazem ecos da realeza. Nomes como Carlos, Alfredo,Thiago, Daniel (uma vez liberado da cova dos leões), Gustavo, Lúcia, Isabel e Felipe hão de ecoar milênios afora. 

Por outro lado, nomes também nanizam, escasseiam e desaparecem sem deixar rastos. Entram em estado de desuso. Se bem que sempre caibam explicações plausíveis para os motivos da súbita extinção, literalmente. 

Dificilmente, porém, um ser vivente voltará a portá-los nos documentos identitários. Por hora parecem não nascer mais  edsons, nem margaretes, nem bonifácios. Muito menos ambrósios, sinésias ou análias. Pode ser que ainda apareça uma Carmela ou Carmelita perdida por aí, já com um terço nas mãos.

Eusébios e Epaminondas, nem pensar.

Os últimos desses que ainda circulam por aí, ganharam o nome por homenagem a um antepassado benquisto ou à uma passageira excentricidade dos genitores.

Muitas pessoas são batizadas a partir de inspiração momentânea e circunstancial. Um astro reinante ou até uma onda cultural pode gerar prenomes. O movimento hippie fez nascer algumas brisas, luas; a busca pelas raízes pátrias deu nome a tainás e jumas, cauês e cauãs. Neste exato

momento muitas jullietes devem estar sendo gestadas, graças ao milhão do big brother. Vai que cola e a homenagem renda também ares auspiciosos de boa sorte.

Eventos esportivos, séries e programas de Tv, cantores populares, por exemplo, geram uma verdadeira profusão de referências. Incontáveis pessoas passam a exibir tais nomes em suas carteiras de identidade.

Muitos Maradonas, Paolos Rossis, Ronaldos e Roberto Carlos são crias de algumas ondas futebolísticas ou musicais. Até o inventivo personagem de Tv Mcgiver gerou uma marolinha de utilizações entre nós. Em minhas andanças boêmias, dei de cara com um Magaiver do sertão. Drop na onda,referência ou homenagem. Dias atrás, esbarrei num Rumenigue do agreste. 

Há quem especule que meu nome foi inspirado no rei do futebol, afinal,quando nasci, o Brasil já tinha ganho dois títulos mundiais e o nome Edson fazia parte das conquistas, sob o apelido de Pelé. Meu pai sempre disse que não. Não sabia de muitas coisas do mundo e nunca foi adepto do futebol.

Mais voltando ao tema, meu nome é um desses em via de extinção.

Ninguém mais batiza alguém com o nome de Edson. O prefixo ed, porém,arrisca ter uma longa existência. Sobrexistem em nomes próprios como Ednaldo, Edvaldo, Edna. Esses têm vida longa vida, creio, sem tantos esquecimentos. Dificilmente, porém, algum pai se lembrará do prenome Edson quando da vez de nomear os seus sucessores.

Afinal não há edsons famosos andando por aí. O atacante uruguaio Cavani é Edinson. Não há ninguém de destaque em tela. Nem entre os queridinhos descartáveis das redes sociais se encontra a alma viva que ostente essa glória. 

Edson vem da língua inglesa e quer dizer, numa tradução livre, Ed (um nome próprio) e Son (filho). Filho de Ed, portanto ou de Eduardo. De cara,fazem uma relação entre o nome e a “riqueza”; particularmente, da parte que toca meus bolsos, há seríssimas controvérsias. Outros traduzem esse Ed como uma redução de éden, o que daria uma aura divina: Filho do Paraíso (Jardim do Éden). 

Sei de nada. Por hora, meu nome de batismo foi para a estante dos vulgos em extinção, por absoluta falta de uso ou de fé nos augúrios que ele traduz.

por Edson de França

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