Dezembro Vermelho

Paraíba inicia campanha do Dezembro Vermelho nesta terça-feira

Este ano, devido à pandemia do novo coronavírus, as ações serão concentradas de forma on-line, com a realização de webinar e live nas redes sociais.

01/12/2020 14h51Atualizado há 2 meses
Por: Nailson Júnior
Fonte: Secom

A Secretaria de Estado da Saúde (SES) inicia, nesta terça-feira (1º), a campanha Dezembro Vermelho, mês da conscientização e combate ao HIV/Aids. Este ano, devido à pandemia do novo coronavírus, as ações serão concentradas de forma on-line, com a realização de webinar e live nas redes sociais. 

O primeiro encontro on-line acontece nesta terça-feira, às 19h, no perfil do Instagram do Hospital Clementino Fraga (@hospitalclementinofraga). O médico infectologista diretor da unidade, Fernando Chagas, e a médica infectologista diretora técnica do serviço, Joana D’Arc, irão conversar sobre o aumento dos casos e a falta de procura pelo serviço de saúde durante a pandemia. Já no dia 10 de dezembro acontecerá um webinar com o tema “Academia e Aids: Quatro décadas de pesquisa”. O encontro on-line será voltado para os profissionais dos municípios, Organizações Não Governamentais (ONG), serviços de referência para HIV/Aids e toda a comunidade acadêmica. As palestras serão proferidas por professores da UFPB e representantes das ONGs Cordel Vida e Movimento do Espírito Lilás (MEL) e serão transmitidas pelo canal Educa Saúde Paraíba, no YouTube.

De acordo com a gerente operacional de IST/HIV/Aids da SES, Ivoneide Lucena, além dos encontros on-line, os municípios realizarão ações pontuais como a testagem na população em geral e distribuição de preservativos. “Distribuímos para as Gerências Regionais de Saúde um milhão de camisinhas para abastecerem os municípios”, explica.  

Sobre o cenário atual do HIV/Aids na Paraíba, Ivoneide Lucena afirma que, com base nos dados do último Boletim Epidemiológico, até outubro de 2020 foram registrados 318 casos de HIV e 147 novos casos de aids. “Se fizermos uma comparação com os anos anteriores, observamos que há uma diminuição nas notificações. Mais precisamente uma queda de 47% no diagnóstico de novos casos precoce de HIV e um declínio acentuado de 60,2% dos casos de aids notificados. Atribuímos essa queda ao momento pandêmico em que estamos vivendo”, observa. 

Com relação à distribuição de casos de aids segundo o sexo, a Paraíba tem a maior prevalência na população masculina, com 103 casos notificados, enquanto na feminina foram 43. Fazendo um recorte por faixa etária, a maior concentração dos casos de aids foi observada em pessoas com idade entre 20 a 49 anos, de ambos os sexos, que corresponde a 79,1% dos casos. Os casos, nessa faixa etária, correspondem a 75,9% no sexo masculino e 24,1% no sexo feminino. Sobre os dados de exposição hierarquizada de aids em adultos, por categoria, observa-se que nos últimos anos a principal via de transmissão foi a sexual e o predomínio de exposição é a heterossexual, com 45,6%, seguido de homossexual, com 19,5%, bissexual, com 3,0%. Nos casos de HIV em gestante, o ano de 2020, até o mês de outubro, houve um aumento de 7,3% em relação ao ano de 2019 no mesmo período. 

Quanto à mortalidade, de acordo com o Boletim, no ano de 2019 foi registrado no Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) um total de 145 óbitos por causa básica aids. Os municípios com os maiores números de óbitos são: João Pessoa (43), Campina Grande (16), Santa Rita (8), Bayeux (5) e Sousa (5).

Sobre o tratamento, Ivoneide Lucena afirma que é ofertado em toda a Rede SUS, para todas as pessoas que têm a confirmação do diagnóstico. Atualmente, os 223 municípios da Paraíba disponibilizam o teste rápido para a detecção do vírus nos postos de saúde e em 20 minutos é possível receber esse resultado. Em casos positivados, o usuário é encaminhado para os serviços de referência da Paraíba, orientado a fazer exames laboratoriais e acompanhado por um infectologista. O Complexo Hospitalar Clementino Fraga é a referência estadual no tratamento do HIV/Aids desde o ano de 1988.

“A boa adesão à terapia antirretroviral (TARV) traz grandes benefícios individuais, como aumento da expectativa de vida e o não desenvolvimento de doenças oportunistas, a possibilidade de se tornar indetectável e dessa forma reduzir drasticamente a possibilidade de transmissão do vírus, devido à supressão da carga viral. Na Paraíba temos 7.224 pessoas em tratamento de antirretroviral. A medicação é distribuída regularmente dentro de nove serviços de dispensação distribuídos nas três macrorregiões de saúde, através sistema Siclom”, explica.

A gerente operacional reforça que o diálogo sobre a prevenção combinada ser utilizado como estratégia de redução dos casos de HIV. Além disso, é importante a divulgação de estratégias de prevenção combinada que são: a Profilaxia Pós-Exposição ao HIV (PEP), que é o uso de medicamentos diante de uma situação de risco; e a Profilaxia Pré-Exposição ao HIV (PREP), que consiste no uso diário de medicamento antirretroviral para evitar a infecção pelo vírus. O uso de preservativos masculino e feminino continua sendo o principal meio de proteção.

Serviços da Rede Estadual

O Complexo Hospitalar Clementino Fraga é a referência estadual no tratamento do HIV/Aids e oferece ao público Atendimento Domiciliar Terapêutico (ADT), serviço de assistência diária com uma equipe multidisciplinar. Além disso, a unidade oferece os seguintes serviços:

Odontologia – serviço voltado para pacientes HIV/Aids que sofrem preconceito e não conseguem ser atendidos em consultórios convencionais.

Hospital dia - serviço especializado para urgências em pacientes com HIV/Aids.

Serviço de assistência especializada - SAE: unidade assistencial de caráter ambulatorial, fixa o paciente HIV/Aids a uma equipe multidisciplinar que o acompanhará ao longo de sua enfermidade.

Psicologia: Orientação e aconselhamento para pré e pós-exame de HIV para pacientes de forma geral e gestantes, orientação para sexo seguro com entrega de preservativo, terapia individual e coletiva e adesão à medicação.

Serviço social: Orientação e aconselhamento para pré e pós-exame de HIV para usuários de forma geral e gestantes. Setor responsável por orientar e encaminhar os pacientes no acesso a bens e serviços públicos.
 
Confira aqui o Boletim HIV

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