Números & nomes


Os números estão virando nomes – e nomes de pessoas próximas. Enquanto
uma crise de saúde pública se dá no campo da estatística, um vírus parece não
existir. Por ser invisível, se apresenta como algo distante da realidade, longe de
nós e dos nossos. Porém, quando bate na porta do vizinho, de uma pessoa
próxima, a gente se dá conta de que a coisa é séria.
A história mostra que a economia se recupera; superamos dificuldades diante
dos priores momentos, crises, pós-guerra etc. Vidas perdidas, não tem volta.
Por essa razão, o isolamento social parece ser o melhor e o mais acessível
remédio que dispomos para enfrentar a Covid-19.
A crise não deve durar um ano, até porque pessoas curadas já estão voltando
à atividade. Então, afirmar que a quarentena provoca desemprego, isso é
verdade. Agora, dizer que o isolamento social pode levar pessoas a morrerem
de fome, penso ser uma desculpa para não seguir a regra. Feiras livres e
supermercados estão abertos, entre outros segmentos essenciais.
Por sorte da humanidade, em toda situação de crise, alguns setores e
determinados profissionais são convocados a atuarem. Isso, por vezes, com o
sacrifício da própria vida. E tem um caso emblemático: o bombeiro militar –
este, sim, com a vida exposta ao risco sempre, independente de pandemias.
Economia
Alguns setores produtivos estão funcionando, com os devidos cuidados. Mas,
por outro lado, setores tidos como não essenciais podem e devem fechar suas
portas – temporariamente.
Sempre há uma forma de contribuir, ao invés do confronto. Lembra, caro leitor,
do apagão elétrico? Antes, muitas lâmpadas acessas desnecessariamente.
Depois, passamos a ser seletivos; acendemos apenas as luzes necessárias.
À época, ressalto, teve gente que resistiu à medida, mantendo acesas até
mesmo as lâmpadas do jardim. Preferiram o confronto, alegando que, na casa,
quem manda é o dono. Com tal atitude egoísta, esqueceram a coletividade.
Realidade
No Brasil, a Covid-19 já ceifou a vida de mais de 6 mil pessoas. Subestimar o
novo Coronavírus é, no mínimo, um comportamento desrespeitoso ao povo
brasileiro. E tal atitude se agrava quando parte de um presidente da República.
Não critico o presidente por ter ele assumido uma posição contrária ao
isolamento social. Qualquer cidadão tem direito a externar sua posição.
A crítica vai ao modo, à forma de agir do senhor Jair Bolsonaro ante à crise.
Entre outras “caneladas” (como ele diz), incitou simpatizantes a desrespeitar o
isolamento social. Saiu às ruas, provocou aglomeração de pessoas.

Em canto nenhum do mundo se viu um presidente agir com tamanha
insensatez.
Final
Para finalizar, evoco o médico e atual governador do Estado de Goiás, Ronaldo
Caiado. Ao romper politicamente com o presidente Bolsonaro e em repúdio a
atos do chefe da Nação diante da crise, Caiado disse que Bolsonaro, mesmo
sem ser médico, “passou a prescrever Cloroquina, na porta do Palácio do
Planalto”.
E arrematou:
– “Gripezinha?… Senhor presidente, faça-me o favor!”.

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