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Onde está o dinheiro?

13/01/2020 16:38


Mergulhada em um mar de lama, parte da Paraíba parece ter se transformada em uma espécie
de Casa da Moeda do dinheiro sujo – ou desviado. É o que tem revelado as operações
deflagradas no Estado, tais como Xeque-Mate,Calvário e, agora, Pés de Barro. Entre estas, a
Calvário parece ser o carro-chefe do desvio de dinheiro público.
No caso da Calvário, ao que tudo indica, e com base nas delações da ex-secretária Livânia
Farias e do ex-secretário executivo de Turismo, Ivan Burity, o dinheiro desviado dos cofres
públicos do Governo do Estado – alvo da Operação – retornou às terras tabajaras em forma de
propina. E, o mais curioso, em dinheiro vivo, por assim dizer. Isto é, em papel moeda, em
espécie. Nada foi feito de forma escritural (depósito ou transferência bancária).
Assim sendo, e com base no montante desviado, a pergunta é a seguinte: onde está o dinheiro
que chegou às mães dos chefes do esquema criminoso revelado pela Operação Calvário? Onde
estão as caixas recheadas de cédulas de Reais? Onde esse montante foi escondido? Enterrado
no quintal?
De acordo com a delação feita por Livânia, só de um fornecedor, a ex-secretária teria entregue
ao ex-governador Ricardo Coutinho, na Granja Santana – residência oficial do governador – , a
cifra de R$ 4 milhões – em espécie.
Segundo especialistas, no caso de empilhar o dinheiro, o valor equivale a um metro cúbico de
cédulas de R$ 50,00, aproximadamente. É que R$ 4 milhões correspondem a 80 mil notas de
R$ 50,00. Enfim, essa foi a quantia que a ex-secretária Livânia Farias revelou, em sua delação,
ter entregue, pessoalmente, ao ex-governador Ricardo Coutinho, na Granja Santana. Tudo em
dinheiro vivo, acondicionado em caixas.
Ainda de acordo com as revelações de Livânia, o dinheiro, é claro, foi entregue em parcelas,
até porque seria difícil para uma só pessoa conduzir tantas notas de uma só vez, sem deixar
rastros, pistas. Livânia revelou, ainda, que o ex-governador recebia tudo em silêncio; apenas
mandava colocar o dinheiro num determinado local, na Granja.
Nesse caso particular, o dinheiro vinha de apenas um fornecedor: Jardel Aderico da Silva.
Segundo o Gaeco, o fornecedor era proprietário da A J.R. Araújo Desenvolvimento Humano
Eireli/Editora Inteligência Relacional, e “teria contribuído com pagamentos de propina e
firmado, entre 2014 e 2018, contratos com o Estado da Paraíba, mediante inexigibilidade de
licitação, no montante de R$ 66.773.136,00”.
Dinheiro escondido
Em dezembro do ano passado, o jornalista Lauro Jardim, em sua coluna, no jornal O Globo, fez
o primeiro registro em torno da possibilidade de o ex-governador Ricardo Coutinho ter, em seu
poder, uma fortuna em espécie, escondida em um local, provavelmente enterrada à moda das
botijas de antigamente.
No registro, Lauro Jardim ressalta que, o que era apenas uma suspeita, passou a ser uma das
linhas de investigação da Operação Calvário: a existência de dinheiro enterrado – escondido.
De acordo com registro, os procuradores (do Gaeco) cogitam, inclusive, que Coutinho tenha
enterrado ao menos uma parte do dinheiro, na tentativa de ocultá-lo
Lauro Jardim lembra, como paralelo, o caso do ex-deputado e ex-ministro Geddel Vieira de
Lima. Em 5 de setembro de 2017, durante a Operação Tesouro Perdido, policiais encontraram
R$ 51 milhões em dinheiro vivo (R$ 42,6 milhões e US$ 2,6 milhões), num apartamento em

Salvador, próximo à casa da mãe de Geddel. No dinheiro, foram encontradas digitais do ex-
ministro. Ele foi denunciado em dezembro de 2017, e condenado em outubro último pelo
Supremo Tribunal Federal.

Valter Nogueira

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