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O Tempo e o Vento; e a política

30/01/2020 12:44


Embora sugestivo, o título acima não quer dizer que vamos analisar a série literária de
romances históricos do escritor brasileiro Érico Veríssimo. Não, isso fica para os críticos
literários. Na verdade, evoco o tema para lembrar que o tempo é o senhor da razão e o vento,
por vezes, varre os terreiros, joga as ondas do mar sobre os castelos de areia, desfigurando-os,
destruindo-os. E, na cena política, por vezes, sopra ao contrário dos prognósticos, das
expectativas.
Até pouco tempo, o nome de Ricardo Coutinho (PSB), forte como um tal ‘Capitão Rodrigo’,
pairava no consciente coletivo paraibano como candidatura imbatível, caso decidisse disputar
a prefeitura de João Pessoa nas eleições de outubro deste ano. Adversários e ex-aliados
admitiam e reconheciam a força política de Ricardo.
O presidente da Assembleia Legislativa da Paraíba, deputado Adriano Galdino (PSB), mesmo
externando mágoas do ex-líder e, também, na hora de anunciar o seu afastamento do ex-
governador, admitia, mais do que isso, proclamava que, na Capital, o nome era Ricardo; o
resto “farinha do mesmo saco”.
Todavia, assim como as nuvens se dissipam ao sabor dos ventos, as coisas da política na
‘cidade das acácias’ mudaram de lugar. Um novo cenário se descortina quanto à sucessão em
João Pessoa, fato gerado a partir de dois eventos: primeiro, o rompimento entre o ex-
governador Ricardo Coutinho e o governador João Azevedo, e, segundo, os efeitos da
denominada Operação Calvário, estes com mais agressividade.
Agora, com os reflexos da Calvário, Ricardo passa de inatingível à condição de má companhia
eleitoral – até prova em contrário, é claro. Virtuais candidatos já declaram que não querem o
apoio do ex-governador. De forma contrária, até os mais próximos já ensaiam distanciamento.
Com efeito, o PSB perde a situação confortável que tivera antes.
Por outro lado, o fogo que atingiu o PSB deixou uma clareira imensa, terreno a ser
pavimentado pelos partidos de oposição na sucessão municipal deste ano. Nesse cenário, o
esquema político capitaneado pelo prefeito da Capital, Luciano Cartaxo, volta a ser alimentado
por oxigênio novo, ganhou sobrevida. O sonho de esperança alimenta, também, figuras de
proa de blocos antagonistas ao coletivo girassol.
A nova fase da Operação Calvário, denominada ‘Juízo Final’, deflagrada no dia 17 de dezembro
de 2019, jogou por terra os planos do coletivo girassol. Isto é, a reconquista do poder na
Capital, no pleito que se avizinha. E, quiçá, no Estado, em 2022.
Recorrendo ao romance de Érico Veríssimo, numa analogia rasa, é possível dizer que o vento,
agora, não é mais de popa, e o tempo passou para um certo Capitão Rodrigo.

Valter Nogueira

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