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Quiosques da Orla

14/10/2019 14:09

Prefeito Luciano Cartaxo anuncia reordenamento dos quiosques da Orla. Que manchete daria,
hein! O assunto, é claro, não passa de especulação. Mas, sem dúvidas, seria um ‘gol de placa’,
por assim dizer, do prefeito de João Pessoa, caso o gestor municipal decida tomar posição
ante ao que podemos denominar de ‘desorganização’ quanto à forma de ocupação e a falta de
padronização dos quiosques instalados ao longo do calçadão das praias de Tambaú e Cabo
Branco.
O assunto já foi tratada aqui, nessa coluna, por duas vezes, intitulado ‘Orla da Capital’. Mas
vale a pena trazer a questão à tona mais uma vez. Falo da cidade de João Pessoa e a desordem
presente na Orla, no que diz respeito aos quiosques edificados ao longo do já citado Calçadão,
A praia é bela, a brisa é fresca, mas nem tudo no local são flores. Há aspectos negativos quanto
a infraestrutura da área em questão, os quais estão desfigurando a linda paisagem da nossa
linha costeira.
A propósito, a impressão que se tem é que, a cada mês, surge uma nova barraca (quiosque) no
Calçadão, o que tem formado um paredão ao longo do passeio público. O interessante é que,
em alguns pontos, os quiosques estão dispostos em ilhas com três unidades. Em outras áreas,
têm ilhas com duas unidades e, mais à frente, é possível encontrar barracas isoladas. O pior é
que o espaço aberto entre uma ilha e outra está ficando estreito, isso devido ao surgimento –
repito – de novas barracas.
Entre as novas edificações, têm algumas que mais parecem restaurantes do que quiosques;
isso pela dimensão e sofisticação. Então, a pergunta que não quer calar: quem autoriza tal
empreendimento, em pleno terreno de Marinha?
João Pessoa tem cantos e recantos que encantam. O Centro é dono de uma riqueza
arquitetônica ímpar, sem falar nos logradouros, tais como a Praça Rio Branco, o Ponto de Cem
Réis, a Praça Antenor Navarro e, claro, o Parque Sólon de Lucena. Porém, nada pode competir
com o ‘canto da sereia’, ou melhor, com o azul do mar. Isto é, a cidade cresceu em direção ao
litoral e, hoje em dia, a Orla da Capital é, de longe, o point da Filipéia de Nossa Senhora das
Neves.
Urge um ordenamento, um projeto urbanístico para a Orla, a exemplo do que foi feito no
Parque da Lagoa. É preciso encontrar um esboço que preze pela harmonia entre o comércio e
a paisagem, entre a obra de pedra e cal e a natureza, entre edificações e espaços livres.
Trocando em miúdos, os quiosques devem existir, mas de forma padronizada e – o que é
essencial – a exigência de um espaço mínimo entre um e outro, como forma de ofertar aos
paraibanos e visitantes o dourado da areia, o verde dos coqueirais e, principalmente, o azul do
mar.

Valter Nogueira

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