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Além do Preconceito

07/10/2019 18:34


A Nordeste do Brasil é a segunda região mais populosa do país, com mais de 50 milhões de
habitantes, atrás apenas do Sudeste, que passa dos 80 milhões. Tem a terceira maior área
territorial brasileira, com 1.554.000 km². É o segundo mercado consumidor do Brasil, realidade
que, a cada ano, tem atraído investidores nacionais e estrangeiros. Possui um litoral com mais
de 3 mil quilômetros de extensão; metade na costa norte e, a outra,na costa leste do país.
No campo econômico, o crescimento da região tem, nos últimos anos, superado o do Brasil.
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), no período de 2002-
2015 a região teve crescimento de 3,3% ao ano. No mesmo período, Sudeste e Sul – regiões
mais ricas – cresceram, porém, menos: 2,6% e 2,4%, respectivamente. O Brasil cresceu 2.9%.
O Nordeste, porém, não é uma região com características uniformes. Apresenta diferenças
quanto ao clima, relevo, vegetação, etc. Isto é, a Região é dividida em quatro sub-regiões:
meio-norte, zona da mata, agreste e sertão.
O meio-norte corresponde à faixa de transição entre o sertão semiárido do Nordeste e a região
Amazônica. Inclui os estados do Maranhão e oeste do Piauí. Já o sertão é uma extensa área de
clima semiárido, que compreende o centro do Nordeste. As chuvas são escassas e mal
distribuídas. A vegetação típica é a caatinga e a bacia do rio São Francisco é a maior da região;
a água é aproveitada para irrigação e, também, fonte de energia.
O agreste é a área de transição entre a zona da mata (úmida e cheia de brejos) e o sertão
semiárido. Por sua vez, a zona da mata compreende uma faixa litorânea de até 200
quilômetros de largura que se estende do Rio Grande do Norte ao sul da Bahia. É a sub-região
mais urbanizada e populosa da região. O clima é tropical úmido e o solo é fértil em razão da
regularidade de chuvas. A vegetação natural é a mata Atlântica.
As características das sub-regiões nordestinas são de fundamental importância para a
compreensão das relações sociais nelas estabelecidas, aspecto de grande importância que
deve ser entendido, para que uma análise da região seja feita sem preconceitos e distorções.
A escritora cearense Rachel de Queiroz, em uma de suas memoráveis crônicas, intitulada
‘Nosso velho problema’, faz uma pergunta, no mínino, intrigante, mas que resume bem a
força do povo da Região e o amor a este rincão: “…Dentro de situações tão severas, o que não
se entende é por que o Nordeste continua tão povoado e sua gente tão teimosamente
agarrada à terra…?”.

Valter Nogueira

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