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Aeroporto deve, sim, ser preocupação do Governo do Estado

25/02/2019 08:30

Dia desses, em evento do Programa Empreender, no Palácio do Governo, tive a
oportunidade de indagar o governador João Azevedo sobre o processo de
privatização dos aeroportos de João Pessoa e de Campina Grande. A princípio,
o chefe do poder executivo disse que a questão dos aeródromos não era assunto
do governo do estado, mas, sim, do governo federal. Todavia, e, em tempo,
Azevedo revelou que estava atento ao caso. Que bom! Pois, ao que tudo indica, a
privatização pode esvaziar os dois principais aeródromos da Paraíba, devido à
proximidade das duas cidades ao grande e movimentado aeroporto do Recife.
Trago esse assunto à baila porque o que, antes, poderia parecer uma
inquietação pessoal, agora ganha amplitude, a partir de um alerta feito pelo
senador Veneziano Vital do Rêgo (PSB-PB), que externou preocupação sobre a
decisão do governo federal de privatizar os aeroportos da Capital e de Campina.
O alerta foi feito, semana passada, durante discurso na tribuna do Senado
Federal – Parabéns, senador!
Da acordo com os dados apresentados pelo governo para a 5ª Rodada de
Concessões de Aeroportos, o Bloco Nordeste inclui os aeródromos de João
Pessoa, Campina Grande, Recife, Aracajú, Maceió e Juazeiro do Norte.
O aeroporto de João Pessoa movimenta 1,4 milhão de passageiros por ano,
enquanto o de Campina Grande movimenta 150 mil. Esses dados foram relatados
pelo senador, que afirmou: “Com as concessões, esses números poderão cair
drasticamente”.
De acordo com Vital, a concessionária vencedora terá que cumprir algumas
obrigações, a exemplo de adaptações técnicas. Dentre elas, a mudança nos tipos
de aeronaves que podem operar nos dois aeródromos paraibanos. Atualmente,
segundo cadastro da Agência Nacional de Aviação Civil – ANAC, os aeroportos
de João Pessoa e Campina são homologados para garantir operações com
aeronaves 4C, operadas pelas principais companhias aéreas brasileiras.
Veneziano Vital alerta, ainda, que o novo operador aeroportuário terá obrigação
de adequar os aeroportos para receber aeronaves 3C, categoria menor que a
atual. Isto é, os voos com aviões da categoria 4C devem ser desviados para
Recife.
Outro detalhe levantado por Veneziano é que esta será a primeira vez que haverá
concessões em bloco, cabendo ao vencedor do leilão administrar todos os
aeroportos do respectivo bloco. No caso do Bloco Nordeste, o aeroporto de
Recife, com uma movimentação de 7,8 milhões de passageiros ao ano, será o
grande atrativo, o que, fatalmente, desestimulará o vencedor de investir nos
demais aeroportos.
Finalizando a análise, é possível afirmar que a privatização dos aeroportos da
Capital e de Campina deve, sim, ser preocupação do Governo do Estado da
Paraíba. Mais do que isso, deve ser assunto de pauta das prefeituras das
respectivas cidades e, principalmente, do povo paraibano. Caso contrário, iremos
ficar a reboque de Pernambuco.

Valter Nogueira

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