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Humildade ante a Sabedoria

24/01/2019 14:55

Paiva Netto
Os sacerdotes, os educadores, os políticos, os cientistas, os filósofos, os analfabetos, os eruditos, todos,
enfim, devem aprender a lição da humildade de espírito diante da Verdade e do Amor Fraterno, sem os quais
não poderemos crescer em conhecimento, que é ilimitado. Jesus, o Cristo Ecumênico, o Sublime Estadista,
rendeu glórias a tal virtude — a simplicidade da Alma —, capaz de nos fazer acessar o Infinito Conhecimento,
que emana de Deus: “Graças Te dou, ó Pai, Senhor do Céu e da Terra, porque ocultaste estas coisas aos
sábios e doutores do mundo e as revelaste aos pequeninos” (Evangelho, segundo Mateus, 11:25).
Heráclito de Éfeso, nascido no sexto século a.C., foi um filósofo pré-socrático grego, considerado o
“pai da dialética” e membro da aristocracia de sua cidade — na qual, segundo a tradição, morreu João,
Evangelista e Profeta, quase centenário. O pensador helênico assim preconizava: “Tudo flui, nada permanece.
Não podemos entrar duas vezes no mesmo rio, pois suas águas não são mais as mesmas e nós não somos mais
os mesmos”.
Realmente, assim o é, porque as águas do saber não distinguem fronteiras e transformam todos aqueles
que têm coragem de beber de sua fonte. Contudo, quem a ela recorre jamais poderá prescindir da Ética para
que não a torne em antissaber, isto é, o emprego criminoso da informação e do conhecimento, que ainda tanto
se pratica na Terra.
Teresa Neumann e os estigmas
Quem verdadeiramente se dispõe à humildade perante a Sabedoria liberta-se das limitações da
arrogância. Um cientista realmente sábio jamais se negaria à análise, sem parti pris, isto é, sem ideia
preconcebida, de um fenômeno como o de Teresa Neumann (1898-1962), livre da presunção de tentar, de
início, reduzir o caso a uma questão de histeria. Como ignorar os fatos ocorridos com essa extraordinária
mulher que, até a sua morte em 1962, foi alvo de surpreendentes manifestações espirituais? Conhecidos como
estigmas — cicatrizes que correspondem às cinco chagas que marcaram o corpo de Jesus após a crucificação
—, estes stigmatas começaram a surgir na Sexta-feira Santa de 5 de março de 1926 e se repetiam a cada ano
na mesma data sagrada.
Teresa Neumann nasceu em 9 de abril de 1898, em Konnersreuth, Baviera, hoje um dos dezesseis
estados federais da Alemanha. Foi acompanhada por um grupo de cientistas e pesquisadores, que tentou, de
todas as formas, explicar o prodígio. Segundo alguns relatos, a partir do Natal de 1922, deixou de se alimentar
com comida sólida e, exatamente quatro anos depois, também abandonou os líquidos, se restringindo apenas a
um gole de água por dia, embora mantivesse seus 55 quilos. O dr. Ludovico Kannmüller escreveu no jornal
Del Danubio: “A ciência não pode explicar o jejum da estigmatizada de Konnersreuth”.
Os médicos mais famosos da época tentaram achar justificativas para o seu jejum, mas se renderam às
evidências do ainda considerado sobrenatural.
Teresa reviveu centenas de vezes, sob a forma de visão, cenas da caminhada do Calvário à
Crucificação de Jesus, ao passo que presenciou também as inesquecíveis prédicas do Mestre de Nazaré ao
povo humilde e sofredor, além de marcantes acontecimentos descritos no Novo Testamento.
A escritora francesa Paulette Leblanc, em artigo, acrescenta: “Durante trinta e cinco anos, para além
das terríveis visões da Paixão de Jesus Cristo, teve a graça de contemplar a vida de Jesus sobre a Terra, e os
Seus milagres. Viu o país onde Ele viveu, trabalhou e viajou, bem como as pessoas que O cercavam; conheceu
os Seus costumes e ouviu-O falar na sua língua: o aramaico. Viveu cenas da viagem dos Reis Magos, o
massacre dos Inocentes, a fuga para o Egito, a vida em Nazaré e a maior parte dos episódios da vida pública.
Teresa contemplou também numerosas cenas da vida de Maria após a ressurreição de Seu Filho,
nomeadamente em Éfeso, com S. João, seguidamente em Jerusalém, donde foi elevada ao Céu. Assistiu ainda
à lapidação de Santo Estêvão e foi testemunha da pregação e do martírio dos Apóstolos e de numerosos
Santos”.
Outro fator que mereceu a atenção de investigadores foi a sua capacidade de falar vários idiomas
durante os transes mediúnicos: sendo uma jovem que fora obrigada a deixar cedo os estudos, tendo
somente concluído a escola obrigatória, de que maneira dominava com tanta correção o grego, o latim, o
francês e, pasmem, o aramaico? São ocorrências confirmadas pelo professor de filologia semítica Johannes
Bauer, pelo orientalista e papirólogo vienense prof. dr. Wessely e pelo arcebispo católico de Ernakulam na
Índia, dr. Joseph Parecatill. Os três concordavam que Teresa se exprimia na língua falada na Palestina ao
tempo do Cristo.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com


Serviço – Os mortos não morrem (Paiva Netto), 528 páginas. À venda nas principais livrarias ou pelo site

Paiva Netto

José de Paiva Netto, escritor, jornalista, radialista, compositor e poeta, nasceu em 2 de março de 1941, no Rio de Janeiro/RJ, Brasil. É Diretor-Presidente da Legião da Boa Vontade (LBV), membro efetivo da Associa-ção Brasileira de Imprensa (ABI), da Associação Brasileira de Imprensa Internacional (ABI-Inter), da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), da International Federation of Journalists (IFJ), da Academia de Letras do Brasil Central, do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro, do Sindicato dos Escritores do Rio de Janeiro, do Sindicato dos Radialistas do Rio de Janeiro e da União Brasileira de Compositores (UBC).
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