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Quem faz o pão…

07/12/2018 10:14

A Economia não pode ser o reino do egoísmo. Ora, ela está aí para beneficiar todos os
povos, compartilhando decentemente os bens da produção planetária. Se isso, porém, não ocorre,
é porque se faz necessária uma mudança espiritual-ética de mentalidade, principalmente pelo
prisma do Novo Mandamento de Jesus, o Cristo Ecumênico, o Divino Estadista, pois ensina que
nos devemos amar como Ele nos tem amado: “Amai-vos como Eu vos amei. Somente assim
podereis ser reconhecidos como meus discípulos, se tiverdes o mesmo Amor uns pelos outros”
(Evangelho, segundo João, 13:34 e 35). Senão, os predadores das multidões podem ganhar a
batalha, que a eles no devido tempo, da mesma forma, consumirá. O desprezo às massas
populares é multiplicação de desesperados. Certamente, alguém já concluiu que quem faz o pão
deve, de igual modo, ter direito a ele. Alerto para o fato de que, se o território não é defendido
pelos bons, os maus fazem “justa” a vitória da injustiça.
Haveremos de assistir ao dia em que a Economia terrestre será bafejada pelo espírito
de Caridade, porque a Luz de Deus avança pelos mais recônditos ou soturnos ambientes do
pensamento e da ação humanos. Portanto, que os chamados bons se levantem em nome da Paz
e espalhem essa Sublime Claridade para iluminar a escuridão que ainda campeia pelo mundo.
Foi o Divino Mestre quem afirmou: “Assim também brilhe a vossa luz diante dos homens, para
que vejam as vossas obras e glorifiquem vosso Pai que está nos Céus” (Evangelho, segundo
Mateus, 5:16).
Desumanidade gera desumanidade — No meu estudo Cidadania do Espírito (2001),
afirmo que desumanidade gera desumanidade. Aí está, em resumo, a explicação do estado atual
nas diversas regiões do planeta. Porém, com a riqueza de nosso Espírito, podemos edificar um
amanhã mais apreciável. Entretanto, nenhuma reforma será duradoura se não houver o sentido de
Caridade, o respeito ao ser humano e o bom comando das gentes atuando no coração.
Caridade é a comprovação do supremo poder da Alma ao construir épocas melhores de
vida material e espiritual para os países e seus povos, os Cidadãos do Espírito. Resta às
criaturas aprender em definitivo a enxergar essa realidade e a desenvolver a compaixão, aliada à
Justiça. Desse modo, com o passar das eras, o mundo abandonará a doença que, pelos milênios,
lhe tem feito tanto mal: a pouca atenção que dá à força do Amor Fraterno, “princípio básico do
ser, fator gerador de vida, que está em toda parte e é tudo”.
Sobre o sublime ato de se doar ao próximo e suas consequências sociais, assim se
manifestou o pensador político francês Alexis de Tocqueville (1805-1859), autor de A
Democracia na América: “A caridade individual se dedica às maiores misérias, procura o
infortúnio sem publicidade e, de maneira silenciosa e espontânea, repara os males. Ela se faz
presente onde quer que haja um infeliz a ser resgatado e cresce junto com o sofrimento. (…)
Pode produzir somente resultados benéficos. (…) Alivia muitas misérias, sem produzir nenhuma.
Identificação no Bem de norte a sul, de leste a oeste — Enquanto os governos não
chegam às “soluções definitivas” para a miséria, que cada criatura, por iniciativa pessoal ou em
comunidades, faça mais do que puder — e não o deixe de realizar — pelo semelhante, pondo
em ação o poderoso espírito associativo de Caridade, tão apregoado e vivido por Jesus,
Muhammad, Moisés, Buda, Onisaburo, Confúcio, Gandhi e outros luminares da História não
somente do campo religioso.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

Paiva Netto

José de Paiva Netto, escritor, jornalista, radialista, compositor e poeta, nasceu em 2 de março de 1941, no Rio de Janeiro/RJ, Brasil. É Diretor-Presidente da Legião da Boa Vontade (LBV), membro efetivo da Associa-ção Brasileira de Imprensa (ABI), da Associação Brasileira de Imprensa Internacional (ABI-Inter), da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), da International Federation of Journalists (IFJ), da Academia de Letras do Brasil Central, do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro, do Sindicato dos Escritores do Rio de Janeiro, do Sindicato dos Radialistas do Rio de Janeiro e da União Brasileira de Compositores (UBC).
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