PBNEWS


Colunas

Aids — o vírus do preconceito agride mais que a doença

01/12/2018 11:24

O organismo humano é a mais extraordinária máquina do mundo.
Mesmo assim, falha. Contudo, com Amor, até os remédios passam a ter
melhor resultado. Por isso mesmo, a decisão da Assembleia Mundial de
Saúde, com o apoio da ONU, de instituir, desde outubro de 1987, o
primeiro de dezembro como o Dia Mundial da Luta contra a Aids, é de
enorme importância. Tanto que, no ano seguinte, nosso país adotou a data
por meio de uma portaria assinada pelo Ministério da Saúde.
Nossos Irmãos que padecem com o vírus HIV e os que sofrem de
outros males físicos, mentais ou espirituais precisam, em primeiro lugar, de
Amor Fraterno, aliado ao socorro médico devido. Se a pessoa se sentir
espiritual e humanamente amparada, criará uma espécie de resistência
interior muito forte, que a auxiliará na recuperação ou na serenidade diante
da dor. Costumo afirmar que o vírus do preconceito agride mais que a
doença.
Aos que sofrem o abandono a que foram relegados por antigos
correligionários, por amigos de discussão intelectual e até mesmo pelos
seus entes mais queridos, o conforto destas palavras do saudoso dom Paulo
Evaristo Arns (1921-2016), cardeal-arcebispo emérito de São Paulo, na
sua tocante obra Da Esperança à Utopia — Testemunho de uma Vida: “A
graça de Deus não esquece ninguém nem se regula por crachás. Basta
lembrar o segundo capítulo do livro Gênesis para sentir como o sopro de
Deus infunde vida ao ser humano e lhe dá como companheira a Esperança
por toda a vida. (…) Afinal, o mundo é de Deus, e Deus está presente no
coração de cada pessoa, por menos que esta O sinta ou O exprima de viva
voz. (…) A utopia é a união de todas as esperanças para a realização do
sonho comum. Se realizarmos este sonho, teremos construído uma nova
realidade”.
Longe do Amor Fraterno, ou Respeito, se assim quiserem apelidá-lo,
o ser humano jamais saberá viver em Sociedade Solidária Altruística
Ecumênica, porque a sua existência ficará resumida a um terrível
“cosmos”, o mesquinho universo do egoísmo. Por esse motivo, escreveu o
pensador e sociólogo francês Augusto Comte (1798-1857): “Viver para os
outros é não somente a lei do dever, mas também da felicidade”. Trata-se
de uma lição que ninguém deve esquecer em circunstância alguma.
José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

Paiva Netto

José de Paiva Netto, escritor, jornalista, radialista, compositor e poeta, nasceu em 2 de março de 1941, no Rio de Janeiro/RJ, Brasil. É Diretor-Presidente da Legião da Boa Vontade (LBV), membro efetivo da Associa-ção Brasileira de Imprensa (ABI), da Associação Brasileira de Imprensa Internacional (ABI-Inter), da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), da International Federation of Journalists (IFJ), da Academia de Letras do Brasil Central, do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro, do Sindicato dos Escritores do Rio de Janeiro, do Sindicato dos Radialistas do Rio de Janeiro e da União Brasileira de Compositores (UBC).
Fale conosco Siga-nos no Twitter RSS