PBNEWS


Colunas

A fraterna e permanente ambiência do Natal de Jesus

20/12/2018 16:50

No princípio da Legião da Boa Vontade, muita gente estranhava que os
seus programas começassem com música natalina. E até hoje há aqueles que se
admiram… Mas é fácil explicar: para nós o Natal é permanente. Isto é, o
atendimento ao povo deve ser diário, porque sua fome, do corpo e do Espírito,
também o é. A miséria não conhece feriados. Por que então viver-se o espírito
de Solidariedade apenas no dia tradicionalmente dedicado ao nascimento do
Cristo? Ele a todo instante surge nos corações de Boa Vontade, sempre disposto
a servir. O coração quer amar, realizar, e lhe é propícia a ambiência de
entendimento, cuja expressão maior é justamente o 25 de Dezembro. O Natal é,
pois, a expansão da Fraternidade Ecumênica, fato ilustrado com talento e
emoção em:
Um conto de Tolstoi
“Leon Tolstoi* relata que um aldeão russo, muito devoto, tinha pedido em
suas orações, durante alguns anos, que Jesus o viesse visitar, uma vez só que
fosse, na sua humilde choupana. Uma noite sonhou que o Senhor, no dia
seguinte, havia de aparecer-lhe; e tão certo ficou de que assim sucederia que,
apenas acordou, levantou-se imediatamente, entregando-se ao trabalho de pôr
em ordem a choupana, para que nela pudesse ser recebido o hóspede celeste tão
desejado. Apesar de uma violenta tempestade de granizo e neve que durou todo
o dia, nem por isso o pobre aldeão abandonou os preparativos domésticos,
cuidando também da sopa de couves, que era o seu prato predileto, e olhando,
de vez em quando, para a estrada, sempre à espera da feliz ocasião, não
obstante a tempestade continuar implacável. Decorrido pouco tempo, o aldeão
viu que caminhava pela estrada, em luta com a borrasca de neve que o cegava,
um pobre vendedor ambulante que conduzia às costas um fardo bastante
pesado. Compadecido, saiu de casa e foi ao encontro do vendedor. Levou-o
para a sua choupana, pôs-lhe a roupa a secar ao fogo na lareira, repartiu com
ele a sopa de couves, e só o deixou ir embora depois de ver que ele já tinha
forças para continuar a jornada. Olhando de novo através da vidraça, avistou
uma pobre mulher toda embaraçada, à procura do caminho, na estrada coberta
de neve. Foi buscá-la e abrigou-a também na choupana, mandou-a aquecer-se
ao lume benfazejo do lar, deu-lhe de comer, embrulhou-a na sua própria capa, e
não a deixou partir enquanto não readquiriu forças bastantes para a
caminhada. A noite começava a cair. E, contudo, nada havia que pudesse
anunciar a vinda de Jesus. Já quase sem esperanças, o pobre aldeão abriu a
porta, ainda mais uma vez. Estendendo os olhos pela estrada, distinguiu uma

criança e certificou-se de que ela se encontrava perdida no caminho, de tão
cega que estava pelo granizo e pela neve. Saiu mais uma vez, pegou na criança
quase gelada, levou-a para a cabana, deu-lhe de comer, e não demorou muito
para que a visse adormecida ao calor da lareira. Sensivelmente impressionado,
o aldeão sentou-se e adormeceu também ao fogo do lar. Mas, de repente, uma
luz radiosa, que não provinha do lume da lareira, iluminou tudo! E, diante do
pobre aldeão, surgiu risonho o Senhor, envolto em uma túnica branca.
“– Ah! Senhor! esperei todo o dia, e Vós sem aparecerdes, lamentou-se o
aldeão. E Jesus lhe respondeu: – Já por três vezes, hoje, visitei tua choupana: o
pobre vendedor ambulante, a quem socorreste, aqueceste e deste de comer, era
Eu; a pobre mulher, a quem deste a tua capa, era Eu; e essa criança a quem
salvaste da tempestade, também era Eu… O Bem que a cada um deles fizeste, a
mim mesmo o fizeste!”
Como Jesus nos visita
Isso constantemente acontece no mundo. Todos os dias Jesus nos visita na
forma da viúva, do órfão, do faminto, do desempregado, do necessitado de uma
palavra de conforto moral e de salvação espiritual. E quanta vez, dizendo adorá-
Lo, na verdade a todo instante O negamos, precisamente no campo em que o
Seu Evangelho-Apocalipse merece ser vivido: na liça diária. Não se pode
vivenciar a Religião ociosamente, como se fosse um festejozinho irresponsável
de fim de semana. Por isso Jesus adverte no Seu Evangelho, segundo Mateus,
16:27: “Porque o Filho de Deus há de vir na glória de Seu Pai, com Seus Anjos,
e então retribuirá a cada um conforme as suas obras”. E em Seu Apocalipse,
segundo João, 22:12: “E eis que venho sem demora, e comigo está o galardão
que tenho para retribuir a cada um segundo as suas obras”.
O combate à violência no mundo começa na luta contra a indiferença à
sorte do vizinho.

  • Leon Tolstoi (1828-1910) — célebre escritor russo.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

Paiva Netto

José de Paiva Netto, escritor, jornalista, radialista, compositor e poeta, nasceu em 2 de março de 1941, no Rio de Janeiro/RJ, Brasil. É Diretor-Presidente da Legião da Boa Vontade (LBV), membro efetivo da Associa-ção Brasileira de Imprensa (ABI), da Associação Brasileira de Imprensa Internacional (ABI-Inter), da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), da International Federation of Journalists (IFJ), da Academia de Letras do Brasil Central, do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro, do Sindicato dos Escritores do Rio de Janeiro, do Sindicato dos Radialistas do Rio de Janeiro e da União Brasileira de Compositores (UBC).
Fale conosco Siga-nos no Twitter RSS