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Zumbi e Ecumenismo Étnico

20/11/2018 18:36

Numa homenagem ao Dia Nacional da Consciência Negra,
comemorado em 20 de novembro, e à memória do valente Zumbi,
apresento trecho de artigo que preparei para a Folha de S.Paulo em 15 de
maio de 1988. Nele, enfatizo a necessária prática do Ecumenismo entre as
mais variadas etnias:
Zumbi deu o brado que nenhum Domingos Jorge Velho poderia
abafar: Liberdade! Dignidade! Somos seres humanos!
Morreu-lhe o corpo. Mas a Alma — quem conseguirá matá-la? —
permanece… e se multiplica nas palavras e atos de um Patrocínio, Joaquim
Serra, Luís Gama, Salvador de Mendonça, André Rebouças, Castro
Alves, Joaquim Nabuco e de tantos outros negros, brancos, mestiços. Se
ainda não há democracia étnica dentro de nossas fronteiras — embora o
Brasil seja um povo de etnias mescladas, para cuja sobrevivência é essencial
estar plenamente legitimada e vivida a sua brilhante mestiçagem —, é
porque o espírito de senzala continua grassando. Contudo, é justamente na
natureza miscigenada que consiste a sua força.
Toda a humanidade é mestiça
Em Crônicas e Entrevistas (2000), prossigo defendendo a tese de que
toda a humanidade é, desde os tempos iniciais da monera, uma mescla sem
fim, tornando-se, portanto, sem propósito, qualquer tipo de discriminação,
principalmente, no que diz respeito à cor da pele. A inevitável miscigenação
humana constitui fato de proporções globais. Vários estudiosos afirmam
que, cada vez mais, diminui no mundo o conceito de linhagem pura. Um
exemplo dessa constatação vem dos Estados Unidos, que criaram um item
no seu censo para contemplar os mestiços, que compõem significativa
parcela da população norte-americana.
O Brasil é uma grei globalizante
Volvendo os olhos para o nosso país, repleto de descendentes de
imigrantes e, também, de migrantes esperançosos de que finalmente sejam
integrados no melhor do seu tecido social, confirma-se a evidência de que
possui um dos mais extraordinários povos do orbe, e com características
privilegiadas, em virtude de sua extraordinária miscigenação. Ele é uma
grei… globalizante…

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

Paiva Netto

José de Paiva Netto, escritor, jornalista, radialista, compositor e poeta, nasceu em 2 de março de 1941, no Rio de Janeiro/RJ, Brasil. É Diretor-Presidente da Legião da Boa Vontade (LBV), membro efetivo da Associa-ção Brasileira de Imprensa (ABI), da Associação Brasileira de Imprensa Internacional (ABI-Inter), da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), da International Federation of Journalists (IFJ), da Academia de Letras do Brasil Central, do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro, do Sindicato dos Escritores do Rio de Janeiro, do Sindicato dos Radialistas do Rio de Janeiro e da União Brasileira de Compositores (UBC).
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