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Inimigo silencioso

14/11/2018 15:23

Numa excelente matéria produzida pelo programa Viver é Melhor!, da Boa
Vontade TV (Oi TV — Canal 212 — e Net Brasil/Claro TV — Canais 196 e 696), o
dr. Fadlo Fraige Filho, endocrinologista, presidente da ANAD (Associação Nacional
de Assistência ao Diabético) e da FENAD (Federação Nacional de Associações e
Entidades de Diabetes), trouxe importantes esclarecimentos sobre o perigo do diabetes
e das doenças a ele correlacionadas.
Abordamos, mais uma vez, esse relevante tema por se tratar de assunto de saúde
pública ainda não suficientemente difundido na população.
Passaporte
Acerca do impacto do diabetes na área da saúde, dr. Fadlo afirmou que “para a
Organização Mundial da Saúde (OMS) o diabetes e a obesidade são duas epidemias de
males crônicos. Ambas andam juntas porque a obesidade acaba sendo um passaporte
para o diabetes. É um fator desencadeante para aqueles que geneticamente já têm a
doença. São dois os tipos básicos de diabetes. O tipo 1, que se manifesta na infância e
adolescência, é autoimune, não muito ligado à genética (5% a 10% de todos os
diabéticos). Já de 90% a 95% dos doentes são do tipo 2, que se manifesta na fase
adulta e geralmente vem com a obesidade: 80% deles são obesos. (…) A doença é
silenciosa, evolui sem que percebamos. Você que é parente de diabéticos, ou que é
obeso, tem hipertensão, tem de fazer seus exames periodicamente, porque é possível
que você venha a desenvolver o diabetes”.
No Brasil, cerca de 13 milhões de pessoas estão com a doença, segundo informa
a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD). E os números não param. Houve um
aumento preocupante no mundo, de acordo com dados da Federação Internacional de
Diabetes (IDF). Somente no ano de 2017, foram estimados 425 milhões de diabéticos,
o que corresponde a 8,8% da população planetária. Calcula-se que até o ano de 2045
esse número ultrapasse 628 milhões.
O exemplo do carro
Quanto à prevenção masculina, o especialista fez uma interessante analogia: “A
mulher brasileira aprendeu a ter precaução com as doenças em geral. O ginecologista
pede os exames e ela os faz. Já o homem não se previne. Costumo dizer que o
brasileiro aprendeu a fazer manutenção do automóvel. Quer dizer, ele sabe fazer a
revisão do carro. Contudo, nunca leva seu corpo ao médico para ver o seu colesterol,
o seu açúcar… O diabetes é uma doença pouco conhecida em seus fundamentos. Se
não tratada, a pessoa aparentemente não sente nada, mas ao fim de talvez 7, 8, 9 anos,
sem tratamento adequado, ou às vezes sem um diagnóstico, pode se manifestar por
complicações gravíssimas”.
Dados alarmantes
De acordo com a OMS, hoje, a cada cinco segundos, uma pessoa no planeta
contrai o diabetes. E ainda consoante o endocrinologista, “é a primeira causa de
cegueira e de amputações de membros inferiores no mundo. É também praticamente a
primeira causa de insuficiência renal. Você tem em torno de 40% a 50% das pessoas
que fazem hemodiálise – quando o rim vai à falência – diabéticas. Em 40% das

coronariopatias que levam aos infartos, são indivíduos com diabetes. Tudo isso não é
para assustar, mas para alertar. Podemos evitar todas essas complicações desde que
tenhamos conscientização e saibamos nos tratar. (…) Eu tenho pacientes que já estão
com 30, 40 anos de diabetes e não têm nenhum problema, porque se cuidam, se
exercitam, fazem dieta”.
Sobremesa
Durante o programa, respondendo a uma telespectadora, que questionou se a
sobremesa diária pode oferecer algum risco, explicou: “O doce, na realidade, acaba
levando, de início, a um aumento de formação de gorduras, aumento de peso. Além do
que é um alimento não saudável. É preferível, em vez de habitualmente comer doce,
você se alimentar de frutas na sobremesa. É uma forma de prevenção da doença. Aliás,
um estudo feito em 2002 pela Associação Americana de Diabetes mostrou exatamente
isso; pegou pessoas que já tinham propensão à doença, fase inicial, que a gente chama
de intolerantes à glicose ou pré-diabéticas, e dividiram-nas em três grupos: um
fazendo dieta, exercícios; outro tomando remédios; e o outro apenas controle. Aquele
grupo que fez dieta e exercícios foi o que mais se beneficiou no sentido de regredir a
patologia. Então é possível prevenir a doença tipo 2, desde que você tenha uma vida
mais saudável, uma alimentação pobre em açúcar, pobre em carboidratos, e
evidentemente faça exercícios, mexa-se, isso é muito importante. (…) As frutas, as
fibras e os vegetais são fundamentais na alimentação de uma forma geral, para
equilibrar a quantidade de carboidrato”.
Fator de risco
Quanto à famosa “barriguinha”, o dr. Fadlo atestou tratar-se também de um fator
de risco: “Já se sabe que ela é reflexo do acúmulo da gordura visceral. Aquela que é
depositada não embaixo da pele, mas dentro das vísceras entre os intestinos, entre os
órgãos internos. É a pior de todas porque, na realidade, a gordura visceral está
relacionada muito mais com as complicações cardiovasculares, com infarto do
miocárdio, derrame, porque ela produz citoquinas inflamatórias, que acabam levando
a esses problemas”.
Eis a nossa contribuição para que mais e mais pessoas se conscientizem da real
necessidade de cuidar da saúde. Somente assim poderemos vencer o diabetes, terrível e
silencioso inimigo.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

Paiva Netto

José de Paiva Netto, escritor, jornalista, radialista, compositor e poeta, nasceu em 2 de março de 1941, no Rio de Janeiro/RJ, Brasil. É Diretor-Presidente da Legião da Boa Vontade (LBV), membro efetivo da Associa-ção Brasileira de Imprensa (ABI), da Associação Brasileira de Imprensa Internacional (ABI-Inter), da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), da International Federation of Journalists (IFJ), da Academia de Letras do Brasil Central, do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro, do Sindicato dos Escritores do Rio de Janeiro, do Sindicato dos Radialistas do Rio de Janeiro e da União Brasileira de Compositores (UBC).
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