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A queda de todas as bastilhas

11/07/2018 18:21

Dia 14 de julho. Completam-se 229 anos da Queda da Bastilha, episódio que deflagrou a Revolução
Francesa (infelizmente manchada pelo sangue dos guilhotinados), cujas origens remontam aos
enciclopedistas, vanguardeiros do iluminismo. Relativo ao tema, selecionei apontamentos meus, ao
longo do tempo, de palestras, programas de rádio, TV e de artigos publicados no Brasil e no exterior.
Não tenho pretensão de discutir aspectos históricos ― existem bons livros para isso ―, contudo
extrair uma importante analogia sobre quanto ainda é forçoso trilhar a fim de que as populações da
Terra deixem ruir de suas mentes e corações a pior de todas as bastilhas: a ignorância acerca da
realidade gritante da vida após o fenômeno da morte. Fator decisivo para que a valorização do ser
integral (corpo e Espírito) dite as regras dos governos das nações no terceiro milênio: Quando garoto,
devia ter 9 para 10 anos, assisti com meu pai, Bruno Simões de Paiva (1911-2000), no Rio de
Janeiro, a um filme sobre o 14 de julho.
Nos séculos 17 e 18, o absolutismo monárquico atingira intensa projeção. Como geralmente acontece
nas relações cotidianas, se afastadas do respeito ao Espírito Eterno do ser humano, houve por parte da
monarquia francesa um descaso tremendo com as necessidades básicas do seu povo, cuja expressão
mais grotesca seria a frase que teria sido proferida pela rainha Maria Antonieta (1755-1793), ao ser
informada por um dos cortesões de que o barulho que a importunava vinha das massas famintas
clamando por pão: “Por que não comem brioche?”
Tal contingência desumana tinha de desmoronar por força do curso inexorável da História. A
população de Paris, em 14 de julho de 1789, desesperada, marchou contra a prisão, símbolo da tirania
de que desejava livrar-se.
Abrir caminhos
No filme de que lhes falei há uma cena impressionante. Ela representa as pessoas que não temem
abrir caminhos: o povo estava de um lado e aqueles que protegiam a Bastilha, do outro. Entretanto,
os que ameaçavam invadi-la, com temor, não avançavam. De repente, um homem destacou-se do
meio daquela multidão e atravessou a ponte que cobria o fosso, sendo abatido por uma descarga de
tiros. Esse ato de coragem fez com que os demais o imitassem e, assim, conseguissem entrar na
fortaleza. Parece perspectiva romântica de um momento trágico, porém retrata de modo irretocável
uma verdade: há sempre alguém que se sacrifica pela mudança substancial do status quo. Não é
preciso levar bala para que as transformações ocorram. Há outros choques que ferem mais os
vanguardeiros, a exemplo da incompreensão, da inveja, do preconceito, da perseguição e do boicote.
Na sequência do longa-metragem, observamos a tomada da prisão, destruída de cima a baixo.
Existem aqueles que, tentando minimizar o fato histórico, apresentam uma argumentação frugal de
que o famoso cárcere não mais tinha relevância naquele período, pois apenas uns poucos presos lá se
encontravam.
Ora, o que o povo demoliu não só foi a construção de pedra; no entanto, o mais expressivo emblema,
para ele, do absolutismo dinástico!
E a palavra dinastia pode, por extensão, significar muita coisa, uma vez que funciona tanto no
feudalismo quanto na burguesia, no capitalismo e no próprio comunismo. Dinastia não implica

somente a sucessão por sangue. Existe uma pior: a da ambição desmedida que arrasa o ser vivente,
sob qualquer regime.
Uma nova civilização
Hoje se faz necessário pôr abaixo as bastilhas invisíveis, todavia de consequências bem palpáveis:
espirituais, morais, psicológicas, do sentimento.
Façamos florescer uma civilização nova a partir da postura espiritual e mental elevada de cada
criatura. Já dizia o filósofo: “A fronteira mais difícil a ser transposta é a do cérebro humano”. O
homem foi à Lua, mas ainda não conhece a si mesmo.
O Templo da Boa Vontade — aclamado pelo povo como uma das Sete Maravilhas de Brasília/DF,
Brasil, e que, segundo dados oficiais da Secretaria de Estado do Esporte, Turismo e Lazer do Distrito
Federal (Setul-DF), é o monumento mais visitado da capital do país — convida as criaturas a essa
epopeia de empreender uma viagem ao seu próprio interior. Feito isso, sair até mesmo da Via Láctea
será facílimo: desde que descubramos o âmago celeste de nosso ser, pois, na verdade, para o Espírito,
o espaço não existe.
Assegurou Jesus: “Tudo é possível àquele que crê” (Evangelho, segundo Marcos, 9:23).

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

Paiva Netto

José de Paiva Netto, escritor, jornalista, radialista, compositor e poeta, nasceu em 2 de março de 1941, no Rio de Janeiro/RJ, Brasil. É Diretor-Presidente da Legião da Boa Vontade (LBV), membro efetivo da Associa-ção Brasileira de Imprensa (ABI), da Associação Brasileira de Imprensa Internacional (ABI-Inter), da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), da International Federation of Journalists (IFJ), da Academia de Letras do Brasil Central, do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro, do Sindicato dos Escritores do Rio de Janeiro, do Sindicato dos Radialistas do Rio de Janeiro e da União Brasileira de Compositores (UBC).
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