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O Brasil vira refém

29/05/2018 16:12

A greve dos caminhoneiros parou, literalmente, o Brasil. Mais do que isso, revelou a força
de uma classe que, até então, não sabia o poder que tinha. Agora sabe! É verdade que o
movimento paradista extrapolou o aceitável no meio da semana passada, quando
submeteu milhões de brasileiros ao desabastecimento, com consequências diversas nas
áreas de Saúde, Educação, Alimentos, etc.
Mesmo causando prejuízos à população, o movimento foi visto com simpatia pela maioria
dos brasileiros, ao tempo que deixou o governo de mãos atadas, que teve de encarar um
custo bilionário para atender o pleito dos grevistas que tomaram o país como refém.
O país caiu na denominada ‘síndrome de Estocolmo’ – situação em que o refém cria um
laço de afeto com seu sequestrador. E já foram lançadas teorias para explicar o que
ocorreu aqui, no Brasil, ante a greve. A impopularidade do governo é a primeira delas,
fato que levou muita gente a aceitou o desconforto, desde que o movimento levasse o o
governo do presidente Michel Temer a uma derrota. A alta nos preços dos combustíveis é
apontada como a segunda causa; a uma reclamação geral, o que torna a pauta simpática
para muita gente. Por outro lado, parte do povo brasileiro prestou solidariedade às
dificuldades de trabalho dos caminhoneiros, que, inclusive pagam altos impostos.
Todavia, essa simpatia com a greve não deveria justificar o sacrifício imposto as pessoas
que estão fora da negociação entre o setor de transportes e o governo.
Impotente diante da realidade, o governo teve de ceder. Mais do que isso, revelou pouca
habilidade para gerir a crise. Refez a negociação duas vezes, ao mesmo tempo em que
viu fracassar a tentativa desesperada de estancar a sangria com o uso de forças de
segurança.

Valter Nogueira

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