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Todo dia é dia de índio

16/04/2018 17:52

Os registros históricos relatam que, no I Congresso Indigenista Interamericano,
ocorrido no México, em 1940, representantes de diversos países convidaram os
índios a se sentarem à mesa para o debate cujo tema central era a própria situação
deles no continente americano. A princípio, os protagonistas do evento, receosos,
não compareceram. Porém, no dia 19 de abril, numa demonstração de cordialidade,
aceitaram participar do acontecimento. Por isso, nessa data foi instituído o Dia do
Índio. O objetivo principal era o de exigir dos governos a criação de políticas que
salvaguardassem a cultura e a qualidade de vida dos povos indígenas. No Brasil,
em 2 de junho de 1943, o presidente Getúlio Vargas (1883-1954) assinou o
decreto de lei n o 5.540, determinando que no país aquela data também fosse
dedicada ao índio.
Ao longo do tempo, apesar dos esforços de garantir a eles o direito de viver em
suas terras com dignidade, há muito o que fazer ainda. Eles são merecedores do
maior respeito. Os versos do entusiasta Jorge Ben Jor, na composição em parceria
com o saudoso Tim Maia (1942-1998) e imortalizados na voz de Baby do Brasil
cá na Terra Brasilis, valem nossa reflexão: “(…) Pois todo dia, toda hora, era dia
de índio/ Mas agora eles só têm um dia / O dia dezenove de abril (…)”.
Sepé-Tiaraju
A história de nosso povo e de sua luta por tornar o país soberano tem, na atuação
dos índios, capítulo dos mais relevantes. Grandes guerreiros o grafaram com as
tintas da coragem e do amor ao torrão natal. Um deles, Sepé-Tiaraju, guarani de
São Miguel das Missões, teve seu nome inscrito em 18/4/2006, pelo Senado
Federal, no Livro dos Heróis da Pátria. A honrosa distinção partiu de um projeto
do senador pelo Rio Grande do Sul dr. Paulo Paim.
O Brasil que desejamos ver progredir, nunca deixando de lado seu natural espírito
solidário, fraterno e generoso, é composto também por decididas Almas, como a de
um Sepé-Tiaraju que, a 7 de fevereiro de 1756, na resistência à invasão dos Sete
Povos das Missões, bradou:
“Esta terra tem dono!”
De fato, esta terra é de Jesus, a presença que a todos ilumina! E como gosta de
saudar um Irmão Índio, grande amigo nosso, conhecido como Flexa Dourada
(Espírito): “Salve, Jesus!”

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

Paiva Netto

José de Paiva Netto, escritor, jornalista, radialista, compositor e poeta, nasceu em 2 de março de 1941, no Rio de Janeiro/RJ, Brasil. É Diretor-Presidente da Legião da Boa Vontade (LBV), membro efetivo da Associa-ção Brasileira de Imprensa (ABI), da Associação Brasileira de Imprensa Internacional (ABI-Inter), da Fede-ração Nacional dos Jornalistas (Fenaj), da International Federation of Journalists (IFJ), da Academia de Letras do Brasil Central, do Sindicato dos Jornalistas Profissio-nais do Estado do Rio de Janeiro, do Sindicato dos Escri- tores do Rio de Janeiro, do Sindicato dos Radialistas do Rio de Janeiro e da União Brasileira de Compositores (UBC).
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