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Ocultar suas intenções: uma das chaves do poder

16/02/2018 10:47

Vamos direto ao ponto (vou iniciar assim desta vez). Me deparei com algumas situações que me fizeram lembrar de um livro chamado “As 48 Leis do Poder”, do Robert Greene. Pra ser mais exato, me recordei da lei nº 3, entitulada “Oculte suas intenções”, onde o autor fala da importância em não revelarmos totalmente nossas intenções, uma vez que almejamos certos objetivos ou o alcance do poder (vale salientar que não ratifico tudo o que o autor propõe, mas tomo o livro como uma boa referência). Por qual razão eu lembrei disso? Porque é muito comum as pessoas cavarem suas próprias “covas” ao falarem demais sobre seus planos. Vou mencionar duas situações do próprio livro, que por si só irão explicar a razão de eu ter escolhido esse assunto:

“Durante a Guerra da Sucessão Espanhola, em 1711, o duque de Marlborough, chefe do exército inglês, queria destruir um forte francês importantíssimo que protegia uma estrada vital para a entrada na França. Mas ele sabia que, ao destruí-lo, os franceses perceberiam o que ele queria avançar por aquela estrada. Em vez disso, ele simplesmente capturou o forte e o guarneceu com algumas das suas tropas, como se o desejasse para algum propósito particular. Os franceses atacaram o forte e o duque deixou que ele fosse reconquistado. Novamente de posse do forte, entretanto, eles o destruíram, imaginando que o duque tinha alguma razão importante para querer ficar com ele. Agora o forte não existia mais, o caminho estava livre, e Marlborough pôde facilmente entrar na França.”

“Certa vez a francesa Ninon de Lenclos fez a seguinte análise: Já ouviu falar de um general muito hábil que pretende surpreender uma cidadela anunciando seus planos ao inimigo? Oculte os seus propósitos e esconda o seu progresso; não revele a extensão dos seus objetivos até ser impossível se opor a eles, até terminar o combate. Conquiste a vitória antes de declarar a guerra. Em resumo, imite aqueles guerreiros cujas intenções ninguém sabe, exceto o país destruído por onde eles passaram.”

Onde quero chegar? Todos nós pretendemos alcançar objetivos e falar demais sobre nossas reais intenções nos torna previsíveis. Pessoas previsíveis dificilmente impõem respeito. Pessoas sem respeito não atingem postos melhores. O caso não é que devemos deixar de falar a verdade, mas que devemos selecionar a verdade que desejamos passar. Ao desejar entrar em uma empresa, por exemplo, nunca ouse dizer que pretende entrar em uma função, para usá-la de escada para chegar em outra (falando isso, sua cova acaba de ser cavada, pois dificilmente os caminhos para entrar na empresa serão abertos pra você).

P.T. Barnum é o inverso dessa lei aplicada. Sendo impossível se desfazer de sua imagem de impostor, começou a assumir essa imagem atrelada ao divertimento e humor, assim continuando a iludir as plateias que iam aos seus espetáculos. Seu espírito de trambiqueiro era tão conhecido e familiar para as pessoas, que ele se tornou uma figura cômica.

Finalizando, a não ser que você seja um P.T. Barnum da vida (no qual você deve assumir sua imagem de forma dissimulada), nunca fale demais, nunca exponha seus planos e ambições as quais as outras pessoas não gostariam de ouvir (principalmente quando esses planos podem se tornar uma “ameaça” pra elas). Criar uma cortina de fumaça é sempre uma boa opção. Falar seus objetivos (que não sejam os principais) é a solução. Não precisa criar um ar de mistério sobre você (o que faria as pessoas te observarem com mais cuidado), mas nunca dê as suas armas para que os outros usem contra você.

Caio Araújo

Especialista em Marketing Estratégico e Publicidade, bacharel em Marketing Turístico pela UFPB, aficionado por música, cervejas e boa comida, curioso por tecnologia, fotografia e cultura inútil.
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