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Tecnologias assistivas

11/12/2017 18:35

Neste mundo globalizado, em que as tecnologias se aprimoram a uma velocidade que
impressiona, abre-se um leque de oportunidades para a inclusão, no mercado de trabalho, de
pessoas com deficiência. Contudo, muitas dessas novas ferramentas esbarram no despreparo
e na desinformação de uma parcela da sociedade.
Segundo a analista de tecnologia assistiva da Associação para Valorização de Pessoas
com Deficiência (Avape), Karolline Fernandes Sales, ela própria deficiente visual, as
empresas usam três argumentos para não contratar alguém com baixa ou nenhuma visão.
“Um deles é o desconhecimento. Para a maioria dos empregadores, o cego não tem
condições de trabalhar, de chegar ao local de trabalho. Outro empecilho é o de não saber
utilizar um computador; sem falar do custo do leitor de tela, que varia de R$ 1,3 mil a R$ 1,7
mil ou um pouco mais. O terceiro argumento é o de que não existem pessoas qualificadas no
mercado”, afirmou.
Em entrevista ao programa Sociedade Solidária, da Boa Vontade TV (Oi TV — Canal
212 — e Net Brasil/Claro TV — Canal 196), Karolline Sales, que também exerce a função de
assessora de comunicação da Organização Nacional de Cegos do Brasil (ONCB), contestou:
“Conheço várias pessoas com deficiência visual graduadas, pós-graduadas, que já
concluíram o mestrado. Então, esse argumento da falta de qualificação é mais hipotético do
que real. Claro que existem indivíduos sem qualificação, não só com deficiência, mas sem
deficiência também. A Avape, inclusive, é uma das pioneiras em capacitar pessoas com
deficiência, não só a visual”.
Um dos principais avanços no que diz respeito à inclusão social foi a implementação
da Lei de Cotas. Karolline Sales esclareceu: “Essa lei determina, de acordo com a
quantidade de empregados, a contratação do trabalhador deficiente. A grande dificuldade
dos empresários, dos gestores, é como contratar, onde buscar esse profissional? É aí que
entra a Avape”.
Oportunidade e Competência
No programa, foi apresentada uma matéria com o depoimento do deficiente visual Edi
Carlos de Souza. Com apenas 1% de visão, ele procurou a Avape para recolocação
profissional e começou a prestar serviço para a Secretaria do Emprego e Relações do
Trabalho (Sert), do Estado de São Paulo. Sobre a sua capacitação, Edi Carlos comentou:
“Precisei passar por treinamentos porque uso dois sistemas. Um de leitor de tela — para
acompanhar as informações do computador — e outro do próprio sistema do ‘Emprega São
Paulo’”. Orgulhoso de sua profissão, ele desabafou: “Infelizmente, no Brasil temos falta de
informação em relação ao deficiente. Hoje em dia, a tecnologia e os mecanismos de acesso
estão aí para todo o mundo verificar. O que a pessoa deficiente precisa? De uma
oportunidade. Esse é o xis da questão. Ninguém pode ser julgado pela deficiência. Primeiro,
o empregador tem que avaliar a capacidade, e não a deficiência”.
E arrematou: “Você, que tem alguma deficiência, nunca se esconda. Estude, faça
cursos, procure, pois o mercado está precisando. E vocês, que são empregadores, sempre
acreditem e nunca prejulguem um deficiente. Deem a ele uma oportunidade, depois o
avaliem”.
Diante do exposto, é gratificante saber que, apesar dos obstáculos, mais deficientes
conquistam a cada dia maior reconhecimento na sociedade e, principalmente, no mercado de
trabalho.

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

Paiva Netto

José de Paiva Netto, escritor, jornalista, radialista, compositor e poeta, nasceu em 2 de março de 1941, no Rio de Janeiro/RJ, Brasil. É Diretor-Presidente da Legião da Boa Vontade (LBV), membro efetivo da Associa-ção Brasileira de Imprensa (ABI), da Associação Brasileira de Imprensa Internacional (ABI-Inter), da Fede-ração Nacional dos Jornalistas (Fenaj), da International Federation of Journalists (IFJ), da Academia de Letras do Brasil Central, do Sindicato dos Jornalistas Profissio-nais do Estado do Rio de Janeiro, do Sindicato dos Escri- tores do Rio de Janeiro, do Sindicato dos Radialistas do Rio de Janeiro e da União Brasileira de Compositores (UBC).

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