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Violência patrimonial

24/11/2017 19:26

Escolhi apresentar a vocês hoje o retrato da violência patrimonial, que
provoca lastimável sofrimento, mormente a mulheres e crianças.
A advogada Cíntia de Almeida, fundadora e diretora-executiva do Centro
de Integração da Mulher, em Sorocaba/SP, trouxe-nos valiosas informações sobre
o assunto:
“A violência patrimonial envolve aquela mulher que deseja colocar as suas
potencialidades a serviço do trabalho para contribuir com a família, mas seu
companheiro, seu marido, a impede. Ele destrói os seus documentos pessoais, a
sua carteira de trabalho. É também quando as divergências se instalam na vida
da família. Ao optar pela separação, a mulher faz a denúncia competente. Então,
o companheiro destrói os seus bens, os bens que ambos adquiriram
conjuntamente. Ou quando ele a coloca para fora do lar: ‘A casa é minha. Os
filhos são seus. Então, eu fico com a casa’”.
Segundo a dra. Cíntia, “essa outra forma de violência patrimonial depois na
Justiça se esclarece, mas há uma demora grande. A Justiça está assoberbada, e
existem numerosos casos. Até que se resolva tudo, muitas vezes, a mulher é
obrigada a sair com os filhos dessa situação constrangedora e violenta para
buscar um abrigo, uma casa onde possa falar que é sua por um tempo
predeterminado, intermediário, e onde vai ter toda a assistência possível. Mas
não é a casa dela. Então, é um constrangimento que ela vive. Essa é uma
violência patrimonial, além de psicológica, em que ela vê os sonhos destruídos, e
uma violência moral, em que se vê impossibilitada de reação. O companheiro
que ela ama a destrói como pessoa e destrói a sua vontade de viver, de ser feliz e
de transformar os filhos dessa união em pessoas saudáveis para a sociedade. Ela
fica muito vulnerável, muito exposta”.
O agressor
Atenção agora a esta consideração de nossa entrevistada: “Geralmente, o
agressor é alguém que conhece a mulher em todas as situações e como reage;
sabe de todos os detalhes do seu dia a dia e conhece o seu cheiro, os seus
sonhos”.
Grato, dra. Cíntia, pelas elucidações levadas ao ar no programa Sociedade
Solidária, da Boa Vontade TV (Oi TV — Canal 212 — e Net Brasil/Claro TV
— Canal 196). William Shakespeare (1564-1616) dizia que “aos infelizes o
melhor remédio é a esperança”. Contudo, é dever de todos nós e dos poderes
constituídos tornar realidade o socorro às vítimas da violência em seus vários
aspectos. Mais que isso, chegar antes, não permitindo que ocorram.

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

Paiva Netto

José de Paiva Netto, escritor, jornalista, radialista, compositor e poeta, nasceu em 2 de março de 1941, no Rio de Janeiro/RJ, Brasil. É Diretor-Presidente da Legião da Boa Vontade (LBV), membro efetivo da Associa-ção Brasileira de Imprensa (ABI), da Associação Brasileira de Imprensa Internacional (ABI-Inter), da Fede-ração Nacional dos Jornalistas (Fenaj), da International Federation of Journalists (IFJ), da Academia de Letras do Brasil Central, do Sindicato dos Jornalistas Profissio-nais do Estado do Rio de Janeiro, do Sindicato dos Escri- tores do Rio de Janeiro, do Sindicato dos Radialistas do Rio de Janeiro e da União Brasileira de Compositores (UBC).

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