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Finados e Vida Eterna

03/11/2017 16:24

Quando meus pais faleceram, muito padeceu o meu coração. Contudo,
prontamente comecei a entoar comovido colóquio com o Criador, amenizando a
saudade e lhes transmitindo mensagens de paz e de gratidão. Logo senti que
continuam vivos, porque os mortos não morrem. E, quando se ora, a Alma respira,
fertilizando a existência humana. Fazer prece é essencial para desanuviar o horizonte
do coração. Alziro Zarur (1914-1979), Proclamador da Religião de Deus, do Cristo
e do Espírito Santo, ensinava que “Deus não nos criou para nos matar” e que “não
há morte em nenhum ponto do Universo”, assunto de que, em outras ocasiões,
voltaremos a falar. Minha solidariedade, pois, aos que sofrem a aparente ausência de
seus entes queridos. Mas tenham certeza de que realmente os mortos não morrem.
Um dia, todos haveremos de nos reencontrar.
 
“A morte não existe
“E a dor é uma ilusão do nosso sentimento.”
 
Alentadoras palavras deixadas a nós pelo poeta português Teixeira de Pascoaes
(1877-1952), coincidentemente nascido num “Dia de Finados”. Que Deus o tenha em
bom lugar!
 
Dia de Finados
O ensejo recorda-me o pronunciamento do papa João Paulo II (1920-2005), em
2 de novembro de 1983, ao se dirigir aos fiéis reunidos no Vaticano. Nele, Sua
Santidade enfatiza que o diálogo com os mortos não deve ser interrompido:
 
“Somos convidados a retomar com os mortos, no íntimo do coração, aquele
diálogo que a morte não deve interromper. (…) Baseados na palavra reveladora de
Cristo, o Redentor, estamos certos da imortalidade da alma. Na realidade, a vida
não se encerra no horizonte deste mundo (…)”. (Os destaques são nossos).
 
Daí a precisão de refletirmos sobre esse ponto. É compreensível que sintamos
saudade dos que partiram, mas não nos devemos exceder em lágrimas, porque a nossa
aceitável dor pode perturbar-lhes, no Plano Espiritual, a adaptação à nova conjuntura.
 
Lições do fenômeno inafastável
Dia virá em que alguns pensadores não mais prescindirão dessa realidade
confortadora. Deveriam, sobretudo, elucubrar a respeito da morte e não procurar
explicações unicamente materiais para um fenômeno irremovível que envolve o
Espírito. Quando desperta no “Outro Mundo”, a surpresa para muita gente é grande.

No cotidiano, persistem aqueles que possam sorrir dessas modestas ilações. No
entanto, os imprescindíveis cultores do intelecto não se podem designar donos de
uma certeza inamovível. Não se apraz com a boa índole de seu labor. De outra
maneira, seu pensamento deixaria de ser ciência, visto que a incessante investigação
provoca justamente o crescimento da cultura.
Há décadas, o sempre lembrado Zarur concluiu que “Deus criou o ser humano de
tal forma que ele só pode ser feliz praticando o Bem”. Assim, é preciso existir amor
desde o coração do homem douto até o do ser

Paiva Netto

José de Paiva Netto, escritor, jornalista, radialista, compositor e poeta, nasceu em 2 de março de 1941, no Rio de Janeiro/RJ, Brasil. É Diretor-Presidente da Legião da Boa Vontade (LBV), membro efetivo da Associa-ção Brasileira de Imprensa (ABI), da Associação Brasileira de Imprensa Internacional (ABI-Inter), da Fede-ração Nacional dos Jornalistas (Fenaj), da International Federation of Journalists (IFJ), da Academia de Letras do Brasil Central, do Sindicato dos Jornalistas Profissio-nais do Estado do Rio de Janeiro, do Sindicato dos Escri- tores do Rio de Janeiro, do Sindicato dos Radialistas do Rio de Janeiro e da União Brasileira de Compositores (UBC).
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