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O equilíbrio como objetivo

16/08/2017 09:41

O sentido lato de cidadania

O amadurecimento crescente de um povo, que está descobrindo os seus direitos de cidadão, ainda que
tardiamente, porquanto mais de dois séculos após a Revolução Francesa, o fará finalmente concluir que nenhum
país pode, na verdade, desenvolver seus talentos se continuar subsistindo como uma vasta senzala de senhores e
escravos, ou fechar-se feito uma ostra xenófoba ou abrir-se de forma temerária, a ponto de perder sua
identidade, sua soberania.
A compreensão das massas ir-se- á maturando até que entendam o valor da cidadania, no sentido lato,
pois não é suficiente considerar o cidadão apenas no seu contexto físico, mas também no espiritual, pois
qualquer componente dos grupos humanos é, em resumo, constituído por corpo e Alma. Afinal, somos na
origem Espírito. Eis o significado completo de cidadania, que não pode admitir tão só o analfabetismo das letras
humanas, como igualmente a ignorância dos assuntos espirituais. O desconhecimento desta realidade sobre a
qual acabamos de discorrer favorece a incrementação das ações causadoras da fome, do desemprego, do
sectarismo, do frio ideal individualista, isto é, ególatra, a promoção do escárnio com os que sofrem na
sociedade, porque riqueza e pobreza situam-se dentro do ser humano. Exteriorizá-las, ou não, depende da
mentalidade e de fatores culturais (no futuro, marcadamente espirituais), que precisam ser exercitados. Essa é
uma situação que não afeta unicamente o Brasil, é mundial: durante gerações foi-se oferecendo à grande parte
das crianças e dos jovens pouco mais que lixo.
Depois, há quem se surpreenda com o resultado obtido por tão funesta sementeira, a cultura do crime,
que se compraz no conflito entre povos, ou mesmo no seio das famílias, verdadeiras guerras civis não
declaradas, da qual a mocidade é a principal vítima (Apocalipse, 8:7), a causar outras tantas em todas as
classes. “Primeira Trombeta — O primeiro anjo tocou a trombeta, e houve saraiva e fogo de mistura com
sangue, e foram atirados à terra. Foi, então, queimada a terça parte da terra, e das árvores, e também toda a
grama verde (a infância e a mocidade).”
Não basta levantar o vidro do carro. É suicídio desviar a atenção dos fatos. Nunca foi eficiente esconder
a cabeça na areia, como o avestruz.
Estamos corpo, mas somos Espírito
Urge, com presteza, mudar a mentalidade que entroniza o delito como exemplo, a exploração como
meta, a apatia diante do erro como “boa” acomodação da existência, para que alcancemos uma ordem social
justa, produto da ação decisiva de comunidades eficazes, fraternalmente combativas, e de um governo, seja qual
for, que tenha decididamente como objetivo fazer progredir a população de seu país, antes que grande parte dela
se fine, ou seja, quase isso, pela subnutrição física ou mental, pela desesperança que lhe aponta, muitas vezes
como solução, à violência. Entretanto, sob qualquer pretexto, jamais devemos abrir mão do auxílio magnânimo
dos amigos do etéreo supremo, daí a Revolução Mundial dos Espíritos de Luz, os quais apropriadamente
chamamos de anjos guardiães. Aliás, na verdade, concreto é o espírito, não querendo afirmar que o corpo, sua
vestimenta, deva ser criminosamente desprezado. Ensinam os mais velhos que “saco vazio não se põe de pé”.
Tenhamos, pois, o equilíbrio como objetivo. Contudo, a Alma não pode ser, de maneira alguma, menosprezada,
porquanto, para argumentar, podemos dizer — estamos corpo, mas somos Espírito. A nação que compreender e
administrar essa verdade empolgará e governará o mundo. A própria ciência o proclamará. Depois
de Einstein (1879-1955), onde se escondeu a matéria?
O outro lado da moeda
O outro lado da moeda não é nada apreciável: o clamor do desespero acumulado durante séculos, pronto
a explodir. Não é sem propósito esta meditação de Bonaparte (1769-1821): “Cada hora perdida na juventude é
uma possibilidade de infortúnio na idade adulta”.
Ora, isso também se aplica às nações que nascem, crescem, tornam-se maduras, quando colherão o que
houver plantado nas fases anteriores, se não souberem, mais que honrá-lo, sublimar seu patrimônio espiritual,
humano e social. Eis o desafio a ser vencido no campo da educação: o de aliar à instrução a espiritualidade.
Tenho plena certeza de que o Evangelho e o Apocalipse, longe de abomináveis fanatismos, proporcionam uma
estrutura espiritual, psíquica e ética para que ocorra essa transmudação, cuja hora é chegada, mais que isso,
urgentíssima.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br – www.boavontade.com

Paiva Netto

José de Paiva Netto, escritor, jornalista, radialista, compositor e poeta, nasceu em 2 de março de 1941, no Rio de Janeiro/RJ, Brasil. É Diretor-Presidente da Legião da Boa Vontade (LBV), membro efetivo da Associa-ção Brasileira de Imprensa (ABI), da Associação Brasileira de Imprensa Internacional (ABI-Inter), da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), da International Federation of Journalists (IFJ), da Academia de Letras do Brasil Central, do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro, do Sindicato dos Escritores do Rio de Janeiro, do Sindicato dos Radialistas do Rio de Janeiro e da União Brasileira de Compositores (UBC).
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