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Salvemos nossas crianças

10/07/2017 10:16

Jesus, no Seu Evangelho, consoante Mateus, 24:15 e 16, alertou:
“Quando, pois, virdes a abominação da desolação, de que falou o
profeta Daniel, no lugar santo (quem lê entenda! — qui legit,
intelligat), então, os que estiverem na Judeia fujam para os montes”.
Que lugar mais santo no mundo pode existir além da intimidade das
criaturas de Deus, o coração, o cérebro, a Alma das pessoas?
Atentemos para a covardia e crueldade contra nossas crianças que,
quando não são arrancadas do útero materno, sofrem todo tipo de agressão
física e/ou psicológica por parte daqueles que deveriam protegê-las.
Tudo isso nos leva a pensar que já vivemos a época anunciada pelo Divino
Mestre. Nunca como agora a abominação desoladora atacou tanto o ser
humano. É palmar “fugir para os montes”, do pensamento e da compaixão,
ou seja, para que do mais alto vigiemos melhor o “lugar santo”.
Num planeta que se arma até os dentes, mesmo parecendo que não, tendo a
deusa morte como grande inspiradora, os locais seguros vão se reduzindo
em velocidade descomunal. Mas existe um oásis que se deve fortalecer,
porque é o abrigo das futuras gerações: o coração dos pais, em especial,
o das mães. É nesse acolhedor ambiente que os pequeninos moldarão os
seus caracteres. Daí terão ou não respeito ao semelhante, saberão ou não
discernir o certo do errado, portanto, construirão ou não um mundo mais
feliz.
O emblemático episódio, há alguns anos, envolvendo pessoa aparentemente
“acima de qualquer suspeita”, guardiã da lei, que, segundo a perícia
médica, impôs maus-tratos à filha adotiva, de apenas 2 anos, e tantos
outros noticiados pela mídia são de estarrecer. Jogam por terra a ideia
de que a violência doméstica está somente ligada à desarmonia familiar,
às dificuldades financeiras, a problemas com drogas, a exemplo do
álcool. Fica patente o grave desequilíbrio emocional presente nas
esferas das relações humanas. Urge, pois, por significativa parcela da
Humanidade, acurado exame de consciência.
Por que permitimos que a situação chegue a esse ponto? Valores como
família, dignidade, fé e Espiritualidade precisam sobrepor-se à
cultura do consumismo desenfreado, à frieza de sentimentos, à falta de
caridade e à ganância desmedida.

Reflexões da Alma
Não somos palmatória do mundo, mas gostaríamos de colaborar na busca de
respostas a essas inquietantes indagações. No meu livro Reflexões da
Alma (2003), pondero:
O mundo fatiga-se com demasia de palavras e pobreza de ações eficazes,
atos que de forma efetiva sirvam de modelo para a concretização de um
espírito de concórdia, de Boa Vontade, que verdadeiramente transforme o
indivíduo de dentro para fora, coisa que não se consegue por decreto. É
evidente que esse trabalho espiritual e humano de iluminação das
criaturas deve ser acompanhado por acertadas medidas políticas,
econômicas e sociais; Instrução; Educação; e a indispensável
Espiritualidade Ecumênica. Isto é, uma perfeita sintonia com as
Dimensões Superiores da Humanidade Celeste, até agora invisíveis aos
nossos olhos materiais.
O estágio de fragilidade moral do mundo é tão avançado, apesar dos
progressos atingidos, que, para acabar com a violência, só existe uma
medicina forte: a da escalada da Fraternidade Solidária, aliada à
Justiça, na Educação. Por isso, ecumenicamente espiritualizar o
ensino é um poderoso antídoto contra a agressividade. Por falar na
“Senhora de Olhos Vendados”, aqui um ilustrativo pensamento do
ensaísta francês Luc de Clapiers, Marquês de Vauvenargues
(1715-1747): “Não pode ser justo quem não é humano”. Por conseguinte,
também não é possível ser feliz.

Jesus e as mães
A professora Adriane Schirmer, de São Paulo/SP, enviou-me e-mail no
qual destaca meu artigo “Jesus e as Mães”: “O que dizer de tão comovida
prece? Numa sociedade em que o Dia das Mães é direcionado às vendas, o
senhor não se esquece nem daquelas que já estão no mundo espiritual,
zelando, com certeza, pelos que aqui ficaram”.
Grato, professora Adriane. A maternidade é um sol que não se apaga.

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

Paiva Netto

José de Paiva Netto, escritor, jornalista, radialista, compositor e poeta, nasceu em 2 de março de 1941, no Rio de Janeiro/RJ, Brasil. É Diretor-Presidente da Legião da Boa Vontade (LBV), membro efetivo da Associa-ção Brasileira de Imprensa (ABI), da Associação Brasileira de Imprensa Internacional (ABI-Inter), da Fede-ração Nacional dos Jornalistas (Fenaj), da International Federation of Journalists (IFJ), da Academia de Letras do Brasil Central, do Sindicato dos Jornalistas Profissio-nais do Estado do Rio de Janeiro, do Sindicato dos Escri- tores do Rio de Janeiro, do Sindicato dos Radialistas do Rio de Janeiro e da União Brasileira de Compositores (UBC).

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