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Crime do desperdício

26/06/2017 12:58

Urge impedir o desperdício. É providência sensata, humanitária, em
todas as áreas e das mais diferentes classes sociais. É um crime, por
exemplo, deixar estragar alimentos, quando milhões de pessoas ainda
passam fome.
O dr. Alan Bojanic chamou a atenção para esse fato em entrevista ao
programa Biosfera, da Boa Vontade TV (Oi TV — Canal 212 — e Net
Brasil/Claro TV — Canal 196). Engenheiro agrônomo boliviano, ele é
representante da FAO no Brasil:
“A FAO fez um estudo amplo para ver a porcentagem de perdas de
alimentos no mundo. Temos uma cifra que é muito — vamos dizer —
dolorosa! Depois que o produto é coletado, até chegar ao consumidor, e
mesmo na casa dos consumidores, temos perdas muito altas. É quase um
terço de toda a produção mundial que vai — se pode dizer — para o
lixo. Uma produção muito importante, que tem implicações de todo tipo,
em primeiro lugar, humanitárias, porque é comida que poderia ser dada
para muitas pessoas carentes. É um absurdo ambiental, pois muita energia
foi gasta na produção. E também tem a ver com a ineficiência econômica.
Então, é um absurdo humanitário, ambiental e econômico-financeiro”.
Em O Capital de Deus, livro que estou preparando, comento uma passagem
evangélica, que nos traz instrutiva lição.
Conhecedor dos Soberanos Estatutos da Economia de Deus, ainda ignorados
pelos seres humanos, Jesus, o Cristo Ecumênico, o Divino Estadista, pôde
realizar o milagre da multiplicação de peixes e pães, conforme o relato
de Mateus, 14:13 a 21.

A Primeira Multiplicação de Pães e Peixes
“13 Jesus, ouvindo que João Batista fora decapitado por ordem de
Herodes, retirou-se dali num barco, para um lugar deserto, à parte.
Sabendo disso, as massas populares vieram das cidades, seguindo-O por
terra.
“14 Desembarcando, Ele viu uma grande multidão. Compadeceu-se dela e
curou os seus enfermos.
“15 Ao cair da tarde, aproximando-se Dele, os discípulos Lhe disseram:
Senhor, o lugar é deserto, e vai adiantada a hora. Despede, pois, esse
povo para que, indo pelas aldeias, compre para si o que comer.
“16 Jesus, porém, lhes disse: Não precisam retirar-se; dai-lhes, vós
mesmos, o alimento.
“17 Ao que Lhe responderam: Senhor, não temos aqui senão cinco pães e
dois peixinhos!
“18 Então, o Mestre ordenou-lhes: Trazei-os a mim.
“19 E, tendo mandado que todos se assentassem sobre a relva, tomando os
cinco pães e os dois peixinhos, erguendo os olhos ao céu, os abençoou.
Depois, havendo partido os pães, deu-os aos discípulos, e estes, às
multidões.
“20 Todos comeram e se fartaram. E, dos pedaços que sobraram,
recolheram ainda doze cestos repletos.
“21 E os que comeram foram cerca de cinco mil homens, além de mulheres
e crianças”.

Além disso, não nos esqueçamos do que o Divino Benfeitor nos ensinou a
respeito da capacidade pessoal de cada ser humano, ao dizer: “Vós sois
deuses. Eu voltarei ao Pai, vós ficareis aqui na Terra, portanto,
podereis fazer muito mais do que Eu” (Evangelho, segundo João, 10:34 e
14:12).

A quem, talvez por ócio, analisando o trecho anterior, argumentasse que
Jesus é um caso especial e, por isso, não há parâmetros para se comparar
a nossa competência à Dele, divinamente superior, poderíamos considerar
que não seria necessário subirmos a tamanha grandeza, bastando que os
que têm posses deixassem de desperdiçar tanto. Seria um passo. Sim, mas
um passo considerável. Como observou Confúcio (551-479 a.C.):
“Transportai um punhado de terra todos os dias e fareis uma
montanha”.
Destaquemos que, no versículo 20 do capítulo 14, o Evangelista Mateus
revela: “Todos comeram e se fartaram. E, dos pedaços que sobraram,
recolheram ainda doze cestos repletos”.
Quer dizer, não jogaram fora o que lhes sobejou. As apreciáveis porções
haveriam de, em nova oportunidade, beneficiar aquela gente ou outra.
Costumo dizer que a migalha de hoje é a farta refeição de amanhã.
Reflitamos sobre isso.

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

Paiva Netto

José de Paiva Netto, escritor, jornalista, radialista, compositor e poeta, nasceu em 2 de março de 1941, no Rio de Janeiro/RJ, Brasil. É Diretor-Presidente da Legião da Boa Vontade (LBV), membro efetivo da Associa-ção Brasileira de Imprensa (ABI), da Associação Brasileira de Imprensa Internacional (ABI-Inter), da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), da International Federation of Journalists (IFJ), da Academia de Letras do Brasil Central, do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro, do Sindicato dos Escritores do Rio de Janeiro, do Sindicato dos Radialistas do Rio de Janeiro e da União Brasileira de Compositores (UBC).
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