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Viva o Centro!

16/06/2015 14:28

A cidade de João Pessoa tem cantos e recantos que encantam – principalmente na área

central e histórica da quatrocentona e bela Nossa Senhora das Neves. No entanto, a

urbe, que nasceu às marges do rio Sanhauá, passou a partir da década de oitenta a

assistir de forma impotente um movimento migratório em direção ao mar, ao tempo que

iniciou-seu um processo de desgaste dos logradouros mais afastados da zona litorânea.

Felipeia tem um traço  ímpar no que diz respeito ao processo de urbanização, se

comparada as demais cidades situadas no litoral brasileiro. Isto é, o centro da cidade está

afastado cerca de 10 quilômetros da faixa litorânea, enquanto que a área central das

demais cidades situada na linha costeira, à beira mar.

Devido a localização geográfica, o “Centro da Capital das Acácias” nasceu e cresceu –

repito – próximo ao rio Sanhauá, de onde se espalhou, inicialmente, por uma área que

atualmente é denominada Centro Histórico, depois por todo o Varadouro até chegar a

parte mais alta, onde hoje se encontra a Catedral Metropolitana, a rua Duque de Caxias, a

praça Dom Adauto, o Ponte de Cem Réis.

De forma abreviada, podemos dizer que os bairros da cidade se espalharam desde o

Róger, passando por Tambiá, Torre. Por outro lado, temos Jaguaribe, Cruz da Armas. A

elite residia numa faixa que, de forma imaginária, se assemelha a uma  asa.  A faixa

começa na asa norte, na avenida Monsenhor Walfredo Leal, no bairro de Tambiá,

passando pela Duque de Caxias (área central), até emendar com a asa sul, que é a

avenida Trincheiras. Por conseguinte, nasceu a João Machado, onde ainda tem

imponentes casarões, Por fim, os burgueses chegaram ao entorno da Lagoa do Parque

Solon de Lucena.

De forma inversamente proporcional ao crescimento do Centro, o litoral não passava de

um balneário até o final da década de 1960. Era local de veraneio dos ricos que, sem

exceção, residiam nas áreas nobres da área central da cidade. A maioria dos ricos

mantinha casa de veraneio nas praias de Tambaú, Cabo Branco e Manaíra – hoje praias

urbanas.

Dos anos 80 para cá, o movimento se inverteu; mais gente e negócios correndo para o

mar. Com o crescimento residencial e comercial da faixa litorânea, a cidade passou a ser

literalmente dividida em duas partes: o Centro e o litoral. E esse fato, que é, talvez,

também um traço ímpar do nosso município, é atualmente motivo de preocupação para os

gestores públicos, políticos, intelectuais e pessoas preocupadas com o desenvolvimento

da cidade, em especial com futuro do Centro Histórico, que, infelizmente, vem sendo

devastado pela onda avassaladora do crescimento desenfreado da região litorânea.

Urge, no entanto, incrementar a política de revitalização do Centro, que atualmente conta

apenas com intervenções pontuais. Recententemente, verificamos dois importantes

passos nessa direção: o projeto Moradouro, da Prefeitura Municipal, que visa  levar e

manter cidadãos residentes no sítio histórico da cidade; e, o segundo, o convênio

assinado entre o Tribunal de Justiça e a Universidade Federal da Paraíba, com vistas a

implantar na antiga Faculdade de Direito, na Praça dos Três Poderes, um Polo Jurídico,

iniciativa que vai manter, em tese, magistrados, professores, servidores e estudantes de

Direito na parte central da antiga – porém, bela – Nossa Senhora das Neves.

Valter Nogueira

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