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Cidades

“Lá fora” não deve existir mais

Foi-se o tempo em que a atitude mais natural em relação ao lixo produzido nas residências era o “jogar fora”. O destino final dos resíduos de toda ordem eram os lixões nas periferias das cidades.

17/09/2019 10:49

Foi-se o tempo em que a atitude mais natural em relação ao lixo
produzido nas residências era o “jogar fora”. O destino final dos resíduos de
toda ordem eram os lixões nas periferias das cidades. Locais insalubres e
esquecidos que se tornaram lar de insetos, roedores, urubus, em primeiro
plano mas, sobretudo, de uma fauna humana desassistida e faminta que
buscava ali algum meio de sobrevivência.
Talvez devido às dimensões continentais, aos problemas estruturais e a
própria educação do povo, ainda tenhamos que conviver com locais dessa
natureza. Sua existência, contudo, se inscreve dentre as mazelas a serem
extirpadas. Uma nova mentalidade se impõe e, gradativamente, seremos
forçados a adotá-la. Há uma necessidade premente de mudança de hábitos,
comportamentos e atitudes em relação ao lixo nosso de cada dia.
É preciso encontrar soluções que contribuam para o banimento total dos
depósitos de lixo a céu aberto e, sobretudo, considerar o potencial econômico
dos resíduos resultantes da coleta seletiva. Essa é uma demanda
contemporânea para o qual os governos e população, cada qual em seu limite
de responsabilidades, tem que fazer sua parte.
É necessário estabelecer políticas públicas por um lado e, por outro,
investir na educação ambiental. Vontade politica e conscientização se irmanam
nesse sentido. Processos de coleta, com regularidade e método; critérios de
seleção, nas residências, cooperativas e, por fim, definição e estrutura da
destinação final.
Há soluções pipocando por toda parte. Há uma legislação federal que
regulamenta e aconselha as prefeituras a adotarem politicas que direcionem o
tratamento com o lixo no âmbito das cidades. Cooperativas de catadores se
espalham pelo país a fora. Mas esse círculo se fecha com a participação direta
da população, já fazendo uma seleção previa dos rejeitos produzidos em suas
residências.
Abre-se um novo panorama em relação a questão ambiental. Sabe-se
hoje da urgência de tomada de algumas providencias para melhorar a condição
de vida, sem agredir mais o planeta. Uma nova mentalidade tem que emergir, a
causa ecológica-ambiental não é mais uma bandeira defendida pela geração
paz e amor. O cidadão comum tem que sentir o peso do abandono dos

cuidados com a manipulação dos resíduos. O “lá fora”, definitivamente, não
existe mais.
*Jornalista, poeta e cronista

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