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Por Edson de França* Greta, menina Thunberg, sueca, apenas 15 anos e uma consciência planetária acima da média. Uma ideia básica que deveria obrigatoriamente contagiar uma geração inteira, de todos os níveis e em todos os recantos.

29/08/2019 17:45

Por Edson de França*

Greta, menina
Thunberg, sueca, apenas 15 anos e uma consciência planetária acima da média. Uma
ideia básica que deveria obrigatoriamente contagiar uma geração inteira, de todos os
níveis e em todos os recantos. Azar nosso que assim não seja. As preocupações – que
não são mínimas – e a militância ecológico-ambiental de Greta não são construídas
com base em uma causa personalista; ela fala em nome de toda humanidade.
Greta II
É uma preocupação com o mal que nós – ditos, humanos – fazemos ao planeta
com nossos hábitos, exageros e descasos de consumo. É o medo do futuro, a
consciência e a busca por meios de, no mínimo, atrasar o desgaste enquanto
buscamos formas de sarar as feridas abertas. Formas, enfim, de garantir a vida
humana. É uma causa para jovens. Infelizmente, esse é um nicho incompreendido até
por contemporâneos de geração. Em que lugar perdemos nossa vontade de lutarmos
pela garantia da vida?
Veneno…
Sobre o colunismo provinciano. Acaso Greta Thunberg, a celebridade das causas
ecológicas, aparecesse aqui pela província, os ambientalistas seriam atropelados por
nossos diligentes e antenadíssimos colunistas sociais. Aqueles não teriam
oportunidade de recepciona-la. É preciso registrar a passagem do cometa e a matéria
prima de uma classe que não olha para os lados, são os modismos. Para eles
interessa mais a celebridade que a causa que eles defendem.
Profetas
A arte da profecia faz parte do bestiário das profissões ingratas. São frágeis na
concepção e no produto final de seu metier: as prédicas e sortilégios. Como são de
projetar futuros, estes não de gerar o ambiente de descrédito, da galhofa e do mais
incontido dos risos. Nesse cenário, até profissões modernas ensaiam passos. Que se

acusem os Economistas e demais istas de qualquer ordem que posam de especialistas
em oscilações e humores do mercado e acabam engarrafando apocalipses, vendendo
vagos paraísos e municiando projetos políticos.
Alternativos I
Dia desses houve uma paralisação de alternativos no sertão. Esse é o tipo de
questão que certamente gera polarizações extremas. Prós e contras. Contudo, como
matéria crua dessa questão, está a necessidade. De um lado, pessoas necessitando
de transporte célere e, se possível, mais barato. De outro, motoristas que enxergaram
o nicho, a possibilidade empreendedora e, através dela, auferir algum ganho para a
sobrevivência.
Alternativos II
A existência dos alternativos atende a uma demanda contemporânea: a
necessidade contemporanea de locomoção. Atrás dela a premência de cobrir locais e
distâncias a que o transporte público, legalizado, não vai. Nem tem estrutura, nem
interesse em fazê-lo. Ou seja, cria-se no vácuo deixado pela incompetência do Estado.
Alternativos lll
É ilegal, é perigoso, é insalubre. Tudo isso serve para desaconselhar o uso e
desacreditaram o “setor”. Até concordamos, em parte, com isso. Mas, se movimentar e
preciso. O ser humano, ao se locomover, promove ganhos econômicos, diz a cartilha
liberal. A resposta a essa demanda, por parte do poder público, porém é pífia.
Criminalizar é fácil, cômodo até. Dar uma pronta resposta em termos de
regulamentação, mesmo precária e provisória, parece dar muito trabalho aos nossos
gestores e muito mais aos legisladores. Enquanto isso, vai a pé mesmo.
Estado brasileiro
O estado brasileiro deveria demandar celeridade nesses casos como o é para
determinar os míseros valores do salário mínimo. Ou mais recentemente, nas
providências de dois governantes para liberação da velocidade nas vias.
Passou o tempo…

em que os protestos vinham da classe trabalhadora, os piões. O que desagradava
em muito a mobilidade da classe média, sempre em busca do cumprimento de seus
sagrados horários e na manutenção de seus valores. Último dia 15, pasmem, foi a vez
dos construtores atrapalharem o trânsito da principal via da capital, a Epitácio Pessoa.
Por ali, flagrei muxoxos para índios e trabalhadores sem terra. Para os construtores
não vi, cheguei tarde. Parece que quando o calo aperta, não há preconceito contra o
método de luta e reinvindicação, né não? Todos no mesmo barco e afundando.
*Jornalista, cronista e poeta

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