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A Travessia INKA desembarca na capital paraibana e traz dos Andes as imagens e as histórias que fazem da região o território sagrado das antigas civilizações.

Descubro os Andes na medida direta em que me descubro. As duas travessias, percebe-se, caminham ainda aos primeiros passos.

06/08/2018 19:16

Descubro os Andes na medida direta em que me descubro. As duas
travessias, percebe-se, caminham ainda aos primeiros passos. Esse
trabalho revela, essencialmente, uma história. Como tantas outras
histórias, esta se encontra permeada de pequenas outras histórias
que, unidas e inseparáveis, constituem o todo. Contá-las,
exclusivamente através de imagens fotográficas, era o desafio
original. Com o tempo (esse trabalho foi idealizado em 2001) percebi
que seriam necessárias, além das imagens, algumas poucas
palavras. O filme, sonho que por vezes parecia impossível, veio
depois. INKA, uma travessia, como o próprio título já vem
trazendo, busca explicar o amor peregrino de um fotógrafo a uma
específica região da América do Sul, um território marcado pelo
dourado legado de uma das mais especiais civilizações que já
floresceram no continente. As fotografias, frutos de um trabalho de
documentação iniciado em 1999 e sem data fixa pra terminar – se é
que terá um fim – dividem o espaço com crônicas escritas a partir das
imagens, numa espécie de arqueologia da memória onde tive o
prazer de reviver alegrias, reavaliar dificuldades, celebrar encontros
e dimensionar as vitórias, especialmente as interiores. Apesar de já
ter conduzido diversos grupos à Cordilheira, percorrendo as rotas
comerciais que fazem da região dos Andes um dos mais procurados
destinos do mundo, INKA está focado nas expedições que fiz por
terra, fora do circuito turístico. Dessas aventuras, destaco quatro, as
mais completas e que percorreram Brasil, Bolívia, Chile e Peru. Cada
um dos personagens que aqui aparece, são tão reais quanto às
imagens. São eles, em boa parte, os fiéis companheiros na travessia.
Augusto Pessoa

A busca

Janeiro de 1999. Sacolejando pelas estradas brasileiras , atravessamos
o inteiro Nordeste, beiramos São Paulo, contornamos o Paraná e
finalmente penetramos no Mato Grosso do Sul. Me acompanha nessa
primeira aventura andina o jornalista Jorge Barbosa, companheiro de
antigas caminhadas. Ainda na estação de Puerto Quijarro, conhecemos
duas australianas e dois paulistas que seguiriam no nosso vagão até Santa
Cruz de La Sierra, parada final do famoso trem da “morte”, intermináveis
24 horas depois. Antes das 22 horas todas as luzes foram apagadas. Jorge
dorme e eu me farto com o bom café “brasilheno”. De repente, ouve-se um
barulho de ferro batendo contra ferro e a máquina para. Dezenas de
soldados armados até os dentes entram gritando no vagão. Assustado,
tento acordar Jorge. O soldado, lanterna na mão, questiona Jorge a
respeito de um volume suspeito. No pacote, uma caixa dessas de sedex,
hermeticamente isolada com fita adesiva, está o nosso maior patrimônio,
exatos 72 rolos de filme Fuji. Nervoso, Jorge argumenta que se trata de
“películas”. Sem dar ouvido, o soldado ordena que ele abra um por um,
cada pote de filme, e revele seu conteúdo. Resmungando em português,
Jorge executa a tarefa. Aberto o último recipiente, o soldado desvia a luz
da lanterna e segue sua busca nas bolsas vizinhas, deixando meu amigo às
escuras. Indignado, Jorge dá um tapinha no ombro do sujeito e ordena
num hilário portunhol: “aqui amigo, la luz, aqui, será possível? joy soy um
jornalista amigo, joy soy um jornalista!”

Dia 10 de agosto, as 19:30h, na USINA CULTURAL ENERGISA, o Fotógrafo Augusto Pessoa irá nos conduzir pelos mistérios andinos numa apresentação que une cinema, música, fotografia e muita história. Um espetáculo de som e imagem que revela porque e como os INCAS construíram o mais poderoso Império que já existiu no continente americano.

Serviço:

✔10 de agosto de 2018
✔Usina Cultural Energisa
✔Sala Vladimir Carvalho
✔Horário: 19:30h
✔R$ 30,00 (inteira)
✔R$ 15,00 (meia)

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