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CMJP aprova Voto de Repúdio ao artista plástico Kai

Na justificativa do Voto, consta que imagens do artista teriam conteúdo depreciativo, pornográfico, desonra à Sagrada Eucaristia, às passagens bíblicas e vilipêndio a imagens sacras,além disso, o documento também informa que a exposição não teria classificação etária indicativa.

09/05/2018 17:25

A Câmara Municipal de João Pessoa (CMJP) aprovou um Voto de Repúdio ao artista plástico Kai
(Lucas Gomes), devido a alguns de seus desenhos, que integravam a exposição coletiva de arte
visual “Sui Generis”, à mostra na Galeria Alexandre Filho, na Usina Cultural Energisa, desde o
último dia 3. A autoria da propositura é dos vereadores Eliza Virgínia (PP), Thiago Lucena (PMN),
Carlão (PSDC) e Raíssa Lacerda (PSD), que entenderam o trabalho do artista como um desrespeito
a ideais Cristãos, ao fundir imagens de corpos nus a simbolismos religiosos, em aquarela.
Durante votação, em plenário, o Voto de Repúdio recebeu aprovação da maioria dos parlamentares
presentes, com apenas um voto contrário, do vereador Tibério Limeira (PSB). Na justificativa do
Voto, consta que imagens do artista teriam conteúdo depreciativo, pornográfico, desonra à Sagrada
Eucaristia, às passagens bíblicas e vilipêndio a imagens sacras. Além disso, o documento também
informa que a exposição não teria classificação etária indicativa.
“Agradeço a todos os meus pares pela aprovação do Voto de Repúdio à exposição. Estamos
vivendo uma inversão de valores. Isso é um ataque. Esse artista vilipendia um texto sagrado
conhecido mundialmente. É uma afronta à família brasileira”, declarou Eliza Virgínia.
Por sua vez, Carlão salientou que nádegas representadas como hóstias consagradas em uma das
obras de Kai seria algo violento e questionou: “Ouço pessoas dizerem que a livre expressão de
ideias deve ser respeitada, mas indago se a fé Cristã não deve ser respeitada também?”.
“Não confudamos liberdade com falta de respeito. Esse artista, pra ter dois minutos de fama, usou
de um trabalho que acabou tendo uma repercussão negativa”, opinou Raíssa Lacerda, lamentando
que a mostra não tivesse estipulado uma idade mínima para prestigiar a exposição.
Em contrapartida, Tibério Limeira pediu ponderação com o trato que os parlamentares da Casa
Napoleão Laureano estavam dando às expressões inerentes à arte. “Essa ofensiva moralista é
perigosa para o momento em que o País vive. Sinto-me desconfortável com esse tipo de debate, pois
é lamentável nos determos nisso, quando deveríamos tratar de assuntos mais relevantes para a
população de João Pessoa”, contestou.
A Energisa esclareceu, por nota, que solicitou à curadoria da Usina Cultural ajustes na montagem
da mostra, de forma a adequá-la ao Guia Prático de Classificação Indicativa do Ministério da
Justiça, recomendando o acesso apenas aos maiores de 12 anos. Para cumprir a recomendação, a
curadoria inseriu a sinalização classificativa de faixa etária na entrada da exposição, treinou os
monitores para orientar os visitantes e também realizou a readequação dos trabalhos expostos, com
a retirada de três desenhos, com o objetivo de harmonizar o conjunto ao espaço da galeria.

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