PBNEWS


Câmara

Projeto de cidadania pessoense para deputado carioca Jair Bolsonaro divide opiniões na Câmara de João Pessoa

Matéria foi lida em plenário nesta terça-feira (10) e foi tema de pronunciamentos na tribuna da Casa

10/04/2018 15:38

A possível concessão do Título de Cidadão Pessoense para o deputado Jair Bolsonaro (PSL-RJ), de
autoria do vereador Carlão (PSDC), dividiu opiniões na sessão desta terça-feira (10), da Câmara
Municipal de João Pessoa (CMJP). Além da discussão no pequeno expediente, onde cada
parlamentar tem direito a falar por até cinco minutos, o assunto foi tema de pronunciamento da
vereadora Sandra Marrocos (PSB) e dos vereadores Marcos Henriques (PT) e do próprio Carlão.
A vereadora levantou o assunto ainda no pequeno expediente. “É um absurdo essa Casa conceder o
Título de Cidadão Pessoense para Bolsonaro. Para isso, primeiro tem que se fazer algum serviço
relevante para a cidade de João Pessoa. O que foi que esse rapaz fez de relevante? Ele fez um
desserviço para a humanidade”, afirmou a vereadora citando declarações do parlamentar que
caracterizou como machistas, racistas e homofóbicas.
Em seu pronunciamento, Sandra Marrocos continuou com o posicionamento contrário à honraria
proposta. “Um ano atrás, ele (Bolsonaro) desrespeitou o povo indígena. Ele é misógeno quando diz
que nós mulheres temos que ganhar menos que os homens por que engravidamos, fui mãe três
vezes e a maternidade nunca me deixou maior nem menor do que os outros. Ele diz que precisamos
nos defender com armas, quando temos que investir em políticas públicas de prevenção. Não darei
esse título a esse cidadão que prega que bandido bom é bandido morto”, argumentou.
O vereador Humberto Pontes (Avante) citou o regimento da Casa em que diz que as honrarias são
concedidas a quem comprovadamente tenha prestado relevantes serviços a João Pessoa e ao Estado.
“Que serviço prestado ele tem à cidade? Esta Casa não aceita. Confio nos pares da CCJ que irão
honrar o Regimento Interno. Mas se a CCJ entender como constitucional, que o Plenário rejeite o
projeto”, enfatizou.
Para Leo Bezerra (PSB), não há obstrução para que o projeto passe na Comissão de Constituição,
Justiça e Redação (CCJ). “Quanto ao aspecto constitucional, não podemos fazer nada. Mas quanto
ao mérito, me posiciono contra. Não conheço nenhuma obra, ação ou emenda que ele tenha trazido
para a Paraíba”, afirmou.
Tibério Limeira (PSB) questionou a atuação do deputado até no Estado pelo qual é deputado, o Rio
de Janeiro. “Em 26 anos de atuação parlamentar, qual o projeto relevante que ele apresentou?
Absolutamente nenhum. A aprovação desse projeto será muito ruim para a CMJP. Ele não merece
nem mesmo para o estado que nasceu, porque não produziu nada nem para lá. Com todo respeito,
faremos o debate democrático, mas encaminhamos pela rejeição ao título”, revelou.
“Protocolei o Título de Cidadão Pessoense ao deputado Bolsonaro pelo seu relevante trabalho feito
pela nação. Quem faz pela nação, faz pela Paraíba e por João Pessoa. Ele trabalha contra a

Todas as leis municipais de autoria dos vereadores e os projetos em tramitação estão disponíveis no site da Câmara através do link do

Sistema de Apoio ao Processo Legislativo (SAPL): http://177.200.32.195:9673/sapl/default_index_html

erotização de crianças e não foi envolvido em um grande mar de corrupção que assola Brasília e o
Distrito Federal. Ele representa uma parcela da sociedade que luta contra a corrupção”, afirmou
Carlão, defendendo a honraria proposta e criticando a cidadania concedida pela CMJP, há 20 anos e
entregue em 2017, ao ex-presidente da República Luís Inácio Lula da Silva, a quem chamou de
condenado.
Carlão continuou defendendo sua proposta durante seu pronunciamento: “Apresentei por que
entendo ser uma iniciativa louvável. Ele está resgatando uma nova política, trazendo uma política
conservadora e de direita que aqui é taxada como misógena, homofóbica. Ele diz não ao aborto e
sim à vida; diz para que tenhamos austeridade e força na segurança pública para que o empresário
não seja assaltado nem nossas filhas abusadas”, ressaltou.
Para Thiago Lucena (PMN), a concessão de honrarias deve ser mais precisa e seguir o Regimento
Interno. “A concessão de honrarias precisa deixar de ser discussão ideológica e passar a ser
matemática”, acredita Thiago. Já o vereador João Almeida (Solidariedade), defende que todas as
opiniões devem ser respeitadas. “Temos que respeitar o contraditório e a opinião de cada um aqui”,
afirmou João Almeida destacando que foi a favor da concessão da cidadania para Lula, como é a
favor da honraria para Bolsonaro.
Em pronunciamento, o vereador Marcos Henriques leu uma nota de repúdio do Conselho Municipal
do PCdoB de João Pessoa contra a concessão. Por sua vez, o parlamentar elencou diversas ações do
governo do ex-presidente Lula no Estado que o motivaram a entregar a cidadania pessoense em
2017.
“Algumas questões que motivaram Lula a receber o Título de Cidadão Pessoense foram mais de 60
mil famílias beneficiadas com o Bolsa Família na Paraíba; a construção de mais de 10 mil moradias
em João Pessoa. O IFPB transformado em instituto de ensino superior, ofertando mais de seis mil
vagas; a criação de mais de 12 mil vagas em creches e mais 12 mil vagas de trabalho formal na
Capital. Foram 10 mil paraibanos que ultrapassaram a linha de pobreza e cerca de 15 mil
alcançaram a classe média”, citou, defendendo o título concedido ao ex-presidente petista.
O vereador do PT criticou, ainda, a forma de combate à violência proposta pelo deputado. “Ele anda
dizendo que aquelas pessoas de sandália e short merecem morrer. Mas em nenhum momento ele
fala dos grandes traficantes, daquela caneta que libera grandes bandidos e dos traficantes que
financiam campanhas. Temos a obrigação de combater a onda fascista que cresce no país”, declarou
Marcos Henriques questionando o crescimento de 170% do patrimônio do deputado nos últimos
anos e de recursos recebidos por ele de empresa investigada pela Polícia Federal.

Leia também

[« Voltar]

Fale conosco Siga-nos no Twitter RSS