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Ore, Terra amada!

Abril é um mês de importantes celebrações para o país e para o planeta: 19, Dia do Índio; 21, Tiradentes e Inauguração de Brasília; e 22, além de ser o Dia da Terra, marca o “achamento” do Brasil, em 1500, por Pedro Álvares Cabral (1467-1520).

Considero oportuno, inspirado pela operosa Fé em prol do bem desta nação, sempre buscar renovadas energias no Pai Celeste. A prece – seja ela a devoção de um crente ou o ato do pensador, ao refletir sobre os mais elevados ideais – é uma ferramenta que deveríamos melhor utilizar. Assim encontramos, a partir do interior de nós mesmos, recursos indispensáveis para a solução dos mais complexos problemas que possam surgir.

Ao meditar sobre como colaborar para o legítimo auxílio a todas as famílias e comunidades, igualmente conquistamos a compreensão de que o Amor Fraterno é essencial à vida. Quando há verdadeiro Amor e íntegra Justiça, tudo dá certo. Um exemplo? Se, movidos pelo espírito de Caridade, levarmos um remédio a um enfermo, esse medicamento trará melhor resultado a quem está sendo socorrido. O Bem é o encanto da existência espiritual e humana. E Deus quer o nosso benefício, não segundo a estultícia terrena; entretanto, de acordo com a Sua Sabedoria Excelsa. Por isso, pregamos o imperativo urgente da União das Duas Humanidades, preconizada por Alziro Zarur (1914-1979) e que aqui defendemos: a da Terra com a do Céu, de forma consciente. (…)

Nunca estamos abandonados. Anjos da Guarda continuamente permanecem ao nosso lado. É o galardão com que o Governo Espiritual Invisível felicita os seres terrenos, porquanto concretiza a profecia apocalíptica da junção das dimensões que, apesar de separadas em aparência, estarão claramente unidas com o baixar ao orbe terrestre da Jerusalém Celestial (Apocalipse, 21:2).

Quem não precisa de preces? Que país não necessita urgentemente de orações? Então, vamos falar com Deus.

Ó Jesus, Mestre Amado, nosso Senhor, nossa Rocha, nossa Força, nosso Escudo, nossa Salvação, Tu trazes a fórmula perfeita para premiar as Almas com a felicidade perpétua, nascida da Fé Realizante, geradora das Boas Obras, as quais Tu apregoas por meio do Teu Mandamento Novo, de Amor Divinal (Evangelho, consoante João, 13:34 e 35; 15:7, 8, 10 a 17 e 9).

E, no Livro das Profecias Finais, encontramos a confirmação encorajadora da Tua Volta Triunfante, que a muitos surpreenderá, como Tu mesmo advertiste, no Evangelho, segundo Lucas, 17:24: “Assim como o relâmpago, num repente, fulgura de uma à outra extremidade do Céu, da mesma forma será a volta do Filho de Deus”.

Isso ocorrerá, conforme as advertências que, pelos milênios, mandaste ao mundo: “Aquele que dá testemunho destas coisas diz: Certamente venho sem demora. Amém! Ora vem, Senhor Jesus!” (Apocalipse, 22:20).

Ó Senhor, clareia o nosso Espírito, fortalece o nosso íntimo, conforta o nosso coração, para que persistamos até aquele dia esplendoroso do Teu Magnífico Retorno.

E agora, Celeste Provedor das nossas mais justas súplicas, Tu, que és o Amor que nunca morre, acolhe o pedido que neste instante vamos fazer-Te. O meu é este: protege o Brasil e o mundo! Atende-o, Mestre dos mestres, na exata razão do nosso merecimento, porque Tu mesmo ensinaste que cada um é merecedor do prêmio ou da reprimenda mediante as próprias realizações.

Graças, Senhor! Dá-nos a Divina Paz, que prometeste àqueles que vivem o Teu Novo Mandamento: “Minha Paz vos deixo, minha Paz vos dou. Eu não vos dou a paz do mundo. Eu vos dou a Paz de Deus, que o mundo não vos pode dar. Não se turbe o vosso coração nem se arreceie, porque Eu estarei convosco, todos os dias, até o fim do mundo!” (Evangelho, segundo João, 14:27 e 1, e Mateus, 28:20).

“Glória a Deus nas Alturas, Paz na Terra aos Homens [às Mulheres, aos Jovens, às Crianças e às Almas Benditas, os Espíritos Luminosos] da Boa Vontade de Deus!” (Evangelho, segundo Lucas, 2:14).

Quem confia em Jesus não perde o seu tempo, porque Ele é o Grande Amigo que não abandona amigo no meio do caminho. (…)

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.

paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

Todo dia é dia de índio

Os registros históricos relatam que, no I Congresso Indigenista Interamericano,
ocorrido no México, em 1940, representantes de diversos países convidaram os
índios a se sentarem à mesa para o debate cujo tema central era a própria situação
deles no continente americano. A princípio, os protagonistas do evento, receosos,
não compareceram. Porém, no dia 19 de abril, numa demonstração de cordialidade,
aceitaram participar do acontecimento. Por isso, nessa data foi instituído o Dia do
Índio. O objetivo principal era o de exigir dos governos a criação de políticas que
salvaguardassem a cultura e a qualidade de vida dos povos indígenas. No Brasil,
em 2 de junho de 1943, o presidente Getúlio Vargas (1883-1954) assinou o
decreto de lei n o 5.540, determinando que no país aquela data também fosse
dedicada ao índio.
Ao longo do tempo, apesar dos esforços de garantir a eles o direito de viver em
suas terras com dignidade, há muito o que fazer ainda. Eles são merecedores do
maior respeito. Os versos do entusiasta Jorge Ben Jor, na composição em parceria
com o saudoso Tim Maia (1942-1998) e imortalizados na voz de Baby do Brasil
cá na Terra Brasilis, valem nossa reflexão: “(…) Pois todo dia, toda hora, era dia
de índio/ Mas agora eles só têm um dia / O dia dezenove de abril (…)”.
Sepé-Tiaraju
A história de nosso povo e de sua luta por tornar o país soberano tem, na atuação
dos índios, capítulo dos mais relevantes. Grandes guerreiros o grafaram com as
tintas da coragem e do amor ao torrão natal. Um deles, Sepé-Tiaraju, guarani de
São Miguel das Missões, teve seu nome inscrito em 18/4/2006, pelo Senado
Federal, no Livro dos Heróis da Pátria. A honrosa distinção partiu de um projeto
do senador pelo Rio Grande do Sul dr. Paulo Paim.
O Brasil que desejamos ver progredir, nunca deixando de lado seu natural espírito
solidário, fraterno e generoso, é composto também por decididas Almas, como a de
um Sepé-Tiaraju que, a 7 de fevereiro de 1756, na resistência à invasão dos Sete
Povos das Missões, bradou:
“Esta terra tem dono!”
De fato, esta terra é de Jesus, a presença que a todos ilumina! E como gosta de
saudar um Irmão Índio, grande amigo nosso, conhecido como Flexa Dourada
(Espírito): “Salve, Jesus!”

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

A Política mais inteligente

No livro É Urgente Reeducar! (2010), escrevi:

O Ecumenismo da Fraternidade será a razão de ser das criaturas humanas no transcurso do terceiro milênio. É uma questão de progresso (e de sobrevivência), no qual, de certa forma, acreditou boa parte de gerações e gerações que nos antecederam. Se assim não cressem e não agissem, onde estaríamos hoje? Talvez na era da pedra lascada!…

O Amor não é degradação de corpos nem de mentes, e sim a Força de Deus, da Sabedoria Suprema em nós, ou lá como pensem os Irmãos ateus acerca dos assuntos mais elevados. Amar é um ato de coragem. Foi o exemplo que nos ofereceu Jesus. É a Política mais inteligente que um indivíduo pode conceber. Ela contempla ainda o correto entendimento do axioma de Confúcio (551-479 a.C.): “Paga-se a Bondade com a Bondade, e o mal com a Justiça”, ou seja, é imperioso ter bom senso.

Conforme ressaltei ao meu velho amigo jornalista Paulo Rappoccio Parisi (1921-2016), em 1981, instruir com acerto é boa Política, porque educar e espiritualizar redime as criaturas, as nações, a Natureza, o planeta. Não podemos progredir destruindo o mundo, a nossa casa coletiva, por efeito de ignorância não apenas intelectual, como também, e principalmente, moral e espiritual.

Trata-se de Política excelente, a providência de educar, reeducar, instruir, espiritualizar no caminho da Paz, resultante da confraternidade das numerosas culturas que compõem a civilização que, em si mesma, é una, planetária. (E não esqueçamos jamais que a nossa existência não é unicamente física, porquanto começa no Alto, antes de sermos carne.) Do contrário, o que poderá vir a abater-se sobre a Terra será o doloroso inverso do Amor, a exemplo desse ecocídio que provocamos por aí. Pois, na verdade, já que fazemos indissociável parte do esquema planetário de sobrevivência, estamos então cuidando, com contumácia, de nossa automatança coletiva.

Talvez, ao descrever “A Grande Tribulação” (Evangelho, segundo Mateus, 24:3 a 28; Marcos, 13:3 a 23; e Lucas, 21:7 a 24), Jesus esteja narrando a consequência desse esforço humano colérico. Diante disso, é flagrantemente necessário espiritualizar, dentro do Ecumenismo dos Corações, as pessoas. Somente assim, e com perseverança, os diversos segmentos da sociedade passarão a viver em harmonia, demore o tempo que for preciso até que isso venha a ocorrer. Cabe aqui, perfeitamente, este raciocínio profundo de Abraão Lincoln (1809-1865), que se encontrava exposto no gabinete de Alziro Zarur (1914-1979), na antiga Rádio Mundial, no Rio de Janeiro/RJ, Brasil, naquele tempo, de 1956 a 1966, a Emissora da Boa Vontade: “O homem que se decide a parar até que as coisas melhorem verificará, mais tarde, que aquele que não parou e colaborou com o tempo estará tão adiante que jamais poderá ser alcançado”.

Costumo afirmar em minhas palestras que, se é difícil, comecemos já, ontem!, porque resta muito a ser feito.

E quando digo seres espiritualizados, quero reiterar: revestidos do Amor Fraterno, que a Humanidade precisa viver, também politicamente, com urgência. Como escreveu José Bonifácio (1763-1838), o patriarca da Independência brasileira: “A sã Política é filha da Moral e da Razão”.

Assim é a ação religiosa e política do Ecumenismo dos Corações, aquele que levanta o caído; que não se precipita ante as ilusões das contendas filosóficas, quando estas ocorrem apenas pelo prazer de discutir assuntos, sem levar em conta o que padece à beira do caminho. Ele não se influencia pelas lucubrações do intelecto quando arrogante. Pelo contrário. Ilumina-o incansavelmente toda vez que é convocado a manifestar sua qualidade excelsa. Desconhece os ódios, isto é, não os vive nem os dissemina. É Amor Fraterno, que promove a Estratégia da Sobrevivência, que espiritualiza a Economia e a disciplina. (…) É o Ecumenismo Irrestrito.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

Autismo e desafios da inclusão

Para ampliar a conscientização de todos, alguns temas devem estar sempre em pauta. Um deles é o autismo, que atinge mais de dois milhões de brasileiros e representa 70 milhões de pessoas no mundo, cerca de 1% da população mundial, conforme dados da Organização das Nações Unidas (ONU).

O diagnóstico precoce pode fazer enorme diferença no desenvolvimento do indivíduo. Este, ainda que seja portador de limitação física ou psíquica, possui a extraordinária capacidade para se adaptar e alcançar importantes objetivos de vida. O mundo está repleto de exemplos. O que falta às vezes é o devido investimento no Capital de Deus, ou seja, na própria criatura humana.

Sintomas e cuidados

Alguns autistas apresentam determinadas habilidades que superam as da média da população. “Eles têm bastante facilidade para números, decorar, resolver expressões matemáticas e para várias questões diferenciadas da vida. Mas não conseguem dar funcionalidade a isso”, explica a assistente social Simone Bruschi.

Um ponto que prejudica o acompanhamento especializado do autista é, num primeiro momento, a negação do problema, situação frequente no seio familiar. Simone, integrante da Associação Brasileira de Assistência e Desenvolvimento Social (Abads), em entrevista ao programa Sociedade Solidária, da Boa Vontade TV (Oi TV — Canal 212 — e Net Brasil/Claro TV — Canais 196 e 696), comenta: “Quando falamos do autismo, abordamos algo que não se pode identificar por exame de sangue, eletroencefalograma, tomografia. E o diagnóstico é muito difícil de ser aceito pela família. Existe a avaliação clínica — que é muito rica —, porém, os familiares sempre questionam: ‘Ah, não. Acho que pode ser algo diferente’”.

Nesses casos, de acordo com Simone, devem-se buscar outros profissionais, inclusive para que também eles se envolvam na vida dessa família, dessa criança ou desse adolescente.

É fundamental procurar um especialista ao perceber na criança qualquer indício constante de preferir ficar sozinha, de apatia diante dos brinquedos, de não reclamar por ser deixada no berço, em vez do colo dos pais. “Existem famílias que só começam a levar para o tratamento na idade escolar, quando o professor sinaliza: ‘Olha, o seu filho precisa de auxílio’. Quanto mais cedo o diagnóstico, maiores as possibilidades de tratamento.”

Simone ressalta que “algumas pessoas com autismo podem apresentar uma deficiência intelectual, mas não é necessariamente uma regra”.

E aí entra um desafio, o de inserir no mercado de trabalho portadores de deficiência intelectual. “É mais fácil — não sei se posso usar essa expressão — contratar um jovem com deficiência física, por conta das acessibilidades existentes, do que alguém com deficiência intelectual, para o que não temos ainda a tecnologia assistiva. Por isso, é um desafio para o consultor de emprego apoiado. Ele tem de ir à empresa e provar que a pessoa com transtorno é capaz. É necessário um trabalho de sensibilização tanto com os empregados e colaboradores quanto com os empregadores e a família”.

É preciso ampliar as condições para a inclusão social dos portadores de qualquer deficiência, seja física, seja intelectual.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.

paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

Morte e Ressurreição

Pelos milênios, a celebração da Semana Santa demonstra-nos o inigualável suplício vivenciado por Jesus, o Cristo Ecumênico, o Celeste Estadista, na Sua dedicação extremada em prol da Humanidade, como no drama do Getsêmani. Sendo Espírito sem mácula, o Ungido de Deus voluntariamente carregou nossos erros sobre Seus ombros, a fim de nos livrar da ignorância que origina a Dor.

Pouco antes de ser preso pelos beleguins do poder da época, de conformidade com a narrativa de Lucas (22:39 a 46), o Divino Crucificado reitera para todos nós:

Jesus no Getsêmani
“E, saindo, foi, como costumava, para o Monte das Oliveiras; e também os Seus discípulos O seguiram. E, quando Jesus chegou àquele lugar, disse-lhes: Orai, para que não entreis em tentação! E apartou-se deles cerca de um tiro de pedra; e, pondo-se de joelhos, orava, dizendo: Pai, se queres, afasta de mim este cálice; todavia, não se faça a minha vontade, mas a Tua.

“Então, Lhe apareceu um Anjo do Céu, que O confortava. E, estando em agonia, orava mais intensamente. E aconteceu que o Seu suor se tornou como gotas de sangue caindo sobre a terra.

“Levantando-se da oração, foi ter com os discípulos e os achou como que dormindo de tristeza. E disse-lhes: Por que estais dormindo? Levantai-vos, e orai, para que não entreis em tentação”.

Jesus, o Senhor do Apocalipse, o Pão que desceu do Céu, doa a Sua própria vida
De que modo o ser humano pode manter-se acordado dignamente, perante Jesus e a Sua Política Eterna, a ponto de compreender o significado divino da Dor, que fez com que Deus O abençoasse com Poder e Autoridade? Alimentando-se do Pão que desceu do Céu, porquanto, antes da definitiva reforma social, necessário se faz realizar a do Espírito, mas com Amor, Fraternidade, Solidariedade e Generosidade. Afinal, as palavras e os exemplos do Sublime Ser, que derramou Seu sangue para o nosso resgate, constituem esse alimento eterno, consoante lemos nas Escrituras:

I — “Eu sou o Pão Vivo que desceu do Céu. Se alguém comer desse Pão, viverá eternamente” (Evangelho de Jesus, segundo João, 6:51); e

II — “(…) pelo Seu sangue [Jesus] nos libertou dos nossos pecados” (Apocalipse, 1:5).

Não há Política sem Amor Solidário
Como?! É o seguinte: dizer que Jesus nos libertou dos nossos pecados significa asseverar também que o Divino Mestre nos deixou um roteiro doutrinário excelente para nossa vitória. Ao seguirmos esse Sagrado Estatuto com verdadeiro espírito de Caridade e de Justiça, nos transformaremos no esteio de nossos semelhantes na Terra. Porquanto não há pecado maior do que a ausência de Amor solidário para com os cidadãos (ou cidadãs) de cada país.

E nós ressuscitamos com Ele
Prossigamos, pois, aprendendo com Jesus que, superando os dramas do Getsêmani e do Gólgota, ressuscitou dentre os mortos para conforto e esclarecimento dos corações terrenos. E repetiremos, então, o que bradamos em 1997, no Rio de Janeiro/RJ, no dia 31 de dezembro, na passagem do ano-novo: Jesus ressuscitou, e nós, com Ele. Graças a Deus!

A morte é apenas a abertura de novas experiências de vida. Todavia, que ninguém considere o violento ato do suicídio e suas trágicas consequências como uma escolha libertadora. Tudo, até a morte, tem leis disciplinantes.

Esses e outros modestos comentários fazem parte de meu livro Jesus, a Dor e a origem de Sua Autoridade (2014), que, para meu gáudio, tem comovido muitos corações.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
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Síndrome de Down

A Secretaria de Direitos Humanos, em 21/11/2011, informou em seu site (www.sdh.gov.br) que “a III Comissão da Assembleia-Geral das Nações Unidas (AGNU) adotou, por consenso, o projeto de resolução apresentado pelo Brasil, intitulado ‘World Down Syndrome Day’ (Dia Mundial da Síndrome de Down). (…) A ONU propôs que os Estados membros comemorassem com a adoção de medidas para promover maior conhecimento sobre a Síndrome de Down”. Desde 2012, a data tem sido celebrada em todo o mundo.
A Organização Mundial da Saúde estima que cerca de 5% da população de um país em tempo de paz apresenta algum tipo de deficiência intelectual. No Brasil, isso corresponde a quase 10 milhões de pessoas. Entre as mais conhecidas está a síndrome de Down.
Recomendações aos pais e educadores
Em entrevista ao programa Sociedade Solidária, da Boa Vontade TV (Oi TV — Canal 212 — e Net Brasil/Claro TV — Canal 196), a terapeuta ocupacional Fabiana Alencar, especialista no assunto, abordou algumas recomendações aos pais e educadores no trato com crianças com deficiência intelectual.
Por natureza, a criança com síndrome de Down tem um processo de desenvolvimento mais lento. Contudo, se houver uma intervenção precoce, com o imprescindível apoio da família, ela vai longe. “Hoje é muito comum ver pessoas com síndrome de Down trabalhando e, até mesmo, se casando”, esclareceu ela.
Porém, faz uma ressalva: apesar dos avanços, o portador da deficiência necessitará, durante toda a vida, de alguns cuidados especiais, “até por conta do comprometimento intelectual, da dificuldade em compreender as regras sociais. Entretanto, é uma pessoa que pode (tendo uma supervisão) morar numa residência apoiada. É importante trabalhar essas crianças vislumbrando que, no futuro, elas possam fazer sua própria comida, cuidar das suas roupas, lidar com dinheiro, mas é preciso ensiná-las e supervisioná-las sempre”, pontuou a terapeuta.
É notório o amadurecimento da sociedade com relação aos direitos e ao desenvolvimento de pessoas com deficiência. As escolas especiais ainda existem, mas as regulares já disponibilizam vagas para crianças com deficiência intelectual. “Trabalhei numa instituição de educação especial, e era impressionante. Tínhamos adultos de 20, 30 anos, que passaram a vida inteira nela, porque não tinham outra oportunidade. Hoje se vislumbram algumas coisas diferentes para essa geração de pessoas com síndrome de Down, que para as outras não eram tão comuns. Nos dias atuais, a criança com deficiência está na escola para, quando ela se formar, poder, por exemplo, trabalhar. Já temos pessoas com síndrome de Down que conseguiram entrar para a faculdade”, conta Fabiana.
Sobre os desafios da integração dessas crianças no universo escolar, explicou que “elas, desde muito cedo, em geral, fazem acompanhamento com fisioterapeuta, fonoaudiólogo e terapeuta ocupacional. Uma vez ingressando na escola, já vão ter um arcabouço de vivências, de conceitos e de conhecimento; porém, quando o processo começa a se desenvolver, é muito importante o trabalho terapêutico com a escola”. E esclareceu: “A gente procura trabalhar sempre, por exemplo, a repetição; para essas crianças a repetição é muito importante. Muitas vezes o material que elas vão usar é diferente do dos coleguinhas, mas elas precisam disso, e a escola tem que ter disponibilidade de mudar, de tentar outros caminhos. Às vezes, algumas professoras falam: ‘Ah, mas eu nunca tive experiência com isso, não tenho formação para isso’. A formação, lógico, é importante! Mas também é valiosíssimo ter disposição de mudar”.
Meus agradecimentos à terapeuta ocupacional Fabiana Alencar. O tema nos remete ao respeito às diferenças, passo primacial para o surgimento da tão sonhada sociedade solidária altruística ecumênica.
José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
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Gestores da água

Em 22 de março, celebramos o Dia Mundial da Água. Vale lembrar que Brasília sedia, em 2018, entre os dias 18 e 23 de março, o 8o Fórum Mundial da Água, espaço para um bom diálogo, cujo exercício básico é a democracia, que é o regime da responsabilidade. Portanto, devemos dar a devida atenção às resoluções propostas por esse evento para a agenda internacional.

Discutir sobre o líquido sustentador da vida e se o utilizamos de modo sensato é na atualidade uma pauta indispensável. O Brasil, de forma geral, pode se considerar privilegiado, como declarou o dr. Paulo Lopes Varella Neto, ex-diretor de Gestão da Agência Nacional de Águas (ANA). Ele explica: “Nós somos o país que mais dispõe de água doce no mundo, e 12% dela é gerada em território nacional. Mas, se considerarmos a água que vem de outros países e que por aqui passa e, portanto, está disponível para uso, dispomos de aproximadamente 18% da água doce na Terra”. Contudo, a questão é conseguir administrar bem essa fartura, a fim de atender às necessidades de todos. Apesar de abundante em certas regiões, ela é escassa em outras. Um ponto igualmente relevante é o cuidado que devemos ter para não degradar os recursos hídricos.

Integrador geográfico e geopolítico

O dr. Paulo Varella, que é hidrogeólogo, trouxe-nos um exemplo interessante: “Como a água carrega no seu sabor, na sua cor, no seu cheiro a memória dos territórios por onde passa, ela é um integrador geográfico. E, como também não respeita limites de Estados, nem mesmo de países, ela é um integrador geopolítico. De maneira que vi, há pouco tempo, ao visitar uma determinada instalação nos Estados Unidos, uma frase que me chamou a atenção e agradou: ‘No mundo da água estamos todos ajudantes’. O que quer dizer o seguinte: temos responsabilidades de que a água que passa por nós, a que usamos, afetará a outros que estão mais abaixo. E a água que estamos usando certamente já passou por alguém que estava águas mais acima”.

Falando ao Portal Boa Vontade, comentou: “O esforço que a Agência Nacional de Águas faz, que o governo faz, que os comitês de bacias fazem, tem como motor a posição individual de cada um de nós. Os maiores gestores de água do planeta somos nós. Se cada um tomar consciência disso, tudo pode mudar. Temos que passar de observadores para atores dentro desse processo. E é na forma como se vai colocar o lixo, como vai tomar o banho, lavar o carro, e assim por diante, que a gente pode realmente dar uma contribuição (…)”.

Ao informar-nos do reconhecimento alcançado pelo nosso país no mundo por seu modelo de gestão da água, não deixou de expor também os imensos desafios que enfrentamos, por exemplo, com grandes cheias na Amazônia; secas históricas em São Paulo, Rio, que se repetem e que, há décadas, afetam o nordeste do Brasil, no semiárido. Diz ele: “Apesar de toda a riqueza que possuímos, realmente a gente tem que se preocupar em encarar a questão do gerenciamento desse recurso”.

Valendo-se do Dia Mundial da Água, o entrevistado desejou ainda ressaltar: “Que entendamos a água como um grande vetor de progresso, e os usos múltiplos são absolutamente cruciais para que possamos ter um desenvolvimento sustentável. E termino dizendo da importância que acredito seja o papel de cada um de nós enquanto — vamos chamar — minigestores, mas num conjunto de grandes gestores dessa água”.

Agradeço ao dr. Paulo Lopes Varella suas esclarecedoras palavras. Aliás, com satisfação, soube que é um frequentador do Templo da Boa Vontade e possui destacada Fé na Espiritualidade Maior.

Agradecimento

Minha saudação ao dr. Arnaldo Rocha, do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), órgão do Ministério da Defesa. Com estas palavras se manifestou: “Agradeço a atenção prestimosa da qual sempre fui objeto por parte dos meus irmãos e amigos da Legião da Boa Vontade. Abaixo, a nossa singela contribuição, ratificando as preocupações do líder da LBV”. E nos prestigiou com um poema dedicado ao meu artigo “Água e Escassez”, no qual escrevi que água é vida e poluí-la é crime de lesa-humanidade:

“(…) ‘É preciso haver uma conscientização/ Por parte de todos, sobre essa questão:/ A falta desse precioso líquido, na verdade,/ Poderá decretar a morte da coletividade.

“‘Se administrarmos esse recurso vital,/ Não se transformará em fator de guerra,/ Pois sem a água potável é impossível/ Qualquer tipo de existência na Terra’.

“Abracemos em conjunto essa causa,/ Dando a nossa contribuição pessoal,/ Preservando e economizando sabiamente/ Esse mais valioso bem natural”.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.

paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

Dia Mundial do Rim

Em todo mês de março, mundialmente é comemorado o Dia do Rim. A iniciativa tem
como prioridade a prevenção da Doença Renal Crônica (DRC), fornecendo informações
sobre a importância do diagnóstico precoce e quanto aos cuidados com os fatores de
risco, entre eles a hipertensão arterial, o diabetes mellitus, a obesidade, o tabagismo e a
presença de histórico familiar de doença renal.
Segundo a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), em 2015, mais de 1,5 milhão de
pessoas estiveram em terapia renal substitutiva (Diálise Peritoneal, Hemodiálise ou
Transplante Renal), sendo 100 mil só no Brasil.
O dr. Daniel Rinaldi dos Santos, ex-presidente da SBN, ressaltou que, “através de
exames extremamente simples, você consegue detectar precocemente se é portador de
alguma alteração renal e tomar medidas preventivas para evitar a evolução da
doença”. Portanto, não deixemos para amanhã providências que podem impedir graves
problemas.
Em 2014, ao comentar a campanha de conscientização da SBN realizada naquele ano,
mas que continua com o seu recado sempre atual, o conhecido nefrologista afirmou:
“Uma das coisas que a equipe da Sociedade Internacional [de Nefrologia] está
preconizando é que se comemore o Dia Mundial do Rim, bebendo um copo d’água!
Uma forma de lembrar que a água faz bem para o rim. Todo mundo brindar com um
copo d’água!”
Para outras informações, acesse os sites www.sbn.org.br e www.boavontade.com.
Saúde espiritual e material
Os rins devem ser muito bem tratados. Do seu bom funcionamento depende a saúde
geral do organismo. Ao filtrar o sangue, tirando-lhe as impurezas, torna-se um parceiro
indispensável do coração que, por sua vez, faz o fluido vital circular pelo corpo.
Não é por acaso que esses dois órgãos estão destacadamente mencionados nas
Escrituras Sagradas. No Apocalipse de Jesus, 2:23, temos a famosa passagem em que o
Médico Celeste declara: “Todas as igrejas conhecerão que Eu sou aquele que sonda
rins e corações. E retribuirei a cada um segundo as suas obras”. Ele conhece bem o
nosso íntimo e os processos com que nos intoxicamos e desintoxicamos, porque os rins
(como de certo modo o fígado) são os filtros do corpo. Espiritualmente falando, ocorre o
mesmo.
É possível observar que o Cristo Ecumênico, o Divino Estadista, nos avalia de acordo
com o que produzimos, de bom ou de mau, resultante de nossas emoções (coração) e
pensamentos (rins). Contudo, fica subentendido ainda que a qualidade da saúde será um
reflexo do tratamento dado a essa admirável engenharia fisiológica (corpo humano) que
serve ao Espírito de instrumento para evolução na Terra.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.

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A intrepidez feminina

Há exemplos de extraordinárias mulheres em todos os cantos do mundo, desde as mais destacadas às mais simples, a começar pela mais singela das mães. Uma delas é “a doceira de Goiás”, no vasto interior do Brasil. Trata-se da exímia poetisa Cora Coralina (1889-1985). Aos 75 anos de idade, apenas contando com instrução primária, publicou seu primeiro livro.
Disse a saudosa Cora:

— Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina.

É o talento do povo bem instruído e espiritualizado que transforma miséria em riqueza! A fortuna de um país situa-se, antes de tudo, no coração solidário e na consciência esclarecida de sua gente — valorizando a mulher e dignificando o homem. Neles se encontra a capacidade criadora. É assim em todas as nações.

Benjamin Franklin (1706-1790) há muito se levantara para esclarecer:

— A verdadeira sabedoria consiste em promover o bem-estar da Humanidade.

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Serviço — Tesouros da Alma (Paiva Netto), 304 páginas. À venda nas principais livrarias e nas bancas de jornal.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
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” Oração, trabalho e Paz “.

Meu filho mais novo, hoje um adolescente, desde pequenino, ao proferir com nossos familiares e amigos uma breve oração à mesa antes das refeições, sensibiliza a todos com um simples mantra, que poderia resumir grandes compêndios de sabedoria, aquela que compartilha Solidariedade sem fronteiras de qualquer espécie. Exclama o jovenzinho: “Deus, peço-Te que não falte a comida no prato de ninguém nem no nosso!”
Nos desafiantes momentos por que passa o planeta, considero de muita valia invocar aos Poderes Celestiais análoga súplica: Que não falte o decente meio de ganhar o próprio sustento a nenhuma batalhadora mulher, a nenhum dedicado trabalhador nem aos nossos familiares! Amém!
Façamos juntos essa rogativa, mas na atuante esperança de que esse “assim seja” encontre, nos planos de governos do mundo, acertadas providências que atendam às urgentes necessidades das populações.
Seres humanos bem empregados e devidamente valorizados em seus esforços são garantia de Paz e de sustentável progresso para todos. Jesus, o Administrador Celeste de seres espirituais e humanos, foi pragmático ao afirmar em Seu Evangelho, segundo Lucas, 10:7: “Digno é o trabalhador do seu salário”.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

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Trecho extraído do novo livro Tesouros da Alma (Editora Elevação), de Paiva Netto, 304 páginas.

Pais e filhos contra a droga

Meu artigo de hoje visa colaborar na prevenção contra o crack, terrível droga que lamentavelmente se alastra pelo país. De acordo com a pesquisa de 2012, divulgada pela Confederação Nacional de Municípios (CNM), o consumo do crack disseminou-se por todas as classes sociais.

Pari passu com as políticas públicas e os cuidados médicos aos usuários em sua luta contra a dependência química, não se pode deixar de lado a devida valorização da família — a atenção dos pais e responsáveis com as companhias de seus filhos e a imprescindível presença da Espiritualidade Ecumênica no diálogo entre pais e filhos.

Nos idos de 1980, apresentei, na Super Rede Boa Vontade de Comunicação, “Carta de um filho para o pai”, publicada em O Imparcial, de Monte Alto/SP. Nela, um jovem de 19 anos, usuário de entorpecentes, escreve um bilhete de adeus ao seu pai. Diante da comoção dos ouvintes, providenciei que o texto fosse impresso em diferentes idiomas.

É indispensável o esclarecimento dos familiares. Nas passeatas e panfletagens, em conferências, na rádio e na TV, os orientamos a prestar maior atenção ao cotidiano dos filhos, suas amizades, dúvidas, ambientes que frequentam.

Tóxicos: “Carta de um filho para o pai”

“Acho que neste mundo ninguém procurou descrever seu próprio cemitério. Não sei como meu pai vai receber este relato, mas preciso de todas as forças enquanto é tempo. Sinto muito, meu pai, acho que este diálogo é o último que tenho com o senhor. Sinto muito, mesmo… Sabe, pai, está em tempo de o senhor saber a verdade de que nunca desconfiou. Vou ser breve e claro, bastante objetivo.

“O tóxico me matou. Travei conhecimento com meu assassino aos 15 anos de idade. É horrível, não, pai? Sabe como conheci essa desgraça? Por meio de um cidadão elegantemente vestido, bem elegante mesmo, e bem-falante, que me apresentou ao meu futuro assassino: a droga.

“Eu tentei recusar, tentei mesmo, mas o cidadão mexeu com o meu brio, dizendo que eu não era homem. Não é preciso dizer mais nada, não é, pai? Ingressei no mundo do vício.

“No começo foi o devaneio; depois as torturas, a escuridão. Não fazia nada sem que o tóxico estivesse presente. Em seguida, veio a falta de ar, o medo, as alucinações. E logo após a euforia do pico, novamente eu me sentia mais gente do que as outras pessoas, e o tóxico, meu amigo inseparável, sorria, sorria.

“Sabe, meu pai, a gente, quando começa, acha tudo ridículo e muito engraçado. Até Deus eu achava cômico. Hoje, no leito de um hospital, reconheço que Deus é mais importante que tudo no mundo. E que sem a Sua ajuda eu não estaria escrevendo esta carta. Pai, eu só estou com 19 anos e sei que não tenho a menor chance de viver. É muito tarde para mim. Mas, ao senhor, meu pai, tenho um último pedido a fazer: mostre esta carta a todos os jovens que o senhor conhece. Diga-lhes que em cada porta de escola, em cada cursinho de faculdade, em qualquer lugar, há sempre um homem elegantemente vestido e bem-falante que irá mostrar-lhes o futuro assassino e destruidor de suas vidas e que os levará à loucura e à morte, como aconteceu comigo. Por favor, faça isso, meu pai, antes que seja tarde demais para eles.

“Perdoe-me, pai… já sofri demais, perdoe-me também por fazê-lo padecer pelas minhas loucuras.

“Adeus, meu pai.”

Algum tempo após escrever essa carta, o jovem morreu.

Cuidar bem da juventude

Eis por que fraternalmente advertimos: Cuidemos bem de nossa juventude, como o faz a Religião de Deus, do Cristo e do Espírito Santo, porque a nenhum de nós interessa ter amanhã uma pátria de drogados, bêbados e frustrados. Queremos, isto sim, uma geração, uma civilização de homens e mulheres, jovens e crianças honrados, realizadores no Bem, amantes da Paz, da Verdade e da Justiça. É por isso que a Religião Divina trabalha incessantemente. Se o mundo quiser evoluir, precisa, antes de tudo, preparar a geração que surge, com o que tiver de melhor, e confiar mais nela. Já é tempo.

A propensão dos jovens é acreditar e batalhar pelo futuro. Graças a Deus! Ainda bem!

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.

paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

Grande abraço!

Camila Mota de Castro
Relacionamento Institucional da LBV
Tel.: (81) 3413.8607 – 997891269 (whatsapp)
E-mail: ccastro@lbv.org.br

” Igualdade de gênero e erradicação da pobreza “.

A mulher é o verdadeiro alicerce das civilizações quando realmente integrada em Deus e/ou nos mais sublimes ideais que honram a raça humana. Isto é, ainda que não creia na existência da Mãe-Pai Celeste, a mulher embala as nações ao se transformar no aríete dos mais nobres sentimentos que nascem de seu coração, quais sejam a Caridade, a Solidariedade, a Fraternidade, a Generosidade. Elas devem ser as protagonistas da construção de um modelo econômico em que os mais elevados valores da Alma sejam o lastro das interações humanas.
Se tratamos aqui da urgência de à mulher ser facultado o empoderamento econômico, é porque devemos extirpar, de uma vez por todas, a discriminação contra ela no acesso às mesmas oportunidades de desenvolvimento que os homens recebem no âmbito do trabalho. Não mais podemos aceitar os impedimentos que as mulheres encontram nesse campo, gerando atraso na luta pela igualdade de gênero e pela erradicação da pobreza. Como imaginar a efetiva elaboração de políticas públicas enquanto ainda se lega a um patamar econômico inferior metade da população mundial? É um contrassenso!
Por isso, sempre faço questão de dizer: O futuro do mundo depende essencialmente da atenção e da magnanimidade de suas mulheres.

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1 Igualdade de gênero e erradicação da pobreza — Esse texto faz parte da mensagem de Paiva Netto “Solidariedade: a razão e o coração da Economia”, encaminhada às delegações internacionais, autoridades e participantes da 61a sessão da Comissão sobre a Situação das Mulheres (CSW, na sigla em inglês), realizada em março de 2017 na sede da Organização das Nações Unidas (ONU). Na ocasião, foi discutido o tema “O empoderamento econômico das mulheres no dinâmico mundo do trabalho”, que vem ao encontro do 5o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável. Aliás, o diretor-presidente da Legião da Boa Vontade recebeu, em 14 de novembro de 2016, correspondência oficial da equipe do novo secretário-geral da ONU, dr. António Guterres, na qual expressa gratidão ao dirigente da LBV pela carta encaminhada ao diplomata português com cumprimentos, em virtude da nomeação deste para ocupar o cargo máximo da ONU. Na missiva, assinada por Kyung-wha Kang, assessora especial em Política do gabinete do secretário-geral, consta: “Prezado diretor-presidente, permita-me agradecer, em nome do secretário-geral designado, António Guterres, as vossas gentis palavras de congratulação. É com grande honra e com um sentido de responsabilidade que ele assumirá suas novas funções. A Legião da Boa Vontade é uma organização da sociedade civil que tem uma parceria de longa data com as Nações Unidas. Sua missão de incentivar a vivência de valores, a fim de criar uma sociedade mais justa e solidária, é mais do que nunca de grande relevância global. Suas iniciativas visam melhorar a situação de pessoas de baixa renda em diversas áreas, tais como educação e desenvolvimento sócio-económico, sendo uma grande contribuição para a consecução dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e sua meta de erradicar a pobreza até o ano de 2030. Contamos com a Legião da Boa Vontade para trabalhar junto às Nações Unidas na busca de soluções para os desafios globais mais urgentes da atualidade”. A Legião da Boa Vontade (LBV) — Instituição que, em 1994, passou a integrar o Departamento de Informação Pública (DPI) e possui status consultivo geral no Conselho Econômico e Social (Ecosoc), desde 1999 — nutre antigos laços de união com a ONU. Essas duas tradicionais Entidades atuam sob as bandeiras da harmonia entre as pessoas e entre as nações e do progresso sustentável desde as respectivas origens, na década de 1940.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

O Amor é o Elo Achado

O Amor é a suprema definição da Divindade. É o elo perdido que a criatura
busca na imensidão do estudo científico, que, para mais rapidamente progredir no
âmbito social, tem de irmanar-se à Fé sem fanatismos, a fim de encontrar esse elo.
Há tanto tempo considero que a Ciência (cérebro, mente), iluminada pelo Amor
(Religião, coração fraterno), eleva o ser humano à conquista da Verdade!
E o que mais é o Amor?
O Amor é o grande campeão das mais difíceis batalhas. Supera todos os
sofrimentos. É Deus. Logo, intensifica sua atitude confortadora quando o
desassistido ou o ser amado precisa de socorro.
O Amor não pede para si mesmo.
O Amor oferece o auxílio que o desamparado suplica.
O Amor, com discrição, atende até ao apelo não abertamente expresso.
O Amor não deserta, pois ajuda sempre. Nunca traz destruição. Propicia a
Paz.
O Amor não adoece. Ele se renova para recuperar o enfermo do corpo e/ou da
Alma. Não promove a fome. Pelo contrário, fornece o alimento.
O Amor instrui e liberta, porquanto reeduca e espiritualiza.
O Amor não constrange, porque confia. Por esse motivo, poetizou
Rabindranath Tagore (1861-1941), famoso bardo e filósofo hindu, amigo de
Gandhi (1869-1948): “Ó Deus! O Teu Amor liberta, enquanto o amor humano
aprisiona”.
O Amor é tudo: o enlevo da existência, pois afasta o temor.
O Amor, quando verdadeiramente é ele mesmo, sempre triunfa, visto que não
coage nunca. Enfim, o Amor governa, porque é Deus, mas igualmente Justiça.
O Amor é o Elo Achado 1 .

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

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1 O Elo Achado (trecho extraído do novo livro Tesouros da Alma, de Paiva Netto
— Editora Elevação, 304 páginas) — Aqui, o autor faz uma antítese ao “elo
perdido”, expressão utilizada, em 1851, por Charles Lyell (1797-1875), mentor de
Charles Darwin (1809-1882). Mais conhecido como “fóssil de transição”, em
Paleontologia, diz respeito ao organismo que reúne características dos seus
descendentes e antecessores evolutivos, preservadas no registro fóssil. Na
investigação da história evolutiva dos seres humanos, procura-se o “fóssil de
transição” entre o macaco e o homem. Alguns fósseis de hominídeos têm sido
estudados, e o mais famoso é Lucy, um exemplar da espécie Australopithecus
afarensis. A busca prossegue, e outros hominídeos já foram descobertos depois de
Lucy. Contudo, ainda não se tem a certeza de que sejam o “elo perdido” dessa
árvore filogenética, à qual pertencemos.

Reflexão de Boa Vontade Exaltar a face cordial da Economia

Há algo errado com a economia vigente. Ao lado de sua face racional, tem de
se dispor a cordial, isto é, a inteligência do coração. Em oportunidade não muito
distante — esperamos que assim seja —, os corifeus do capitalismo, que sempre se
destacaram pelo espírito “pragmático”, irão perceber que a mundialização derrubará
todas as espécies de barreiras que lhes serviam de anteparo.
Não mais haverá oceanos que separem continentes. Se os corruptos já se
aproveitam disso — e não é de hoje —, que os homens de bem possam globalizar,
com maior rapidez, o Amor Fraterno, valendo-se do grande privilégio do regime
democrático, que é a liberdade com alto sentido de dever. Portanto, jamais se
esqueçam de que a Democracia é o regime da responsabilidade, como a Economia
também o é, de forma que venha a existir o equilíbrio no mundo. A força não é
solução, nem no curto prazo, muito menos para sempre (…).
Jesus, na Boa Nova, segundo Lucas, 16:8, lamentou que “(…) os filhos do
Evangelho são menos perspicazes que os filhos do mundo”.
“Quousque tandem?” 1 — continuaria perguntando Cícero (106-43 a.C.) ao
criminoso Catilina (108-62 a.C.). Sim, até quando os filhos da Luz serão menos
audazes?

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

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1 Nota de Paiva Netto
Frase de Cícero (106-43 a.C.) — Marcus Tullius Cícero foi um orador e político
romano. Ficou famoso o seu eloquente repúdio a Catilina — Lucius Sergius Catilina
(108-62 a.C.) —, quando este teve a audácia de comparecer ao Senado Romano
depois de descoberta a sua conspiração contra a República: “Quousque tandem
abutere, Catilina, patientia nostra?” (Até quando, Catilina, abusarás da nossa
paciência?). Cícero publicou, além de tratados de retórica, obras de Filosofia.
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Trecho extraído do novo livro Tesouros da Alma (Editora Elevação), de Paiva Netto,
304 páginas.

O sentido lato de cidadania

O amadurecimento crescente de um povo, que está descobrindo os seus direitos de cidadão, ainda que tardiamente, porquanto duzentos anos após a Revolução Francesa [estávamos em 1991], o fará finalmente concluir que nenhum país pode na verdade desenvolver seus talentos se continuar subsistindo como uma grande senzala de senhores e escravos, ou fechar-se como uma ostra xenófoba ou abrir-se de forma temerária, a ponto de perder sua identidade, sua soberania.

A compreensão das massas ir-se-á maturando até que entendam o valor da cidadania, no sentido lato, pois não é bastante considerar o cidadão apenas no seu contexto físico, mas também no espiritual, porque qualquer componente dos grupos humanos é, em resumo, formado por corpo e Alma. Afinal somos na origem Espírito. Eis o sentido completo de cidadania, que não pode admitir tão somente o analfabetismo das letras humanas, como também a ignorância dos assuntos espirituais.

O desconhecimento desta realidade sobre a qual acabamos de discorrer favorece a incrementação das ações causadoras da fome, do desemprego, do sectarismo, do frio ideal individualista, isto é, ególatra, a promoção do escárnio com os que sofrem na sociedade, porque riqueza e pobreza situam-se dentro do ser humano; exteriorizá-las, ou não, depende da mentalidade e de fatores culturais (no futuro próximo, marcadamente espirituais), que precisam ser exercitados. Esta é uma situação que não afeta apenas o Brasil, é mundial: durante gerações foi-se oferecendo à grande parte das crianças e dos jovens pouco mais que lixo. Depois, há quem se surpreenda com o resultado obtido por tão funesta sementeira, a cultura do crime (que se compraz no conflito entre povos, ou mesmo dentro das famílias e das nações, verdadeiras guerras civis não declaradas), da qual a mocidade é a principal vítima (como está no Apocalipse, 8), a causar outras tantas em todas as classes. Não basta levantar o vidro do carro. É suicídio desviar a atenção do fato. Nunca foi eficiente esconder a cabeça na areia, como o avestruz. (…)

Não é sem propósito esta meditação de Bonaparte (1769-1821): “Cada hora perdida na juventude é uma possibilidade de infortúnio na idade adulta”.

Ora, isto também se aplica às nações que nascem, crescem, tornam-se maduras, quando colherão o que houverem plantado nas fases anteriores ou, não, se não souberem, mais que honrá-lo, sublimar seu patrimônio espiritual, social e humano. Eis o desafio a ser vencido no campo da Educação: o de aliar à Instrução a Espiritualidade Ecumênica. Nós, Legionários da Boa Vontade, temos plena certeza de que o Evangelho e o Apocalipse oferecem uma estrutura espiritual, psíquica e ética para que ocorra essa transmudação, cuja hora é chegada, mais que isso, urgentíssima.

Daí ter discorrido, em entrevista que concedi ao renomado jornalista Ibrahim Sued (1929-1995), sobre a Pedagogia inovadora que aplicamos na Legião da Boa Vontade, alinhando a ética ao ensino para a formação do Cidadão Ecumênico. Apresento, a seguir, trechos do que disse em resposta à arguição do saudoso Ibrahim, à época:

Última entrevista com Ibrahim Sued

Ibrahim Sued — Sei que a Legião da Boa Vontade tem uma linha pedagógica inovadora. Qual é a fórmula da LBV para resolver o problema da Educação no Brasil?

Paiva Netto — Antes de tudo, aplicar o nem sempre devidamente valorizado Amor, na definição de Laura, mãe do enfermeiro Lísias, personagens do livro Nosso Lar, de autoria do dr. André Luiz, na psicografia de Chico Xavier (1910-2002): “O Divino Pão das Almas, o Alimento Sublime dos Corações”.

Amor versus conivência

Ora, meu caro Ibrahim, o que mais se vê por aí é o resultado da carência dele. Nada mais pedagógico do que o Amor Fraterno, conquanto enérgico e justo. Naturalmente, o Amor não pode ser confundido com conivência no erro, pois existem aqueles que consideram que amar é concordar em tudo, mesmo no que estiver errado. Amar é justamente o contrário, mas, sabendo-se com generosidade corrigir a pessoa em sua falta, mesmo que com ponderado rigor. (…) Aristóteles (384-322 a.C.) advertia que “todos quantos têm meditado na arte de governar o gênero humano acabam por se convencer de que a sorte dos impérios depende da Educação da mocidade”. Mas onde começa a verdadeira Educação? (…) Na Pedagogia da Legião da Boa Vontade, que prega a Sociedade Solidária, visamos formar o Cidadão Ecumênico, ou seja, o ser humano que transcende a mera competência, visto que muita gente tida como tal está levando o mundo a uma situação de calamidade e perigo. O Cidadão Ecumênico é o cidadão solidário, portanto não egoísta. É aquele que não se deixa seduzir pelo fanatismo, porque entende que não faz sentido odiar em nome de Deus, que é Amor. Enfim, é o que sabe respeitar a sagrada criatura humana sem preconceitos e sectarismos. O que é ético não pode acovardar-se. Quando o território não é defendido pelos bons, os maus fazem “justa” a vitória da injustiça. (…) Na verdade, meu caro Ibrahim, o que a LBV propõe é um grande programa de Reeducação. E é o que vimos fazendo dentro de nossas possibilidades, procurando despertar o interesse de tanta gente idealista, que, como nós, não acredita na fatalidade de destinos condenados à desgraça, por questões sociais, políticas, religiosas, étnicas… Além disso, nada se constrói firmado em recalques. Essa ação permanente da LBV pela reeducação do Povo muito impressionou o jornalista Gilberto Amaral, de Brasília, a ponto de ter declarado no Correio Braziliense: “A Legião da Boa Vontade dá uma clara e evidente demonstração ao país de como educar, principalmente os mais humildes” (…).

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.

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Câncer de Mama

O Dia Mundial Contra o Câncer e o Dia Nacional da Mamografia (respectivamente em 4 e 5 de fevereiro) chamam-nos a atenção sobre um mal que acomete cada vez mais pessoas.

Segundo informa o Instituto Nacional de Câncer (Inca), quase 60 mil novos casos de câncer de mama deverão ser diagnosticados no país a cada ano. E ainda ressalta que este é o “tipo de câncer mais comum entre as mulheres no mundo e no Brasil, depois do de pele não melanoma, respondendo por cerca de 28% dos casos novos a cada ano. O câncer de mama também acomete homens, porém é raro, representando apenas 1% do total de casos da doença”.

Conforme ressalta o Inca, “o exame clínico da mama deve ser feito uma vez por ano pelas mulheres entre 40 e 49 anos. E a mamografia deve ser realizada a cada dois anos por mulheres entre 50 e 69 anos, ou segundo recomendação médica”. E mais: “Embora a hereditariedade seja responsável por apenas 10% do total de casos, mulheres com história familiar de câncer de mama, especialmente se uma ou mais parentes de primeiro grau (mãe ou irmãs) foram acometidas antes dos 50 anos, apresentam maior risco de desenvolver a doença. Esse grupo deve ser acompanhado por um médico a partir dos 35 anos (…)”.

Quando detectado nos estágios iniciais, as chances de cura são de aproximadamente 95%. Contudo, aponta Ricardo Caponero, presidente do Conselho Técnico-Científico da Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (Femama), “ainda falta conscientização das mulheres para a importância da realização periódica da mamografia. (…) Apenas 30% das mulheres fazem o exame”. Desde 2009, o procedimento tem cobertura gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS), direito assegurado pela Lei nº 11.664/2008. Em prol de sua saúde, as mulheres não podem abrir mão desse benefício.

Prevenção
Para melhor conhecimento de todos sobre o assunto, vale consultar o site do Inca (www.inca.gov.br). Vejam, por exemplo, algumas dicas de prevenção: “Controlar o peso corporal e evitar a obesidade, por meio da alimentação saudável e da prática regular de exercícios físicos, e evitar o consumo de bebidas alcoólicas são recomendações básicas para prevenir o câncer de mama. A amamentação também é considerada um fator protetor”.

Não prescindamos igualmente de recorrer ao Amparo Celeste, que tem em Jesus, o Divino Médico, o abundante manancial da saúde almejada por todos.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
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Reflexão de Boa Vontade Desafiando o tabu individualista

Dentre tantos casos que ilustram a necessidade de o espírito solidário reger a economia nas civilizações, é oportuno ressaltar o brilhante trabalho da dra. Elinor Ostrom (1933-2012), única mulher até hoje a receber o Prêmio Nobel de Economia. Ela e Oliver Williamson foram laureados em 2009, ambos por pesquisas na área de governança econômica.
A saudosa professora da Universidade de Indiana, EUA, teve de vencer os preconceitos acadêmicos contra a mulher para se graduar em Ciência Política. De origem humilde, interessou-se por estudar a organização de comunidades e a gestão que fazem dos recursos comuns, a exemplo das áreas florestais e de pesca. Ela acreditava que as pessoas, por si sós, alcançariam formas racionais de sobreviver e de conviver bem. Seria possível estabelecer laços de confiança entre os indivíduos e desenvolver regras, respeitando as particularidades dos sistemas ecológicos, a fim de que houvesse cuidado e proveito coletivos dos bens disponíveis. Isso foi de encontro à teoria econômica em vigor, chamada “tragédia dos comuns”, baseada numa visão de que o ser humano, agindo apenas de forma egoísta, levaria à ruína os recursos naturais.
E as extensas pesquisas de campo que ela realizou nas florestas do Nepal, nos sistemas de irrigação da Espanha, nas vilas montanhosas da Suíça e do Japão, nas áreas de pesca da Indonésia, entre outros locais, confirmaram sua hipótese de que é possível haver convivência harmoniosa e uso responsável das condições que a Natureza oferece. Verificou-se que não se poderiam reduzir as pessoas à ganância de tão somente buscar o máximo de ganhos individuais. Porquanto, deve-se compreender que a vida é composta de propósitos mais amplos e que a ajuda mútua se apresenta como item de necessidade básica da Alma humana. Em artigo científico, de junho de 20101, a dra. Ostrom concluiu: “Por quase todo o século passado, analistas de políticas públicas têm postulado que o grande objetivo dos governos é projetar instituições para forçar (ou empurrar) indivíduos completamente egoístas a alcançar melhores resultados. Extensa pesquisa empírica me leva a argumentar que, pelo contrário, o principal objetivo das políticas públicas deve ser facilitar o desenvolvimento de instituições que despertem o que há de melhor nos seres humanos. Precisamos nos perguntar como instituições policêntricas variadas ajudam ou impedem inovação, aprendizado, adaptação, integridade de caráter, níveis de cooperação dos participantes, bem como a conquista de resultados mais efetivos, equitativos e sustentáveis, em escalas múltiplas”. (O destaque é nosso.)
Nada melhor do que acreditar e investir no potencial divino dos indivíduos.
Não nos cansamos de afirmar: nascemos na Terra para viver em sociedade, Sociedade Solidária Altruística Ecumênica; portanto, fraternalmente sustentável.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com
__________
1 OSTROM, Elinor. “Beyond Markets and States: Polycentric Governance of Complex Economic Systems”, em American Economic Review, 100, junho de 2010, p. 24. Disponível em: https://www.aeaweb.org/articles?id=10.1257/aer.100.3.641.
__________
Trecho extraído do novo livro Tesouros da Alma (Editora Elevação), de Paiva Netto, 304 páginas.

Religião não rima com intolerância

Em 21 de janeiro celebra-se o Dia Mundial da Religião. Em artigo publicado na Folha de S.Paulo na década de 1980 arguido por um leitor se não sectarizaria a minha palavra o fato de, em meus escritos, dar muito valor à Religião, escrevi:
Não vejo Religião como ringues de luta livre, nos quais as muitas crenças se violentam no ataque ou na defesa de princípios, ou de Deus, que é Amor, portanto, Caridade, e que, por isso, não pode aprovar manifestações de ódio em Seu Santo Nome nem precisa da defesa raivosa de quem quer que seja. Alziro Zarur (1914-1979) dizia que “o maior criminoso do mundo é aquele que prega o ódio em nome de Deus”.
Compreendo Religião como Fraternidade, Solidariedade, Entendimento, Compaixão, Generosidade, Respeito à Vida Humana, Salvação das Almas, Iluminação do Espírito, que todos somos. Tudo isso no sentido mais elevado. Creio na Religião como algo dinâmico, vivo, pragmático, altruisticamente realizador, que abre caminhos de luz nas Almas e que, por essa razão, deve estar na vanguarda ética. Não a vejo como coisa abúlica, nefelibata, afastada do cotidiano de luta pela sobrevivência que sufoca as massas. Não a entenderia, se não atuasse também, de modo sensato, na transformação das realidades tristes que ainda atormentam os povos. Estes, cada vez mais, andam necessitados de Deus, que é antídoto para os males espirituais, morais e, por consequência, os sociais, incluídos o imobilismo, o sectarismo e a intolerância degeneradores, que obscurecem o Espírito das multidões. (…) E de maneira alguma devem-se excluir os ateus de qualquer providência que venha beneficiar o mundo.
Deus, Sabedoria e Misericórdia
Religião, como sublimação do sentimento, é para tornar o ser humano melhor, integrando-o no seu Criador, pelo exercício da Fraternidade e da Justiça entre as Suas criaturas. O Pai Celestial é fonte inesgotável de Sabedoria e Misericórdia quando não concebido como caricatura, estereótipo, ódio, vingança, porquanto “Deus é Amor” (Primeira Epístola de João, 4:8), sinônimo de Caridade.
Com apurado senso de oportunidade, preconiza o Profeta Muhammad (570-632) — “Que a Paz e as bênçãos de Deus estejam sobre ele” — no Corão Sagrado, Surata Al ´Ankabut (A Aranha): “Cremos no que nos foi revelado e no que vos foi revelado. Nosso Deus e vosso Deus é o mesmo. A Ele nos submetemos”.
Vêm-me à lembrança estas palavras de Santa Teresa d’Ávila (1515-1582): “Procuremos sempre olhar as virtudes e as coisas boas que virmos nos outros e tapar-lhes os defeitos com os nossos grandes pecados”.
Religião na vanguarda
Tudo evolui. Ontem os homens diziam, por exemplo, que a Terra era chata. Afirmava-se que o nosso planeta seria o centro do Universo. Por que então as religiões teriam de estacionar no tempo? Pelo contrário. Religião, quando sinônimo de Solidariedade e Misericórdia, tem de iluminar harmoniosamente a vanguarda de tudo: da Filosofia, da Ciência, da Política, da Arte, do Esporte, da Economia etc. É também por intermédio dela — a Religião — que Deus, que é Amor, nos manda os mais potentes raios da Sua Generosidade. (…)
Bem a propósito esta meditação do nada menos que cético Voltaire (1694-1778): “A tolerância é tão necessária na política como na religião. Só o orgulho é intolerante”. (…)
Para amainar a frieza de coração
Cabe reiterar esta máxima abrangente de Zarur: “Religião, Filosofia, Ciência e Política são quatro aspectos da mesma Verdade, que é Deus”.
Ora, querer conservar os ramos do saber universal confinados em departamentos estanques, em preconceituosa conflagração, tem sido a origem de muitos males que nos assolam, em especial tratando-se de Religião, entendida no mais alto sentido.
É principalmente de sua área que deve provir o espírito solidário, que, faltando aos diferentes ramos do saber e à própria Religião, resulta na frieza de sentimentos que tem caracterizado as relações humanas, nestes últimos tempos.
(…) O milagre que Deus espera dos seres espirituais e humanos é que aprendam a amar-se, para que não ensandeçam de vez, como na pesquisa para o uso bélico da antimatéria.
O melhor altar para a veneração do Criador são Suas criaturas. Torna-se urgente que a Humanidade tenha humanidade.
José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

Religião não rima com intolerância

Em 21 de janeiro celebra-se o Dia Mundial da Religião. Em artigo publicado na Folha de S.Paulo na década de 1980 arguido por um leitor se não sectarizaria a minha palavra o fato de, em meus escritos, dar muito valor à Religião, escrevi:

Não vejo Religião como ringues de luta livre, nos quais as muitas crenças se violentam no ataque ou na defesa de princípios, ou de Deus, que é Amor, portanto, Caridade, e que, por isso, não pode aprovar manifestações de ódio em Seu Santo Nome nem precisa da defesa raivosa de quem quer que seja. Alziro Zarur (1914-1979) dizia que “o maior criminoso do mundo é aquele que prega o ódio em nome de Deus”.

Compreendo Religião como Fraternidade, Solidariedade, Entendimento, Compaixão, Generosidade, Respeito à Vida Humana, Salvação das Almas, Iluminação do Espírito, que todos somos. Tudo isso no sentido mais elevado. Creio na Religião como algo dinâmico, vivo, pragmático, altruisticamente realizador, que abre caminhos de luz nas Almas e que, por essa razão, deve estar na vanguarda ética. Não a vejo como coisa abúlica, nefelibata, afastada do cotidiano de luta pela sobrevivência que sufoca as massas. Não a entenderia, se não atuasse também, de modo sensato, na transformação das realidades tristes que ainda atormentam os povos. Estes, cada vez mais, andam necessitados de Deus, que é antídoto para os males espirituais, morais e, por consequência, os sociais, incluídos o imobilismo, o sectarismo e a intolerância degeneradores, que obscurecem o Espírito das multidões. (…) E de maneira alguma devem-se excluir os ateus de qualquer providência que venha beneficiar o mundo.

Deus, Sabedoria e Misericórdia

Religião, como sublimação do sentimento, é para tornar o ser humano melhor, integrando-o no seu Criador, pelo exercício da Fraternidade e da Justiça entre as Suas criaturas. O Pai Celestial é fonte inesgotável de Sabedoria e Misericórdia quando não concebido como caricatura, estereótipo, ódio, vingança, porquanto “Deus é Amor” (Primeira Epístola de João, 4:8), sinônimo de Caridade.

Com apurado senso de oportunidade, preconiza o Profeta Muhammad (570-632) — “Que a Paz e as bênçãos de Deus estejam sobre ele” — no Corão Sagrado, Surata Al ´Ankabut (A Aranha): “Cremos no que nos foi revelado e no que vos foi revelado. Nosso Deus e vosso Deus é o mesmo. A Ele nos submetemos”.

Vêm-me à lembrança estas palavras de Santa Teresa d’Ávila (1515-1582): “Procuremos sempre olhar as virtudes e as coisas boas que virmos nos outros e tapar-lhes os defeitos com os nossos grandes pecados”.

Religião na vanguarda

Tudo evolui. Ontem os homens diziam, por exemplo, que a Terra era chata. Afirmava-se que o nosso planeta seria o centro do Universo. Por que então as religiões teriam de estacionar no tempo? Pelo contrário. Religião, quando sinônimo de Solidariedade e Misericórdia, tem de iluminar harmoniosamente a vanguarda de tudo: da Filosofia, da Ciência, da Política, da Arte, do Esporte, da Economia etc. É também por intermédio dela — a Religião — que Deus, que é Amor, nos manda os mais potentes raios da Sua Generosidade. (…)

Bem a propósito esta meditação do nada menos que cético Voltaire (1694-1778): “A tolerância é tão necessária na política como na religião. Só o orgulho é intolerante”. (…)

Para amainar a frieza de coração

Cabe reiterar esta máxima abrangente de Zarur: “Religião, Filosofia, Ciência e Política são quatro aspectos da mesma Verdade, que é Deus”.

Ora, querer conservar os ramos do saber universal confinados em departamentos estanques, em preconceituosa conflagração, tem sido a origem de muitos males que nos assolam, em especial tratando-se de Religião, entendida no mais alto sentido.

É principalmente de sua área que deve provir o espírito solidário, que, faltando aos diferentes ramos do saber e à própria Religião, resulta na frieza de sentimentos que tem caracterizado as relações humanas, nestes últimos tempos.

(…) O milagre que Deus espera dos seres espirituais e humanos é que aprendam a amar-se, para que não ensandeçam de vez, como na pesquisa para o uso bélico da antimatéria.

O melhor altar para a veneração do Criador são Suas criaturas. Torna-se urgente que a Humanidade tenha humanidade.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

Reflexão de Boa Vontade Multiplicação de pães e peixes e combate ao desperdício

Em meu livro O Capital de Deus, comento uma passagem evangélica que nos traz instrutiva lição.

Conhecedor dos Soberanos Estatutos da Economia de Deus, ainda ignorados pela maioria dos seres humanos, Jesus, o Cristo Ecumênico, o Divino Estadista, pôde realizar o milagre da multiplicação de peixes e pães, conforme o relato de Mateus, 14:13 a 21.

A primeira multiplicação de pães e peixes

13 Jesus, ouvindo que João Batista fora decapitado por ordem de Herodes, retirou-se dali num barco, para um lugar deserto, à parte. Sabendo disso, as massas populares vieram das cidades, seguindo-O por terra.

14 Desembarcando, Ele viu uma grande multidão. Compadeceu-se dela e curou os seus enfermos.

15 Ao cair da tarde, aproximando-se Dele, os Discípulos Lhe disseram: Senhor, o lugar é deserto, e vai adiantada a hora. Despede, pois, o povo para que, indo pelas aldeias, compre para si o que comer.

16 Jesus, porém, lhes disse: Não precisam retirar-se; dai-lhes, vós mesmos, o alimento.

17 Ao que Lhe responderam: Senhor, não temos aqui senão cinco pães e dois peixinhos!

18 Então, o Mestre ordenou-lhes: Trazei-os a mim.

19 E, tendo mandado que todos se assentassem sobre a relva, tomando os cinco pães e os dois peixinhos, erguendo os olhos ao céu, os abençoou. Depois, havendo partido os pães, deu-os aos Discípulos, e estes, às multidões.

20 Todos comeram e se fartaram; e dos pedaços que sobraram recolheram ainda doze cestos repletos.

21 E os que comeram foram cerca de cinco mil homens, além de mulheres e crianças.

Aliado a isso, não nos esqueçamos do que o Economista Divino nos ensinou a respeito da capacidade pessoal de cada ser humano, ao dizer: “Vós sois deuses. Eu voltarei ao Pai, vós ficareis aqui na Terra; (…) portanto, podereis fazer muito mais do que Eu” (Evangelho, segundo João, 10:34 e 14:12).

Alguém, talvez por ócio, analisando o trecho anterior, poderia argumentar que Jesus é um caso único e que, por isso, não há parâmetros para equivaler a nossa competência à Dele, celestemente superior. Uma maneira de combater esse raciocínio seria considerar que, mesmo não estando ainda no altíssimo patamar espiritual do Mestre dos mestres, somos capazes de gestos simples que fazem imensa diferença.

O poder de multiplicar os pães e os peixes também está em nós, a começar pelo consumo consciente. Vamos nos empenhar, então, por corrigir o desperdício. Quanto alimento descartamos por negligência! O que é desprezado pelas populações abastadas do mundo daria para acabar com a fome dos que padecem verdadeiros tormentos. É apenas um passo. Sim, mas um passo considerável. E só pela soma das aparentemente pequenas ações alcançaremos os maiores êxitos.

Como observou Confúcio: “Transportai um punhado de terra todos os dias e fareis uma montanha”.

Faço aqui um destaque ao que revela o Evangelista Mateus, no versículo 20 do capítulo 14: “Todos comeram e se fartaram; e dos pedaços que sobraram recolheram ainda doze cestos repletos”.

Quer dizer, por determinação de Jesus, não jogaram fora o que lhes sobejou. As apreciáveis porções recolhidas pelos Discípulos haveriam de, em nova oportunidade, beneficiar aquela gente ou outra. Reitero sempre que a migalha de hoje é a farta refeição de amanhã. Reflitamos sobre isso.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.

paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

Trecho extraído do novo livro Tesouros da Alma (Editora Elevação), de Paiva Netto, 304 páginas.

Dia da Liberdade de Cultos

Paiva Netto

Sete de janeiro marca o Dia da Liberdade de Cultos. O ilustre escritor Jorge Amado (1912-2001), então deputado federal, apresentou um projeto de lei à Assembleia Constituinte de 1946 que aprovou essa meritória data comemorativa.

Naturalmente, para fazer cumprir-se uma lei, que visa coibir hostilidades milenares, torna-se indispensável um esforço conjunto. A Legião da Boa Vontade, desde que surgiu com Alziro Zarur (1914-1979), no programa Hora da Boa Vontade, em 1949, vem pautando seus propósitos em prol do direito de cada um expressar sua fé e do entendimento de todos pelo bem comum. Uma de suas primeiras iniciativas foi a Cruzada de Religiões Irmanadas, abrindo assim o inter-relacionamento religioso no país, cuja reunião inaugural ocorreu no Salão do Conselho da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), na capital fluminense, em 7 de janeiro de 1950, após sucessivas reuniões preparatórias realizadas no mesmo local, nos meses de outubro, novembro e dezembro de 1949, na sala da diretoria da prestigiada Associação.

Diversidade religiosa e direitos humanos

No ano de 2013, a Secretaria dos Direitos Humanos da Presidência da República, publicou a cartilha Diversidade religiosa e direitos humanos, conscientizando o povo da necessidade de respeito entre os diferentes credos. Nela constam também citações de líderes religiosos e defensores dos direitos humanos que exaltam ideais fraternos e solidários. Oportunamente, agradeço o destaque a este pequeno trecho do meu artigo “Religião não rima com intolerância”:

Compreendo Religião como Fraternidade, Solidariedade, Entendimento, Compaixão, Generosidade, Respeito à Vida Humana, Salvação das Almas, Iluminação do Espírito, que todos somos. Tudo isso no sentido mais elevado. Creio na Religião como algo dinâmico, vivo, pragmático, altruisticamente realizador, que abre caminhos de luz nas Almas e que, por essa razão, deve estar na vanguarda ética. Não a vejo como coisa abúlica, nefelibata, afastada do cotidiano de luta pela sobrevivência que sufoca as massas. Não a entenderia, se não atuasse também, de modo sensato, na transformação das realidades tristes que ainda atormentam os povos.

Quatro Pilares do Ecumenismo

Ainda no campo da boa coexistência entre as criaturas, ao desenvolver a concepção que temos sobre duas terminologias criadas por Zarur — Ecumenismo Irrestrito e Ecumenismo Total, podemos agora, indo adiante, destacar:

O Ecumenismo Irrestrito prega o perfeito relacionamento entre todas as criaturas da Terra. Trata-se de um caminho aberto à Paz, pois deplora a intolerância e afirma que ela não precisa rimar com religião. O Ecumenismo Total preconiza a consciente e fraterna aliança da Humanidade da Terra com a do Mundo Espiritual Superior. Afinal de contas, os mortos verdadeiramente não morrem. Eles são, agora, o que seremos amanhã. O célebre evangelista norte-americano Billy Graham escreveu: “A morte não é o fim, mas o começo de uma nova dimensão de vida — a vida eterna. (…) Pela Sua ressurreição de entre os mortos, Jesus demonstrou — sem qualquer sombra de dúvida — que existe vida após a morte”. Deve-se contar também, por puro raciocínio, qualquer civilização que possa haver no Espaço. Por que não?! Todo o Universo está aí para que apenas o fiquemos (à exceção dos astrônomos, pensadores e poetas) ociosamente apreciando?! E olhe lá, quando nos lembramos de erguer os olhos para ele… Seria pretensão de nossa parte admitir a impossibilidade da existência de outras formas de vida no Cosmos. Outro ponto: nem tudo (ou todos) que lá por fora exista tem por obrigação parecer conosco. Quando o ser humano isso compreender, estará mais apto a vivenciar os outros dois pilares: Ecumenismo dos Corações e Ecumenismo Divino.

Voltaremos ao assunto.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.

paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

Jesus, o Cristo Ecumênico, o Divino Estadista, e Sua Volta Triunfal

Natal e Ano-Novo, duas comemorações irmãs. No Ano-Novo ressurge um
novo tempo, e no Natal revive Jesus; renasce, pois, a Esperança do mundo.
O saudoso Fundador da Legião da Boa Vontade (LBV), Alziro Zarur (1914-
1979), na revista Boa Vontade n o 18 (dezembro de 1957), fala-nos um pouco sobre a
nossa concepção do Natal do Cristo de Deus:
“Desde a criação da Campanha da Boa Vontade, a 4 de março de 1949, nosso
prefixo musical é a Canção do Natal de Jesus. Muitos estranharam que a melodia
natalina precedesse a nossa mensagem radiofônica em todos os dias do ano. Hoje,
entretanto, já entendem isso: a Legião da Boa Vontade é o Natal Permanente de
Jesus, por um Brasil melhor, por uma Humanidade mais feliz. O Cristo nasce, todo
dia, no coração daqueles que sabem sofrer e amar, aqueles que formarão ‘um só
rebanho para um só Pastor’”.
Em O Brasil e o Apocalipse, volume III, saliento que o fato mais destacado de
toda a História da Humanidade, visível ou invisível, é a Volta de Jesus Ecumênico,
portanto sem grilhões. Basta ver que Ele mesmo, além de anunciar Seu retorno
triunfante a este mundo várias vezes no Evangelho e no Apocalipse, dedica um
sermão inteiro ao Fim das Épocas (Mateus, 24 e 25), que é também o início de uma
Era novíssima, singularizada na Jerusalém Celestial, constante do Livro das Profecias
Finais (capítulo 21, versículos 2 e 10). Qual o coroamento do Seu discurso?
Justamente a Parusia, isto é, a Sua Volta Gloriosa.
Como, Malraux?
Não foi sem motivo que André Malraux (1901-1976), intelectual dos mais
festejados, famoso ministro da cultura da França, manifestou um grave pensamento
de sua intimidade:
“O século XXI será religioso ou não existirá”.
Contudo, prezado Malraux, não mais religião como trágico conflito, mas, sim,
o procedimento eterno do Amor Divino, que quer que nos amemos uns aos outros,
como Jesus nos ensina no Evangelho, segundo João, 13:34 e 35 e 15:13:
“Novo Mandamento vos dou: Amai-vos como Eu vos amei. Somente assim
podereis ser reconhecidos como meus discípulos, se tiverdes o mesmo Amor uns
pelos outros. Não há maior Amor do que doar a própria Vida pelos seus amigos”.
Por isso mesmo, João Evangelista escreveu em sua Primeira Epístola, 4:7 a 9 e
16 a 21:
“7 Amados, amemo-nos uns aos outros; porque a Caridade é de Deus; e
qualquer que ama é nascido de Deus e conhece Deus.
“8 Aquele que não ama não conhece Deus; porque Deus é Amor, Deus é
Caridade.

“9 Nisto se manifestou a Caridade de Deus para conosco: Deus enviou Seu
Filho Unigênito ao mundo, para que por Ele vivamos.
“(…)
“16 E nós conhecemos, e cremos no Amor que Deus nos tem. Deus é Amor,
Deus é Caridade; e quem está em Caridade está em Deus, e Deus nele.
“17 Nisto é perfeita a Caridade para conosco, para que no Dia do Juízo
tenhamos confiança; porque, qual Ele é, somos nós também neste mundo.
“18 Na Caridade não há temor, antes a perfeita Caridade lança fora o medo;
porque o medo tem consigo a punição, e o que teme não é perfeito na Caridade.
“19 Nós amamos porque Ele nos amou primeiro”.
E Deus nos amou primeiro, por intermédio de Cristo Jesus, sublime expressão
de Fraternidade vista neste mundo.
“20 Se alguém disser: Amo a Deus, e odiar a seu irmão, é mentiroso; pois
aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê.
“21 Ora, temos da parte Dele este mandamento, que aquele que ama a Deus,
ame também a seu irmão”.
Eis a mensagem permanente do Natal de Jesus e de um Ano-Novo em que haja
mais humanidade da humanidade para a Humanidade. E se “o século XXI (…)
não existirá” se não for religioso, que o seja mais: transmude-se no grande amplexo
das religiões, em gloriosa Religião de Amor e de Fraternidade.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br – www.boavontade.com

Para não perder o equilíbrio

É essencial nos prendermos à fímbria das vestimentas do Cristo Ecumênico,
o Divino Estadista, como as crianças fazem quando vão acompanhando as mamães
e os papais pelas ruas. E não podemos largá-la de forma alguma, quer dizer, não
nos devemos afastar jamais dos Seus ensinamentos, sob o risco de perder o
equilíbrio, portanto a Paz que Ele nos pode oferecer, conforme nos advertiu:
— Minha Paz vos deixo, minha Paz vos dou. Eu não vos dou a paz do
mundo. Eu vos dou a Paz de Deus, que o mundo não vos pode dar (Evangelho,
segundo João, 14:27).
E:
— Não se turbe o vosso coração nem se arreceie (Evangelho, segundo João,
14:1), porque Eu estarei convosco, todos os dias, até o fim do mundo (Evangelho,
segundo Mateus, 28:20).
Ora, os governantes da Terra seguramente ainda não a compreenderam, ou
temem proclamá-la, porque as nações até hoje não a conseguiram desfrutar,
porquanto não O quiseram ouvir, pois, Ele explicitamente declara: “O Pão que Eu
darei para a Vida do Mundo é a minha própria carne” (Evangelho, segundo João,
6:51), em consequência, as Suas palavras e exemplos. E é necessário com
insistência destacar que, na Religião de Deus, do Cristo e do Espírito Santo,
entendemos o Divino Amigo como uma figura universal, sempre disposta a ensinar
e a agir pelo bem de todos, sem distinção. Trata-se do Cristo Ecumênico, liberto
das algemas que alguns ainda Lhe podem querer impingir, mesmo que com a
melhor das intenções. O Libertador Celeste não deve sofrer limitações da
lucubração humana, por mais brilhante que seja, do contrário não seria, como
sempre temos repetido, um verdadeiro Libertador. O Cristo de Deus ainda tem
muito a nos transmitir. Espera pacientemente, porém, que os Seres da Terra
amadureçam e se tornem capazes de entendê-Lo, da mesma forma que advertiu a
Nicodemos, no Evangelho, segundo João, 3:10 e 12:
— Ora, Nicodemos, se sendo tu príncipe entre os sacerdotes, não entendeis
as coisas terrenas de que vos falo, como compreendereis as Divinas?
Se o planeta está faminto de Paz, é porque não aprendeu até agora a usufruir
do alimento que Jesus e outros grandes Luminares que pela Terra passaram,
pregando o Amor e a Fraternidade, lhe ofereceram. E isso é bem perigoso. Basta
recordar como tantos povos andam armados, mesmo os mais pobres, até os
dentes…

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.

paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

Tecnologias assistivas

Neste mundo globalizado, em que as tecnologias se aprimoram a uma velocidade que
impressiona, abre-se um leque de oportunidades para a inclusão, no mercado de trabalho, de
pessoas com deficiência. Contudo, muitas dessas novas ferramentas esbarram no despreparo
e na desinformação de uma parcela da sociedade.
Segundo a analista de tecnologia assistiva da Associação para Valorização de Pessoas
com Deficiência (Avape), Karolline Fernandes Sales, ela própria deficiente visual, as
empresas usam três argumentos para não contratar alguém com baixa ou nenhuma visão.
“Um deles é o desconhecimento. Para a maioria dos empregadores, o cego não tem
condições de trabalhar, de chegar ao local de trabalho. Outro empecilho é o de não saber
utilizar um computador; sem falar do custo do leitor de tela, que varia de R$ 1,3 mil a R$ 1,7
mil ou um pouco mais. O terceiro argumento é o de que não existem pessoas qualificadas no
mercado”, afirmou.
Em entrevista ao programa Sociedade Solidária, da Boa Vontade TV (Oi TV — Canal
212 — e Net Brasil/Claro TV — Canal 196), Karolline Sales, que também exerce a função de
assessora de comunicação da Organização Nacional de Cegos do Brasil (ONCB), contestou:
“Conheço várias pessoas com deficiência visual graduadas, pós-graduadas, que já
concluíram o mestrado. Então, esse argumento da falta de qualificação é mais hipotético do
que real. Claro que existem indivíduos sem qualificação, não só com deficiência, mas sem
deficiência também. A Avape, inclusive, é uma das pioneiras em capacitar pessoas com
deficiência, não só a visual”.
Um dos principais avanços no que diz respeito à inclusão social foi a implementação
da Lei de Cotas. Karolline Sales esclareceu: “Essa lei determina, de acordo com a
quantidade de empregados, a contratação do trabalhador deficiente. A grande dificuldade
dos empresários, dos gestores, é como contratar, onde buscar esse profissional? É aí que
entra a Avape”.
Oportunidade e Competência
No programa, foi apresentada uma matéria com o depoimento do deficiente visual Edi
Carlos de Souza. Com apenas 1% de visão, ele procurou a Avape para recolocação
profissional e começou a prestar serviço para a Secretaria do Emprego e Relações do
Trabalho (Sert), do Estado de São Paulo. Sobre a sua capacitação, Edi Carlos comentou:
“Precisei passar por treinamentos porque uso dois sistemas. Um de leitor de tela — para
acompanhar as informações do computador — e outro do próprio sistema do ‘Emprega São
Paulo’”. Orgulhoso de sua profissão, ele desabafou: “Infelizmente, no Brasil temos falta de
informação em relação ao deficiente. Hoje em dia, a tecnologia e os mecanismos de acesso
estão aí para todo o mundo verificar. O que a pessoa deficiente precisa? De uma
oportunidade. Esse é o xis da questão. Ninguém pode ser julgado pela deficiência. Primeiro,
o empregador tem que avaliar a capacidade, e não a deficiência”.
E arrematou: “Você, que tem alguma deficiência, nunca se esconda. Estude, faça
cursos, procure, pois o mercado está precisando. E vocês, que são empregadores, sempre
acreditem e nunca prejulguem um deficiente. Deem a ele uma oportunidade, depois o
avaliem”.
Diante do exposto, é gratificante saber que, apesar dos obstáculos, mais deficientes
conquistam a cada dia maior reconhecimento na sociedade e, principalmente, no mercado de
trabalho.

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
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REFLEXÃO DE BOA VONTADE : Relatório da Unesco sobre a educação e a pobreza

Há décadas, temos defendido que no ensino reside a grande meta a ser
atingida, já! Educação e Cultura com Espiritualidade Ecumênica para o povo,
desde a infância — com a Pedagogia do Afeto e a Pedagogia do Cidadão
Ecumênico —, figuram entre as preocupações maiores da LBV, ao lado de sua
aplaudida Promoção Humana e Social. Nesses quase 70 anos de atividade
solidária, a Instituição tem transformado para melhor milhões de vidas a partir do
intelecto instruído e, sobretudo, da sabedoria do coração. Como tive o ensejo de
destacar ao notável ex-presidente e ex-primeiro- ministro de Portugal, dr. Mário
Soares (1924-2017), enquanto não prevalecer o ensino eficaz por todos os de
bom senso almejado, qualquer nação padecerá cativa das limitações que a si
mesma se impõe. Aliás, o fato se deu assim: em visita ao Parlamento Mundial da
Fraternidade Ecumênica, o ParlaMundi da LBV, em Brasília/DF, Brasil, em
1997, o saudoso estadista, ao ver estampado, numa das paredes do local, esse meu
pensamento — “Enquanto não prevalecer o ensino eficaz por todos os de bom
senso almejado, o Brasil padecerá cativo das limitações que a si mesmo se
impõe” —, de forma entusiástica, que era sua característica, virou-se para mim e
exclamou: — “Mas por que só o Brasil?! Isto é válido para o mundo inteiro!”,
razão por que, aceitando a sugestão dele, estendi esses dizeres para quem deles
quiser valer-se em qualquer país. Nesse mesmo dia, o dr. Mário Soares foi
homenageado com a Comenda da Ordem do Mérito da Fraternidade Ecumênica
do ParlaMundi da LBV, na categoria Hors-Concours, cerimônia que também
condecorou, na categoria Esporte, o Atleta do Século 20, Pelé.
A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura
(Unesco) realizou importante pesquisa que monitorou, durante os anos de 1965 a
2010, a relação entre Educação e erradicação da pobreza. O recém-lançado estudo
“Reduzindo a pobreza global através das educações primária e secundária”
revela, na página 11: “Alcançar a conclusão do ensino primário e secundário na
população adulta ajudaria a tirar mais de 420 milhões de pessoas da pobreza,
assim reduzindo em mais da metade o número de pessoas pobres no mundo. Os
efeitos seriam particularmente grandes na África Subsaariana e no sul da Ásia,
onde uma redução da pobreza em quase dois terços é esperada”. Segundo
informa a Unesco, “se as tendências atuais continuarem, dos 61 milhões de
crianças em idade escolar atualmente fora da escola, 17 milhões nunca pisarão
numa sala de aula”.
Esses dados são muito alarmantes e chamam todos à responsabilidade de
não apenas combater efeitos, mas atuar nas causas, o que conduzirá a resultados
mais sólidos e sustentáveis na luta contra a miséria, que vergonhosamente ainda
campeia pelo orbe.

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
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Presença Luminosa e Libertadora

Desde 2004, por iniciativa da Organização das Nações Unidas (ONU),
comemora-se o 2 de dezembro como o Dia Internacional da Abolição da
Escravatura. O intuito é fazer com que todos se recordem de que, longe de ser um
estigma superado, ainda hoje é mal que aflige diversas partes do planeta. Ao refletir
sobre essa terrível realidade, trago a vocês, prezados leitores e leitoras, estas
palavras extraídas de meu ensaio literário Jesus, o Libertador Divino, que publiquei
na imprensa na década de 1980:
Existe um Libertador cuja influência transcende limites ou datas humanas.
Sua atuação é constante. Enquanto houver fome, desemprego, falta de teto, menores
sem escola e carinho, idosos sem amparo e afeto, gente sem quem a conforte, há
uma inadiável emancipação de todas as etnias ainda por fazer.
Consigna a História personagens notáveis, que dignificaram a existência
terrestre (…). Entretanto, ao inexorável passar do tempo, da lembrança dos povos vai
esmaecendo a fama das realizações de muitos deles, somente restando os seus
nomes e a pálida recordação dos seus feitos.
Um desses vultos históricos de todos os tempos e de todas as nações
gloriosamente resiste. Cada vez mais fulgura a Presença Luminosa e Libertadora.
Sua marca indelével firma-se na memória dos homens: “Passará o Céu, passará a
Terra, mas as minhas palavras não passarão” (Evangelho, segundo Lucas, 21:33).
Sua vida — infância, juventude, pregação da Boa Nova, padecimentos, morte,
ressurreição — não encontra paralelo na Terra: “Vós sois de baixo, Eu sou de cima;
vós sois deste mundo, Eu não sou” (Evangelho, segundo João, 8:23).
Depois Dele, a vivência do ser humano nunca mais foi a mesma: “Eu sou a
Ressurreição e a Vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá. Aquele que vive
e em mim acredita não padecerá eternamente” (Evangelho, segundo João, 11:25 e
26).
Sacudiu as almas e convocou para Belém a diligência dos poderosos. A Seu
respeito profetizou Simeão: “Eis que este Menino está destinado para a ruína e o
erguimento de muitos, e para alvo de contradições” (Evangelho, segundo Lucas,
2:34).
Desde a infância, manifestou o Seu elevado saber: aos 12 anos já pregava aos
doutores da lei, revelando o Seu Divino conhecimento. Falava-lhes com avançada
sabedoria. Deixava-os atônitos e em demorada reflexão, tamanha a sublimidade das
lições que as Suas réplicas encerravam: “Em verdade, em verdade vos digo: quem
ouve a minha palavra e crê Naquele que me enviou, já passou da morte para a Vida
Eterna” (Evangelho, segundo João, 5:24).
(…) Quereis saber o Seu nome? Jesus!, o Cristo Ecumênico, o Divino
Estadista, ipso facto, sem resquícios de intolerância, porquanto Ele, para redenção
nossa, é Amor elevado à enésima potência, “a Claridade perene, que, vinda ao
mundo, ilumina todo homem” (Evangelho, segundo João, 1:9).

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

Violência patrimonial

Escolhi apresentar a vocês hoje o retrato da violência patrimonial, que
provoca lastimável sofrimento, mormente a mulheres e crianças.
A advogada Cíntia de Almeida, fundadora e diretora-executiva do Centro
de Integração da Mulher, em Sorocaba/SP, trouxe-nos valiosas informações sobre
o assunto:
“A violência patrimonial envolve aquela mulher que deseja colocar as suas
potencialidades a serviço do trabalho para contribuir com a família, mas seu
companheiro, seu marido, a impede. Ele destrói os seus documentos pessoais, a
sua carteira de trabalho. É também quando as divergências se instalam na vida
da família. Ao optar pela separação, a mulher faz a denúncia competente. Então,
o companheiro destrói os seus bens, os bens que ambos adquiriram
conjuntamente. Ou quando ele a coloca para fora do lar: ‘A casa é minha. Os
filhos são seus. Então, eu fico com a casa’”.
Segundo a dra. Cíntia, “essa outra forma de violência patrimonial depois na
Justiça se esclarece, mas há uma demora grande. A Justiça está assoberbada, e
existem numerosos casos. Até que se resolva tudo, muitas vezes, a mulher é
obrigada a sair com os filhos dessa situação constrangedora e violenta para
buscar um abrigo, uma casa onde possa falar que é sua por um tempo
predeterminado, intermediário, e onde vai ter toda a assistência possível. Mas
não é a casa dela. Então, é um constrangimento que ela vive. Essa é uma
violência patrimonial, além de psicológica, em que ela vê os sonhos destruídos, e
uma violência moral, em que se vê impossibilitada de reação. O companheiro
que ela ama a destrói como pessoa e destrói a sua vontade de viver, de ser feliz e
de transformar os filhos dessa união em pessoas saudáveis para a sociedade. Ela
fica muito vulnerável, muito exposta”.
O agressor
Atenção agora a esta consideração de nossa entrevistada: “Geralmente, o
agressor é alguém que conhece a mulher em todas as situações e como reage;
sabe de todos os detalhes do seu dia a dia e conhece o seu cheiro, os seus
sonhos”.
Grato, dra. Cíntia, pelas elucidações levadas ao ar no programa Sociedade
Solidária, da Boa Vontade TV (Oi TV — Canal 212 — e Net Brasil/Claro TV
— Canal 196). William Shakespeare (1564-1616) dizia que “aos infelizes o
melhor remédio é a esperança”. Contudo, é dever de todos nós e dos poderes
constituídos tornar realidade o socorro às vítimas da violência em seus vários
aspectos. Mais que isso, chegar antes, não permitindo que ocorram.

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

Doe sangue

Estamos na Semana Nacional do Doador Voluntário de Sangue,
comemorada, desde 2003, sempre no fim do mês de novembro. Um pedido
recorrente do Ministério da Saúde é “que as pessoas sejam doadoras também
durante o período das férias, para que o estoque dos bancos de sangue nos
hemocentros esteja assegurado”.
Atendamos a essa convocação. Saiba antes se você possui as condições
físicas ideais para ser um doador. Seu gesto de Caridade pode salvar muitas vidas.
Deus tem muitos sinônimos
Tudo que do Amor Divino nasce é verdadeiramente sublime. De certo,
firmado nessa realidade, o dramaturgo e poeta francês Victor Hugo (1802-1885)
ensinava que “o Espírito se enriquece com aquilo que recebe, e o coração, com o
que dá”. Portanto, sem o Amor, que é Deus, o ser humano vive desgovernado,
longe da Verdade, que é a Palavra Dele. (Evangelho de Jesus, segundo João,
17:17: “Pai, Tua Palavra é a Verdade”.)
Se você não crê na existência do Pai Celestial, não se sinta excluído pela
minha afirmativa. Pense, então, em bom senso, porque quem não o exercita
também vive em desgoverno.
Deus tem muitos sinônimos, tais como Amor, Fraternidade, Solidariedade,
Compaixão, Clemência, Generosidade, Misericórdia, Altruísmo e tudo o mais que
valoriza as criaturas, conduzindo-as à Paz consigo mesmas e com os outros.
Por consequência, o Criador não apoia manifestações de ódio em Seu Santo
Nome. Muito apreciada, pois, esta admoestação de Martinho Lutero (1483-
1546): “Não desejo que as pessoas lutem em favor do Evangelho pela força e pelo
morticínio. O mundo tem de ser conquistado com a palavra de Deus”.
De que Deus fala o grande reformador? Evidentemente que a respeito
Daquele enunciado por João Evangelista, na sua Primeira Epístola, 4:16: “E nós
conhecemos e cremos no Amor que Deus tem por nós. Deus é Amor. E aquele que
permanece no Amor permanece em Deus, e Deus, nele”.
E tamanha é a compreensão que Lutero tinha do magnânimo Sentimento
Divino que o versículo de sua preferência na Bíblia fala por si, a quem tem “olhos
de ver e ouvidos de ouvir”: “De tal maneira amou Deus ao mundo, que lhe
mandou o Seu Filho Unigênito, de forma que todo aquele que Nele crê não pereça,
mas tenha a Vida Eterna”. (Evangelho do Cristo, segundo João, 3:16.)
O velho pregador alemão sabia que não há outro caminho senão o do Amor,
que é sinônimo de Caridade. Outro grande sábio da História, Dante
Alighieri (1265-1321), em A Divina Comédia, escreveu: “O Amor é a força que
move o Sol e outras estrelas”. Por isso, viver afastado Dele é sofrer a orfandade da
Alma. Deus não tem bigode nem barba. A Sua Face é o Amor.

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

Brasil — vocação para o progresso

Nas comemorações dos 128 anos da Proclamação da República,
reflitamos sobre o papel do Brasil no contexto mundial, que é também o de
iluminar as consciências com sua cultura imanente de fraternidade. No
ensaio Sociologia do Universo, comento a respeito de como vem se
formando nossa História, cuja vocação trilha o caminho do êxito:
Não se edifica uma pátria sem generosidade de Alma e espírito
pragmático. Demanda tempo, pois este ainda não é um mundo de seres
pacificados. Neste planeta de tantos desafios, é trabalhoso, mas possível.
Apesar de os povos estarem se tornando cada vez mais impacientes. Gamal
Abdel Nasser (1918-1970), que nacionalizou o canal de Suez, com o
inesperado apoio dos Estados Unidos, no governo de Dwight D.
Eisenhower (1890-1969), e deu início, com financiamento da ex-União
Soviética, à construção da grande represa de Assuã, carpido pelas lutas para
erguer um Egito moderno, concluiu: “Construir fábricas é fácil, levantar
hospitais e escolas é possível, mas erigir uma nação de homens é tarefa
longa e árdua”.
Urge fazer-se entendido pelo coração das criaturas. Quem vai ao cerne
da criança chega ao jovem. Quem ensina a mocidade pacifica a Alma do
adulto. E quem tem este último espiritualizado levanta uma nação. É pelo
exemplo que se constrói. Já dizia Napoleão Bonaparte (1769-1821)
que “as palavras indicam o caminho, mas os exemplos arrastam”. O Corso
continua repleto de razão. (…)

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

Reflexão de Boa Vontade

A ausência de Solidariedade, de Fraternidade, de Generosidade tem
suscitado grande defasagem entre progresso material e amadurecimento moral e
espiritual. Daí o nosso fraterno alertamento: é hora de aplacar as paixões. Se,
apenas como argumento, o Brasil não progredir, os maiores perdedores serão os
brasileiros. Além do mais, é sempre hora de superar ressentimentos. Entretanto,
não haverá Paz enquanto persistirem cruéis discriminações e desníveis sociais
criminosos, provocados pela ganância, que, por meio de eficiente Educação com
Espiritualidade Ecumênica, devemos combater. Se não optarmos por caminhos
semelhantes, estaremos sentenciados à realidade denunciada pelo Gandhi (1869-
1948): “A menos que as grandes nações abandonem seu desejo de exploração e o
espírito de violência, do qual a guerra é a expressão natural e a bomba atômica,
a consequência inevitável, não há esperança de paz no mundo”.
A solução está em Deus
Sempre um bom termo pode surgir quando os indivíduos nele lealmente se
empenham. E isso tem feito com que a civilização, pelo menos o que andamos
vendo por aí como tal, milagrosamente sobreviva aos seus piores tempos de
loucura. A sabedoria do Talmud dá o seu recado prático: “A Paz é para o mundo
o que o fermento é para a massa”.
Exato!
Há quem prefira referir-se ao espírito religioso, exaltando desvios
patológicos ocorridos no transcorrer dos milênios. (De modo algum incluo nestes
comentários os historiadores e analistas de bom senso.) Creio que essa conduta
beligerante, que manchou de sangue a História, urge ser distanciada de nossos
corações, por força de atos justos, porquanto maiores são as razões que nos
devem confraternizar do que as que servem para acirrar rancores. O ódio é arma
voltada contra o peito de quem odeia. Muito oportuna, então, esta advertência
do pastor Martin Luther King Jr. (1929-1968), que não negou a própria vida
aos ideais que defendeu: “Aprendemos a voar como os pássaros e a nadar como
os peixes, mas não a arte de conviver como irmãos”.
De fato, o milagre que Deus espera dos seres espirituais e humanos é
que aprendam a amar-se, para que não ensandeçam de vez, como na pesquisa
para o uso bélico da antimatéria. O melhor altar para a veneração do Criador
são Suas criaturas. Torna-se urgente que a Humanidade tenha humanidade.
José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

Finados e Vida Eterna

Quando meus pais faleceram, muito padeceu o meu coração. Contudo,
prontamente comecei a entoar comovido colóquio com o Criador, amenizando a
saudade e lhes transmitindo mensagens de paz e de gratidão. Logo senti que
continuam vivos, porque os mortos não morrem. E, quando se ora, a Alma respira,
fertilizando a existência humana. Fazer prece é essencial para desanuviar o horizonte
do coração. Alziro Zarur (1914-1979), Proclamador da Religião de Deus, do Cristo
e do Espírito Santo, ensinava que “Deus não nos criou para nos matar” e que “não
há morte em nenhum ponto do Universo”, assunto de que, em outras ocasiões,
voltaremos a falar. Minha solidariedade, pois, aos que sofrem a aparente ausência de
seus entes queridos. Mas tenham certeza de que realmente os mortos não morrem.
Um dia, todos haveremos de nos reencontrar.
 
“A morte não existe
“E a dor é uma ilusão do nosso sentimento.”
 
Alentadoras palavras deixadas a nós pelo poeta português Teixeira de Pascoaes
(1877-1952), coincidentemente nascido num “Dia de Finados”. Que Deus o tenha em
bom lugar!
 
Dia de Finados
O ensejo recorda-me o pronunciamento do papa João Paulo II (1920-2005), em
2 de novembro de 1983, ao se dirigir aos fiéis reunidos no Vaticano. Nele, Sua
Santidade enfatiza que o diálogo com os mortos não deve ser interrompido:
 
“Somos convidados a retomar com os mortos, no íntimo do coração, aquele
diálogo que a morte não deve interromper. (…) Baseados na palavra reveladora de
Cristo, o Redentor, estamos certos da imortalidade da alma. Na realidade, a vida
não se encerra no horizonte deste mundo (…)”. (Os destaques são nossos).
 
Daí a precisão de refletirmos sobre esse ponto. É compreensível que sintamos
saudade dos que partiram, mas não nos devemos exceder em lágrimas, porque a nossa
aceitável dor pode perturbar-lhes, no Plano Espiritual, a adaptação à nova conjuntura.
 
Lições do fenômeno inafastável
Dia virá em que alguns pensadores não mais prescindirão dessa realidade
confortadora. Deveriam, sobretudo, elucubrar a respeito da morte e não procurar
explicações unicamente materiais para um fenômeno irremovível que envolve o
Espírito. Quando desperta no “Outro Mundo”, a surpresa para muita gente é grande.

No cotidiano, persistem aqueles que possam sorrir dessas modestas ilações. No
entanto, os imprescindíveis cultores do intelecto não se podem designar donos de
uma certeza inamovível. Não se apraz com a boa índole de seu labor. De outra
maneira, seu pensamento deixaria de ser ciência, visto que a incessante investigação
provoca justamente o crescimento da cultura.
Há décadas, o sempre lembrado Zarur concluiu que “Deus criou o ser humano de
tal forma que ele só pode ser feliz praticando o Bem”. Assim, é preciso existir amor
desde o coração do homem douto até o do ser

Saúde mental e Espiritualidade

Importante estudo do Instituto de Psiquiatria (IPq) do Hospital das Clínicas da
Faculdade de Medicina da USP, denominado “Transtornos mentais em
megacidades”, apontou que 30% dos casos investigados de moradores da capital
paulista e região metropolitana apresentaram algum tipo de transtorno psiquiátrico
nos 12 meses anteriores à entrevista. Expressivo número que merece a atenção de
todos.
Todavia, outra perspectiva nos leva a considerar que parte dessas ocorrências
pode estar erroneamente catalogada como distúrbio. Há de se verificar também o
conjunto de naturais manifestações de uma sensitividade espiritual malconduzida,
necessitada de equilíbrio e de orientação específica.
O programa Conexão Jesus, da Boa Vontade TV (Oi TV — Canal 212 — e
Net Brasil/Claro TV — Canal 196), conversou com um especialista no assunto.
Trata-se do dr. Júlio Peres, psicólogo clínico, doutor em Neurociências e
Comportamento pelo Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP),
com pós-doutorado no Centro para a Espiritualidade e a Mente da Universidade da
Pensilvânia/EUA e pós-doutorado em radiologia clínica pela Universidade Federal de
São Paulo (Unifesp). Declarou ele aos telespectadores: "Há uma linha de pesquisa
muito importante — e nós gostamos muito desse tema, estamos trabalhando nesse
sentido — que visa justamente ao diagnóstico diferencial entre uma crise espiritual
envolvendo mediunidade, a conexão com Espíritos, Espiritualidade, e um episódio
psicótico, um transtorno psiquiátrico. É muito importante que possamos reconhecer
que uma condição é distinta da outra, porque, se o indivíduo estiver tendo uma
manifestação mediúnica, uma crise espiritual, não necessariamente ele manifestará
um episódio psicótico, psiquiátrico. No entanto, se for medicado nessas condições,
ele pode criar uma história, uma linha de futuro psiquiátrica. Contudo, se o
indivíduo estiver de fato tendo um episódio psicótico e não for medicado, o
sofrimento se exacerba. Então, é fundamental que nós, profissionais da saúde,
identifiquemos quais são os diferenciais para esse diagnóstico".
Essas palavras nos fazem lembrar o testemunho do Dr. Adolfo Bezerra de
Menezes Cavalcanti (1831-1900), ilustre médico que no século 19 escreveu A
loucura sob novo prisma (estudo psíquico-fisiológico), pondo em evidência os casos
em que determinadas patologias mentais teriam causa espiritual de ordem inferior,
requerendo, portanto, uma abordagem distinta: “Meu plano é determinar a natureza
especial da loucura sem lesão cerebral — estabelecer as bases de um diagnóstico
diferencial de uma para outra espécie — e oferecer os meios curativos deste gênero
desconhecido de loucura”.
Observa-se assim que a matéria (aliada à Espiritualidade) é verdadeiramente
digna de pesquisas cuidadosas e isentas de qualquer preconceito. Afinal, sabemos que
muito há para ser estudado. No campo da Neurociência, por exemplo, o que não falta
são lacunas de incertezas. E numerosos pacientes dependem desse esforço, pois
podem estar padecendo com terapêuticas radicais quando o caminho é bem outro.
José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

Jesus, o Eterno Educador

Tudo tem o seu tempo. Jesus, o Cristo Ecumênico e Divino Estadista — inspirador modelo
de dedicação ao próximo com o qual inúmeros heróis do ensino se identificam —, permanece!
Ele disse: “Passará o Céu, passará a Terra, mas as minhas palavras não
passarão” (Evangelho, segundo Lucas, 21:33).
Alguém pode exclamar: “Mas e minha mãe, e meu pai, e os companheiros que
partiram?!…”
E quem disse que eles se foram?! Apenas ocorre o que descreveu o talentoso escritor e poeta
português Fernando Pessoa (1888-1935): “A morte é a curva da estrada. Morrer é só não ser
visto”.
Ora, na verdade, os mortos não morrem!
É preciso esclarecer, então, que nessa minha assertiva procuro exaltar o sentido do que
realmente é perene neste mundo: o Amor Fraterno, exemplificado pelo Divino Mestre em
sacrifício por todos nós. O verdadeiro Amor nunca se extingue, ipso facto, persiste, mesmo
durante as piores tormentas.
Da Antologia da Boa Vontade (1955), fui buscar esta página memorável:
Pequeno apólogo chinês
“Li-Chi- Kin, o sábio dos sábios, mandou vir todos os livros das regiões de Hou-Hou e dos
países de Yuê. Meditara longamente as máximas de Tao-Te- Ching e desejava escrever o
Tratado de Toda a Sabedoria. Li-Chi- Kin, o sapientíssimo, mandou encadernar um grande
infólio de mil e uma páginas, em branco, para escrever a súmula de toda a Sabedoria. E leu
todos os livros.
“Ao fim do seu labor paciente, que durara muitos anos e fatigara os seus olhos serenos,
numa tarde de inverno, vendo correr as escuras águas do Shâ, o sábio resolveu escrever: tomou
do seu pincel, embebeu-o em nanquim, acendeu a lâmpada e ficou em silêncio.
“Todos supunham que Li-Chi- Kin levaria outros muitos anos desenhando as mil páginas do
Tratado de Toda a Sabedoria. Entretanto, nessa mesma tarde de inverno, deu por terminada sua
obra.
“Convocou todos os sábios de Hou-Hou e de Yuê, abriu o grande livro e lhes mostrou o
fruto do seu labor. O livro das mil páginas só tinha uma escrita e, nela, uma única palavra:
AMOR.
“Li-Chi- Kin, o sábio dos sábios, cofiando a barbicha real, que lhe escorria do queixo
pontudo, pôs os olhos além do horizonte enevoado do Shâ e, com a sua voz mansa, disse:
“— Sim, esta palavra é tudo. Resume toda a sabedoria: o Amor é a causa de tudo o que
existe. Por ele chegaremos a todas as perfeições. Pelo Amor é que conseguimos ver um pouco de
luz nas trevas que nos envolvem, conhecendo assim um pouco do desconhecido. O Amor rege os
astros e as plantas, os seres e as coisas, o sol, o mar, o mais humilde dos vermes e o destino
humano. E só pelo Amor se revela aos homens um pouco do mistério da existência: e isso é tudo
o que devemos saber, porque tudo mais é inútil e vão”.
“Deus é Amor”, definiu João, Evangelista e Profeta, em sua Primeira Epístola, 4:16: “E nós
conhecemos e cremos no Amor que Deus tem por nós. Deus é Amor. E aquele que permanece no
Amor permanece em Deus, e Deus, nele”.
E essa é a grande lição que o Discípulo Amado, João, aprendeu com o Divino Mestre Jesus.
E, “na verdade, nada existe fora desse Amor”, concluía o saudoso Fundador da LBV, Alziro
Zarur (1914-1979).

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

Templo da Paz e Dia das Nações Unidas

Nos festejos de mais um aniversário do Templo da Boa Vontade, que fundei em 1989, recordo
que em outubro de 2009, em Brasília/DF, prestamos tributo à Organização das Nações Unidas
(ONU), que, naquela data, completava 64 anos de existência. Aliás, o sentimento que pautou a
decisão da comunidade internacional de criá-la, em 1945, é o mesmo do TBV: o desejo de Paz.
Breve histórico
Após as atrocidades da Segunda Grande Guerra, que dizimou e mutilou, física e
psiquicamente, milhões de pessoas, lideranças mundiais procuravam mecanismos que pudessem
assegurar a Paz entre os povos. De 25 de abril a 26 de junho de 1945, na cidade de São
Francisco/EUA, foi elaborada — pelos representantes de 50 países na conferência sobre Organização
Internacional — a Carta das Nações Unidas. Por sinal, o termo Nações Unidas foi idealizado pelo
presidente norte-americano Franklin Roosevelt (1882-1945). A base do documento nasceu de
propostas de delegações da China, dos Estados Unidos, do Reino Unido, da antiga União Soviética e
da França. Em 24 de outubro de 1945, passa a existir oficialmente a ONU. Imaginemos quantos e que
tipos de discussões reservadas para chegarem a um consenso, inclusive nos campos devocionais e
laicos — que o diga dona Eleanor Roosevelt (1884-1962) —, ocorreram nos bastidores. Por mais
bem informados que estejamos hoje, não temos plena consciência de tudo o que se deu. Se o acordo
se formalizou, àquela época — depois do desestimulante fracasso da Liga das Nações, que tanto fez
penar Woodrow Wilson (1856-1924), após a Primeira Guerra —, por que as novas providências,
auguradas por tantas nações, que agora se projetam internacionalmente, cenário em que o Brasil se
destaca, não serão concretizadas? O mundo, sem apelação, segue adiante; às vezes, todavia,
momentaneamente, move-se para trás. Parado é que não fica.
A Paz não é utopia
Em contribuição ao tema, trago-lhes improviso meu que a Academia Jesus, o Cristo
Ecumênico, o Divino Estadista, em parte publicou na obra A Proclamação do Novo Mandamento de
Jesus — A saga heroica de Alziro Zarur (1914-1979) na Terra, que, em 24 de outubro de 2009,
lançamos nas superlotadas dependências do TBV.
(…) Existem aqueles que acham, como se fora fatalismo, por eles atribuído em censura aos
místicos, que a guerra é indissociável do ser humano, sem que haja outra possibilidade de progresso
rápido. Naturalmente, estão equivocados. Talvez lhes falte ainda a resolução de contrapor-se a
qualquer obstáculo e pugnar sem receios por tempos de fato mais pacíficos. Isso requer dose decisiva
de ânimo: ir contra aquilo que certos “costumes milenares” ruinosos “decidiram” ser o caminho
inarredável dos povos. Mas há muitos que possuem esse destemor. Sérgio Vieira de Mello (1948-
2003) foi um deles. Não afirmo que o instinto assassino vá desaparecer de uma hora para outra da
face do planeta. Somente não aceito modelos fatalistas, capitulados como realismo irremovível.
Digamos, porém, para argumentar, que, se a guerra viesse, teríamos de enfrentá-la com a disposição
necessária. Entretanto, um dia, a Fraternidade e a Justiça mudarão para melhor o destino acidentado
dos seres humanos, das famílias, das pátrias. Quando a criatura se purifica, tudo se transforma à sua
volta.
Fora dessa postura solidária, transmitida por uma das maiores figuras que passaram por este
orbe, torna-se mais difícil usufruir a Paz desarmada, custe o período que for preciso para alcançá-la.
Recado Divino
Enfatizo, então, ao término, recado divino de um Senhor sempre preocupado com ela: “Minha
Paz vos deixo, minha Paz vos dou. Eu não vos dou a paz do mundo. Eu vos dou a Paz de Deus, que o
mundo não vos pode dar. Não se turbe o vosso coração nem se arreceie. Porque Eu estarei
convosco, todos os dias, até o fim do mundo!” (Evangelho de Jesus, segundo João, 14:27 e 1; e
Mateus, 28:20).

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

As crianças e a Mãe de Jesus

Em 12 de outubro, no Brasil, homenageamos Maria Santíssima, Mãe Universal da
Humanidade, e as crianças, alegria do mundo! Os pequeninos sempre aguardam com expectativa
esse dia. Que Nossa Senhora Aparecida, uma referência dos Irmãos católicos à Mãe de Jesus,
proteja do mal as criancinhas!
Aproveito para lhes trazer um belo exemplo de Amor Fraterno, abençoado pela Mãe de
Jesus, que vem dos jovenzinhos. Apresentei-o, há vários anos, na Super Rede Boa Vontade de
Comunicação (rádio, TV e internet). Fui buscá-lo na obra Lendas do Céu e da Terra, de Malba
Tahan. Muitos de vocês talvez já conheçam esse conto, mas, diante dos graves problemas de
convivência humana no planeta, é importante ressaltarmos o que de bom igualmente existe para
que o bem seja multiplicado.
Vamos ao que Malba Tahan, pseudônimo do professor de matemática Júlio César de Melo e
Sousa (1895-1974), escreveu e a alguns comentários que fiz:
“Uma menina chinesa conduzia às costas um pequenino de dois anos de idade. Ao vê-la
passar, vergada ao peso daquela carga, um sacerdote perguntou-lhe:
“— É pesado, menina?
“— Não, senhor — respondeu ela, muito vivaz. — É meu irmão!
“Que linda resposta a desta menina! Atentem no profundo ensinamento que suas palavras
encerram! Como parece suave a carga quando levamos ao ombro o irmãozinho querido!
“Do mesmo modo, se seguirmos fielmente os preceitos evangélicos, seremos induzidos a
levar a Caridade a todos os nossos semelhantes. E o sacrifício em proveito do próximo, então, se
tornará muito leve, pois será feito por um irmão”.
Jesus, o Cristo Ecumênico, o Pedagogo Celeste, ensinou que nos devemos amar uns aos
outros como Ele nos amou e tem amado. E disse mais o Divino Amigo: “Somente assim podereis
ser reconhecidos como meus discípulos, se tiverdes o mesmo Amor uns pelos outros. (…) Não há
maior Amor do que doar a própria vida pelos seus amigos. (…) Porquanto, da mesma forma como
o Pai me ama, Eu também vos amo. Permanecei no meu Amor” (Evangelho, segundo João, 13:34
e 35; 15:12, 13 e 9).
Vale a pena destacar novamente o que disse a garotinha quando o religioso lhe perguntou se
era pesada a criança que carregava: “— Não, senhor — respondeu ela, muito vivaz. — É meu
irmão!”
Reconheçamos também nesse irmão bem querido o Brasil, cujo verdadeiro progresso
depende da real dedicação de governantes e governados. Ora, meus jovens, quem não intuir ou
entender essa lição de Lendas do Céu e da Terra jamais compreenderá a solidariedade humana
ensinada pelo Cristo de Deus. Não será um bom menino, uma boa menina, um bom pai, uma boa
mãe, um bom avô, uma boa avó, um bom sacerdote, um bom político, um bom filósofo, um bom
cientista, um bom economista, um bom pedagogo ou professor, um bom artista, e assim por
diante, porque, se não tiver Amor Fraterno no coração, não saberá viver em comunidade, não
poderá participar da Sociedade Solidária Altruística Ecumênica, na qual todos compreendem que o
sofrimento de um é o de todos.
Agora, a conclusão de Malba Tahan em sua página, na forma de tocante prece: “Ó Jesus,
Divino Modelo da Caridade, dai-me aqueles puros sentimentos de Amor ao próximo, de que nos
deixastes tão admiráveis exemplos; fazei, Senhor, que eu ame santamente os meus semelhantes
por Amor de Vós, que nunca deles suponha mal; que lhes acuda em suas necessidades; e que,
sofrendo suas fraquezas neste mundo, por amor de Vós [Jesus], possa um dia cantar com eles
Vossos louvores, [assim na Terra como] no Céu!”

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

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