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Para não perder o equilíbrio

É essencial nos prendermos à fímbria das vestimentas do Cristo Ecumênico,
o Divino Estadista, como as crianças fazem quando vão acompanhando as mamães
e os papais pelas ruas. E não podemos largá-la de forma alguma, quer dizer, não
nos devemos afastar jamais dos Seus ensinamentos, sob o risco de perder o
equilíbrio, portanto a Paz que Ele nos pode oferecer, conforme nos advertiu:
— Minha Paz vos deixo, minha Paz vos dou. Eu não vos dou a paz do
mundo. Eu vos dou a Paz de Deus, que o mundo não vos pode dar (Evangelho,
segundo João, 14:27).
E:
— Não se turbe o vosso coração nem se arreceie (Evangelho, segundo João,
14:1), porque Eu estarei convosco, todos os dias, até o fim do mundo (Evangelho,
segundo Mateus, 28:20).
Ora, os governantes da Terra seguramente ainda não a compreenderam, ou
temem proclamá-la, porque as nações até hoje não a conseguiram desfrutar,
porquanto não O quiseram ouvir, pois, Ele explicitamente declara: “O Pão que Eu
darei para a Vida do Mundo é a minha própria carne” (Evangelho, segundo João,
6:51), em consequência, as Suas palavras e exemplos. E é necessário com
insistência destacar que, na Religião de Deus, do Cristo e do Espírito Santo,
entendemos o Divino Amigo como uma figura universal, sempre disposta a ensinar
e a agir pelo bem de todos, sem distinção. Trata-se do Cristo Ecumênico, liberto
das algemas que alguns ainda Lhe podem querer impingir, mesmo que com a
melhor das intenções. O Libertador Celeste não deve sofrer limitações da
lucubração humana, por mais brilhante que seja, do contrário não seria, como
sempre temos repetido, um verdadeiro Libertador. O Cristo de Deus ainda tem
muito a nos transmitir. Espera pacientemente, porém, que os Seres da Terra
amadureçam e se tornem capazes de entendê-Lo, da mesma forma que advertiu a
Nicodemos, no Evangelho, segundo João, 3:10 e 12:
— Ora, Nicodemos, se sendo tu príncipe entre os sacerdotes, não entendeis
as coisas terrenas de que vos falo, como compreendereis as Divinas?
Se o planeta está faminto de Paz, é porque não aprendeu até agora a usufruir
do alimento que Jesus e outros grandes Luminares que pela Terra passaram,
pregando o Amor e a Fraternidade, lhe ofereceram. E isso é bem perigoso. Basta
recordar como tantos povos andam armados, mesmo os mais pobres, até os
dentes…

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.

paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

Tecnologias assistivas

Neste mundo globalizado, em que as tecnologias se aprimoram a uma velocidade que
impressiona, abre-se um leque de oportunidades para a inclusão, no mercado de trabalho, de
pessoas com deficiência. Contudo, muitas dessas novas ferramentas esbarram no despreparo
e na desinformação de uma parcela da sociedade.
Segundo a analista de tecnologia assistiva da Associação para Valorização de Pessoas
com Deficiência (Avape), Karolline Fernandes Sales, ela própria deficiente visual, as
empresas usam três argumentos para não contratar alguém com baixa ou nenhuma visão.
“Um deles é o desconhecimento. Para a maioria dos empregadores, o cego não tem
condições de trabalhar, de chegar ao local de trabalho. Outro empecilho é o de não saber
utilizar um computador; sem falar do custo do leitor de tela, que varia de R$ 1,3 mil a R$ 1,7
mil ou um pouco mais. O terceiro argumento é o de que não existem pessoas qualificadas no
mercado”, afirmou.
Em entrevista ao programa Sociedade Solidária, da Boa Vontade TV (Oi TV — Canal
212 — e Net Brasil/Claro TV — Canal 196), Karolline Sales, que também exerce a função de
assessora de comunicação da Organização Nacional de Cegos do Brasil (ONCB), contestou:
“Conheço várias pessoas com deficiência visual graduadas, pós-graduadas, que já
concluíram o mestrado. Então, esse argumento da falta de qualificação é mais hipotético do
que real. Claro que existem indivíduos sem qualificação, não só com deficiência, mas sem
deficiência também. A Avape, inclusive, é uma das pioneiras em capacitar pessoas com
deficiência, não só a visual”.
Um dos principais avanços no que diz respeito à inclusão social foi a implementação
da Lei de Cotas. Karolline Sales esclareceu: “Essa lei determina, de acordo com a
quantidade de empregados, a contratação do trabalhador deficiente. A grande dificuldade
dos empresários, dos gestores, é como contratar, onde buscar esse profissional? É aí que
entra a Avape”.
Oportunidade e Competência
No programa, foi apresentada uma matéria com o depoimento do deficiente visual Edi
Carlos de Souza. Com apenas 1% de visão, ele procurou a Avape para recolocação
profissional e começou a prestar serviço para a Secretaria do Emprego e Relações do
Trabalho (Sert), do Estado de São Paulo. Sobre a sua capacitação, Edi Carlos comentou:
“Precisei passar por treinamentos porque uso dois sistemas. Um de leitor de tela — para
acompanhar as informações do computador — e outro do próprio sistema do ‘Emprega São
Paulo’”. Orgulhoso de sua profissão, ele desabafou: “Infelizmente, no Brasil temos falta de
informação em relação ao deficiente. Hoje em dia, a tecnologia e os mecanismos de acesso
estão aí para todo o mundo verificar. O que a pessoa deficiente precisa? De uma
oportunidade. Esse é o xis da questão. Ninguém pode ser julgado pela deficiência. Primeiro,
o empregador tem que avaliar a capacidade, e não a deficiência”.
E arrematou: “Você, que tem alguma deficiência, nunca se esconda. Estude, faça
cursos, procure, pois o mercado está precisando. E vocês, que são empregadores, sempre
acreditem e nunca prejulguem um deficiente. Deem a ele uma oportunidade, depois o
avaliem”.
Diante do exposto, é gratificante saber que, apesar dos obstáculos, mais deficientes
conquistam a cada dia maior reconhecimento na sociedade e, principalmente, no mercado de
trabalho.

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

REFLEXÃO DE BOA VONTADE : Relatório da Unesco sobre a educação e a pobreza

Há décadas, temos defendido que no ensino reside a grande meta a ser
atingida, já! Educação e Cultura com Espiritualidade Ecumênica para o povo,
desde a infância — com a Pedagogia do Afeto e a Pedagogia do Cidadão
Ecumênico —, figuram entre as preocupações maiores da LBV, ao lado de sua
aplaudida Promoção Humana e Social. Nesses quase 70 anos de atividade
solidária, a Instituição tem transformado para melhor milhões de vidas a partir do
intelecto instruído e, sobretudo, da sabedoria do coração. Como tive o ensejo de
destacar ao notável ex-presidente e ex-primeiro- ministro de Portugal, dr. Mário
Soares (1924-2017), enquanto não prevalecer o ensino eficaz por todos os de
bom senso almejado, qualquer nação padecerá cativa das limitações que a si
mesma se impõe. Aliás, o fato se deu assim: em visita ao Parlamento Mundial da
Fraternidade Ecumênica, o ParlaMundi da LBV, em Brasília/DF, Brasil, em
1997, o saudoso estadista, ao ver estampado, numa das paredes do local, esse meu
pensamento — “Enquanto não prevalecer o ensino eficaz por todos os de bom
senso almejado, o Brasil padecerá cativo das limitações que a si mesmo se
impõe” —, de forma entusiástica, que era sua característica, virou-se para mim e
exclamou: — “Mas por que só o Brasil?! Isto é válido para o mundo inteiro!”,
razão por que, aceitando a sugestão dele, estendi esses dizeres para quem deles
quiser valer-se em qualquer país. Nesse mesmo dia, o dr. Mário Soares foi
homenageado com a Comenda da Ordem do Mérito da Fraternidade Ecumênica
do ParlaMundi da LBV, na categoria Hors-Concours, cerimônia que também
condecorou, na categoria Esporte, o Atleta do Século 20, Pelé.
A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura
(Unesco) realizou importante pesquisa que monitorou, durante os anos de 1965 a
2010, a relação entre Educação e erradicação da pobreza. O recém-lançado estudo
“Reduzindo a pobreza global através das educações primária e secundária”
revela, na página 11: “Alcançar a conclusão do ensino primário e secundário na
população adulta ajudaria a tirar mais de 420 milhões de pessoas da pobreza,
assim reduzindo em mais da metade o número de pessoas pobres no mundo. Os
efeitos seriam particularmente grandes na África Subsaariana e no sul da Ásia,
onde uma redução da pobreza em quase dois terços é esperada”. Segundo
informa a Unesco, “se as tendências atuais continuarem, dos 61 milhões de
crianças em idade escolar atualmente fora da escola, 17 milhões nunca pisarão
numa sala de aula”.
Esses dados são muito alarmantes e chamam todos à responsabilidade de
não apenas combater efeitos, mas atuar nas causas, o que conduzirá a resultados
mais sólidos e sustentáveis na luta contra a miséria, que vergonhosamente ainda
campeia pelo orbe.

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

Presença Luminosa e Libertadora

Desde 2004, por iniciativa da Organização das Nações Unidas (ONU),
comemora-se o 2 de dezembro como o Dia Internacional da Abolição da
Escravatura. O intuito é fazer com que todos se recordem de que, longe de ser um
estigma superado, ainda hoje é mal que aflige diversas partes do planeta. Ao refletir
sobre essa terrível realidade, trago a vocês, prezados leitores e leitoras, estas
palavras extraídas de meu ensaio literário Jesus, o Libertador Divino, que publiquei
na imprensa na década de 1980:
Existe um Libertador cuja influência transcende limites ou datas humanas.
Sua atuação é constante. Enquanto houver fome, desemprego, falta de teto, menores
sem escola e carinho, idosos sem amparo e afeto, gente sem quem a conforte, há
uma inadiável emancipação de todas as etnias ainda por fazer.
Consigna a História personagens notáveis, que dignificaram a existência
terrestre (…). Entretanto, ao inexorável passar do tempo, da lembrança dos povos vai
esmaecendo a fama das realizações de muitos deles, somente restando os seus
nomes e a pálida recordação dos seus feitos.
Um desses vultos históricos de todos os tempos e de todas as nações
gloriosamente resiste. Cada vez mais fulgura a Presença Luminosa e Libertadora.
Sua marca indelével firma-se na memória dos homens: “Passará o Céu, passará a
Terra, mas as minhas palavras não passarão” (Evangelho, segundo Lucas, 21:33).
Sua vida — infância, juventude, pregação da Boa Nova, padecimentos, morte,
ressurreição — não encontra paralelo na Terra: “Vós sois de baixo, Eu sou de cima;
vós sois deste mundo, Eu não sou” (Evangelho, segundo João, 8:23).
Depois Dele, a vivência do ser humano nunca mais foi a mesma: “Eu sou a
Ressurreição e a Vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá. Aquele que vive
e em mim acredita não padecerá eternamente” (Evangelho, segundo João, 11:25 e
26).
Sacudiu as almas e convocou para Belém a diligência dos poderosos. A Seu
respeito profetizou Simeão: “Eis que este Menino está destinado para a ruína e o
erguimento de muitos, e para alvo de contradições” (Evangelho, segundo Lucas,
2:34).
Desde a infância, manifestou o Seu elevado saber: aos 12 anos já pregava aos
doutores da lei, revelando o Seu Divino conhecimento. Falava-lhes com avançada
sabedoria. Deixava-os atônitos e em demorada reflexão, tamanha a sublimidade das
lições que as Suas réplicas encerravam: “Em verdade, em verdade vos digo: quem
ouve a minha palavra e crê Naquele que me enviou, já passou da morte para a Vida
Eterna” (Evangelho, segundo João, 5:24).
(…) Quereis saber o Seu nome? Jesus!, o Cristo Ecumênico, o Divino
Estadista, ipso facto, sem resquícios de intolerância, porquanto Ele, para redenção
nossa, é Amor elevado à enésima potência, “a Claridade perene, que, vinda ao
mundo, ilumina todo homem” (Evangelho, segundo João, 1:9).

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

Violência patrimonial

Escolhi apresentar a vocês hoje o retrato da violência patrimonial, que
provoca lastimável sofrimento, mormente a mulheres e crianças.
A advogada Cíntia de Almeida, fundadora e diretora-executiva do Centro
de Integração da Mulher, em Sorocaba/SP, trouxe-nos valiosas informações sobre
o assunto:
“A violência patrimonial envolve aquela mulher que deseja colocar as suas
potencialidades a serviço do trabalho para contribuir com a família, mas seu
companheiro, seu marido, a impede. Ele destrói os seus documentos pessoais, a
sua carteira de trabalho. É também quando as divergências se instalam na vida
da família. Ao optar pela separação, a mulher faz a denúncia competente. Então,
o companheiro destrói os seus bens, os bens que ambos adquiriram
conjuntamente. Ou quando ele a coloca para fora do lar: ‘A casa é minha. Os
filhos são seus. Então, eu fico com a casa’”.
Segundo a dra. Cíntia, “essa outra forma de violência patrimonial depois na
Justiça se esclarece, mas há uma demora grande. A Justiça está assoberbada, e
existem numerosos casos. Até que se resolva tudo, muitas vezes, a mulher é
obrigada a sair com os filhos dessa situação constrangedora e violenta para
buscar um abrigo, uma casa onde possa falar que é sua por um tempo
predeterminado, intermediário, e onde vai ter toda a assistência possível. Mas
não é a casa dela. Então, é um constrangimento que ela vive. Essa é uma
violência patrimonial, além de psicológica, em que ela vê os sonhos destruídos, e
uma violência moral, em que se vê impossibilitada de reação. O companheiro
que ela ama a destrói como pessoa e destrói a sua vontade de viver, de ser feliz e
de transformar os filhos dessa união em pessoas saudáveis para a sociedade. Ela
fica muito vulnerável, muito exposta”.
O agressor
Atenção agora a esta consideração de nossa entrevistada: “Geralmente, o
agressor é alguém que conhece a mulher em todas as situações e como reage;
sabe de todos os detalhes do seu dia a dia e conhece o seu cheiro, os seus
sonhos”.
Grato, dra. Cíntia, pelas elucidações levadas ao ar no programa Sociedade
Solidária, da Boa Vontade TV (Oi TV — Canal 212 — e Net Brasil/Claro TV
— Canal 196). William Shakespeare (1564-1616) dizia que “aos infelizes o
melhor remédio é a esperança”. Contudo, é dever de todos nós e dos poderes
constituídos tornar realidade o socorro às vítimas da violência em seus vários
aspectos. Mais que isso, chegar antes, não permitindo que ocorram.

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

Doe sangue

Estamos na Semana Nacional do Doador Voluntário de Sangue,
comemorada, desde 2003, sempre no fim do mês de novembro. Um pedido
recorrente do Ministério da Saúde é “que as pessoas sejam doadoras também
durante o período das férias, para que o estoque dos bancos de sangue nos
hemocentros esteja assegurado”.
Atendamos a essa convocação. Saiba antes se você possui as condições
físicas ideais para ser um doador. Seu gesto de Caridade pode salvar muitas vidas.
Deus tem muitos sinônimos
Tudo que do Amor Divino nasce é verdadeiramente sublime. De certo,
firmado nessa realidade, o dramaturgo e poeta francês Victor Hugo (1802-1885)
ensinava que “o Espírito se enriquece com aquilo que recebe, e o coração, com o
que dá”. Portanto, sem o Amor, que é Deus, o ser humano vive desgovernado,
longe da Verdade, que é a Palavra Dele. (Evangelho de Jesus, segundo João,
17:17: “Pai, Tua Palavra é a Verdade”.)
Se você não crê na existência do Pai Celestial, não se sinta excluído pela
minha afirmativa. Pense, então, em bom senso, porque quem não o exercita
também vive em desgoverno.
Deus tem muitos sinônimos, tais como Amor, Fraternidade, Solidariedade,
Compaixão, Clemência, Generosidade, Misericórdia, Altruísmo e tudo o mais que
valoriza as criaturas, conduzindo-as à Paz consigo mesmas e com os outros.
Por consequência, o Criador não apoia manifestações de ódio em Seu Santo
Nome. Muito apreciada, pois, esta admoestação de Martinho Lutero (1483-
1546): “Não desejo que as pessoas lutem em favor do Evangelho pela força e pelo
morticínio. O mundo tem de ser conquistado com a palavra de Deus”.
De que Deus fala o grande reformador? Evidentemente que a respeito
Daquele enunciado por João Evangelista, na sua Primeira Epístola, 4:16: “E nós
conhecemos e cremos no Amor que Deus tem por nós. Deus é Amor. E aquele que
permanece no Amor permanece em Deus, e Deus, nele”.
E tamanha é a compreensão que Lutero tinha do magnânimo Sentimento
Divino que o versículo de sua preferência na Bíblia fala por si, a quem tem “olhos
de ver e ouvidos de ouvir”: “De tal maneira amou Deus ao mundo, que lhe
mandou o Seu Filho Unigênito, de forma que todo aquele que Nele crê não pereça,
mas tenha a Vida Eterna”. (Evangelho do Cristo, segundo João, 3:16.)
O velho pregador alemão sabia que não há outro caminho senão o do Amor,
que é sinônimo de Caridade. Outro grande sábio da História, Dante
Alighieri (1265-1321), em A Divina Comédia, escreveu: “O Amor é a força que
move o Sol e outras estrelas”. Por isso, viver afastado Dele é sofrer a orfandade da
Alma. Deus não tem bigode nem barba. A Sua Face é o Amor.

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

Brasil — vocação para o progresso

Nas comemorações dos 128 anos da Proclamação da República,
reflitamos sobre o papel do Brasil no contexto mundial, que é também o de
iluminar as consciências com sua cultura imanente de fraternidade. No
ensaio Sociologia do Universo, comento a respeito de como vem se
formando nossa História, cuja vocação trilha o caminho do êxito:
Não se edifica uma pátria sem generosidade de Alma e espírito
pragmático. Demanda tempo, pois este ainda não é um mundo de seres
pacificados. Neste planeta de tantos desafios, é trabalhoso, mas possível.
Apesar de os povos estarem se tornando cada vez mais impacientes. Gamal
Abdel Nasser (1918-1970), que nacionalizou o canal de Suez, com o
inesperado apoio dos Estados Unidos, no governo de Dwight D.
Eisenhower (1890-1969), e deu início, com financiamento da ex-União
Soviética, à construção da grande represa de Assuã, carpido pelas lutas para
erguer um Egito moderno, concluiu: “Construir fábricas é fácil, levantar
hospitais e escolas é possível, mas erigir uma nação de homens é tarefa
longa e árdua”.
Urge fazer-se entendido pelo coração das criaturas. Quem vai ao cerne
da criança chega ao jovem. Quem ensina a mocidade pacifica a Alma do
adulto. E quem tem este último espiritualizado levanta uma nação. É pelo
exemplo que se constrói. Já dizia Napoleão Bonaparte (1769-1821)
que “as palavras indicam o caminho, mas os exemplos arrastam”. O Corso
continua repleto de razão. (…)

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

Reflexão de Boa Vontade

A ausência de Solidariedade, de Fraternidade, de Generosidade tem
suscitado grande defasagem entre progresso material e amadurecimento moral e
espiritual. Daí o nosso fraterno alertamento: é hora de aplacar as paixões. Se,
apenas como argumento, o Brasil não progredir, os maiores perdedores serão os
brasileiros. Além do mais, é sempre hora de superar ressentimentos. Entretanto,
não haverá Paz enquanto persistirem cruéis discriminações e desníveis sociais
criminosos, provocados pela ganância, que, por meio de eficiente Educação com
Espiritualidade Ecumênica, devemos combater. Se não optarmos por caminhos
semelhantes, estaremos sentenciados à realidade denunciada pelo Gandhi (1869-
1948): “A menos que as grandes nações abandonem seu desejo de exploração e o
espírito de violência, do qual a guerra é a expressão natural e a bomba atômica,
a consequência inevitável, não há esperança de paz no mundo”.
A solução está em Deus
Sempre um bom termo pode surgir quando os indivíduos nele lealmente se
empenham. E isso tem feito com que a civilização, pelo menos o que andamos
vendo por aí como tal, milagrosamente sobreviva aos seus piores tempos de
loucura. A sabedoria do Talmud dá o seu recado prático: “A Paz é para o mundo
o que o fermento é para a massa”.
Exato!
Há quem prefira referir-se ao espírito religioso, exaltando desvios
patológicos ocorridos no transcorrer dos milênios. (De modo algum incluo nestes
comentários os historiadores e analistas de bom senso.) Creio que essa conduta
beligerante, que manchou de sangue a História, urge ser distanciada de nossos
corações, por força de atos justos, porquanto maiores são as razões que nos
devem confraternizar do que as que servem para acirrar rancores. O ódio é arma
voltada contra o peito de quem odeia. Muito oportuna, então, esta advertência
do pastor Martin Luther King Jr. (1929-1968), que não negou a própria vida
aos ideais que defendeu: “Aprendemos a voar como os pássaros e a nadar como
os peixes, mas não a arte de conviver como irmãos”.
De fato, o milagre que Deus espera dos seres espirituais e humanos é
que aprendam a amar-se, para que não ensandeçam de vez, como na pesquisa
para o uso bélico da antimatéria. O melhor altar para a veneração do Criador
são Suas criaturas. Torna-se urgente que a Humanidade tenha humanidade.
José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

Finados e Vida Eterna

Quando meus pais faleceram, muito padeceu o meu coração. Contudo,
prontamente comecei a entoar comovido colóquio com o Criador, amenizando a
saudade e lhes transmitindo mensagens de paz e de gratidão. Logo senti que
continuam vivos, porque os mortos não morrem. E, quando se ora, a Alma respira,
fertilizando a existência humana. Fazer prece é essencial para desanuviar o horizonte
do coração. Alziro Zarur (1914-1979), Proclamador da Religião de Deus, do Cristo
e do Espírito Santo, ensinava que “Deus não nos criou para nos matar” e que “não
há morte em nenhum ponto do Universo”, assunto de que, em outras ocasiões,
voltaremos a falar. Minha solidariedade, pois, aos que sofrem a aparente ausência de
seus entes queridos. Mas tenham certeza de que realmente os mortos não morrem.
Um dia, todos haveremos de nos reencontrar.
 
“A morte não existe
“E a dor é uma ilusão do nosso sentimento.”
 
Alentadoras palavras deixadas a nós pelo poeta português Teixeira de Pascoaes
(1877-1952), coincidentemente nascido num “Dia de Finados”. Que Deus o tenha em
bom lugar!
 
Dia de Finados
O ensejo recorda-me o pronunciamento do papa João Paulo II (1920-2005), em
2 de novembro de 1983, ao se dirigir aos fiéis reunidos no Vaticano. Nele, Sua
Santidade enfatiza que o diálogo com os mortos não deve ser interrompido:
 
“Somos convidados a retomar com os mortos, no íntimo do coração, aquele
diálogo que a morte não deve interromper. (…) Baseados na palavra reveladora de
Cristo, o Redentor, estamos certos da imortalidade da alma. Na realidade, a vida
não se encerra no horizonte deste mundo (…)”. (Os destaques são nossos).
 
Daí a precisão de refletirmos sobre esse ponto. É compreensível que sintamos
saudade dos que partiram, mas não nos devemos exceder em lágrimas, porque a nossa
aceitável dor pode perturbar-lhes, no Plano Espiritual, a adaptação à nova conjuntura.
 
Lições do fenômeno inafastável
Dia virá em que alguns pensadores não mais prescindirão dessa realidade
confortadora. Deveriam, sobretudo, elucubrar a respeito da morte e não procurar
explicações unicamente materiais para um fenômeno irremovível que envolve o
Espírito. Quando desperta no “Outro Mundo”, a surpresa para muita gente é grande.

No cotidiano, persistem aqueles que possam sorrir dessas modestas ilações. No
entanto, os imprescindíveis cultores do intelecto não se podem designar donos de
uma certeza inamovível. Não se apraz com a boa índole de seu labor. De outra
maneira, seu pensamento deixaria de ser ciência, visto que a incessante investigação
provoca justamente o crescimento da cultura.
Há décadas, o sempre lembrado Zarur concluiu que “Deus criou o ser humano de
tal forma que ele só pode ser feliz praticando o Bem”. Assim, é preciso existir amor
desde o coração do homem douto até o do ser

Saúde mental e Espiritualidade

Importante estudo do Instituto de Psiquiatria (IPq) do Hospital das Clínicas da
Faculdade de Medicina da USP, denominado “Transtornos mentais em
megacidades”, apontou que 30% dos casos investigados de moradores da capital
paulista e região metropolitana apresentaram algum tipo de transtorno psiquiátrico
nos 12 meses anteriores à entrevista. Expressivo número que merece a atenção de
todos.
Todavia, outra perspectiva nos leva a considerar que parte dessas ocorrências
pode estar erroneamente catalogada como distúrbio. Há de se verificar também o
conjunto de naturais manifestações de uma sensitividade espiritual malconduzida,
necessitada de equilíbrio e de orientação específica.
O programa Conexão Jesus, da Boa Vontade TV (Oi TV — Canal 212 — e
Net Brasil/Claro TV — Canal 196), conversou com um especialista no assunto.
Trata-se do dr. Júlio Peres, psicólogo clínico, doutor em Neurociências e
Comportamento pelo Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP),
com pós-doutorado no Centro para a Espiritualidade e a Mente da Universidade da
Pensilvânia/EUA e pós-doutorado em radiologia clínica pela Universidade Federal de
São Paulo (Unifesp). Declarou ele aos telespectadores: "Há uma linha de pesquisa
muito importante — e nós gostamos muito desse tema, estamos trabalhando nesse
sentido — que visa justamente ao diagnóstico diferencial entre uma crise espiritual
envolvendo mediunidade, a conexão com Espíritos, Espiritualidade, e um episódio
psicótico, um transtorno psiquiátrico. É muito importante que possamos reconhecer
que uma condição é distinta da outra, porque, se o indivíduo estiver tendo uma
manifestação mediúnica, uma crise espiritual, não necessariamente ele manifestará
um episódio psicótico, psiquiátrico. No entanto, se for medicado nessas condições,
ele pode criar uma história, uma linha de futuro psiquiátrica. Contudo, se o
indivíduo estiver de fato tendo um episódio psicótico e não for medicado, o
sofrimento se exacerba. Então, é fundamental que nós, profissionais da saúde,
identifiquemos quais são os diferenciais para esse diagnóstico".
Essas palavras nos fazem lembrar o testemunho do Dr. Adolfo Bezerra de
Menezes Cavalcanti (1831-1900), ilustre médico que no século 19 escreveu A
loucura sob novo prisma (estudo psíquico-fisiológico), pondo em evidência os casos
em que determinadas patologias mentais teriam causa espiritual de ordem inferior,
requerendo, portanto, uma abordagem distinta: “Meu plano é determinar a natureza
especial da loucura sem lesão cerebral — estabelecer as bases de um diagnóstico
diferencial de uma para outra espécie — e oferecer os meios curativos deste gênero
desconhecido de loucura”.
Observa-se assim que a matéria (aliada à Espiritualidade) é verdadeiramente
digna de pesquisas cuidadosas e isentas de qualquer preconceito. Afinal, sabemos que
muito há para ser estudado. No campo da Neurociência, por exemplo, o que não falta
são lacunas de incertezas. E numerosos pacientes dependem desse esforço, pois
podem estar padecendo com terapêuticas radicais quando o caminho é bem outro.
José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

Jesus, o Eterno Educador

Tudo tem o seu tempo. Jesus, o Cristo Ecumênico e Divino Estadista — inspirador modelo
de dedicação ao próximo com o qual inúmeros heróis do ensino se identificam —, permanece!
Ele disse: “Passará o Céu, passará a Terra, mas as minhas palavras não
passarão” (Evangelho, segundo Lucas, 21:33).
Alguém pode exclamar: “Mas e minha mãe, e meu pai, e os companheiros que
partiram?!…”
E quem disse que eles se foram?! Apenas ocorre o que descreveu o talentoso escritor e poeta
português Fernando Pessoa (1888-1935): “A morte é a curva da estrada. Morrer é só não ser
visto”.
Ora, na verdade, os mortos não morrem!
É preciso esclarecer, então, que nessa minha assertiva procuro exaltar o sentido do que
realmente é perene neste mundo: o Amor Fraterno, exemplificado pelo Divino Mestre em
sacrifício por todos nós. O verdadeiro Amor nunca se extingue, ipso facto, persiste, mesmo
durante as piores tormentas.
Da Antologia da Boa Vontade (1955), fui buscar esta página memorável:
Pequeno apólogo chinês
“Li-Chi- Kin, o sábio dos sábios, mandou vir todos os livros das regiões de Hou-Hou e dos
países de Yuê. Meditara longamente as máximas de Tao-Te- Ching e desejava escrever o
Tratado de Toda a Sabedoria. Li-Chi- Kin, o sapientíssimo, mandou encadernar um grande
infólio de mil e uma páginas, em branco, para escrever a súmula de toda a Sabedoria. E leu
todos os livros.
“Ao fim do seu labor paciente, que durara muitos anos e fatigara os seus olhos serenos,
numa tarde de inverno, vendo correr as escuras águas do Shâ, o sábio resolveu escrever: tomou
do seu pincel, embebeu-o em nanquim, acendeu a lâmpada e ficou em silêncio.
“Todos supunham que Li-Chi- Kin levaria outros muitos anos desenhando as mil páginas do
Tratado de Toda a Sabedoria. Entretanto, nessa mesma tarde de inverno, deu por terminada sua
obra.
“Convocou todos os sábios de Hou-Hou e de Yuê, abriu o grande livro e lhes mostrou o
fruto do seu labor. O livro das mil páginas só tinha uma escrita e, nela, uma única palavra:
AMOR.
“Li-Chi- Kin, o sábio dos sábios, cofiando a barbicha real, que lhe escorria do queixo
pontudo, pôs os olhos além do horizonte enevoado do Shâ e, com a sua voz mansa, disse:
“— Sim, esta palavra é tudo. Resume toda a sabedoria: o Amor é a causa de tudo o que
existe. Por ele chegaremos a todas as perfeições. Pelo Amor é que conseguimos ver um pouco de
luz nas trevas que nos envolvem, conhecendo assim um pouco do desconhecido. O Amor rege os
astros e as plantas, os seres e as coisas, o sol, o mar, o mais humilde dos vermes e o destino
humano. E só pelo Amor se revela aos homens um pouco do mistério da existência: e isso é tudo
o que devemos saber, porque tudo mais é inútil e vão”.
“Deus é Amor”, definiu João, Evangelista e Profeta, em sua Primeira Epístola, 4:16: “E nós
conhecemos e cremos no Amor que Deus tem por nós. Deus é Amor. E aquele que permanece no
Amor permanece em Deus, e Deus, nele”.
E essa é a grande lição que o Discípulo Amado, João, aprendeu com o Divino Mestre Jesus.
E, “na verdade, nada existe fora desse Amor”, concluía o saudoso Fundador da LBV, Alziro
Zarur (1914-1979).

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

Templo da Paz e Dia das Nações Unidas

Nos festejos de mais um aniversário do Templo da Boa Vontade, que fundei em 1989, recordo
que em outubro de 2009, em Brasília/DF, prestamos tributo à Organização das Nações Unidas
(ONU), que, naquela data, completava 64 anos de existência. Aliás, o sentimento que pautou a
decisão da comunidade internacional de criá-la, em 1945, é o mesmo do TBV: o desejo de Paz.
Breve histórico
Após as atrocidades da Segunda Grande Guerra, que dizimou e mutilou, física e
psiquicamente, milhões de pessoas, lideranças mundiais procuravam mecanismos que pudessem
assegurar a Paz entre os povos. De 25 de abril a 26 de junho de 1945, na cidade de São
Francisco/EUA, foi elaborada — pelos representantes de 50 países na conferência sobre Organização
Internacional — a Carta das Nações Unidas. Por sinal, o termo Nações Unidas foi idealizado pelo
presidente norte-americano Franklin Roosevelt (1882-1945). A base do documento nasceu de
propostas de delegações da China, dos Estados Unidos, do Reino Unido, da antiga União Soviética e
da França. Em 24 de outubro de 1945, passa a existir oficialmente a ONU. Imaginemos quantos e que
tipos de discussões reservadas para chegarem a um consenso, inclusive nos campos devocionais e
laicos — que o diga dona Eleanor Roosevelt (1884-1962) —, ocorreram nos bastidores. Por mais
bem informados que estejamos hoje, não temos plena consciência de tudo o que se deu. Se o acordo
se formalizou, àquela época — depois do desestimulante fracasso da Liga das Nações, que tanto fez
penar Woodrow Wilson (1856-1924), após a Primeira Guerra —, por que as novas providências,
auguradas por tantas nações, que agora se projetam internacionalmente, cenário em que o Brasil se
destaca, não serão concretizadas? O mundo, sem apelação, segue adiante; às vezes, todavia,
momentaneamente, move-se para trás. Parado é que não fica.
A Paz não é utopia
Em contribuição ao tema, trago-lhes improviso meu que a Academia Jesus, o Cristo
Ecumênico, o Divino Estadista, em parte publicou na obra A Proclamação do Novo Mandamento de
Jesus — A saga heroica de Alziro Zarur (1914-1979) na Terra, que, em 24 de outubro de 2009,
lançamos nas superlotadas dependências do TBV.
(…) Existem aqueles que acham, como se fora fatalismo, por eles atribuído em censura aos
místicos, que a guerra é indissociável do ser humano, sem que haja outra possibilidade de progresso
rápido. Naturalmente, estão equivocados. Talvez lhes falte ainda a resolução de contrapor-se a
qualquer obstáculo e pugnar sem receios por tempos de fato mais pacíficos. Isso requer dose decisiva
de ânimo: ir contra aquilo que certos “costumes milenares” ruinosos “decidiram” ser o caminho
inarredável dos povos. Mas há muitos que possuem esse destemor. Sérgio Vieira de Mello (1948-
2003) foi um deles. Não afirmo que o instinto assassino vá desaparecer de uma hora para outra da
face do planeta. Somente não aceito modelos fatalistas, capitulados como realismo irremovível.
Digamos, porém, para argumentar, que, se a guerra viesse, teríamos de enfrentá-la com a disposição
necessária. Entretanto, um dia, a Fraternidade e a Justiça mudarão para melhor o destino acidentado
dos seres humanos, das famílias, das pátrias. Quando a criatura se purifica, tudo se transforma à sua
volta.
Fora dessa postura solidária, transmitida por uma das maiores figuras que passaram por este
orbe, torna-se mais difícil usufruir a Paz desarmada, custe o período que for preciso para alcançá-la.
Recado Divino
Enfatizo, então, ao término, recado divino de um Senhor sempre preocupado com ela: “Minha
Paz vos deixo, minha Paz vos dou. Eu não vos dou a paz do mundo. Eu vos dou a Paz de Deus, que o
mundo não vos pode dar. Não se turbe o vosso coração nem se arreceie. Porque Eu estarei
convosco, todos os dias, até o fim do mundo!” (Evangelho de Jesus, segundo João, 14:27 e 1; e
Mateus, 28:20).

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

As crianças e a Mãe de Jesus

Em 12 de outubro, no Brasil, homenageamos Maria Santíssima, Mãe Universal da
Humanidade, e as crianças, alegria do mundo! Os pequeninos sempre aguardam com expectativa
esse dia. Que Nossa Senhora Aparecida, uma referência dos Irmãos católicos à Mãe de Jesus,
proteja do mal as criancinhas!
Aproveito para lhes trazer um belo exemplo de Amor Fraterno, abençoado pela Mãe de
Jesus, que vem dos jovenzinhos. Apresentei-o, há vários anos, na Super Rede Boa Vontade de
Comunicação (rádio, TV e internet). Fui buscá-lo na obra Lendas do Céu e da Terra, de Malba
Tahan. Muitos de vocês talvez já conheçam esse conto, mas, diante dos graves problemas de
convivência humana no planeta, é importante ressaltarmos o que de bom igualmente existe para
que o bem seja multiplicado.
Vamos ao que Malba Tahan, pseudônimo do professor de matemática Júlio César de Melo e
Sousa (1895-1974), escreveu e a alguns comentários que fiz:
“Uma menina chinesa conduzia às costas um pequenino de dois anos de idade. Ao vê-la
passar, vergada ao peso daquela carga, um sacerdote perguntou-lhe:
“— É pesado, menina?
“— Não, senhor — respondeu ela, muito vivaz. — É meu irmão!
“Que linda resposta a desta menina! Atentem no profundo ensinamento que suas palavras
encerram! Como parece suave a carga quando levamos ao ombro o irmãozinho querido!
“Do mesmo modo, se seguirmos fielmente os preceitos evangélicos, seremos induzidos a
levar a Caridade a todos os nossos semelhantes. E o sacrifício em proveito do próximo, então, se
tornará muito leve, pois será feito por um irmão”.
Jesus, o Cristo Ecumênico, o Pedagogo Celeste, ensinou que nos devemos amar uns aos
outros como Ele nos amou e tem amado. E disse mais o Divino Amigo: “Somente assim podereis
ser reconhecidos como meus discípulos, se tiverdes o mesmo Amor uns pelos outros. (…) Não há
maior Amor do que doar a própria vida pelos seus amigos. (…) Porquanto, da mesma forma como
o Pai me ama, Eu também vos amo. Permanecei no meu Amor” (Evangelho, segundo João, 13:34
e 35; 15:12, 13 e 9).
Vale a pena destacar novamente o que disse a garotinha quando o religioso lhe perguntou se
era pesada a criança que carregava: “— Não, senhor — respondeu ela, muito vivaz. — É meu
irmão!”
Reconheçamos também nesse irmão bem querido o Brasil, cujo verdadeiro progresso
depende da real dedicação de governantes e governados. Ora, meus jovens, quem não intuir ou
entender essa lição de Lendas do Céu e da Terra jamais compreenderá a solidariedade humana
ensinada pelo Cristo de Deus. Não será um bom menino, uma boa menina, um bom pai, uma boa
mãe, um bom avô, uma boa avó, um bom sacerdote, um bom político, um bom filósofo, um bom
cientista, um bom economista, um bom pedagogo ou professor, um bom artista, e assim por
diante, porque, se não tiver Amor Fraterno no coração, não saberá viver em comunidade, não
poderá participar da Sociedade Solidária Altruística Ecumênica, na qual todos compreendem que o
sofrimento de um é o de todos.
Agora, a conclusão de Malba Tahan em sua página, na forma de tocante prece: “Ó Jesus,
Divino Modelo da Caridade, dai-me aqueles puros sentimentos de Amor ao próximo, de que nos
deixastes tão admiráveis exemplos; fazei, Senhor, que eu ame santamente os meus semelhantes
por Amor de Vós, que nunca deles suponha mal; que lhes acuda em suas necessidades; e que,
sofrendo suas fraquezas neste mundo, por amor de Vós [Jesus], possa um dia cantar com eles
Vossos louvores, [assim na Terra como] no Céu!”

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

Francisco de Assis e a prece

Em 4 de outubro, comemoramos o Dia de São Francisco de
Assis, patrono da Legião da Boa Vontade. O santo da Úmbria deve
ser lembrado, principalmente, pela coragem que teve de vencer o
egoísmo reinante em sua época (e em todos os tempos),
reformando as Almas pelo exemplo de renúncia e amor ao
próximo.
A grandeza do “Poverello” reside no ter-se integrado,
abnegadamente, à divina vontade do Cristo. É, portanto, o melhor
caminho para todos nós. Aspirações superiores supõem elevadas
responsabilidades, que só podem ser levadas a bom termo quando a
inteligência do plano espiritual permear as decisões humanas, não
somente na religião, mas na política, na ciência, na filosofia, no
esporte, enfim, em todos os aspectos sociais, porque nenhum deles
pode prescindir da inspiração do Alto.
Aí o papel da oração, à qual todos devemos recorrer, não
apenas nos momentos de dor, mas como exercício diário para o
fortalecimento do Espírito e o refinamento da nossa sintonia com o
Pai Celestial.
Nunca é demais, pois, transcrever a magistral prece de São
Francisco de Assis, que o saudoso fundador da Legião da Boa
Vontade, Alziro Zarur (1914-1979), deixou, à posteridade,
imortalizada em sua voz. Ela alenta os corações de milhões de
ouvintes e telespectadores da Super Rede Boa Vontade de
Comunicação:
“Senhor, fazei de mim um instrumento da Vossa Paz; onde
haja ódio, consenti que eu semeie Amor; perdão, onde haja
injúria; fé, onde haja dúvida; verdade, onde haja mentira;
esperança, onde haja desespero; luz, onde haja treva; união, onde
haja discórdia; alegria, onde haja tristeza. Ó Divino Mestre!
Permiti que eu não procure tanto ser consolado quanto consolar;
compreendido quanto compreender; amado quanto amar. Porque
é dando que recebemos; perdoando é que somos perdoados; e
morrendo é que nascemos para a vida eterna”.

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

REFLEXÃO DE BOA VONTADE A virtude da paciência

A respeito do fundamental exercício da paciência na vida dos seres humanos, transcrevo a
página “O mais difícil”, de autoria do Espírito Hilário Silva, no capítulo 10 do livro A vida escreve,
psicografado por Waldo Vieira (1932-2015). Reproduzo aqui o texto da forma que o saudoso Irmão
Alziro Zarur (1914-1979) magistralmente a interpretava durante suas pregações da Hora do
Ângelus, na Mensagem da Ave, Maria!
“Diante das águas calmas, Jesus refletia.
“Afastara-se da multidão, alguns momentos antes.
“Ouviu remoques e sarcasmos.
“Viu chagas e aflições.
“E o Mestre pensava…
“Tadeu e Tiago, o moço, João e Bartolomeu se aproximaram. Não era aquele um momento
raro? E ensaiaram perguntas.
“— Senhor — disse João —, qual é o mais importante aviso da Lei de Moisés na vida dos
homens?
“E o Divino Amigo passou a responder:
“— Amemos a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. Mas o meu
Mandamento é: Amai-vos como Eu vos amo.
“— E qual é a virtude mais preciosa? — indagou Tadeu.
“— É a humildade.
“Então, Tiago perguntou:
“— E qual o talento mais nobre, Senhor?
“Jesus respondeu:
“— O trabalho.
“— E a norma de triunfo mais elevada, Senhor? — perguntou Bartolomeu.
“— A persistência no Bem.
“— Mestre, qual é, para nós todos, o mais alto dever?
“— Amar a todos, a todos servir sem distinção.
“— Mas, Senhor — respondeu Tadeu —, isso é quase impossível!
“E clamou Tiago:
“— A maldade é atributo geral. Eu faço o Bem quanto posso, mas apenas recolho espinhos de
ingratidão.
“— Vejo homens bons sofrendo calúnias por toda a parte.
“— Tenho encontrado mãos criminosas toda vez que estendo as mãos para ajudar.
“E todos desfilaram as suas mágoas diante do Mestre silencioso.
“Então, o Discípulo Amado voltou a interrogar:
“— Jesus, o que é mais difícil? Qual é a aquisição, realmente, mais difícil de todas?
“Jesus declarou:
“— A resposta está aqui mesmo em vossas lamentações. O mais difícil é ajudar em silêncio, é
amar sem crítica, dar sem pedir, entender sem reclamar… A aquisição mais difícil para nós todos
chama-se paciência”.
A Dor é a libertação da Alma
Tanta gente padece na existência terrena. Mas poderá usufruir o benefício de várias
encarnações enquanto for necessário esse medicamento para a sua Alma em evolução. Depois
receberá a recompensa eterna da consciência tranquila pelo dever bem cumprido.
Não adianta fugir à Dor. O segredo para evitá-la é não a provocar. De que maneira?!
Respeitando a Lei Divina. Por isso, é necessário conhecê-la bem. Trata-se de um estudo empolgante
e infinito.
Ovídio (43 a.C.-17 ou 18 d.C.) compreendeu a lição do sofrimento: “Suporta e persevera, que
essa dor acabará por te ser de grande proveito”.
Como tem sido ao Supremo Político, Jesus!

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
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Fraternidade realizadora e direitos humanos

Para a 58 a  sessão da Comissão do Status da Mulher (CSW), que ocorreu na sede
da ONU em Nova York, EUA, de 10 a 21 de março de 2014, junto das recomendações
da LBV às autoridades no evento, enviei mensagem publicada na revista BOA
VONTADE Mulher, especialmente preparada para a ocasião, em português, inglês,
francês e espanhol. Por oportuno, apresento a vocês, prezados leitores, alguns extratos:
A mulher tem sido o sustentáculo verdadeiro de todas as nações, quando
integrada em Deus ou nos ideais mais nobres a que um ser humano possa aspirar: a
Bondade Suprema, o Amor Fraterno, a Justiça Supina, a Fraternidade Real — mesmo
não professando uma tradição religiosa. (…)
Congratulamo-nos com as vitórias alcançadas por meio das metas globais de
desenvolvimento propostas pela ONU, a partir de 2000. Sabemos, porém, que há muito
ainda a fazer pelo próximo. Daí a importância dos temas debatidos pelos estados
membros, delegações internacionais, autoridades e demais participantes das reuniões
promovidas todos os anos pelas Nações Unidas durante a Comissão do Status da
Mulher.
Trata-se de oportuno momento para avaliar os acertos e empenhar-se ainda mais
nas melhorias que devem ocorrer, visando a soluções, por exemplo, no campo da
educação, da saúde, no combate à pobreza e à violência, entre as quais a hedionda
exploração sexual de mulheres, jovens e meninas. Jamais podemos esmorecer no que se
refere à luta pela causa da dignidade humana e pela erradicação das desigualdades
sociais e de gênero no mundo.
É inadmissível que no planeta, segundo estimativa da Organização Mundial da
Saúde (OMS), uma a cada três mulheres sofra algum tipo de violência (física e sexual),
tendo como autor, por vezes, o próprio parceiro.
É fundamental que igualmente se avance para a extinção da diferença de salários
entre os gêneros, no acesso mais equânime a posições gerenciais no mercado de
trabalho e na divisão dos afazeres domésticos entre homens e mulheres. Enfim, trata-se
sempre de garantir os princípios de cidadania e os direitos humanos.
A propósito, acreditar que possa haver direitos sem deveres é levar ao maior
prejuízo a causa da liberdade. (Importante é esclarecer que, quando aponto os deveres
do cidadão acima dos seus próprios direitos, em hipótese alguma defendo uma visão
distorcida do trabalho, em que a escravidão é uma de suas facetas mais abomináveis.) E
prossigo: por isso, queremos que todos os seres humanos sejam realmente iguais em
direitos e oportunidades, e cujos méritos sociais, intelectuais, culturais e religiosos, por
mais louvados e reconhecidos, não se percam dos direitos dos demais cidadãos.
Porquanto, liberdade sem fraternidade é condenação ao caos.
Trabalhamos, pois, por uma sociedade em que o Criador e Suas Leis de Amor e
Justiça inspirem zelo à liberdade individual. É o que nos suscita o Natal Permanente de
Jesus, a mensagem universalista do Libertador Divino, Aquele que, pelo Seu sacrifício,
se doou pela Humanidade. Tudo isso para garantir segurança política, social, jurídica,
sob a Sua visão divina (…).
A escritora, filósofa e feminista francesa Simone de Beauvoir (1908-1986)
belamente expressou-se sobre a importância da solidariedade e dedicação ao próximo ao
dizer: “A vida conserva seu valor enquanto atribuímos um valor à vida dos outros, por
meio do amor, da amizade, da indignação, da compaixão”.
As virtudes reais, de fato, serão aquelas constituídas pela própria criatura na
ocupação honesta dos seus dias, na administração dos seus bens e no respeito pelo que é
alheio, na bela e instigante aventura da vida. Uma nação que se faça de tais elementos
será sempre forte e inviolável.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.

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Caridade Integral

Meditando sobre o imenso valor da Caridade, ressalto que não basta dar o pão material,
que depois pelo corpo é lançado fora… Necessário se faz também atender às carências do
Espírito, de modo que ele, mesmo quando reencarnado, descubra as extraordinárias
qualidades que, como Templo do Deus Vivo, traz dentro de si próprio. Assim aprenderá a
empregá-las com pleno conhecimento das Leis Divinas. E saberá livrar-se dos erros, cuja
origem — para os que têm “olhos de ver e ouvidos de ouvir” — acha-se no campo espiritual.
Espírito enfermo, matéria enferma. Mente perturbada, corpo afetado. A solução é
psicossomática. Pensamento é força realmente. Escreveu Adelaide Coutinho (1905-1975
aprox.), pela psicografia do médium Francisco Cândido Xavier: “Se não lapidarmos o
coração, sobrevém, para nós, a tempestade. São os votos malcumpridos, as promessas
olvidadas, as tarefas no abandono, os compromissos relegados ao esquecimento e a ânsia
doentia de colher sem plantar e auferir lucros sem esforços, na grande jornada da matéria,
em que, juntos de nossos amigos e adversários, tanto poderíamos realizar em nosso próprio
proveito”, completadas por estas de Emmanuel (Espírito): “O desânimo absorve-te o
coração? Lembra-te de que o tédio é um insulto à fraternidade humana, porque a dor e a
necessidade, a tristeza e a doença, a pobreza e a morte não se acham longe de ti”.
Eis por que a Legião da Boa Vontade não cuida somente do corpo, mas também do
Espírito. De outra forma, há sempre o perigo de se promover a vagabundagem, coisa que
absolutamente não fazemos. Como dizia o abade, poeta e tradutor francês Jacques Delille
(1738-1813), “a Caridade que se faz por meio de esmola é uma forma de conservar a
miséria”.
Que ninguém, todavia, se furte ao dever de ajudar. Amanhã poderá situar-se entre os
suplicantes, necessitado urgente da esmola do que passa… “Hodie mihi, cras tibi.” (Hoje, eu;
amanhã, você.)
Alimente-se, pois, o corpo combalido, mas que se lhe salve a Alma com o Evangelho e
o Apocalipse de Jesus, em Espírito e Verdade, à luz do Novo Mandamento, de forma que o
ser humano, conhecendo e vivendo as Leis de Deus, livre de sectarismos e fanatismos que
tanto têm prejudicado as religiões no mundo, descubra que, sendo Templo do Deus Vivo,
como ensinava Jesus, pode libertar-se da miséria. Descoberta a riqueza interior, a exterior,
mais dia menos dia, surgirá. Analisando o trabalho de grandes pensadores, escreveu Henry
Thomas (1886-1970) a respeito do filósofo e físico judeu-árabe Maimônides (1135-1204),
conhecido como o Aristóteles da Idade Média: “(…) É especialmente famoso pelos seus Oito
Degraus de Ouro da Caridade. Neste ensaio, expõe que há uma diferença entre dar e dar.
Podeis dar com a mão, o pensamento e o coração. O primeiro e mais baixo degrau na escala
da Caridade é dar com relutância. O segundo é dar insuficientemente. O terceiro é dar
somente quando se é solicitado. E, assim por diante, até chegarmos ao oitavo degrau. Este é
impedir a pobreza para evitar a necessidade da caridade. Este, conclui ele, é o mais alto
degrau e o cume da escada de ouro da Caridade”.
Entretanto, não se deve restringir a Caridade ao louvável serviço da assistência material.
Caridade é muito mais. Dirige-se ao Espírito do ser humano. Mesmo que os governos do
mundo resolvessem toda a problemática social de seus povos, a Caridade seria necessária. Ela
é, como prega a Religião de Deus, do Cristo e do Espírito Santo, Amor. Deus é Amor.
Ninguém vive sem Ele, nem mesmo os Irmãos ateus…

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br – www.boavontade.com

O equilíbrio como objetivo

O sentido lato de cidadania

O amadurecimento crescente de um povo, que está descobrindo os seus direitos de cidadão, ainda que
tardiamente, porquanto mais de dois séculos após a Revolução Francesa, o fará finalmente concluir que nenhum
país pode, na verdade, desenvolver seus talentos se continuar subsistindo como uma vasta senzala de senhores e
escravos, ou fechar-se feito uma ostra xenófoba ou abrir-se de forma temerária, a ponto de perder sua
identidade, sua soberania.
A compreensão das massas ir-se- á maturando até que entendam o valor da cidadania, no sentido lato,
pois não é suficiente considerar o cidadão apenas no seu contexto físico, mas também no espiritual, pois
qualquer componente dos grupos humanos é, em resumo, constituído por corpo e Alma. Afinal, somos na
origem Espírito. Eis o significado completo de cidadania, que não pode admitir tão só o analfabetismo das letras
humanas, como igualmente a ignorância dos assuntos espirituais. O desconhecimento desta realidade sobre a
qual acabamos de discorrer favorece a incrementação das ações causadoras da fome, do desemprego, do
sectarismo, do frio ideal individualista, isto é, ególatra, a promoção do escárnio com os que sofrem na
sociedade, porque riqueza e pobreza situam-se dentro do ser humano. Exteriorizá-las, ou não, depende da
mentalidade e de fatores culturais (no futuro, marcadamente espirituais), que precisam ser exercitados. Essa é
uma situação que não afeta unicamente o Brasil, é mundial: durante gerações foi-se oferecendo à grande parte
das crianças e dos jovens pouco mais que lixo.
Depois, há quem se surpreenda com o resultado obtido por tão funesta sementeira, a cultura do crime,
que se compraz no conflito entre povos, ou mesmo no seio das famílias, verdadeiras guerras civis não
declaradas, da qual a mocidade é a principal vítima (Apocalipse, 8:7), a causar outras tantas em todas as
classes. “Primeira Trombeta — O primeiro anjo tocou a trombeta, e houve saraiva e fogo de mistura com
sangue, e foram atirados à terra. Foi, então, queimada a terça parte da terra, e das árvores, e também toda a
grama verde (a infância e a mocidade).”
Não basta levantar o vidro do carro. É suicídio desviar a atenção dos fatos. Nunca foi eficiente esconder
a cabeça na areia, como o avestruz.
Estamos corpo, mas somos Espírito
Urge, com presteza, mudar a mentalidade que entroniza o delito como exemplo, a exploração como
meta, a apatia diante do erro como “boa” acomodação da existência, para que alcancemos uma ordem social
justa, produto da ação decisiva de comunidades eficazes, fraternalmente combativas, e de um governo, seja qual
for, que tenha decididamente como objetivo fazer progredir a população de seu país, antes que grande parte dela
se fine, ou seja, quase isso, pela subnutrição física ou mental, pela desesperança que lhe aponta, muitas vezes
como solução, à violência. Entretanto, sob qualquer pretexto, jamais devemos abrir mão do auxílio magnânimo
dos amigos do etéreo supremo, daí a Revolução Mundial dos Espíritos de Luz, os quais apropriadamente
chamamos de anjos guardiães. Aliás, na verdade, concreto é o espírito, não querendo afirmar que o corpo, sua
vestimenta, deva ser criminosamente desprezado. Ensinam os mais velhos que “saco vazio não se põe de pé”.
Tenhamos, pois, o equilíbrio como objetivo. Contudo, a Alma não pode ser, de maneira alguma, menosprezada,
porquanto, para argumentar, podemos dizer — estamos corpo, mas somos Espírito. A nação que compreender e
administrar essa verdade empolgará e governará o mundo. A própria ciência o proclamará. Depois
de Einstein (1879-1955), onde se escondeu a matéria?
O outro lado da moeda
O outro lado da moeda não é nada apreciável: o clamor do desespero acumulado durante séculos, pronto
a explodir. Não é sem propósito esta meditação de Bonaparte (1769-1821): “Cada hora perdida na juventude é
uma possibilidade de infortúnio na idade adulta”.
Ora, isso também se aplica às nações que nascem, crescem, tornam-se maduras, quando colherão o que
houver plantado nas fases anteriores, se não souberem, mais que honrá-lo, sublimar seu patrimônio espiritual,
humano e social. Eis o desafio a ser vencido no campo da educação: o de aliar à instrução a espiritualidade.
Tenho plena certeza de que o Evangelho e o Apocalipse, longe de abomináveis fanatismos, proporcionam uma
estrutura espiritual, psíquica e ética para que ocorra essa transmudação, cuja hora é chegada, mais que isso,
urgentíssima.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br – www.boavontade.com

Combater drogas e alcoolismo

É desde cedo que se aprende como é ingrato o destino que as drogas e o álcool apresentam às criaturas. As lamentáveis consequências saltam aos olhos de todos. Basta ver quantas vítimas no trânsito, a infelicidade no seio das famílias, os altíssimos custos que acarretam ao sistema de saúde. Apenas para citar o álcool, segundo o Ministério da Saúde, estima-se um número de dependentes entre 10% e 15% da população mundial.
As iniciativas que têm por finalidade tratar humanamente dos que caíram nessas armadilhas do vício ou cuidar da prevenção contra esses males merecem todo o apoio e incentivo. Combater o que faz mal às pessoas é também legítima caridade.

Lei seca mais rígida
É providencial a nova Lei Seca no Brasil que entrou em vigência em 2012. Segundo a assessoria de comunicação do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), são regras mais severas com o propósito de reduzir as mortes e os acidentes de trânsito provocados pelo consumo de álcool.
Em 13 de outubro de 2016, o Portal Brasil publicou novas regras para o cumprimento da Lei Seca. De acordo com o site, desde 1o de novembro, o condutor pego pela Operação Lei Seca dirigindo alcoolizado ou que se recusa a fazer o teste do bafômetro passou a pagar uma multa superior ao valor de R$ 1.915 cobrado anteriormente. “Devido a mudanças na legislação de trânsito, o valor subirá para R$ 2.934,70, e o motorista ainda terá a carteira de habilitação suspensa pelo prazo de 12 meses”.
Do respeito a essa Lei dependem vidas humanas. Quanto sofrimento poderá ser evitado!

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.

paivanetto@lbv.org.br – www.boavontade.com

Expressão verídica de Justiça e de Amor

Muitos ainda confundem Amor com passividade ou impunidade, quando o seu
significado é exatamente o contrário. Ora, é inconcebível haver
sociedade justa sem que ela receba a sacrossanta iluminação do
Mandamento Novo do Divino Legislador. Por simples dedução ou pela mais
pura lógica, aquela que não se nega a reconhecer a existência de uma
Sabedoria acima de todo o conhecimento terrestre, notamos que Jesus, o
Estadista por excelência, preocupou-se em revelar Sua Instrução Máxima
em forma de Lei, para estabelecer ordem: “Amai-vos como Eu vos amei
(Boa Nova, consoante João, 13:34).
Somos então colocados diante do maior de todos os Seus preceitos, a
base da Constituição Legal do Cosmos. Ele igualmente outorgou
regulamento à Lei: “Somente assim podereis ser reconhecidos como meus
discípulos (Evangelho, segundo João, 13:35, de acordo com a Bíblia de
Jerusalém).
Logo, devemos imediatamente relacionar a acepção de Justiça à de Amor.
No entanto, falo-lhes daquela inspirada nos ditames superiores, que não
podem ser tomados pelas barbaridades exercidas em nome do Pai Celestial
e do Direito, no decorrer dos milênios.

De Sociologia do Universo
Escrevi, em Sociologia do Universo, que devemos ser tolerantes,
contudo, comprovado o delito, cumpra-se a Lei (Lei justa, é claro),
visto ser a impunidade sepulcro para as nações.
O intrépido Montesquieu (1689-1755) é quem observa: “Uma coisa não é
justa porque é lei, mas deve ser lei porque é justa”.
Contra a injustiça devemos incansavelmente lutar com as armas do
Mandamento de Jesus (Evangelho, segundo João, 13:34 e 35), posto que,
como no ensinamento de Confúcio (551-479 a.C.), consignado por seus
seguidores: “O objetivo do castigo é dar um fim ao próprio castigo”.
O Amor nunca pode ser encarado como algo frágil. Do contrário, Gandhi
(1869-1948) não concluiria que: “Se um único homem atingir a
plenitude do Amor, neutralizará o ódio de milhões”.
Tenhamos, pois, sempre em mente que a Fraternidade é a Lei. A Ética, a
sua disciplina. A Justiça, a aplicação. Ninguém mais infeliz do que o
indigente da Fé e da Caridade.

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

Não se aposente da vida

Por ocasião do Dia dos Avós, comemorado em 26/7, recordei-me de minha
saudosa vó Laura. Viveu nesta encarnação 99 anos, lúcida, ativa e
juvenil. Veio a falecer — vejam vocês o dinamismo dela — alguns dias
depois de voltar da feira, e por causa de um acidente quando retornava
para casa. Com sua sabedoria, adquirida nos longos embates da vida,
ensinava: “Aos que chegam, na sua existência, ao fundo do poço, só resta
levantar a cabeça e começar a subir”. Sábias palavras.
Por sinal, em palestra que proferi sobre o que é ser jovem, veiculada
pela Super RBV de Comunicação (rádio, TV e internet), destaquei esta
máxima de Samuel Ullman (1840-1924), a qual muito aprecio: “A
juventude não é um tempo de vida, é um estado de espírito”. Por isso, ao
ouvir o incentivo que damos ao Jovem de Boa Vontade, o vovô ou a vovó
jamais deve sentir-se excluído das nossas atividades. Eu mesmo, com
muito gosto, já tenho quase 80 anos. Há décadas venho dizendo:
aposentar-se do trabalho não significa aposentar-se da vida. Ela
continua sempre. Portanto, é um erro descartar grandes valores porque
estão “em idade avançada”. Descobertas importantíssimas foram feitas por
homens e mulheres quando ultrapassavam os 60, 70 ou 80 anos. É preciso,
pois, aliar ao patrimônio da experiência dos mais velhos a energia
dadivosa dos mais moços.
Enquanto houver um sopro de vida, de alguma maneira poderemos ser
úteis. Façamos continuamente o Bem.

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

Nelson Mandela

Neste artigo, presto uma homenagem ao ilustre advogado e extraordinário
líder político Nelson Rolihlahla Mandela, primeiro presidente negro da
África do Sul, governando-a de 1994 a 1999. Ele destemidamente lutou
contra o apartheid, desumano regime de segregação racial que, por tanto
tempo, infelicitou o extremo sul do continente africano.
Mandela retornou, em 5 de dezembro de 2013, à Pátria Espiritual e, em
18 de julho de 2017, completaria 99 anos. Ser humano digno de admiração,
foi Prêmio Nobel da Paz em 1993, tendo sido condecorado no Brasil, para
honra nossa, em 1997, com a Comenda da Ordem do Mérito da Fraternidade
Ecumênica, láurea concedida pelo ParlaMundi da LBV, em Brasília/DF.
Hoje, Madiba, como era afetuosamente chamado, segue o seu ativismo pela
causa da liberdade, agora, na condição de Espírito Eterno.
Lembro-me de reportagem de uma equipe do SBT que acompanhou uma aula no
Conjunto Educacional Boa Vontade, em São Paulo/SP, sobre a importância
de Mandela para a democracia e a Paz.
O respeito às diversas culturas e a vivência fraterna e ecumênica que
diariamente despertamos nas crianças ficam demonstrados neste depoimento
da aluna Lara Vitória, então com 8 anos: “Nós aprendemos desde
pequeninos na escola que somos todos iguais e não importa se somos
negros, brancos, de outras religiões. O que importa é o Amor que temos
uns pelos outros”.

Pedagogia pela Paz
“A instrução promoverá a compreensão, a tolerância e a amizade entre
todas as nações e grupos raciais ou religiosos, e coadjuvará as
atividades das Nações Unidas em prol da manutenção da paz.” É um trecho
do Artigo XXVI da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que
completará, em 10 de dezembro, 69 anos.
Irmanada a esse preceito, em 22 de novembro de 2013, na Lincoln Avenue
School, em Orange/ Nova Jersey, ocorreu bela cerimônia de conclusão do
programa Estudantes de Boa Vontade pela Paz, desenvolvido pela LBV dos
Estados Unidos nos colégios norte-americanos, por meio da Educação com
Espiritualidade Ecumênica.
De forma dinâmica e entusiasmada, quase mil alunos participaram da
solenidade. A iniciativa visa incentivar a liderança solidária entre os
educandos e favorecer um ambiente escolar livre de violência.
Ao longo de dois meses, em parceria, educadores da LBV e professores do
local orientaram crianças e adolescentes sobre o tema “conscientizar,
compartilhar e ajudar”. Os alunos decidiram, então, pôr em prática um
pouco do aprendizado. Promoveram na comunidade, com o apoio de
voluntários da LBV, uma campanha de alimentos para ajudar famílias em
situação de vulnerabilidade social do Condado de Essex/NJ. Trata-se de
exemplar atitude que proporcionou alegria aos atendidos no dia 28/11,
feriado de Ação de Graças naquele país.
O embasamento desse esforço dos educadores vem das etapas do MAPREI
(Método de Aprendizagem por Pesquisa Racional, Emocional e Intuitiva)
— a metodologia de aplicação da Pedagogia do Afeto (para crianças de até
10 anos) e da Pedagogia do Cidadão Ecumênico (a partir de 11 anos), que
trabalhamos nas escolas da LBV no Brasil.
Nos Estados Unidos, como em muitos outros países, o problema da
violência nas escolas é preocupante. E, segundo me informa o
representante da LBV na ONU, Danilo Parmegiani, nossa Pedagogia, com a
sua Cultura de Paz, tem obtido relevantes resultados em terras
norte-americanas, pois todos percebem os benefícios de conciliar o
currículo formal com a experiência da Boa Vontade em ação.
A notícia nos mostra o alcance da Espiritualidade Ecumênica entre os
estudantes. Em É Urgente Reeducar!, ressalto que ela é o berço dos mais
generosos valores que nascem da Alma, a morada das emoções e do
raciocínio iluminado pela intuição, a ambiência que abrange tudo o
que transcende ao campo comum da matéria e provém da sensibilidade
humana sublimada, a exemplo da Verdade, da Misericórdia, da
Generosidade, da Moral, da Ética, da Honestidade, do Amor Fraterno.

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

Saber querer, de acordo com Jesus

Paiva Netto

Jesus é o Cristo Ecumênico, o Estadista Supremo, porquanto apenas o
pensamento divinamente universalista pode propor a existência de uma
sociedade em que os seres humanos se respeitem em tamanho grau de
Fraternidade.
Impossível?! Jamais!
Estamos perante uma simples questão de saber querer, passe o tempo que
for necessário. Imprescindível é que perseveremos em Cristo Jesus, como
Ele próprio sabiamente exige no Apocalipse, segundo João, 3:10: “Porque
guardaste a palavra da minha perseverança, também Eu te guardarei da
hora da tormenta que há de vir sobre o mundo inteiro, para experimentar
os que habitam sobre a Terra”.

A palavra de Martin Luther King Jr.
E que certos homens de bem parem de se esconder de uma vez por todas!
Ainda ressoa a lástima do destemido pastor norte-americano Martin Luther
King Jr. (1929-1968): “Nossa geração haverá de lamentar não apenas as
palavras e ações odiosas dos perversos, mas o estarrecedor silêncio
das pessoas boas”. (O destaque é nosso.)
Exato!
Contudo, não há neste orbe quem seja perfeitamente bom ou totalmente
mau. Por causa disso, há sempre a possibilidade de corrigir-se. E que
aqueles considerados bons não se tornem arrogantes na sua bondade! No
entanto, e o mundo reclama com razão, que os bons sejam mais audazes nas
suas obras, a fim de merecer o reconhecimento dos que esperam deles a
atitude devida. Jesus deplora o comportamento omisso, conforme este Seu
lamento, que antes mencionamos: “Os filhos da Terra são mais perspicazes
do que os filhos da Luz”. Jesus (Lucas, 16:8)
Só com ação decidida e talentosa no Amor e na Justiça Divinos
finalmente teremos “um novo Céu e uma nova Terra” — transformação que
tem início no Espírito de cada um ou de cada uma —, de acordo com
promessa constante do Livro das Profecias Finais, 21:1: “E vi novo Céu e
nova Terra, porque o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já
não existe”.

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

Salvemos nossas crianças

Jesus, no Seu Evangelho, consoante Mateus, 24:15 e 16, alertou:
“Quando, pois, virdes a abominação da desolação, de que falou o
profeta Daniel, no lugar santo (quem lê entenda! — qui legit,
intelligat), então, os que estiverem na Judeia fujam para os montes”.
Que lugar mais santo no mundo pode existir além da intimidade das
criaturas de Deus, o coração, o cérebro, a Alma das pessoas?
Atentemos para a covardia e crueldade contra nossas crianças que,
quando não são arrancadas do útero materno, sofrem todo tipo de agressão
física e/ou psicológica por parte daqueles que deveriam protegê-las.
Tudo isso nos leva a pensar que já vivemos a época anunciada pelo Divino
Mestre. Nunca como agora a abominação desoladora atacou tanto o ser
humano. É palmar “fugir para os montes”, do pensamento e da compaixão,
ou seja, para que do mais alto vigiemos melhor o “lugar santo”.
Num planeta que se arma até os dentes, mesmo parecendo que não, tendo a
deusa morte como grande inspiradora, os locais seguros vão se reduzindo
em velocidade descomunal. Mas existe um oásis que se deve fortalecer,
porque é o abrigo das futuras gerações: o coração dos pais, em especial,
o das mães. É nesse acolhedor ambiente que os pequeninos moldarão os
seus caracteres. Daí terão ou não respeito ao semelhante, saberão ou não
discernir o certo do errado, portanto, construirão ou não um mundo mais
feliz.
O emblemático episódio, há alguns anos, envolvendo pessoa aparentemente
“acima de qualquer suspeita”, guardiã da lei, que, segundo a perícia
médica, impôs maus-tratos à filha adotiva, de apenas 2 anos, e tantos
outros noticiados pela mídia são de estarrecer. Jogam por terra a ideia
de que a violência doméstica está somente ligada à desarmonia familiar,
às dificuldades financeiras, a problemas com drogas, a exemplo do
álcool. Fica patente o grave desequilíbrio emocional presente nas
esferas das relações humanas. Urge, pois, por significativa parcela da
Humanidade, acurado exame de consciência.
Por que permitimos que a situação chegue a esse ponto? Valores como
família, dignidade, fé e Espiritualidade precisam sobrepor-se à
cultura do consumismo desenfreado, à frieza de sentimentos, à falta de
caridade e à ganância desmedida.

Reflexões da Alma
Não somos palmatória do mundo, mas gostaríamos de colaborar na busca de
respostas a essas inquietantes indagações. No meu livro Reflexões da
Alma (2003), pondero:
O mundo fatiga-se com demasia de palavras e pobreza de ações eficazes,
atos que de forma efetiva sirvam de modelo para a concretização de um
espírito de concórdia, de Boa Vontade, que verdadeiramente transforme o
indivíduo de dentro para fora, coisa que não se consegue por decreto. É
evidente que esse trabalho espiritual e humano de iluminação das
criaturas deve ser acompanhado por acertadas medidas políticas,
econômicas e sociais; Instrução; Educação; e a indispensável
Espiritualidade Ecumênica. Isto é, uma perfeita sintonia com as
Dimensões Superiores da Humanidade Celeste, até agora invisíveis aos
nossos olhos materiais.
O estágio de fragilidade moral do mundo é tão avançado, apesar dos
progressos atingidos, que, para acabar com a violência, só existe uma
medicina forte: a da escalada da Fraternidade Solidária, aliada à
Justiça, na Educação. Por isso, ecumenicamente espiritualizar o
ensino é um poderoso antídoto contra a agressividade. Por falar na
“Senhora de Olhos Vendados”, aqui um ilustrativo pensamento do
ensaísta francês Luc de Clapiers, Marquês de Vauvenargues
(1715-1747): “Não pode ser justo quem não é humano”. Por conseguinte,
também não é possível ser feliz.

Jesus e as mães
A professora Adriane Schirmer, de São Paulo/SP, enviou-me e-mail no
qual destaca meu artigo “Jesus e as Mães”: “O que dizer de tão comovida
prece? Numa sociedade em que o Dia das Mães é direcionado às vendas, o
senhor não se esquece nem daquelas que já estão no mundo espiritual,
zelando, com certeza, pelos que aqui ficaram”.
Grato, professora Adriane. A maternidade é um sol que não se apaga.

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

O patrimônio da Caridade

A Caridade é o conforto de Deus para as Almas e o relacionamento
cordial entre criaturas que firmemente desejam a preservação deste
mundo. Ela é uma função espiritual e social, não apenas um ato
particular de socorrer apressadamente o mais próximo. É uma política
dignificante, um planejamento humanitário, uma estratégia, uma logística
de Deus, entendido como Amor — “Deus é Amor” (Primeira Epístola de João,
4:8) —, a nós oferecida, de modo que haja sobreviventes à cupidez
humana. A Caridade é a Força Divina que nos mantém de pé. Sabemos, e
basta ir ao dicionário, que Caridade é sinônimo de Amor. Portanto, é
respeito, solidariedade, companheirismo, cidadania sem ferocidades. O
mundo precisa de carinho e Amor. Quem diz que não quer ser amado está
doente ou mentindo, o que, no fundo, no caso em questão, é a mesma
coisa. Pode ter certeza de que a pessoa está gritando lá dentro:
“Socorro! Preciso ser amado! ou, preciso ser amada! Mas não tenho
coragem de dizer! Tenho vergonha de reivindicar, um pouco que seja, da
Fraternidade dos meus irmãos humanos! Mas escutem o meu apelo
desesperado e silencioso!”.

Como escrevi em Como Vencer o Sofrimento (2002), o Amor revela a Luz, e
a Luz espanta a treva. Que mais quereremos nós? O ser humano tem
carência de Amor verdadeiro. É o que muitos dirigentes dos povos em
definitivo precisam entender. Governa bem aquele que governa o coração.
Exclamam alguns: “— Ah, eu não falo em Caridade!”. Infelizmente creem
que ela se resume em dar às pressas esmola ao mendicante que os
interpela. Já estão em falta quando se irritam diante do necessitado,
que em geral é efeito e não causa. Devem refletir sobre este ditado
latino: “Hodie mihi; cras, tibi”. (Hoje, eu; amanhã, você). Ou seja:
agora, o pedinte é ele; amanhã, poderemos ser nós. O pior é que alguns
transferem essa “amofinação” para um sentimento elevadíssimo, que é a
Caridade, que eles não entendem muito bem, mas que se personifica na
cola que junta as partes separadas da sociedade mundial. Enfim, Caridade
é a esperança que repousa em Deus.

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

Parece que foi ontem…

Estou comemorando 61 anos de trabalho na LBV. Amanhecia 29 de junho de
1956 – Dia de São Pedro e São Paulo. Nasci no Rio de Janeiro. Com 15
anos, num gesto intuitivo, liguei o rádio. Estava no ar a Tamoio.
Vivíamos os festejos juninos. Surpreso, ouvi os acordes de Noite
Feliz! em tempo ainda distante do Natal. E logo vibrou a palavra de
Alziro Zarur (1914-1979). Esse fato mudou a minha vida, tal qual a de
tantos outros que aguardavam algo que lhes falasse o que precisavam
ouvir a respeito de Quem, no dizer de João Batista, nem somos
merecedores “de limpar-Lhe o pó das sandálias”: Jesus! Zarur entoava o
“Glória a Deus nas Alturas, Paz na Terra aos homens de Boa
Vontade!” (Evangelho, segundo Lucas, 2:14). Naquela hora, como que um
raio desceu sobre mim, mas não me fulminou. Pelo contrário: percebi que
não sou apenas um produto da carne, posto que certa mentalidade por aí
faz alguns pensarem que este mundo seja um açougue. Tenho Espírito. Não
em resultado de combinações químicas cerebrais, porquanto a inteligência
situa-se além do corpo, como que havendo uma mente psíquica fora do
cérebro somático. (…) A partir daquele momento, o que foi
despertado em mim não poderia surgir de um pedaço de matéria que um dia
se transformará na rebelião famélica dos vermes. Ah! Somos alguma coisa
bem superior, que sintoniza as estrelas! É essencial ter, portanto, em
nós um diapasão que ressoe na grandeza de sua melodia. (…) No mesmo
instante, virei-me para minha saudosa mãe, Idalina de Paiva (1913-1994),
e, decidido, sentenciei: “É com esse que eu vou!”.
Aprendi nestes anos de vida legionária que ninguém faz nada sozinho. No
meu 61 aniversário de trabalho nesta Obra – que luta ininterruptamente
por um Brasil melhor e uma Humanidade mais feliz – compartilho também
essa marca com todos os que, com suas preces e apoio às nossas
iniciativas, formam a grande família da Boa Vontade de Deus.

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

Crime do desperdício

Urge impedir o desperdício. É providência sensata, humanitária, em
todas as áreas e das mais diferentes classes sociais. É um crime, por
exemplo, deixar estragar alimentos, quando milhões de pessoas ainda
passam fome.
O dr. Alan Bojanic chamou a atenção para esse fato em entrevista ao
programa Biosfera, da Boa Vontade TV (Oi TV — Canal 212 — e Net
Brasil/Claro TV — Canal 196). Engenheiro agrônomo boliviano, ele é
representante da FAO no Brasil:
“A FAO fez um estudo amplo para ver a porcentagem de perdas de
alimentos no mundo. Temos uma cifra que é muito — vamos dizer —
dolorosa! Depois que o produto é coletado, até chegar ao consumidor, e
mesmo na casa dos consumidores, temos perdas muito altas. É quase um
terço de toda a produção mundial que vai — se pode dizer — para o
lixo. Uma produção muito importante, que tem implicações de todo tipo,
em primeiro lugar, humanitárias, porque é comida que poderia ser dada
para muitas pessoas carentes. É um absurdo ambiental, pois muita energia
foi gasta na produção. E também tem a ver com a ineficiência econômica.
Então, é um absurdo humanitário, ambiental e econômico-financeiro”.
Em O Capital de Deus, livro que estou preparando, comento uma passagem
evangélica, que nos traz instrutiva lição.
Conhecedor dos Soberanos Estatutos da Economia de Deus, ainda ignorados
pelos seres humanos, Jesus, o Cristo Ecumênico, o Divino Estadista, pôde
realizar o milagre da multiplicação de peixes e pães, conforme o relato
de Mateus, 14:13 a 21.

A Primeira Multiplicação de Pães e Peixes
“13 Jesus, ouvindo que João Batista fora decapitado por ordem de
Herodes, retirou-se dali num barco, para um lugar deserto, à parte.
Sabendo disso, as massas populares vieram das cidades, seguindo-O por
terra.
“14 Desembarcando, Ele viu uma grande multidão. Compadeceu-se dela e
curou os seus enfermos.
“15 Ao cair da tarde, aproximando-se Dele, os discípulos Lhe disseram:
Senhor, o lugar é deserto, e vai adiantada a hora. Despede, pois, esse
povo para que, indo pelas aldeias, compre para si o que comer.
“16 Jesus, porém, lhes disse: Não precisam retirar-se; dai-lhes, vós
mesmos, o alimento.
“17 Ao que Lhe responderam: Senhor, não temos aqui senão cinco pães e
dois peixinhos!
“18 Então, o Mestre ordenou-lhes: Trazei-os a mim.
“19 E, tendo mandado que todos se assentassem sobre a relva, tomando os
cinco pães e os dois peixinhos, erguendo os olhos ao céu, os abençoou.
Depois, havendo partido os pães, deu-os aos discípulos, e estes, às
multidões.
“20 Todos comeram e se fartaram. E, dos pedaços que sobraram,
recolheram ainda doze cestos repletos.
“21 E os que comeram foram cerca de cinco mil homens, além de mulheres
e crianças”.

Além disso, não nos esqueçamos do que o Divino Benfeitor nos ensinou a
respeito da capacidade pessoal de cada ser humano, ao dizer: “Vós sois
deuses. Eu voltarei ao Pai, vós ficareis aqui na Terra, portanto,
podereis fazer muito mais do que Eu” (Evangelho, segundo João, 10:34 e
14:12).

A quem, talvez por ócio, analisando o trecho anterior, argumentasse que
Jesus é um caso especial e, por isso, não há parâmetros para se comparar
a nossa competência à Dele, divinamente superior, poderíamos considerar
que não seria necessário subirmos a tamanha grandeza, bastando que os
que têm posses deixassem de desperdiçar tanto. Seria um passo. Sim, mas
um passo considerável. Como observou Confúcio (551-479 a.C.):
“Transportai um punhado de terra todos os dias e fareis uma
montanha”.
Destaquemos que, no versículo 20 do capítulo 14, o Evangelista Mateus
revela: “Todos comeram e se fartaram. E, dos pedaços que sobraram,
recolheram ainda doze cestos repletos”.
Quer dizer, não jogaram fora o que lhes sobejou. As apreciáveis porções
haveriam de, em nova oportunidade, beneficiar aquela gente ou outra.
Costumo dizer que a migalha de hoje é a farta refeição de amanhã.
Reflitamos sobre isso.

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

Doe vida

Não há nada mais valioso na Terra do que a existência humana. No planeta, somos os únicos seres conscientes da finitude física, embora prossigamos nossa jornada de aprendizado, no âmbito espiritual, após o fenômeno chamado morte. A partir do momento que valorizamos a vida desde o seu estágio físico, construímos, verdadeiramente, uma Sociedade Solidária Altruística Ecumênica.
A doação de sangue, aplaudível vereda que aproxima o ser humano de sua humanidade, é indispensável em favor de tantos que lutam para sobreviver.
No Brasil, em período de férias e feriados, justamente quando ocorrem mais acidentes de todo tipo, cresce a demanda por sangue e diminui o número de doadores. Um cálculo cujo saldo preocupa os hemocentros do país.

Déficit Nacional
Em entrevista ao programa Sociedade Solidária, da Boa Vontade TV (Oi TV — Canal 212 — e Net Brasil/Claro TV — Canal 196), a dra. Selma Soriano, médica hematologista e hemoterapeuta da Fundação Pró-Sangue de São Paulo, fez um apelo: “Que a população antes de tirar férias, de sair em viagem, faça a sua doação de sangue. Normalmente, a demanda de sangue em feriados aumenta em torno de 30%, e a doação cai em torno de 40%. Daí trabalharmos sempre com os estoques no limite. Desse modo, priorizamos o atendimento de urgência (…)”.
A transfusão de sangue é imprescindível não somente no socorro às vítimas de graves acidentes, de catástrofes como deslizamentos de terra, inundações etc. A dra. Selma explica: “Precisamos, e muito, de doações de sangue no tratamento de pacientes que estão em Unidade de Terapia Intensiva; para os que lutam contra o câncer que, às vezes, carecem de reposição de sangue; e para os pacientes de transplante de órgãos. No caso de doenças congênitas, temos a hemofilia. Isso sem falar nas cirurgias. Nas de grande porte, 60% delas necessitam de transfusão de sangue”.
Segundo o Ministério da Saúde, 3,7 milhões de pessoas doam sangue anualmente no Brasil. Está longe de ser o ideal, já que deveríamos ter cerca de 5,4 milhões de doadores. Para suprir esse déficit são feitas campanhas de apelo à sociedade. “Temos 1,8% da população brasileira que doa sangue, e a gente deveria estar entre 3% e 5%. Faltam componentes sanguíneos para algumas situações específicas”, revela a hematologista.

Minutos que salvam
Que essa ação caritativa se torne um hábito saudável e permanente, já que é algo que não exige sacrifício algum. “Entre a pessoa chegar a um banco de sangue e fazer a sua doação, ela permanece de 40 a 50 minutos no máximo. O ato em si, propriamente dito, leva apenas 7 minutos”, afirma a dra. Selma.
Inúmeros são os postos de coleta no Brasil. No site www.prosangue.sp.gov.br, você encontra vários deles e se informa quanto aos requisitos básicos para ser um doador de sangue.
Eis nosso contributo no esclarecimento geral a respeito desse importante assunto. Doar sangue, gesto que merece o devido apoio de todos, pode ser a própria salvação do ofertante amanhã.

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

Vencendo as diferenças

O dia 25 de junho marca a adoção pela ONU (Organização das Nações
Unidas) da Declaração e Programa de Ação de Viena (1993). Consta lá,
entre seus 100 tópicos, que “a Conferência Mundial sobre Direitos
Humanos considera a educação, o treinamento e a informação pública na
área dos direitos humanos elementos essenciais para promover e
estabelecer relações estáveis e harmoniosas entre as comunidades e para
fomentar o entendimento mútuo, a tolerância e a paz”.
Sabemos que muito falta fazer para vermos todos os objetivos desse
memorável documento integralmente cumpridos. Daí meu empenho de sempre
apresentar também nossa modesta colaboração.
Aliás, no tocante ao entendimento geral de povos e nações, como escrevi
em meu livro Reflexões e Pensamentos — Dialética da Boa Vontade (1987) e
anteriormente no Jornal da LBV (janeiro de 1984): (…) quando falamos
na união de todos pelo bem de todos, alguns podem atemorizar-se,
pensando em capitulação de seus pontos de vista na enfadonha planura de
uma aliança despersonalizada, o automatismo humano deplorável. Não é
nada disso. Na Democracia, todos têm o dever (muito mais que o direito)
de — honestamente (quesito básico) e com espírito de tolerância —
enunciar seus ideais, sua maneira de ver as coisas. Entretanto, ninguém
tem o direito de odiar a pretexto de pensar diferente, nem de viver
intimidado pela mesma razão. Dizia Gandhi (1869-1948) que “divergência
de opinião não é motivo para hostilidade”. E foi por nisso acreditar
que, com certeza, o Mahatma se tornou o personagem principal da
independência do seu povo.
É ainda do sábio indiano esta notável afirmativa, quanto à necessidade
de se fomentar a Cultura de Paz nos corações para vencer as animosidades
entre os diferentes: “Que seus pensamentos sejam positivos porque eles
se transformarão em palavras. Que suas palavras sejam positivas porque
elas se transformarão em ações. Que suas ações sejam positivas porque
elas se transformarão em valores. Que seus valores sejam positivos
porque eles determinarão seu destino”.

Mesmo que diferentes
Destino traz à mente o fulgor das crianças nas quais pensamos, ao nos
empenharmos em levar-lhes uma cultura de Paz por meio da educação básica
aliada ao afeto. E lhes apresento o resultado desse esforço, quando
benfeito, nas palavras, na ocasião, de um Soldadinho de Deus (carinhosa
maneira de nos referirmos às crianças, na LBV), que vinha crescendo sob
as asas da Pedagogia do Afeto, bandeira de vanguarda de nossa lide
legionária. Letícia Tonin tinha 7 anos quando disse: “O Amor é maior do
que tudo, mesmo que as pessoas sejam diferentes”.

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

“Deserto, seca, poluição…”

Paiva Netto

Dezessete de junho é o Dia Mundial de Combate à Desertificação e à
Seca. Vale, portanto, ressaltar recentes e alarmantes estatísticas. Uma
delas vem da OMS, conforme nos informa o site da ONU-Brasil: “A
Organização Mundial da Saúde (OMS) destacou a necessidade de
reduzir as emissões de poluentes como o carbono negro, o ozônio, o
metano e o dióxido de carbono, que não só contribuem para as mudanças
climáticas, como também provocam mais de 7 milhões de mortes associadas à
poluição do ar por ano”. E, conforme noticiou a Deutsche Welle, uma
pesquisa do Pacto pela Restauração da Mata Atlântica diz que os
reservatórios de água no país, considerados críticos pela Agência
Nacional de Águas (ANA), perderam em média 80% de sua cobertura
florestal.
Ora, os danosos impactos desse verdadeiro “arboricídio” estão aí. O ar,
o solo e a água diariamente escasseiam em qualidade, fertilidade e
abundância.

Cuidado, estamos respirando a morte
Há 17 anos, em 1o de julho de 2000, a revista Manchete publicou um
artigo meu que parece até que foi escrito hoje:
Atualmente, em vastas regiões da Terra, o simples ato de respirar
corresponde à abreviação da vida. Sofrimentos de origem pulmonar e
alérgica crescem em progressão geométrica. Hospitais e consultórios
de especialistas vivem lotados com as vítimas das mais diferentes
impurezas.
Abeirar-se do escapamento de um veículo é suicídio, tal a adulteração
de combustível vigente por aí. Isso sem citar os motores
desregulados…

Cidades assassinadas
Quando você se aproxima, por estrada, via aérea ou marítima, de grandes
centros populacionais do mundo, logo avista paisagem sitiada por oceano
de gases nocivos.
Crianças e idosos moram lá… Merecem respeito.
No entanto, de maneira implacável, sua saúde vai sendo minada. A
começar pela psíquica, porquanto as mentes humanas vêm padecendo toda
espécie de pressões. Por isso, pouco adiantará cercar-se de muros cada
vez mais altos, se de antemão a ameaça estiver dentro de casa, atingindo
o corpo e a psicologia do ser.
Em cidades praieiras, a despeito do mar, o envenenamento atmosférico
avança, sem referência à contaminação das águas e das areias… O que
surpreende é constituírem, muitas delas, metrópoles altamente
politizadas, e só de algum tempo para cá seus habitantes na verdade
despertarem para tão terrível risco.
Despoluir qualquer área urbana ou rural deveria fazer parte do programa
corajoso do político que realmente a amasse. Não se pode esperar que
isso apenas ocorra quando se torna assunto lucrativo. Ora, nada mais
proveitoso do que cuidar do cidadão, o Capital de Deus.
As questões são múltiplas, mas esta é gravíssima: estamos respirando a
morte. Encontramo-nos diante de um tipo de progresso que, ao mesmo
tempo, espalha ruína. A nossa própria.
Comprova-se a precisão urgente de ampliar em largo espectro a
consciência ecológica do povo, antes que a queda de sua qualidade de
vida seja irreversível. Este tem sido o desafio enfrentado por vários
idealistas pragmáticos. Entretanto, por vezes, a ganância revela-se
maior que a razão. O descuido no preparo de certas comunidades, para que
não esterilizem o solo, mostra-se superior ao instinto de sobrevivência.
(…)

A poluição que chega antes
A infinidade de poluições que vêm prejudicando a vida de cada um deriva
da falência moral que, de uma forma ou de outra, inferniza a todos.
Viver no presente momento é administrar o perigo. Mas ainda há tempo de
acolhermos a asserção de Antoine de Saint-Exupéry (1900-1944): “É
preciso construir estradas entre os homens”. Realmente, porque cada vez
menos nos estamos encontrando nos caminhos da existência como irmãos.
Longe da Fraternidade Ecumênica, não desfrutaremos a Paz.

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

O que é urgente para você?

Segundo documento divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de 7 milhões de pessoas convivem com a fome no Brasil. A pesquisa mais recente, publicada em 2014, constatou ainda que, em 2,1 milhões de domicílios, pelo menos uma pessoa passou um dia inteiro sem comer pela falta de dinheiro para comprar comida.

Toda ação é importante para ajudar a minimizar o sofrimento das pessoas que passam por esse desafio. Na maioria das vezes, para muitas famílias, a Solidariedade é o único recurso. Por isso, além de todo o trabalho diário que realiza em suas 81 unidades de atendimento, a Legião da Boa Vontade (LBV) promove ações permanentes em apoio às populações que padecem. Umas das iniciativas é a campanha Diga Sim!, por meio da qual a LBV mobiliza a sociedade a fazer doações e, mediante os recursos, entrega, neste período do ano, cestas de alimentos e cobertores para famílias que enfrentam a seca e as baixas temperaturas. A campanha, nesta edição, tem como slogan “O que é urgente para você?” e chama a atenção da sociedade para o que é prioridade para as famílias que dependem do alimento para sobreviverem ou de, pelo menos, um cobertor para que estejam aquecidas no inverno.

A LBV tem como meta entregar, nos meses de maio a julho, 11 mil cestas de alimentos, contendo itens básicos e que estejam de acordo com os costumes regionais, para famílias nos seguintes Estados: Acre, Alagoas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rondônia, Sergipe e Tocantins; e 15 mil cobertores no Distrito Federal e nos Estados do Mato Grosso do Sul, do Paraná, de Santa Catarina, de São Paulo e do Rio Grande do Sul.

As doações para a campanha podem ser feitas acessando o site www.lbv.org/digasim, pelo 0800 055 50 99 ou, ainda, diretamente em uma das unidades da Instituição (ver endereços no site www.lbv.org).

Quando a LBV chamar, atenda com o coração. DIGA SIM! Acompanhe a Legião da Boa Vontade pelas redes sociais: Facebook (LBVBrasil), YouTube (LBVBrasil) Twitter (@LBVBrasil) e Instagram (@LBVBrasil).

Adoção rima com coração

Em maio, o Dia das Mães (sempre no segundo domingo do mês) e o Dia
Nacional da Adoção (25 de maio) guardam especial afinidade. O sagrado
dom da maternidade, também expresso no belo gesto da adoção, deve
compartilhar amor e afeto igualmente de forma inclusiva.
Esse importante tema foi discutido na Boa Vontade TV (Oi TV — Canal 212
— e Net Brasil/Claro TV — Canal 196), no programa Sociedade Solidária.
Na ocasião, o apresentador e graduado em Ciências Sociais Daniel
Guimarães entrevistou Mônica Natale de Camargo, gerente executiva do
Grupo de Apoio à Adoção de São Paulo (Gaasp).
Mudança de cultura
Estimativas apontam que, para cada criança na fila de adoção, há seis
casais ou indivíduos pretendentes. Mônica Natale esclarece: “Ainda temos
aquela cultura do perfil. O que a maioria dos pretendentes deseja? Eles
querem aquelas crianças menores, bebês, brancos ou da mesma etnia. E as
crianças que estão disponíveis geralmente são de grupos de irmãos e com
idade avançada, e algumas com necessidades especiais. Então, o que tem
de se fazer? Mudar essa cultura de adoção no Brasil. O pretendente tem
que entender qual é a realidade do país, e começar a olhar com carinho
para as crianças, mudar aquela concepção do filho idealizado para o
filho possível”.

Longe de nós o preconceito
O alto sentido de humanidade precisa habitar o coração das criaturas,
não deixando espaço para preconceitos. A gerente do Gaasp aponta para
o que pode ser feito: “Primeiro, uma divulgação maior do que é a adoção,
entender o que significa adotar, o que significa um filho na sua vida.
Isso é importante! A cultura da adoção tem que ser mudada, sim, com
programas como este onde se discute, onde se fala dessas necessidades”.
O assunto realmente merece um olhar mais atento da parte de todos, seja
das políticas públicas ou da sociedade. É direito básico de toda criança
ter uma família que a proteja, ame e respeite.
Quem quiser se informar melhor, acesse o site do Grupo de Apoio à
Adoção de São Paulo: www.gaasp.org.br. Procure também conhecer a
legislação brasileira sobre o tema.

Tirem o vidro!
No dia 27 de maio, completam-se 31 anos de dois grandes eventos da
Legião da Boa Vontade na capital federal. Na ocasião, além de
inaugurar o primeiro anexo (sede administrativa) do Conjunto Ecumênico,
comandei a cerimônia de lançamento da Pedra Fundamental do Templo da Boa
Vontade.
Momentos antes do início do cerimonial, um fato curioso proporcionou a
todos importante lição. Eu me encontrava no segundo andar do prédio
administrativo da LBV com os meus filhos e, ao olhar para o pátio, que
estava superlotado, vi que o palco era baixo demais. E decidi: Sabem de
uma coisa? Vou falar aqui de cima da marquise de entrada. E perguntei:
Essa marquise aguenta o peso da gente? Ao que me responderam que sim, ao
mesmo tempo em que me perguntavam: “Mas como é que o senhor vai passar
para lá? Tem um vidro na frente!”. Ora, se o vidro atrapalha, tirem o
vidro!, disse-lhes. O vidro foi retirado e pude, então, fazer o discurso
lá de cima mesmo.
Naquele momento, destaquei, lembrando-me de Moisés e de Alziro Zarur
(1914-1979), que o Templo da Paz surgia para que houvesse a
interiorização de bons e elevados valores. Porque não se pode
exteriorizar coisa alguma de útil se a criatura não tem nada para
oferecer. É a questão do conteúdo.
José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

Amor — Fundamento do diálogo

Afirmo há tantos anos e publiquei no livro Reflexões da Alma (2003): O coração torna-se mais propenso a ouvir quando o Amor é o fundamento do diálogo. Razão por que exponho em Jesus, a Dor e origem de Sua Autoridade (2014) a Divina Grandeza do Amor do Cristo. E um bom diálogo é básico para o exercício da democracia, que é o regime da responsabilidade.
Recorro a um argumento que apresentei durante palestras sobre o Apocalipse de Jesus para os Simples de Coração, apropriado igualmente aos que porventura pensem que a construção responsável da Paz seja uma impossibilidade: (…) Isso é utopia? Ué?! Tudo o que hoje é visto como progresso foi considerado delirante num passado nem tão remoto assim. (…)
Muito mais se investisse em educação, instrução, cultura e alimentação, iluminadas pela Espiritualidade Superior, melhor saúde teriam os povos; portanto, maior qualificação espiritual, moral, mental e física, para a vida e o trabalho, e menores seriam os gastos com segurança. “Ah! é esforço para muitos anos!”. Por isso, não percamos tempo! Senão, as conquistas civilizatórias no mundo, que ameaçam ruir, poderão dar passagem ao contágio da desilusão, que atingirá toda a Terra. Não podemos permitir tal conjuntura.
Acima de tudo, há que vigorar a Fraternidade Real, de que falava Alziro Zarur (1914-1979), saudoso fundador da Legião da Boa Vontade, no seu poema de mesmo nome. Essa Fraternidade é capaz de congregar os adversos e fazer surgir de seus paradoxos saídas para os problemas que estão sufocando a Humanidade, pois, sempre gosto de repetir, realmente há muito que aprender uns com os outros.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

Web, educação e poder

Não é novidade que a internet se tornou ferramenta indispensável em nossa rotina. Ao acessá-la, vêm abaixo fronteiras antes intransponíveis para a maioria dos cidadãos. Contudo, jamais nos esqueçamos — também para o bom uso do meio cibernético — de que educação é poder. Sem o devido ensino, aliado à Espiritualidade Ecumênica, o manuseio desse influente recurso pode ser desastroso.
A dra. Lilian Castelani, especialista em Direito Eletrônico e Processo do Trabalho, de São Paulo/SP, fez um comentário de recorrente interesse das famílias:
“O principal perigo no mundo virtual é a exposição exacerbada. As pessoas não estão preparadas para usar a internet. Elas têm que ter maior responsabilidade pelo que vão publicar, principalmente nas redes sociais, nas quais a gente expõe as ideias, os nossos familiares, a nossa imagem. É importante adequar aquilo que deve, de fato, ser passado para a frente, porque, colocado na internet, está para o mundo. Dissemina-se muito rápido a informação, e ela hoje é muito valiosa”.
Recomenda a dra. Lilian: “Seja nas redes sociais ou quando você vai comprar um serviço qualquer na internet, é preciso avaliar se o site é idôneo, se os termos de uso estão de acordo com aquilo que você acha certo. Tomar esses pequenos cuidados é primordial para uma boa segurança da sua privacidade. Senão você será vítima de ilícito por culpa própria”.
O respeito ao próximo foi também ressaltado pela advogada: “É muito importante saber se o que você está colocando na internet vai magoar um terceiro, se será realmente útil para alguém ou até para si mesmo”.
Muita atenção agora ao que disse a dra. Lilian: “Às vezes, as pessoas postam fotos íntimas e não sabem a repercussão que isso vai dar na internet. Com um clique, isso se dissemina para milhões de pessoas, é imensurável para quantas outras daí em diante. E para tirar da internet é muito difícil! A gente consegue a retirada do ar de ilícitos, mas de coisas que você mesmo coloca é complicado, e daí você está exposto ao cyberbullying, a humilhações. É preciso cautela ainda ao expor opiniões muito polêmicas. Então, tem que tomar esses cuidados na hora de colocar a cara na internet”.
O sociólogo Daniel Guimarães, do programa Sociedade Solidária, da Boa Vontade TV (Oi TV — Canal 212 — e Net Brasil/Claro TV — Canal 196), expôs à dra. Lilian este quadro: “As crianças e os adolescentes são usuários ávidos dessas tecnologias. É comum as dominarem mais do que os próprios pais e, em geral, não têm tanta maturidade para compreender a questão dos limites”.
A orientação da especialista em Direito Eletrônico é que “os pais devem estar atentos à rotina da criança. Por exemplo, não deixar computador de maior uso em ambientes fechados, deixar em locais de maior circulação. Tudo bem que é difícil; hoje há os smartphones, os tablets. Mas a atenção do pai tem que ser sempre maior, observar o comportamento da criança, conversar com ela. Acho que proibir é tirá-la da sociedade hoje, porque ela está inclusa nesse meio social do virtual. Então, pelo bate-papo, deixar mais próximos pais e filhos. Entender que, às vezes, um ato do filho pode responsabilizar o pai de um crime, porque ele é responsável pelo filho. O pai não pode chegar em casa cansado e dormir. Não! Vamos saber como foi o dia e ver se o filho está mais chateado ou não. Acho que essa conversa em família é que dá maior responsabilidade”.
Para a dra. Lilian, “a palavra de ordem é educação”. Esse é o caminho para se prevenir dos crimes, que, segundo ela, “estão aí, são os mesmos, os meios é que são alterados. E hoje a gente está com uma ferramenta digital que dá uma disseminação para os crimes muito maior. Educar-se para mexer com internet é a grande segurança. Dar-se privacidade, tomar cuidado com o que expõe são as medidas mais coerentes para trafegar nesse mundo”.
Grato, dra. Lilian Castelani, pelos esclarecimentos de grande utilidade social.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

Tônus divino da maternidade

Inicio estas linhas pedindo a Maria Santíssima, a Excelsa Mãe de Jesus, o Cristo Ecumênico, o Divino Estadista, que leve aos corações humanos o sublime conforto do seu Espírito materno. É o acolhimento universal que faz brilhar o elevado conceito de família que nos deve reger. E que ampare os povos da Terra, guiando-os na direção da Paz.
Seja no Dia das Mães, seja no Dia da Mulher, ou em qualquer data do ano, quero saudá-las e, assim, prestar-lhes minha homenagem, porque quem forma a pátria são elas. Algumas, que me dão a honra de sua leitura, podem argumentar: “Mas eu não sou mãe”. Não é?! Ora, toda mulher traz dentro de si o tônus divino da maternidade. Quantas não possuem filhos e, no entanto, suas Almas são preenchidas pelo Amor de dedicar-se ao próximo ou mesmo a uma Obra como a Legião da Boa Vontade? O que é a LBV senão uma grande mãe?

Mãe, família e nações
Nenhuma instituição estável se sustenta e cresce sem mulheres estáveis, decididas, porque aprenderam a sublimar os seus mais íntimos sofrimentos, transformando-os em significativas realizações em prol da Humanidade, segundo o exemplo de Maria Santíssima.
Aqueles que querem desvalorizar o sentido da família não sabem o que estão fazendo. O clã primitivo foi o primeiro núcleo familiar. Dele se formaram as comunidades e surgiu a sociedade. Como querer o fortalecimento das nações se não respeitarmos as famílias?

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

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