PBNEWS


Amor — Fundamento do diálogo

Afirmo há tantos anos e publiquei no livro Reflexões da Alma (2003): O coração torna-se mais propenso a ouvir quando o Amor é o fundamento do diálogo. Razão por que exponho em Jesus, a Dor e origem de Sua Autoridade (2014) a Divina Grandeza do Amor do Cristo. E um bom diálogo é básico para o exercício da democracia, que é o regime da responsabilidade.
Recorro a um argumento que apresentei durante palestras sobre o Apocalipse de Jesus para os Simples de Coração, apropriado igualmente aos que porventura pensem que a construção responsável da Paz seja uma impossibilidade: (…) Isso é utopia? Ué?! Tudo o que hoje é visto como progresso foi considerado delirante num passado nem tão remoto assim. (…)
Muito mais se investisse em educação, instrução, cultura e alimentação, iluminadas pela Espiritualidade Superior, melhor saúde teriam os povos; portanto, maior qualificação espiritual, moral, mental e física, para a vida e o trabalho, e menores seriam os gastos com segurança. “Ah! é esforço para muitos anos!”. Por isso, não percamos tempo! Senão, as conquistas civilizatórias no mundo, que ameaçam ruir, poderão dar passagem ao contágio da desilusão, que atingirá toda a Terra. Não podemos permitir tal conjuntura.
Acima de tudo, há que vigorar a Fraternidade Real, de que falava Alziro Zarur (1914-1979), saudoso fundador da Legião da Boa Vontade, no seu poema de mesmo nome. Essa Fraternidade é capaz de congregar os adversos e fazer surgir de seus paradoxos saídas para os problemas que estão sufocando a Humanidade, pois, sempre gosto de repetir, realmente há muito que aprender uns com os outros.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

Web, educação e poder

Não é novidade que a internet se tornou ferramenta indispensável em nossa rotina. Ao acessá-la, vêm abaixo fronteiras antes intransponíveis para a maioria dos cidadãos. Contudo, jamais nos esqueçamos — também para o bom uso do meio cibernético — de que educação é poder. Sem o devido ensino, aliado à Espiritualidade Ecumênica, o manuseio desse influente recurso pode ser desastroso.
A dra. Lilian Castelani, especialista em Direito Eletrônico e Processo do Trabalho, de São Paulo/SP, fez um comentário de recorrente interesse das famílias:
“O principal perigo no mundo virtual é a exposição exacerbada. As pessoas não estão preparadas para usar a internet. Elas têm que ter maior responsabilidade pelo que vão publicar, principalmente nas redes sociais, nas quais a gente expõe as ideias, os nossos familiares, a nossa imagem. É importante adequar aquilo que deve, de fato, ser passado para a frente, porque, colocado na internet, está para o mundo. Dissemina-se muito rápido a informação, e ela hoje é muito valiosa”.
Recomenda a dra. Lilian: “Seja nas redes sociais ou quando você vai comprar um serviço qualquer na internet, é preciso avaliar se o site é idôneo, se os termos de uso estão de acordo com aquilo que você acha certo. Tomar esses pequenos cuidados é primordial para uma boa segurança da sua privacidade. Senão você será vítima de ilícito por culpa própria”.
O respeito ao próximo foi também ressaltado pela advogada: “É muito importante saber se o que você está colocando na internet vai magoar um terceiro, se será realmente útil para alguém ou até para si mesmo”.
Muita atenção agora ao que disse a dra. Lilian: “Às vezes, as pessoas postam fotos íntimas e não sabem a repercussão que isso vai dar na internet. Com um clique, isso se dissemina para milhões de pessoas, é imensurável para quantas outras daí em diante. E para tirar da internet é muito difícil! A gente consegue a retirada do ar de ilícitos, mas de coisas que você mesmo coloca é complicado, e daí você está exposto ao cyberbullying, a humilhações. É preciso cautela ainda ao expor opiniões muito polêmicas. Então, tem que tomar esses cuidados na hora de colocar a cara na internet”.
O sociólogo Daniel Guimarães, do programa Sociedade Solidária, da Boa Vontade TV (Oi TV — Canal 212 — e Net Brasil/Claro TV — Canal 196), expôs à dra. Lilian este quadro: “As crianças e os adolescentes são usuários ávidos dessas tecnologias. É comum as dominarem mais do que os próprios pais e, em geral, não têm tanta maturidade para compreender a questão dos limites”.
A orientação da especialista em Direito Eletrônico é que “os pais devem estar atentos à rotina da criança. Por exemplo, não deixar computador de maior uso em ambientes fechados, deixar em locais de maior circulação. Tudo bem que é difícil; hoje há os smartphones, os tablets. Mas a atenção do pai tem que ser sempre maior, observar o comportamento da criança, conversar com ela. Acho que proibir é tirá-la da sociedade hoje, porque ela está inclusa nesse meio social do virtual. Então, pelo bate-papo, deixar mais próximos pais e filhos. Entender que, às vezes, um ato do filho pode responsabilizar o pai de um crime, porque ele é responsável pelo filho. O pai não pode chegar em casa cansado e dormir. Não! Vamos saber como foi o dia e ver se o filho está mais chateado ou não. Acho que essa conversa em família é que dá maior responsabilidade”.
Para a dra. Lilian, “a palavra de ordem é educação”. Esse é o caminho para se prevenir dos crimes, que, segundo ela, “estão aí, são os mesmos, os meios é que são alterados. E hoje a gente está com uma ferramenta digital que dá uma disseminação para os crimes muito maior. Educar-se para mexer com internet é a grande segurança. Dar-se privacidade, tomar cuidado com o que expõe são as medidas mais coerentes para trafegar nesse mundo”.
Grato, dra. Lilian Castelani, pelos esclarecimentos de grande utilidade social.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

Tônus divino da maternidade

Inicio estas linhas pedindo a Maria Santíssima, a Excelsa Mãe de Jesus, o Cristo Ecumênico, o Divino Estadista, que leve aos corações humanos o sublime conforto do seu Espírito materno. É o acolhimento universal que faz brilhar o elevado conceito de família que nos deve reger. E que ampare os povos da Terra, guiando-os na direção da Paz.
Seja no Dia das Mães, seja no Dia da Mulher, ou em qualquer data do ano, quero saudá-las e, assim, prestar-lhes minha homenagem, porque quem forma a pátria são elas. Algumas, que me dão a honra de sua leitura, podem argumentar: “Mas eu não sou mãe”. Não é?! Ora, toda mulher traz dentro de si o tônus divino da maternidade. Quantas não possuem filhos e, no entanto, suas Almas são preenchidas pelo Amor de dedicar-se ao próximo ou mesmo a uma Obra como a Legião da Boa Vontade? O que é a LBV senão uma grande mãe?

Mãe, família e nações
Nenhuma instituição estável se sustenta e cresce sem mulheres estáveis, decididas, porque aprenderam a sublimar os seus mais íntimos sofrimentos, transformando-os em significativas realizações em prol da Humanidade, segundo o exemplo de Maria Santíssima.
Aqueles que querem desvalorizar o sentido da família não sabem o que estão fazendo. O clã primitivo foi o primeiro núcleo familiar. Dele se formaram as comunidades e surgiu a sociedade. Como querer o fortalecimento das nações se não respeitarmos as famílias?

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

Oração, trabalho e Paz

Paiva Netto

Meu filho mais novo, hoje um adolescente, desde pequenino, ao proferir com nossos familiares e amigos uma breve prece à mesa antes das refeições, sensibiliza a todos com um simples mantra, que poderia resumir grandes compêndios de sabedoria, aquela que compartilha Solidariedade sem fronteiras de qualquer espécie. Exclama o jovenzinho:
“Deus, peço-Te que não falte a comida no prato de ninguém nem no nosso!”.
Por ocasião do Dia do Trabalho, 1o de maio, e diante de desafiadoras lutas que os povos enfrentam pelo mundo, é de muita valia invocar aos Poderes Celestiais análoga súplica: Que não falte o decente meio de ganhar o próprio sustento a nenhum dedicado trabalhador e nem aos nossos familiares! Amém!
Façamos juntos essa rogativa, mas na atuante esperança de que esse “assim seja” encontre, nos planos de governos do mundo, acertadas providências que atendam às urgentes necessidades das populações.
Seres humanos bem empregados e devidamente valorizados em seus esforços são garantia de Paz e sustentável progresso para todos.

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

Mas quando os governos do mundo compreenderão isso?

Afirmou a famosa biógrafa, crítica literária e tradutora Lucia Miguel Pereira (1901-1959) ao seu neto, Antonio Gabriel de Paula Fonseca Jr.: “Se eu puder te incutir a convicção de que a vida só é útil, só é digna, só é feliz quando dedicada ao cumprimento de um dever, não me terei esforçado em vão para educar-te”.

O povo a quem são negadas Educação, Instrução e Espiritualização Ecumênica torna-se fraco diante dos mais preparados. Ipso facto, sua pátria será dependente, escrava mesmo, das demais.

E não é bastante o zelo à cultura, clássica e/ou popular, pois é preciso que esteja aliada ao Sentimento Sublime que vem de Deus (entendido como Amor Ecumênico Solidário). Desprezar esse princípio é condenar as populações espirituais e terrestres ao pior cativeiro, em geral resultante em guerras de todas as expressões.

Já concluíra, em sua obra A Democracia na América, o pensador e político francês Alexis de Tocqueville (1805-1859): “(…) É preciso que os legisladores das democracias e todos os homens honestos e esclarecidos que nelas vivem se apliquem constantemente a elevar as almas e a mantê-las voltadas para o céu”.

Contudo, convém repetir: quando os governos do mundo compreenderão isso? Creio ser necessário que estudem o Espiritualmente Revolucionário Novo Mandamento do Cristo Ecumênico (João, 13:34), o Democrata de Deus, Estatuto Celeste do bem governar. Não esquecendo de socorrer o corpo, elevar as Almas à conquista de seu direito à Cidadania Espiritual, a Cidadania Ecumênica. Exercer a Caridade do Mandamento Divino na administração pública; socorrer o povo em suas necessidades mais urgentes de educação, emprego, moradia, saúde, saneamento básico, transporte, qualidade de vida nos grandes centros, hoje, inundados por gases nocivos de toda espécie. Caridade é isto: bem servir os seus cidadãos. Já disse e repito: o poder só serve enquanto serve… ao povo.

* José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br – www.boavontade.com

Fé e Boas Obras

A respeito de Boas Obras aliadas à Fé, a qual defini como Fé Realizante, destaco-lhes o que afirmei em uma palestra radiofônica, proferida numa quarta-feira, 30 de dezembro de 1992: a Fé somente não pode satisfazer (de modo pleno) a Lei Divina, pois tem de produzir resultados benéficos para a Humanidade. Por exemplo, a consequência da Fé deve ser o bom relacionamento entre as criaturas. Assim, independentemente da tradição religiosa que professamos ou não, construiremos juntos, por meio de Boas Obras, um mundo melhor para todos. E isso, sem dúvida, é aprovado por Deus, que é Amor. Portanto, espera que Seus filhos se amem.
Ainda sobre esse assunto, vale reproduzir a página 35 do meu livro Reflexões da Alma (versão pocket):
Um dos maiores questionamentos de boa parte daqueles que desejam a salvação espiritual é “O que mais agrada a Deus?”. O grande reformador Martinho Lutero (1483-1546) tem a resposta, citada pelo professor Leônidas Boutin: “(…) ter Fé verdadeira e inabalável na Palavra de Deus, que está contida nas Sagradas Escrituras. E quem tem verdadeiramente Fé há de praticar Boas Obras, isto é, amará ao próximo, pois é impossível ter Fé sem praticar Boas Obras, que são, assim, decorrências naturais e inevitáveis dela*.
Não sem motivo, deixei claro, nas minhas pregações durante anos, que orar e vigiar são dois atos da Política de Deus, do Cristo e do Espírito Santo.

_______________________
* Citação encontrada na abertura do livro Da Liberdade Cristã, de Martinho Lutero. O professor Leônidas Boutin iniciou a tradução dessa obra em 1958, com o apoio dos reverendos pastores Heinz Soboll e Richard Wengan, da Comuna Evangélica de Curitiba/PR, Brasil.

* José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

Ecumenismo é Paz no planeta

Reflexões da Alma, título que lancei em 2008, em terras lusitanas, segue a Ideologia do Bom Samaritano, tão bem acolhida pelo ilustre povo português, acerca da qual escrevi na revista BOA VONTADE, número 197, de janeiro de 2005: ajudar o próximo e esclarecê-lo, espiritual e intelectualmente, para que saiba enfrentar os inúmeros desafios cotidianos e consiga erguer uma jornada de vitórias. E conforme elucidei em Como Vencer o Sofrimento (1990), quando o ser humano se esmera em aprimorar-se no Espírito, tudo melhora à sua volta. A saída está em educar ecumenicamente.
O Ecumenismo Divino é uma questão a ser realizada, pois o estado do mundo real infelizmente é, sob diversos aspectos, ainda este: “Mesmo que seja certa a proposta de outra criatura, se não é do meu rebanho, não interessa”. A solução, portanto, para tamanho absurdo é o Ecumenismo, do qual tanto lhes falo nas múltiplas publicações da Editora Elevação e na mídia eletrônica, destacando-se a internet. Exemplificando que a Boa Vontade é o elo de sapiência que nos une como seres espirituais e terrenos, porque a vida na Terra começa no Céu, exponho nos meus escritos e palestras o pensamento de gente dos incontáveis redis religiosos, políticos, científicos. E, universalizando, ideológicos. Esses meus Irmãos em humanidade, quando trazem em si e nos seus textos uma extensa variedade de expressões em que todos podemos, com um mínimo de Boa Vontade, encontrar-nos, demonstram, assim, que o Ecumenismo é verdadeiramente instrumento de Paz num planeta em que qualquer diletante promove a guerra. Mas “se queres a Paz, prepara-te para a Paz”, já dizia Rui Barbosa (1849-1923). Concordo com Vinicius de Moraes (1913-1980), o saudoso poetinha — como ficou conhecido o inesquecível parceiro de outro gênio da Bossa Nova, Tom Jobim (1927-1994) —, que, com sua peculiar inspiração, versejou: “Você é, ao mesmo tempo, um coração que bate e um único batimento nesse corpo chamado humanidade”.

* José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

Brasil, berço da esperança

Paiva Netto

O Brasil é o berço de esperança de uma sociedade em que, a despeito de todos os dissabores, será possível viver em Paz consigo mesmo e com o próximo. Trata-se de terra generosa, em que a Solidariedade assumirá o papel de garantir o ensejo de uma vida próspera para todos, como descreveu o filósofo e sociólogo italiano Pietro Ubaldi (1886-1972): “A grande qualidade do Brasil, o que estabelece sua função vital, é o sentimento, o coração. Nesta terra estão as raízes daquela expansividade de afetos, que é a qualidade humana que, mais tarde, evoluindo, será a mais apta a sublimar-se no amor evangélico”.
Ainda teremos uma pátria em que cada um se sentirá incluído no significado maior da existência humana e cidadã: louvar o Criador enquanto serve à criatura, porque esta particulariza o sagrado altar no qual Ele deve ser adorado. Não há outra forma de engrandecer a Divindade, que é Amor, aliando Fé à Ação, construindo uma Política que tenha o bem-estar do povo, a ter início no elevado ensino para a sua Alma, como meta. É um trabalho que leva tempo? É um ideal ilusório?! Grande equívoco o de quem pensa assim. Há bastante tempo, Jean-Baptiste Descuret (1795-1872) demonstrou que “muito se engana quem acredita poder afirmar que a paciência é a força dos fracos, pois é preciso ser muito forte e moderado para tê-la em qualquer ocasião”. (…) Há leitores ateus que me honram com sua cortesia às minhas modestas considerações. A eles, com humildade, digo que, no tocante a Deus, pode ser entendido como Fraternidade e Solidariedade, a melhor maneira de viver como povo. (…) O Brasil realmente será o Coração do Mundo e a Pátria do Evangelho-Apocalipse, apesar de todos os que ainda querem espalhar frustração por onde a Esperança persevera. Ensinou Jesus: “O que não é possível ao homem para Deus é sempre possível” (Boa Nova, segundo Mateus, 19:26).

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

Aqui se estuda. Formam-se Cérebro e Coração

Paiva Netto

Num clima de muita alegria, tive a honra de comandar, em 4 de julho de 2009, a sessão solene de encerramento do 34o Fórum Internacional da Juventude Ecumênica da Boa Vontade, cujo tema foi inspirado no meu artigo “É urgente reeducar!”. Esse documento, também editorial da revista Sociedade Solidária, foi encaminhado pela LBV à Organização das Nações Unidas, ONU, em vários idiomas.
Durante o Fórum — transmitido pela Super Rede Boa Vontade de Comunicação (rádio, TV e internet) —, apresentei trechos de outra página minha, constante do livro O Capital de Deus. Atendendo a pedidos, trago alguns apontamentos que fiz naquele dia memorável:
O Espírito do ser humano, na Terra, é, no campo social, o começo de tudo. Não se pode modificá-lo por decreto.
É claro que as leis que promovem educação, saúde, alimentação, emprego, portanto condições melhores de vida, vão dar resultado, se bem estruturadas, regulamentadas e respeitadas. Contudo, não se transforma realmente uma pessoa por pura e simples imposição.
Trata-se de largo trabalho que deve, além de instruir e educar, principalmente reeducar, o que significa dizer: iluminar a instrução comum com o luzeiro da Espiritualidade Ecumênica. A cultura humana, por milênios de progresso intelectual, tem se firmado em termos gerais na falsa perspectiva de que as criaturas podem por inteiro realizar-se pelos bens materiais ou circunstâncias fora delas próprias. Torna-se imprescindível grande força de vontade individual e disciplina interior para romper a ignorância e perceber que a maior e mais completa de todas as riquezas, que é o Reino de Deus, “está dentro de nós” (Evangelho de Jesus, segundo Lucas, 17:21).
Conforta-nos o conhecimento de que o Universo é dotado de sábio mecanismo para nos resgatar dos pesadelos terrenos, desde que estejamos, de fato, decididos a deixá-los para trás. Antigo ditado oriental ensina que, “quando o discípulo está pronto, o mestre aparece”. E Albert Einstein (1879-1955) define: “Deus é sutil, mas não é maldoso”.
Insisto que não se trata apenas de ampliar os horizontes culturais do educando, o que é necessário, mas não é tudo. Em geral, quando se fala em cultura neste mundo, resume-se somente ao intelecto, e não é o suficiente. No Conjunto Educacional Boa Vontade em São Paulo e em suas escolas no país, encontra-se, em destaque, logo na entrada: Aqui se estuda. Formam-se Cérebro e Coração.

Luz e sabedoria espiritual
Aquele que experimenta, um pouco que seja, dos cenários divinos que habitam sua Alma não mais se conforma com as recompensas superficiais e efêmeras do egoísmo. Ao contrário, lutará incessantemente para despir-se das ilusões de seu ego, a fim de trajar-se com o cintilante tecido do Amor e da Justiça universais. Essa metamorfose espontânea do indivíduo — descoberta da verdadeira identidade espiritual — é fórmula segura e duradoura para a almejada reforma da sociedade, que não virá em sua plenitude se o Espírito do cidadão (ou cidadã) não for levado em alta conta.
O Novo Céu da consciência de cada um, gerando a Nova Terra da harmonia e do respeito entre todos, na Religião, na Política, na Ciência, no Esporte, na Arte, na Economia, na vida doméstica e na vida pública, e assim por diante, é instaurar no planeta a civilização que o Divino Estadista aguarda de nós.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

Amor, Verdade, Trabalho e Justiça

“Deus é Amor.” Tudo Nele se origina e para Ele retorna. Sua Palavra, como revela Jesus na Oração ao Pai, é a Verdade. A Doutrina da Religião do Terceiro Milênio, portanto, é toda ela firmada sobre o Amor Ecumênico, que é Deus, e sobre a Verdade, que é a Sua Palavra, expressos no Trabalho, que resulta na Realização dessa filosofia redentora no mundo. No capítulo segundo, versículos de 14 a 18 e 26, de sua famosa Epístola Universal, alerta Tiago Apóstolo:

A Fé sem obras é morta
14 Meus irmãos, qual é o proveito, se alguém disser que tem fé, mas não tiver obras? Pode, acaso, semelhante fé salvá-lo?
15 Se um irmão ou uma irmã estiverem carecidos de roupa e necessitados do alimento cotidiano,
16 e qualquer dentre vós lhes disser: Ide em paz, aquecei-vos e fartai-vos, sem, contudo, lhes dar o necessário para o corpo, qual é o proveito disso?
17 Assim, também a fé, se não tiver obras, por si só está morta.
18 Mas alguém dirá: Tu tens fé, e eu tenho obras; mostra-me essa tua fé sem as obras, e eu, com as obras, te mostrarei a minha fé. (…)
26 Porque, assim como o corpo sem Espírito é morto, assim também a fé sem obras é morta. (Os destaques são nossos.)

Sem o Trabalho coisa alguma toma forma: é imperioso que se junte ao esforço mental o das mãos; à filosofia, o cabo da enxada (…). Não basta conceber o Bem. Temos de realizá-lo sob a inspiração de Deus, que não é ódio nem fanatismo, porém Caridade. Sem a Justiça Divina, todo o esforço do Amor e da Verdade, concretizados pelo Trabalho, estaria ameaçado pela dilapidação criminosa provocada pela ignorância espiritual, a maior inimiga do progresso das criaturas de Deus. Para que tal não se dê, mesmo que os seres humanos a neguem, não percebendo a ação caridosa do seu mecanismo, existe a Lei Universal da Reencarnação, Princípio de Amor, que confere, segundo adverte Jesus, “a cada um de acordo com as suas próprias obras” (Evangelho, segundo Mateus, 16:27).
Eis a Economia Divina. É a Justiça de Deus, conduzindo a História. O Pai Celestial não se vinga. É que tudo na Vida tem consequência. Ninguém evolui espiritualmente na irresponsabilidade e na maldade, sem experimentar os duros percalços que acabam por afastar a criatura do erro.
Por isso, bradamos: quanto mais perto de Jesus, mas longe dos problemas!

* José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

Conhecimento profundo, convicção e atividade

Paiva Netto

A mensagem da Doutrina do Mandamento Novo do Cristo Planetário (Evangelho, segundo João, 13:34 e 35; 15:7, 8, 10 a 17 e 9), proclamada pela Religião de Deus, do Cristo e do Espírito Santo, deve ser divulgada, por todos os meios possíveis, aos que aguardam o Toque Divino. O “Ide e pregai” de Jesus (Evangelho, segundo Marcos, 16:15) — em Espírito e Verdade, à luz do Mandamento Novo do Cristo Ecumênico, o Estadista dos estadistas — é inteiramente tarefa dos Cristãos do Novo Mandamento de Jesus, jovens de corpo e de Espírito. À frente devem estar os que não se deixam consumir pela cultura dominante, no que ela tem de ruim, a qual ainda teima em manter-se longe da Fonte da Paz, que é o Sublime Senhor.
O Poder de Jesus de a tudo iluminar é tão infinito que Lhe permitiu construir, na qualidade de Cristo de Deus, um planeta: a Terra.
O destacado abolicionista brasileiro José do Patrocínio (1853-1905), que foi jornalista, farmacêutico, escritor e orador, asseverou: “O cristianismo é o combate permanente ao egoísmo, a lição contínua de abnegação, de fraternidade”.
Por não ser egoísta, Jesus, o Misericordioso, respondeu aos que O queriam apedrejar, inspirado em Salmos, 82:6*1: “Não está escrito em vossa lei: ‘Eu disse: sois deuses’?” (Evangelho, segundo João, 10:34).
E, prosseguindo: “E, como tal, podereis realizar mais do que Eu, porquanto permanecereis neste mundo, e Eu volto para o Pai” (Evangelho, consoante João, 14:12).
Que responsabilidade espiritual Jesus, o Cristo Ecumênico, o Governante Sublime, depositou em nossas Almas! Uma Divina Faísca da Autoridade do Seu Poder, conquistado, por Ele mesmo, no Seu infinito apostolado no Caminho Estreito (Evangelho, segundo Mateus, 7:7 a 14):

Jesus incentiva a orar
“7 Pedi, e Deus vos dará; buscai, e achareis [o Bem]; batei, e a porta vos será aberta.
“8 Porque todo aquele que pede recebe de Deus; e o que busca encontra [o Bem]; e, ao que bate, a porta lhe é aberta.
“9 E qual dentre vós é o homem que, seu filho pedindo-
-lhe pão, lhe dará uma pedra?
“10 E, pedindo-lhe peixe, lhe dará uma serpente?
“11 Ora, se vós, sendo maus, sabeis dar boas coisas aos vossos filhos, o que é que não dará o vosso Pai, que está nos Céus, aos que Lhe pedirem?
“12 Portanto, tudo o que quereis que os homens vos façam, fazei-o vós também a eles, porque esta é a Lei e os Profetas.

As duas estradas
“13 Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso, o caminho que leva à perdição, e são muitos os que entram por ela,
“14 porque estreita é a porta, e estreito, o caminho que conduz à Vida Eterna, e são poucos os que acertam com ela.”

Ora, fica evidente que, se o ser humano deseja o mal, este acabará por vir-lhe ao encontro, porque é da Lei que a cada um seja dado segundo as obras de cada um (Evangelho de Jesus, segundo Mateus, 16:27) ou, tantas vezes, por meio de ardorosos pedidos. Não significa dizer que estes sejam dirigidos a Deus.

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com
_______________
*1 Salmos, 82:6 — “Eu disse: sois deuses, sois todos filhos do Altíssimo”.

Roteiro do êxito na vida

Paiva Netto

A grande missão da Legião da Boa Vontade (LBV)*1 é, acima de tudo, educativa: esclarecer as pessoas a respeito delas mesmas, a fim de que saibam escolher o caminho certo, para o que não podem esquecer-se de que são, antes de carne, Espírito, e assim não adoeçam, psicológica e fisicamente. Esse conhecimento, que não tem nada de ilusório, lhes mostrará o roteiro do êxito completo na vida. Senão, Jesus não teria advertido no Evangelho, segundo Mateus, 6:33: “Buscai primeiramente o Reino de Deus e Sua Justiça, e todas as coisas materiais vos serão acrescentadas”.
A LBV, por seguir este ensinamento do Mestre (o Espírito primeiro, justamente por saber que o corpo apresenta também suas necessidades próprias, que lhes serão compensadas), tem se desenvolvido de forma segura. Basta ver que o saudoso Fundador da LBV, Alziro Zarur (1914-1979), começou o seu trabalho pregando o Apocalipse*2, uma obra literária de essência espiritual. As obras socioeducacionais equilibradamente vieram em seguida. Por isso, reitero, para alcançarmos sucesso duradouro, não podemos inverter a Lei do Supremo Legislador Jesus, o Grande Religioso, o Grande Estadista, o Grande Economista, um Divino Modelo para a Humanidade. Em suma, o Educador Excelente, porque, ao mesmo tempo, espiritualiza. E a ordem Dele é “primeiramente o Reino de Deus e Sua Justiça”, para que todas as coisas materiais nos sejam somadas. Mas o político, o filósofo, o economista, o médico, o religioso, o artista, o esportista que não prestam atenção a isso, estão invertendo a ordem natural da vida, ou pensam que observar essa Lei do Cristo significa abandonar as causas humanas e sociais urgentes. Estão equivocados. E a maior prejudicada é a Humanidade. Sempre!
“— Ah! mas isso não deu certo antes!”
Quem foi que disse?! Ora, se “não deu certo” é porque os homens não o realizaram adequadamente ou nem o tentaram! Tornaram tudo complexo, dizendo-o lições de Jesus, quando não eram. Querem uma prova? Ele disse: “Amai-vos”, e o que o mundo proclamou foi o “armai-vos”, a ordem antiga que sempre campeou no planeta, não só da parte dos guerreiros, mas também dos religiosos que os insuflavam. Então, não se fez, com decisão pertinaz, o que o Divino Chefe determinara. Muito de Sua Palavra e de Seu Exemplo resta ser concretizado. Realmente, coisa bastante a ser feita. Por isso, é aconselhável maior dose de modéstia do que dizer, ou escrever, peremptoriamente, que o Pensador Celeste fracassou, posto que Sua doutrina não foi nem ainda integralmente compreendida.
É bom pensar sobre o assunto.

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com
________________
*1 Missão da LBV — Promover Desenvolvimento Social e Sustentável, Educação e Cultura, Arte e Esporte, com Espiritualidade Ecumênica, para que haja Consciência Socioambiental, Alimentação, Segurança, Saúde e Trabalho para todos, no despertar do Cidadão Planetário.

*2 A LBV começou com o Apocalipse — Alziro Zarur abriu a Hora da Boa Vontade na Rádio Globo do Rio de Janeiro, às 17 horas do dia 4 de março de 1949, pregando o Livro das Profecias Finais. Esse programa deu origem à Legião da Boa Vontade, LBV, inaugurada em 1o de janeiro de 1950, Dia da Confraternização Mundial.

Jesus, o Eterno Educador

Paiva Netto

Tudo tem o seu tempo. Jesus, o Cristo Ecumênico e Divino Estadista — inspirador modelo de dedicação ao próximo com o qual inúmeros heróis do ensino se identificam —, permanece!
Ele disse: “Passará o Céu, passará a Terra, mas as minhas palavras não passarão” (Evangelho, segundo Lucas, 21:33).
Alguém pode exclamar: “Mas e minha mãe, e meu pai, e os companheiros que partiram?!…”.
E quem disse que eles se foram?! Apenas ocorre o que descreveu o talentoso escritor e poeta português Fernando Pessoa (1888-1935): “A morte é a curva da estrada. Morrer é só não ser visto”.
Ora, na verdade, os mortos não morrem!
É preciso esclarecer, então, que nessa minha assertiva procuro exaltar o sentido do que realmente é perene neste mundo: o Amor Fraterno, exemplificado pelo Divino Mestre em sacrifício por todos nós. O verdadeiro Amor nunca se extingue, ipso facto, persiste, mesmo durante as piores tormentas.
Da Antologia da Boa Vontade (1955), fui buscar esta página memorável:

Pequeno apólogo chinês
“Li-Chi-Kin, o sábio dos sábios, mandou vir todos os livros das regiões de Hou-Hou e dos países de Yuê. Meditara longamente as máximas de Tao-Te-Ching e desejava escrever o Tratado de Toda a Sabedoria. Li-Chi-Kin, o sapientíssimo, mandou encadernar um grande infólio de mil e uma páginas, em branco, para escrever a súmula de toda a Sabedoria. E leu todos os livros.
“Ao fim do seu labor paciente, que durara muitos anos e fatigara os seus olhos serenos, numa tarde de inverno, vendo correr as escuras águas do Shâ, o sábio resolveu escrever: tomou do seu pincel, embebeu-o em nanquim, acendeu a lâmpada e ficou em silêncio.
“Todos supunham que Li-Chi-Kin levaria outros muitos anos desenhando as mil páginas do Tratado de Toda a Sabedoria. Entretanto, nessa mesma tarde de inverno, deu por terminada sua obra.
“Convocou todos os sábios de Hou-Hou e de Yuê, abriu o grande livro e lhes mostrou o fruto do seu labor. O livro das mil páginas só tinha uma escrita e, nela, uma única palavra: AMOR.
“Li-Chi-Kin, o sábio dos sábios, cofiando a barbicha real, que lhe escorria do queixo pontudo, pôs os olhos além do horizonte enevoado do Shâ e, com a sua voz mansa, disse:
“— Sim, esta palavra é tudo. Resume toda a sabedoria: o Amor é a causa de tudo o que existe. Por ele chegaremos a todas as perfeições. Pelo Amor é que conseguimos ver um pouco de luz nas trevas que nos envolvem, conhecendo assim um pouco do desconhecido. O Amor rege os astros e as plantas, os seres e as coisas, o sol, o mar, o mais humilde dos vermes e o destino humano. E só pelo Amor se revela aos homens um pouco do mistério da existência: e isso é tudo o que devemos saber, porque tudo mais é inútil e vão”.
“Deus é Amor”, definiu João, Evangelista e Profeta, em sua Primeira Epístola, 4:16: “E nós conhecemos e cremos no Amor que Deus tem por nós. Deus é Amor. E aquele que permanece no Amor permanece em Deus, e Deus, nele”.
E essa é a grande lição que o Discípulo Amado, João, aprendeu com o Divino Mestre Jesus. E, “na verdade, nada existe fora desse Amor”, concluía o saudoso Fundador da LBV, Alziro Zarur (1914-1979).

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

Mais água, menos guerra

Paiva Netto

Embora já tenha trazido, há alguns anos, em meus livros, artigos e palestras, exemplos citados pela mídia acerca da tragédia da guerra pela água — lutas sangrentas que se arrastam pelo globo terrestre por séculos —, é válido reproduzir o que disse o professor de Economia Jeffrey Sachs ao jornal The Guardian, em 26 de abril de 2009, e que publiquei em minha recente obra, Jesus, a Dor e a origem de Sua Autoridade (2014).
No texto, intitulado “Stemming the water wars” (Guerras hídricas), o diretor do Instituto Terra, da Universidade de Columbia, relata: “Muitos conflitos são provocados ou inflamados por escassez de água. Conflitos — do Chade a Darfur, ao Sudão, ao deserto Ogaden, na Etiópia, à Somália e seus piratas, bem como no Iêmen, Iraque, Paquistão e Afeganistão — acontecem em um grande arco de terras áridas onde a escassez de água está provocando colapso de colheitas, morte de rebanhos, extrema pobreza e desespero”.
O conselheiro especial do secretário-geral da ONU para os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio faz grave advertência ao narrar que governos perdem legitimidade perante as populações ao não serem capazes de atender às necessidades mais básicas de sua gente. Ele conta que políticos, diplomatas e generais tratam dessas crises como se fossem problemas comuns no campo administrativo ou militar. No entanto, as medidas de arregimentação de exércitos, organização de facções políticas, de combate a líderes guerreiros locais ou enfrentamento a extremismos religiosos não atingem o resultado de suprir as comunidades com água, alimento e meios de subsistência — que são demandas urgentes —, pois o desafio estrutural não é resolvido. O economista norte-americano ainda avisa: “(…) Os problemas da água não evaporarão por si mesmos. Pelo contrário, se agravarão, a menos que nós, como comunidade mundial, implementemos uma reação. Uma série de estudos recentes mostra quão frágil é o equilíbrio hídrico para muitas regiões pobres e instáveis do mundo”.
Eis o sério alerta do professor Sachs. É mais que inadiável o empenho conjunto em torno da resolução de problemas como esse, conforme observamos ocorrer no Estado de São Paulo, Brasil, em 2014. A água é um bem básico, sem o qual não pode existir vida. A sua justa distribuição precisa estar acima de interesses políticos, religiosos, econômicos e militares. Só uma mobilização internacional pode pôr fim ao drama vivido pelos nossos Irmãos em humanidade e, daqui a pouco, por nós próprios, em grande extensão.
Convém contritamente pedirmos a intuição de Deus, do Cristo e do Espírito Santo na tomada de decisões a fim de que, com maior eficácia, encaminhemos providências corretas, de modo que alcancemos bom desfecho para tão grave problema, que assola multidões. Com muito acerto, o saudoso fundador da Legião da Boa Vontade, Alziro Zarur (1914-1979), ensinou que “o segredo do governo dos povos é unir a Humanidade da Terra à Humanidade do Céu [Espiritual Elevado]”. Isto é, precisamos ouvir os componentes do Mundo (ainda) Invisível, por meio da prece, da invocação direta, da meditação ou da intuição, para ganharmos força e serenidade.

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

Mulheres Cidadãs

Paiva Netto

O futuro do mundo depende essencialmente da atenção e da magnanimidade de suas mulheres. Temos extraordinários exemplos delas em todos os países, desde as mais destacadas às mais simples, a começar pela mais singela das mães. Aqui exalto, por oportuno, a grandeza da doceira de Goiás, no vasto interior do Brasil, e exímia poetisa Cora Coralina (1889-1985). Tendo apenas instrução primária, ela publicou seu primeiro livro aos 75 anos de idade. A escritora tem seu rosto retratado no painel A Evolução da Humanidade, no Salão Nobre do Templo da Boa Vontade, situado em Brasília/DF, Brasil. Disse a saudosa Cora: “Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina”.
É o talento do povo bem instruído e espiritualizado que transforma miséria em riqueza! A fortuna de um país situa-se, antes de tudo, no coração solidário e na consciência esclarecida de sua gente. É neles que se encontra a capacidade criadora. É assim em todas as nações.
Há muito levantara-se Benjamin Franklin (1706-1790) para dizer: “A verdadeira sabedoria consiste em promover o bem-estar da Humanidade”.

Há muito que aprender com o próximo
Conforme afirmei, em 1981, ao jornalista italiano radicado no Brasil Paulo Rappoccio Parisi (1921-2016) e reproduzi em Globalização do Amor Fraterno, nunca como agora se fez tão indispensável unir os esforços na luta contra a fome e pela conservação da vida no planeta. É imperioso aproveitar o empenho de todos, ecologistas e seus detratores, assim como trabalhadores, empresários, o pessoal da mídia (escrita, falada e televisionada, e, agora, eu incluo a internet), sindicalistas, políticos, militares, advogados, cientistas, religiosos, céticos, ateus, filósofos, sociólogos, antropólogos, artistas, esportistas, professores, médicos, estudantes ou não (bem que gostaríamos que todos se encontrassem nos bancos escolares), donas de casa, chefes de família, barbeiros, manicures, taxistas, varredores de rua e demais segmentos da sociedade.
A primeira mulher a ir ao espaço (1963), a cosmonauta russa Valentina Tereshkova, resumiu numa frase que muito tem a ver com a gravidade do que estamos enfrentando ante o problema do aquecimento global: “Uma vez que você já esteve no espaço, poderá apreciar quão pequena e frágil a Terra é”.
O assunto tornou-se dramático, e suas perspectivas, trágicas. Pelos mesmos motivos, urge o fortalecimento de um ecumenismo que supere barreiras, aplaque ódios, promova a troca de experiências que instigue a criatividade global, corroborando o valor da cooperação sócio-humanitária das parcerias, como, por exemplo, nas cooperativas populares em que as mulheres têm forte desempenho, destacado o fato de que são frontalmente contra o desperdício. Há muito que aprender uns com os outros. O roteiro diverso comprovadamente é o da violência, da brutalidade, das guerras, que invadiram lares por todo o orbe. Alziro Zarur (1914-1979), saudoso fundador da Legião da Boa Vontade, enfatizava que as batalhas pelo Bem exigem denodo. Simone de Beauvoir (1908-1986), escritora, filósofa e feminista francesa, acertou ao destacar: “Todo êxito envolve um sacrifício”.
Resumindo: cada vez que suplantarmos arrogância e preconceito, existirá sempre o que absorver de justo e bom dos componentes desta ampla “Arca de Noé”, que é o mundo globalizado de hoje. Daí preconizarmos a união de todos pelo bem de todos, porquanto compartilhamos uma única morada, a Terra. Os abusos de seus habitantes vêm exigindo providência imperativa: ou integra ou desintegra (…), razão por que devemos trabalhar estrategicamente em parcerias que promovam prosperidade efetiva para as massas populares.

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

Erigir um Império de Boa Vontade

A Caridade, na sua expressão mais profunda, deveria ser um dos principais estatutos da Política, porque não se restringe ao simples e louvável ato de dar um pão. É o sentimento que — iluminando a Alma do governante, do parlamentar e do magistrado — conduzirá o povo ao regime em que a Solidariedade é a base da Economia, entendida no seu mais amplo significado. Isso exige uma reestruturação da Cultura, por intermédio da Espiritualidade Ecumênica e da Pedagogia do Afeto, no meio popular e como disciplina acadêmica. Contudo, no campo intelectual, que o seja sem qualquer tipo de preconceito que reduza, em determinadas ocasiões, a perspectiva de grandes pensadores analíticos, pelo fato de alguns deles se submeterem a certos dogmatismos ideológicos e científicos, o que é inconcebível partindo de mentes, no supino, lucubradoras. Até porque a Ciência é pródiga em conquistas para o bem comum. Mas também, no seio dela, houve os que muito sofreram incompreensão, por causa do convencionalismo castrador, mesmo de certos pares que apressadamente os prejulgavam. Vítimas deles foram Sócrates, Bias, Baruch Spinoza, Dante Alighieri, Galileu Galilei, Semmelweis, William Harvey, Samuel Hahnemann, Maria Montessori, Luiza Mahin, Dr. Barry J. Marshall, Dr. J. Robin Warren e outros nomes célebres, universalmente acatados.

Em suma, a Caridade, sinônimo de Amor, é uma Ciência especial, a vanguarda de um mundo em que o ser humano será tratado como merece: de forma humana, portanto, civilizada. Estaríamos, assim, erigindo um Império de Boa Vontade neste planeta, o estado excelente para o Capital de Deus, que circula por todos os cantos e não mais pode aceitar especulação criminosa de si mesmo. (…)

Esta ponderação da educadora e escritora brasileira Cinira Riedel de Figueiredo (1893-1987) vem ao encontro do que anteriormente abordamos: “De cada homem e cada mulher depende o aprimoramento de tudo quanto nasce, cresce, vive e se transforma sobre a Terra, porque, de fato, nada morre. Existe uma contínua transmutação, e devemos ser os guias para que essa transformação se faça uma ascensão constante, tornando-se cada vez mais bela e mais perfeita para representar melhor a vida que a anima”.

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

Amar é uma Oração

A Prece não é o refúgio dos covardes nem dos ociosos. Ela nos eleva, o trabalho nos realiza. O Papa reza, o Dalai-Lama medita, Chico Xavier (1910-2002) orava, os rabinos entoam suas súplicas, os evangélicos cantam seus louvores a Deus, os islâmicos recitam o Corão Sagrado… O que é a Prece senão o Amor que se dispõe para grandes feitos? Um irmão ateu, quando medita e pratica um ato que beneficia a coletividade, está orando. Em Crônicas e Entrevistas*, escrevi que orar e meditar se assemelham. Rezar não é uma ação simplesmente figurativa. É o mais forte instrumental que a essência humana, o Capital Divino, possui. O monge alemão Tomás de Kempis (aprox. 1380-1471) grafou, em Imitação de Cristo: “Sublime é a arte de conversar com Deus”.

Para evitar o vômito das nações

Nestes tempos de mundialização, em que muitas fronteiras caem preferentemente sobre as cabeças das populações mais pobres, o povo procura um rumo seguro para a existência, regida por forças discrepantes. Nem sempre é o melhor de todos o destino que lhe oferecem. E a História se repete no somatório de enganos que podem desembocar num movimento incontrolável de massas. As nações também vomitam.
Buscam, então, alento para suas dores na violência ou no Invisível. No entanto, como diversos se acostumaram a uma visão restritiva do Poder Espiritual, muita vez erguem sua prece a um deus antropomórfico, que não lhes responde, pois nem existe. E aí se frustram.
Creio que até Karl Marx (1818-1883) proferiria a oração, como poderosa ferramenta psíquica para o fortalecimento da mente e fator de estabilidade ante os dramas pessoais e familiares, que todos enfrentamos. Apesar da convicção de alguns, o criador do marxismo também era ser humano, a seu modo preocupado com os problemas sociais. Certamente, o polêmico autor de O Capital meditava acerca de seus ideais. Sabendo ou não, de certa forma orava.

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com
Serviço:
* Crônicas e Entrevistas — Para adquirir, ligue para o Clube Cultura de Paz (0300 10 07 940) ou acesse www.clubeculturadepaz.com.br.

Transformar dor em vitória

Não duvidemos de nossa capacidade, como seres espirituais e humanos, de alcançar o hoje considerado insuperável. Temos muito mais aptidão para sobrepujar problemas, por maiores que os julguemos, segundo avalia o médico, psicólogo, filósofo e escritor norte-americano William James (1842-1910): “A maioria das pessoas vive física, intelectual ou moralmente num círculo muito restrito do seu potencial. Faz uso de uma parte muito pequena da sua possível consciência e dos recursos da sua alma em geral, assim como um homem… que se habitua a usar e a mover somente o seu dedo mínimo. Grandes emergências e crises nos mostram como os nossos recursos vitais são muito maiores do que supúnhamos”.
Se as dificuldades são maiores, superiores serão os nossos talentos para suplantá-las. Se desse modo não fosse, onde estaríamos hoje caso os que nos antecederam, pelos séculos, se acovardassem? A pior tragédia é desistir por causa das adversidades do mundo. É falhar, portanto, com aqueles que confiam em nós. Os que vieram antes — com o combustível da Fé — sublimaram dor em vitória.

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

Uma história de Amor

Paiva Netto

Vou contar-lhes esta história, porque quem disser que não quer ser amado está doente ou mentindo. Ela começa na Bahia, cruza o sul do país e tem belo desfecho no Rio de Janeiro.
Em 27/1, meus pais, Bruno (1911-2000) e Idalina Cecília (1913-1994), se estivessem entre nós, completariam mais um ano de feliz casamento.
Peço licença a vocês para narrar o autêntico conto de amor que ambos viveram, modelo de perseverança e superação para os que se gostam.
Conheceram-se em Camaçari. Hoje, um dos mais importantes polos petrolíferos do Brasil. Ele tinha 9 anos de idade. Ela estava com 7. Quando cresceram, a família foi contra o namoro por serem primos. Não que fossem pessoas ruins, temiam o grau de parentesco. Então, colocaram meu pai num seminário e mandaram minha mãe, ainda jovem, para o Rio de Janeiro. Passam-se muitos anos, quando meu velho, já sem batina, também vai para a Cidade Maravilhosa. Entretanto, não a encontra nessa primeira tentativa. Desiludido, viaja por várias regiões do país, incluído o sul. Longe de seu verdadeiro amor, volta ao Rio decidido a localizá-la.
Certo dia, na capital carioca, o querido e consagrado compositor e cantor Dorival Caymmi (1914-2008), conhecido deles desde a infância, topa com seu Bruno e lhe diz, com seu sotaque bem baiano: “Ô Ioiô, você sabe quem encontrei? Idalina!! Ela veio, com uma prima, aqui na rádio. Está morando na rua Gregório Neves, no Engenho Novo”. Meu pai não titubeou e dirigiu-se ao endereço indicado por Caymmi. Chegando lá, foi recebido pela minha tia-avó, Amália. Ao vê-lo, ela se vira para dentro de casa e chama em alta voz: “Idalina, o seu primo da Bahia está aqui! Ele veio casar com você!”. E um dado curioso é que, um mês antes desse reencontro, minha mãe terminara seu noivado forçado com um médico. Naquele tempo, o poder patriarcal era uma parada!
Idalina e Bruno uniram-se em 1940, vinte anos depois que se viram pela primeira vez. Adivinhem quem foi o padrinho de casamento? O saudoso Dorival Caymmi, privilegiado marido de Dona Stella Maris (1922-2008) e ditoso pai de Nana, Dori e Danilo, e que sempre encantou as plateias.
Observando o grande exemplo de meus amados pais, relembro, com Lícia (1942-2010), minha irmã, algumas palavras que publiquei em Reflexões e Pensamentos — Dialética da Boa Vontade, lançado em 1987: Assim como o sangue, circulando pelo corpo, oxigeniza e alimenta as células humanas, o Amor, percorrendo os mais recônditos pontos de nossa Alma, fertiliza-a e a torna plena de vida. (…) Ao término de tudo, ele — que se expressa das mais surpreendentes formas no sublime labor de conduzir os homens à sobrevivência — vencerá! Prosseguimos acreditando na vitória final do Espírito Eterno do ser humano, “a Obra Máxima do Criador”, na definição de Alziro Zarur (1914-1979).
E parabéns ao nosso estimado Caymmi que, se estivesse na carne comemoraria mais um aniversário, em 30 de abril (ele nasceu em 1914). Caymmi e dona Stella Maris continuam vivos, pois os mortos não morrem.

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

Efeito social da prece

Em entrevista à jornalista portuguesa Ana Serra, comentei que — a acepção de Fraternidade e Espiritualidade Ecumênica coloca-nos em sadio contato íntimo com nós mesmos e com o Criador do Universo e Suas criaturas, que constituem o mais perfeito altar onde devemos adorá-Lo, conforme destaquei, em 5 de novembro de 1983, no discurso de lançamento da pedra fundamental da sede da Legião da Boa Vontade, em São Paulo/SP, Brasil, durante o 8o Congresso dos Noivos e Casais Legionários. Na obra Ao Coração de Deus — Coletânea Ecumênica de Orações (1990), afirmei: Quando se ora, a Alma respira, fertilizando a existência humana. Fazer prece é essencial para desanuviar o horizonte do coração. E isso se encontra ao alcance de todos, porquanto possuímos a inata capacidade de meditar para escolher o caminho adequado e resolver transtornos que se iniciam no Espírito e, depois, se manifestam no corpo humano, muita vez em forma de doença, e no campo social.
Escrevi em Reflexões da Alma (2003) que quem, religioso ou ateu, souber usufruir do silêncio de Alma fará brotar, de dentro de si, todas as riquezas que o mundo não lhe pode oferecer, a começar pela paz de espírito, que Deus nos prometeu e que ninguém, além Dele, nos pode integralmente proporcionar, porque nem na sua totalidade ainda a conhecemos: “Minha Paz vos deixo, minha Paz vos dou. Eu não vos dou a paz do mundo. Eu vos dou a Paz de Deus, que o mundo não vos pode dar. Não se turbe o vosso coração nem se arreceie, porque Eu estarei convosco, todos os dias, até o fim dos tempos” (Evangelho de Jesus, segundo João, 14:27; e Mateus, 28:20). Não há um pensador sério, guardadas as exceções de praxe, que não necessite entrar, mesmo que vez por outra, no ambiente inspirador da reflexão, dando-lhe este ou aquele nome. E isso não favorece apenas a quietude psíquica, mas igualmente a serenidade somática.

Ideia cuja hora chegou
Em Somos todos Profetas (1999), digo: Estamos corpo, mas somos Espírito. A nação que compreender e administrar essa Verdade empolgará e governará o mundo no transcorrer do terceiro milênio. E, se alguém julgar tal raciocínio um delírio, apresento-lhe este aforismo do genial Victor Hugo (1802-1885): “Aqueles que hoje afirmam que uma coisa é impossível de ser concretizada tacitamente se colocam do lado dos que vão perder”.
Bem a propósito, o filósofo e sociólogo italiano Pietro Ubaldi (1886-1972), correspondente de Einstein (1879-1955) e grande admirador da Legião da Boa Vontade — que definiu como “um movimento novo na História da Humanidade. Colocará o Brasil na vanguarda do mundo” —, numa de suas conferências, lembrou-se deste outro apontamento do gigante de Besançon: “Há uma coisa mais poderosa que todos os exércitos: é uma ideia cujo tempo tenha chegado”.
Hoje, até a ciência já considera que a Espiritualidade Ecumênica pode reduzir o risco de doenças tidas como graves ou incuráveis. Em entrevista à Super Rede Boa Vontade de Comunicação (TV, rádio e internet), em 2009, acerca do tema, declarou o pesquisador, professor e psicobiólogo Ricardo Monezi, do Instituto de Medicina Comportamental da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp): “Atualmente já temos diversos relatos na Ciência de que uma pessoa que exercita o bom pensar, a felicidade, todos os bons sentimentos, tem um potencial de defesa do corpo muito maior do que uma pessoa pessimista. (…) Uma pessoa otimista, quando vai ser vacinada, desenvolve anticorpos com uma rapidez muito maior do que a pessimista. E tem muito mais chances de atravessar um processo de adoecimento crônico em relação a uma pessoa pessimista”.
Eis aí: Espírito saudável é medicina preventiva para o corpo.

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

Câncer de Mama

O Dia Mundial Contra o Câncer e o Dia Nacional da Mamografia (respectivamente em 4 e 5 de fevereiro) chamam-nos a atenção sobre um mal que acomete cada vez mais pessoas.
A Agência Brasil, informa que “o câncer de mama é o segundo tipo mais frequente da doença no mundo (atrás do câncer de pulmão)”. Deverá ter quase 60 mil novos casos no país a cada ano, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca).
Conforme ressalta o Inca, “o exame clínico da mama deve ser feito uma vez por ano pelas mulheres entre 40 e 49 anos. E a mamografia deve ser realizada a cada dois anos por mulheres entre 50 e 69 anos, ou segundo recomendação médica”. E mais: “Embora a hereditariedade seja responsável por apenas 10% do total de casos, mulheres com história familiar de câncer de mama, especialmente se uma ou mais parentes de primeiro grau (mãe ou irmãs) foram acometidas antes dos 50 anos, apresentam maior risco de desenvolver a doença. Esse grupo deve ser acompanhado por médico a partir dos 35 anos (…)”.
Quando detectado nos estágios iniciais, as chances de cura são de aproximadamente 95%. Contudo, aponta Ricardo Caponero, presidente do Conselho Técnico-Científico da Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (Femama), “ainda falta conscientização das mulheres para a importância da realização periódica da mamografia. (…) Apenas 30% das mulheres fazem o exame”. Desde 2009, o exame tem cobertura gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS), direito assegurado pela Lei no 11.664/2008. Em prol de sua saúde, as mulheres não podem abrir mão desse benefício.

Prevenção
Para melhor conhecimento de todos sobre o assunto, vale consultar o site do Inca (www.inca.gov.br). Vejam, por exemplo, algumas dicas de prevenção: “Evitar a obesidade, através de dieta equilibrada e prática regular de exercícios físicos, é uma recomendação básica para prevenir o câncer de mama, já que o excesso de peso aumenta o risco de desenvolver a doença. A ingestão de álcool, mesmo em quantidade moderada, é contraindicada, pois é fator de risco para esse tipo de tumor, assim como a exposição a radiações ionizantes [raios X, por exemplo] em idade inferior aos 35 anos”.
Não prescindamos igualmente de recorrer ao Amparo Celeste, que tem em Jesus, o Divino Médico, o abundante manancial da saúde almejada por todos.

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

Fórum dos Soldadinhos de Deus

Soldadinhos de Deus. Era assim que o saudoso jornalista e radialista Alziro Zarur (1914-1979) chamava, carinhosamente, as crianças, numa nítida referência ao valor dado a elas na Legião da Boa Vontade.
Por sinal, há muito venho afirmando que essa história de alguns acreditarem que os pequeninos não entendem das coisas é uma grande bobagem. Prestam atenção a tudo. Mormente, agora, nestes tempos modernos de mídia desenfreada. Sempre estão ouvindo e participando, desde o primeiro vagido.
Diante desse fato, criamos, na LBV, o Fórum Internacional dos Soldadinhos de Deus no Terceiro Milênio. Nesses encontros, eles podem cada vez mais e da melhor forma desenvolver com alegria o alto sentido da liberdade de pensar. Exercitam a arte de expressar-se com equilíbrio, de maneira clara e prática, jamais esquecendo de discorrer sobre como realizar as propostas selecionadas. E, acima de tudo, cultivam o respeito ao ponto de vista dos outros colegas.
Uma das características importantes desse Fórum é a de ser apresentado pelos próprios Soldadinhos de Deus. As atividades, produzidas por eles mesmos, abrangem diversos eixos temáticos, dentre os quais: comunicação, educação, esporte, cultura, lazer, alimentação, saúde, cidadania e trabalho, todos fundamentados na Espiritualidade Ecumênica. São realizados, entre outros, painéis, oficinas, teatros, exposições, gincanas e dinâmicas de grupo. Essas ações, além de mostrarem aos pais e aos mais velhos a visão das crianças sobre o mundo de hoje, buscam despertar nelas os valores espirituais, éticos, morais e universais, a exemplo da vontade de praticar o Bem. O foco é a vivência da Pedagogia do Afeto e da Pedagogia do Cidadão Ecumênico, ambas compõem a linha educacional que implantei nas escolas e nos Centros Comunitários da LBV, a qual visa à formação integral do indivíduo, isto é, Espírito, mente e corpo.

Ser como as crianças
Jesus, o Cristo Ecumênico, o Sublime Estadista, adverte: “Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, de modo algum entrareis no Reino dos Céus” (Evangelho, segundo Mateus, 18:3).
Naturalmente, o Divino Mestre referia-se à simplicidade de Alma indispensável para o entendimento dos assuntos do Espírito. A soberba é o principal inimigo dos próprios soberbos, como também o é a hipocrisia em relação aos hipócritas, pois os impedem de encontrar dentro de si os maiores tesouros espirituais. Eis ilustrativa passagem evangélica dos relatos de Lucas, 10:21: “Naquela mesma hora se alegrou Jesus em Espírito, e exclamou: Graças Te dou, ó Pai, Senhor do Céu e da Terra, que escondeste estas coisas aos sábios e inteligentes do mundo, e as revelaste aos pequeninos. Assim é, ó Pai, porque assim Te aprouve!”.

Versos de esperança
No seu livro Poemas da Era Atômica, em “A criança ensina o homem”, Zarur pincelou com vivas cores a benéfica contribuição dos guris na esperança de dias melhores em sociedade:

“Crianças estão cantando
“Em frente à minha janela!
“Neste mundo miserando,
“Pode haver coisa mais bela?

“A alegria que redime
“Vai por toda a vizinhança…
“Não há nada mais sublime
“Que o cantar de uma criança!

“Quando vier a tempestade,
“Ameaçando o seu lar,
“Haja só Boa Vontade:
“Uma criança a cantar!”.

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

Combate ao trabalho escravo

Em 28/1, celebra-se o Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo. A data foi escolhida em homenagem aos Auditores Fiscais do Trabalho Erastóstenes de Almeida Gonçalves, João Batista Soares Lage e Nelson José da Silva e ao motorista Ailton Pereira de Oliveira, assassinados em 28 de janeiro de 2004, durante vistoria a fazendas em Unaí/MG. No Portal www.brasil.gov.br tomamos conhecimento de que “um total de 1.010 pessoas foram retiradas de condições análogas à escravidão em 2015. (…) Em 20 anos de atuação do Grupo Móvel, localizamos quase 50 mil vítimas nessa situação”. De acordo com a matéria, em 2015, “o Estado de Minas Gerais liderou o número de trabalhadores resgatados, com 432 vítimas (43%). Em seguida estão o Maranhão com 107 resgates (11%), Rio de Janeiro com 87 (9%), Ceará com 70 resgates (7%) e São Paulo com 66 vítimas (6%)”.
É de se louvar o esforço de governo e sociedade civil na luta por virar uma página triste de nossa história. Mas toda a atenção é pouca, aconselha bem antigo ditado.

A LBV nasceu para amar e ser amada!
No último dia 1o de janeiro, nossa amada Legião da Boa Vontade (LBV) completou mais um aniversário de sua profícua existência, desde que foi criada, em 1950, pela genialidade do brasileiro Alziro Zarur (1914-1979). Muito oportunamente, recordo-me que recebi do dr. Cícero Antônio de Araújo, de Brasília, um fraterno e-mail no qual aborda o texto que escrevi dedicado ao sexagésimo aniversário da LBV, há alguns anos: “Li com emoção o brilhante artigo alusivo aos 60 anos da LBV. Ao final, alentado meu espírito de verdades cristãs, concluí: benfazejos os ventos que espargiram a LBV pelo Brasil; alvissareiros os ventos que a tangerão no Ecumenismo Cristão pelo mundo afora, conduzida com segurança pelas mãos de Espíritos evoluídos na luz. Meus cumprimentos fraternais”.
Dr. Cícero, são pessoas como o nobre amigo que fazem da LBV esse campo neutro em que todos podem confraternizar.

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

À procura de equilíbrio

Paiva Netto

Agora, mais do que nunca, torna-se imprescindível a vivência do Amor Solidário Divino, porque ele é o único capaz de afastar da Terra as trevas do crime, da miséria e da dor quando compreendido e desempenhado — em todo o seu poder compassivo, justo e, portanto, eficaz —, não somente pela Religião, mas também pela Política, pela Ciência, pela Economia, pela Arte, pelo Esporte, pelos relacionamentos internacionais, pelo trabalhador mais simples e pelo mais projetado homem público.
Na verdade, o ser humano, sabendo ou não, procura instintivamente o equilíbrio, que só pode advir do exercício da Fraternidade, a grande esquecida — como lamentava Dom João Bosco (1815-1888) — da trilogia da Revolução Francesa (Liberté, Égalité, Fraternité), tanto que sua posição é a final do lema reformista, quando deveria ocupar a vanguarda deste. Por isso deu no que deu, com tanta gente guilhotinada. (…)
Não foi sem motivo que o notável escritor Victor Hugo (1802-1885) declarou: “Sem Fraternidade não pode haver Paz”.

Só se constrói a Paz com tolerância
O inspirado vate francês está corretíssimo. Portanto, não abdiquemos
das medidas práticas para a edificação dessa nova e fraterna sociedade, pois, como revela o Espírito dr. Bezerra de Menezes (1831-1900), pela psicografia de Chico Periotto: “A Paz, a tão desejada Paz, é o sonho de todos, do Mundo Espiritual e da Terra. Apenas se constrói a Paz com tolerância. É impossível acreditarmos que o caminho da guerra, do ódio e da violência possa gerar Paz verdadeira. Mas o mundo trilha caminhos inesperados. Logo, é realmente importante exercitarmos o caminho do Ecumenismo e da confraternização entre os países”.

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

Verão, diversão e segurança

Paiva Netto

Sol, praia, campo e natureza, férias em família. No Hemisfério Sul, o verão é uma das estações mais aguardadas do ano, tempo para se divertir e recarregar as energias, amenizar o estresse da vida moderna, a fim de poder enfrentar e vencer os desafios de mais uma etapa que se inicia.
Contudo, nem sempre o enredo dessa história tem final feliz. Essa época registra, igualmente, altos índices de afogamentos, mortes nas estradas, violência, tendo como pano de fundo o álcool, as drogas e um dos piores dramas que uma família pode vivenciar: o desaparecimento de um ente querido, em especial, de crianças.
Em entrevista ao programa Vida Plena, da Boa Vontade TV (Oi TV — Canal 212 — e Net Brasil/Claro TV — Canal 196), o senhor Rui Silva, representante do projeto “Anjos do Verão”, de São Paulo/SP, trouxe importantes orientações sobre os cuidados com a segurança de nossas crianças e de nossos jovens nesse período em que as famílias saem para passear.
Segundo dados da Secretaria dos Direitos Humanos da Presidência da República, aproximadamente 10 mil ocorrências de desaparecimento de crianças e adolescentes são registradas anualmente em delegacias de todo o país.
Infelizmente, essa situação é mais corriqueira do que se imagina, “principalmente em locais de grande aglomeração. As pessoas vão para uma praia achando que estão num shopping center ou supermercado, que possuem a mesma porta de entrada e saída. Na praia isso não acontece, pois há variantes como multidão, barracas, pessoas, vendedores, a própria maré; isso tudo faz com que os movimentos das pessoas sejam extremamente aleatórios”, afirma Rui Silva.
Para os que não vivenciaram a dor do desaparecimento de um filho, neto, primo ou mesmo um amigo, sempre fica a desconfiança de que tenha havido distração por parte dos familiares. Para Rui, que já teve um filho que se perdeu na praia e hoje ajuda o pai voluntariamente, “não se trata de descaso e desleixo, como a maioria das pessoas pensa. Várias situações acontecem de, muitas vezes, alguns metros no meio da multidão se transformarem em 12 quilômetros de distância”.

Dicas de segurança
Durante o programa, o representante do projeto “Anjos do Verão” deu algumas dicas de segurança para as férias: “Para qualquer lugar do Brasil que você se dirija, oriento que ligue ou mande um e-mail avisando aos familiares que chegou ao seu destino. Se for curtir a praia, chegue com calma, sem correrias, se apercebendo de tudo à sua volta. Saiba onde estacionou o carro, anote o endereço da rua. Procure saber, anotar o nome do quiosque, barzinho, carrinhos de lanches maiores que são fixos. Isso é importante para o pai, para a mãe, inclusive para os próprios adultos não se perderem”.
Além de todas essas precauções, Rui Silva ressalta: “Em primeiro lugar é preciso confiar em Deus que o seu ente querido será reencontrado, que é um desaparecimento momentâneo, pode demorar alguns minutos ou algumas horas. Segundo, comunicar ao maior número de pessoas possível: polícia, bombeiros, comerciantes da praia, do shopping center, parques e eventos. Procure organizações ou um lugar que tenha um som para que a divulgação seja benfeita”.

Utilidade Pública
Para informar, denunciar e colaborar na busca de crianças desaparecidas, você pode acessar alguns dos sites dos órgãos governamentais de seu Estado. O site do Ministério da Justiça é http://portal.mj.gov.br/Desaparecidos/. Em São Paulo você pode clicar www.policia-civ.sp.gov.br. Já no Rio de Janeiro, o endereço eletrônico é www.fia.rj.gov.br. Minas Gerais disponibiliza a página www.desaparecidos.mg.gov.br. No Estado do Rio Grande do Sul, você pode acessar www.desaparecidos.rs.gov.br/. Em Goiânia, www.goiania.go.gov.br/html/sosdesaparecidas/sos.htm
O número nacional para informações sobre crianças desaparecidas é o Disque 100.

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

Morte é utopia

Na história do Antigo Egito, com suas surpreendentes, para os estudiosos de hoje, construções piramidais, observamos muitos indícios da crença na Vida Eterna.
Em Brasília/DF, Brasil, o Templo da Boa Vontade (TBV), a Pirâmide das Almas Benditas, dos Espíritos Luminosos, é um avanço nessa direção. Um dos maiores diferenciais está em sua universalidade. Há milhares de anos, as pirâmides, digamos assim, com seu simbolismo de existência perene, eram privilégio destinado a poucos. Já a mensagem do TBV, com o Ecumenismo Total, abriga a Humanidade da Terra e do Céu da Terra. O culto à morte, característica do passado distante, deu lugar à dinâmica da vida em plenitude.
No Templo da Paz, a vitalidade humana e espiritual é alimentada pelo poder misericordioso do “Grande Arquiteto do Universo”, no dizer dos irmãos maçônicos. Numa de suas paredes, coloquei esta diretriz, inspirada em Jesus (Evangelho, segundo João, 4:23 e 24): “Neste Templo até as pedras clamarão que Deus é Espírito e como tal deve ser adorado: em Espírito e Verdade”.
O Ecumenismo dos Corações, no TBV, iluminado pelo entendimento da vida imortal, não é utopia, mas prática diária. As criaturas são realmente respeitadas. Ele jamais exclui, contudo agrega a sabedoria originada nas mais diversas linhas de pensamento.
Quem compartilhava dessa iniciativa de união era o nosso saudoso amigo dr. Nestor João Masotti, ex-presidente da Federação Espírita Brasileira (FEB). Ele retornou ao Mundo Espiritual no dia 3 de setembro de 2014. Aliás, como igualmente acreditava, voltou para casa, o plano de existência de onde todos viemos. Na ocasião em que era secretário-geral do Conselho Espírita Internacional, destacou: “Um dos pontos que precisamos procurar é o entendimento entre todas as religiões. Naturalmente, não podemos pretender que todos pensem de forma absolutamente igual, mas podemos perfeitamente buscar uma forma para que possamos conviver fraternalmente. E, nesse caso, o trabalho da LBV passa a ser muito significativo, porque está ajudando os homens a se encontrarem para convivermos fraternalmente, mesmo com pontos de vista doutrinários, espiritualistas e religiosos diferentes”.

A morte não existe
Como também pensava o dr. Masotti, esmeremos no desenvolvimento desta consciência: “A morte não existe!”. É o grande brado do Templo da Boa Vontade, conforme escrevi, no fim da década de 1980, na página “Quanto à Abrangência do TBV”. Trata-se de esclarecimento indispensável na prevenção do suicídio, que, segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), leva ao óbito uma pessoa a cada 40 segundos no planeta. É um problema global de saúde pública que deve ser enfrentado pela sociedade. Alziro Zarur (1914-1979), cujo centenário se deu em 25 de dezembro de 2014, alertava que “o suicídio não resolve as angústias de ninguém”. Joguemos fora qualquer tabu e trabalhemos corretamente para impedi-lo. Que não falte, a partir das crianças, a devida instrução espiritual, moral, material, e o socorro urgente àqueles que já tenham manifestado tendências suicidas. O Amor Fraterno é capaz de impedir numerosas tragédias!
Assim como a Vida, a Esperança não morre nunca! Lutar por elas e perseverar no Bem são escolhas acertadas.

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

A Hora de Começar

Paiva Netto

Em 6 de janeiro de 1948, “Dia de Reis Magos”, data de alto significado místico-religioso, foi lançada a semente da Legião da Boa Vontade — oficialmente fundada em 1o de janeiro de 1950. O jornalista e radialista Alziro Zarur (1914-1979), na época, um dos maiores nomes da radiodifusão brasileira, ao participar de uma reunião mediúnica na Federação Espírita Brasileira (FEB), na cidade do Rio de Janeiro/RJ, a convite de amigos, recebeu, por intermédio da respeitável sensitiva, dona Emília Ribeiro de Mello, um recado que mudaria o destino dele e, a partir dali, o de milhões de pessoas necessitadas de amparo espiritual e humano: “Meu Irmão, São Francisco de Assis esteve todo o tempo aí ao seu lado e manda dizer-lhe que é hora de começar”.

“I Fioretti”
Zarur relata que, naquele tempo, morava com a mãe, Dona Ássima, no Engenho de Dentro, de que guardava grandes recordações. Ele ia de bonde — Piedade, 77 — estilo Bataclan. Então, naquela noite, eram quase 23 horas, depois da sessão, foi refletindo assim: “Meu Deus do Céu! Tenho três mil livros, e falta um de São Francisco de Assis! Como é que pode?! (…) Pois bem, quando cheguei à minha casa, todos já estavam dormindo. Fui à minha biblioteca e comecei a olhar livro por livro. De repente, vejo um volume branco. Disse então: Que livro é este? Quando o puxei, estava escrito I Fioretti, de Francisco de Assis. Mas quando o abri, foi o meu maior espanto, pois lá estava escrito com a minha letra: ‘Alziro Zarur, 1933’. Vejam que coisa espantosa! Eu tinha comprado aquele livro, e ele ficou, durante 15 anos, à espera de que eu fosse [espiritualmente] chamado. Vejam que coisa miraculosa! Como tudo já vem escrito! (…) Às 6 da manhã, terminei a leitura. Foram seis horas de atenção absorvente. Mas quando acabei de ler a obra do nosso Patrono, já me lembrava nitidamente do tratado Lá em Cima. A combinação era a LBV, era a Religião do Novo Mandamento como denominador comum das Religiões Irmanadas. Por isso, comecei a minha pregação exatamente com esta tese: não pode haver Paz para o mundo se as religiões não tiverem Boa Vontade entre si próprias”.

Testemunho de Chico Anysio
Uma personalidade brasileira, entre outras, testemunhou a transformação ocorrida com Zarur. O consagrado ator, humorista, escritor e pintor brasileiro Chico Anysio (1931-2012). Em uma entrevista à Super Rede Boa Vontade de Comunicação, revelou: “Faço parte também do seletíssimo grupo de pessoas para quem Alziro Zarur, pela primeira vez, falou na Legião da Boa Vontade. Eu era radioator da Mayrink Veiga; já tinha saído da Guanabara. O nosso diretor no radioteatro era Zarur. Naquele dia, tínhamos ensaio de um capítulo de novela, devia ser umas seis e meia [da tarde] quando ele chegou dizendo que havia recebido uma mensagem divina. (…) E ninguém brincou, ninguém zombou. Todo mundo percebeu que havia uma verdade grande nele, porque era uma pessoa muito séria; muito firme. Ele não pôde realizar o ensaio. Urbano Lóes (1917-1980) assumiu seu lugar no dia. E, depois do ensaio, nós todos fomos lá. Todo mundo gostava dele. Havia um fogo queimando dentro do Zarur. Uma luz brilhava dentro dele, alguma coisa. (…). Dali em diante, ele se transformou. Então, fui o primeiro a saber disso”.
Esses fatos nos convidam a refletir sobre a ação da Espiritualidade Ecumênica em nossas vidas.

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

Em louvor à Paz

Paiva Netto

Mundo em guerra, ou melhor, mundo sempre em guerra. Então, é igualmente o momento de falar na Paz e de lutar por ela, sem descanso, até que seja alcançada, incluída a paz no trânsito, em que os desastres vitimam tanta gente. Um dos perigos que a Humanidade atravessa é a vulgarização do sofrimento. De tanto assistir a ele pela necessária mídia, parcela dos povos pode passar a tê-lo como coisa que não possa ser mudada. Eis o assassínio da tranquilidade entre pessoas e nações quando se deixam arrastar pelo “irremediável”. Ora, tudo é possível melhorar ou corrigir nesta vida, como no exemplo de Bogotá.
Se, pelo massacre das notícias trágicas, as famílias se acostumarem ao absurdo, este irá tomando conta de suas existências.
Se não nos é possível evitar a Terceira Guerra Mundial, fruto da semeadura de milênios de loucuras humanas, não desejamos o remorso de não ter feito o possível e o impossível para lembrar ao mundo a Paz de Deus. Por todos os meios e modos, contrapomo-nos, há muito, ao ditado latino “Se queres a Paz, prepara-te para a guerra” (“Si vis pacem, para bellum”), proclamando o espírito que inspirou Rui Barbosa (1849-1923), o corajoso Águia de Haia, quando disse: “Se queres a Paz, prepara-te para a Paz”.
Do meu livro Reflexões e Pensamentos — Dialética da Boa Vontade (1987):
Num futuro que nós, civis, religiosos e militares de bom senso, desejamos próximo, não mais se firmará a Paz sob as esteiras rolantes de tanques ou ao troar de canhões; sobre pilhas de cadáveres ou multidões de viúvas e órfãos; nem mesmo sobre grandiosas realizações de progresso material sem Deus. Isto é, sem o correspondente avanço espiritual, moral e ético. O ser humano descobrirá que não é somente sexo, estômago e intelecto, jugulado ao que toma como realidade única do mundo. Há nele o Espírito Eterno, que lhe fala de outras vidas e outros mundos, que procura pela Intuição ou pela Razão. A paz dos homens é, ainda hoje, a dos lobos e de alguns loucos imprevidentes que dirigem povos da Terra.
A Paz, a verdadeira Paz, nasce primeiro do coração limpo do ser humano. E só Jesus pode purificar o coração da Humanidade de todo ódio, porque Jesus é o Senhor da Paz. E Ele próprio, como tantas vezes lembrou Alziro Zarur (1914-1979), o saudoso Fundador da Legião da Boa Vontade, afirma: “Eu sou a Árvore, vós sois os ramos; sem mim nada podereis fazer. Não se turbe o vosso coração nem se arreceie. Eu estarei convosco, todos os dias, até o fim do mundo. Eu não vos deixarei órfãos. Novo Mandamento vos dou: Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei. Somente assim podereis ser reconhecidos como meus discípulos, se tiverdes o mesmo Amor uns pelos outros. Ninguém tem maior Amor do que doar a própria Vida pelos seus amigos”. (Evangelho de Jesus, segundo João, 15:5, 14:1 e 18, 13:34 e 35 e 15:12 e 13).
Deve haver um paradigma para a Paz. Quem? Os governantes do mundo?! Todavia, na era contemporânea, enquanto se põem a discuti-la, seus países progressivamente se armam? Tem sido assim a história da “civilização”… “Quousque tandem, Catilina, abutere patientia nostra?” (Até quando, Catilina, abusarás da nossa paciência?).
Que tal experimentá-lo?
A LBV humildemente faz uma sugestão: o planeta quer viver em Paz? Então se inspire e viva os ensinamentos de Nosso Senhor Jesus Cristo, que é o Senhor da Paz, a ponto de dizer: “Minha Paz vos deixo, minha Paz vos dou. Eu não vos dou a paz do mundo. Eu vos dou a Paz de Deus, que o mundo não vos pode dar”. (Evangelho do Cristo, segundo João, 14:27). Quer dizer: essa Paz existe, não é uma utopia. Negá-la é negar Jesus, menosprezar a civilização. Cumpre ao ser humano achá-la, enquanto há tempo.
A Paz de Deus pode parecer aos derrotistas algo longínquo, de tão bela… Entretanto, eliminar esse fosso depende unicamente de nós. Não será por parecer distante que devamos deixar de buscá-la. Pelo contrário, trabalhemos por ela — Já! São os grandes desafios o nosso maior amigo, pois nos impedem de desistir da Vida. Eia, pois, em frente, porque Deus Está Presente!
Todos estão profundamente preocupados com a selvageria que campeia na Terra, à cata de uma solução para pelo menos diminuir a violência, que saiu dos lugares ocultos, das madrugadas sombrias, ganhou as ruas e os lares, pois invadiu as mentes. Contudo, hoje, cresce o entendimento de que, se há violência, não é só problema dos governos, das organizações policiais, marcantemente, porém, um desafio para todos nós, sociedade. Se ela saiu da noite escura e mostrou-se à luz do dia, é porque habita o íntimo das criaturas. Existindo nas almas e nos corações, se fará presente onde estiver o ser humano.
É preciso desativar os explosivos que perduram nos corações.
Debate-se em toda a parte a brutalidade infrene e fica-se cada vez mais perplexo por não se achar uma eficiente saída, apesar de tantas teses brilhantes. É que a resposta não está longe, e sim perto de nós: Deus, que não é uma ilusão. Paulo Apóstolo dizia: “Vós sois o Templo do Deus Vivo” (Segunda Epístola aos Coríntios, 6:16). Ora, João Evangelista, em Sua Primeira Epístola, 4:16, por sua vez, asseverou que “Deus é Amor”. Jesus, o Cristo Ecumênico, o Divino Estadista, pelos milênios, vem pacientemente ensinando e esperando que, por fim, aprendamos a viver em comunidade. Trata-se da perspectiva solidária e altruística nascida do Seu coração, firmada no Seu Mandamento Novo: “Amai-vos como Eu vos amei. Somente assim podereis ser reconhecidos como meus discípulos, se tiverdes o mesmo Amor uns pelos outros” (Evangelho de Jesus, segundo João, 13:34 e 35), a Lei da Solidariedade Espiritual e Humana, sem o que jamais este Planeta conhecerá a justiça social verdadeira.
Sem Amor Fraterno, nunca conheceremos a Paz.
Conforme escrevi em Reflexões da Alma (Editora Elevação, página 122), a Paz desarmada jamais resultará apenas dos acordos políticos, todavia, igualmente, de uma profunda sublimação do espírito religioso. Como grandes feitos muitas vezes têm suas raízes em iniciativas simples, mas práticas e verdadeiras, de gente que, com toda a coragem, partiu da teoria para a ação, com a força da autoridade de seus atos universalmente reconhecidos, valhamo-nos deste ensinamento de Abraão Lincoln (1809-1865): “Quando pratico o Bem, sinto-me bem; quando pratico o mal, sinto-me mal. Eis a minha religião”. Ora, ninguém nunca poderá chamar o velho Abe de incréu.

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

Ano-Novo e ação humana

Com a proximidade de um novo ano, repete-se o salutar costume dos votos de esperança por tempos mais felizes. Na palestra que proferi em 20 de dezembro de 2008, transmitida pela Boa Vontade TV, pela Super RBV de rádio e internet (www.boavontade.com), procurei analisar esse anseio de renovação, fundamentando minhas palavras nos versículos iniciais do capítulo 21 do Apocalipse de Jesus, segundo São João, e nos derradeiros do capítulo 22.
Visei com a mensagem demonstrar que o Livro das Profecias Finais apenas relata as consequências dos feitos humanos. Em nossa intimidade, escrevemos as páginas do nosso destino. Logo, quanto mais educado o povo, instruído e espiritualizado, melhor o rumo das nações. Como sempre ressalto: Ano-novo! Ano-bom? Depende de nós!
21:1 – “E vi novo céu e nova terra, porque o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar não mais existe”.
A profecia de Jesus, o Cristo Ecumênico, o Divino Estadista, anuncia profunda transformação batendo às portas. E se é “um novo céu e uma nova terra”, vislumbra-se Humanidade renovada! Contudo, aquilo que o Amor não consegue concretizar a Mestra Dor comparece e apresenta a lição.
21:2 – “Eu, João, vi também a cidade santa, a nova Jerusalém, que da parte de Deus descia do céu, vestida como noiva adornada para o seu esposo”.
Jerusalém é um grande símbolo religioso, político e social no mundo, principalmente para judeus, cristãos e islâmicos, de várias etnias. Todos filhos de um mesmo Pai, pois assim devemos ver-nos, para, aliados, auxiliar na prevenção de tanto assunto que pode ser diplomaticamente afastado ou resolvido, até mesmo com antecedência.

A Esperança não morre nunca
Notem que João Evangelista narra Jerusalém descendo do Céu. Por que esse e não outro burgo? Vamos por partes: Ele era judeu. A ideia que tinha de cidade maior, para o seu coração crente, era Jerusalém. Também conhecia Roma. Entretanto, dificilmente diria: “Desce do céu a nova Roma”. Esta era metrópole culta, cosmopolita, porém altamente bélica. Cartago que o diga. Jerusalém possuía algumas dessas características. Não obstante, o seu povo acreditava num Deus único, assim como o Evangelista-Profeta.
Jerusalém é um encanto místico. Comove o coração da gente. Mas tem sido pelos milênios pretexto para tristes acontecimentos. Todavia, a Esperança não morre nunca, raciocínio que concebi, há mais de duas décadas, ao ver, na televisão, um moço lamentar haver perdido a fé no futuro. Alguns, até com motivo envinagrados, retrucam: “Eu não creio nessa coisa de Esperança”. Então, o que propõem? O desânimo? O desprezo da criatura por si própria e por seus pares? Tem de haver Esperança! E, acima de tudo, vontade de realizar. Do contrário, o que lhes resta? Deitar e morrer? A Alma carece de bom estímulo. (…) Como dizer aos jovens que não alimentem a Esperança? Se o idealismo não sobreviver, que lhes sobrará? Um campo aberto para o esmorecimento. Todos percebem que, num mundo globalizado, o mal que acontece lá (qualquer lá) poderá nos abranger. Vejam a questão da economia, de que poucos suspeitavam. Inacreditável, não é? (…) Outrossim, necessário se faz algo além do atual estágio do conhecimento terrestre: ligarmo-nos ao governo ideal que começa no Céu. Trata-se de tema que, um dia, a cautelosa Ciência abordará sem preconceitos. A intuição é a inteligência de Deus em nós. Muita vez, o que a razão demora a captar ela mais rápido alcança.
Que no novo ano busquemos na Espiritualidade Superior a bússola de nossa existência. E que haja Esperança, sim, e trabalho, de modo que ergamos para os moços condições de usufruírem um mundo mais digno, sem nunca esquecer os mais vividos, idade a que a maioria, com o avanço da medicina, certamente atingirá.

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

Natal Permanente de Jesus

Paiva Netto

O exemplo de Jesus simboliza, há mais de dois mil anos, a possível convivência pacífica entre os povos permanentemente.
Um dos mais nobres propósitos de todos os cristãos de Boa Vontade é Perseverar, com Fé Realizante, no anúncio da Volta Triunfal do Cristo Ecumênico, o Divino Estadista, ao nosso convívio no planeta. Considero sempre oportuno tratar com vocês a respeito desse tema.
A abrangência da Boa Nova, que o Benemérito e Altruísta Filho de Maria e José nos apresentou, demonstra que Sua presença entre os seres da Terra jamais deve sugerir receio aos Irmãos em humanidade que não professem o Cristianismo.
Jesus não gera incômodo ao bom senso humano. Sublime Benfeitor, Ele vem para somar no pleno progresso sustentável, espiritual, material, ético e social que trabalhamos por atingir.

O Cristo sobre as nuvens

Para dar minha modesta contribuição ao assunto, lancei, em 2000, Apocalipse sem Medo, no qual reuni algumas das palestras que venho fazendo pelo rádio, pela TV (e pela internet) desde a década de 1960.
Mas vejamos este ponto: que significa também Jesus vir sobre as nuvens?
No Apocalipse, 1:7 e 8, lemos:
“7 Eis que Jesus vem com as nuvens, e todos os olhos O contemplarão, até mesmo os daqueles que O traspassaram. E todas as nações da Terra se lamentarão sobre Ele. Sim. Amém.
“8 Eu sou o Alfa e o Ômega, o A e o Z, o Princípio e o Fim, diz o Senhor, Aquele que é, que era e que há de vir, o Todo-Poderoso Deus”.
Quem profere essa previsão confortadora sobre a Volta Triunfal de Jesus é o próprio Deus (versículo 8).
Não temamos, pois, o Livro das Revelações, que anuncia que Ele vem sobre as nuvens, isto é, no Alto, para sublimar nosso conhecimento na Religião, na Ciência, na Filosofia, na Política, na Economia, na Arte, nos Esportes etc., por força do que Ele conhece muito bem: o Amor Fraternal e a Justiça Divina.
Dia virá em que testemunharemos toda a sabedoria terrestre receber a Sua incomparável Claridade. É necessário que os jovens concebam isso e passem a analisar os fatos humanos, pessoais e internacionais, sob a luminosidade dos ensinos Dele; livres, porém, de qualquer fanatismo. Jesus não é algema, mas liberdade sem libertinagem ou drogas e outros desatinos que nada mais significam do que a implacável destruição do indivíduo.

Apocalipse superior a Nostradamus

A expressão marcadamente cifrada do Livro das Profecias Finais serve para provocar nossa curiosidade. Se tudo estivesse destrinchado, vocês o leriam de uma só vez e ainda exclamariam: “Bah!”.
Bom exemplo para essa argumentação é o de Nostradamus (1503-1566). Todos falam nele… Mas poucos alcançam uma definição palatável do que previu. É porque o vidente de Salon escreveu de tal maneira labiríntica que há mil e uma interpretações para o que pretendeu transmitir. (…) Eles vivem, então, mesmo sem o demonstrar, atentos ao que o áugure francês disse, justamente pelo apetite de decifrar seus escritos e conceituar tais vaticínios. Isso faz parte do espírito das gentes.
Ora, o Apocalipse, por ser de Jesus, é superior às previsões do autor das Centúrias. Notamos isso claramente quando, tendo “olhos de ver e ouvidos de ouvir”, procuramos interpretá-lo em Espírito e Verdade, à luz do Mandamento Novo do Cristo (Evangelho, segundo João, 13:34 e 35): “Amai-vos como Eu vos amei. Somente assim podereis ser reconhecidos como meus discípulos, se tiverdes o mesmo Amor uns pelos outros”. Isto é, jamais sob a visão do ódio que procura esmagar as criaturas.
Salve o Natal Permanente de Jesus!

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

O Sol nasce para todos

Paiva Netto

O Pai Celestial permanece sempre disposto a nos oferecer reiteradas oportunidades, mostrando-nos um infinito de belezas sem igual. Basta ver que nos mandou Jesus, entre outros veneráveis mensageiros, para trazer-nos a Sua fórmula de elevação perene (Evangelho, segundo João, 3:16 e 17), retratada na perspectiva de Martinho Lutero (1483-1546) como a passagem mais tocante da Boa Nova:
“16 Porque de tal maneira amou Deus ao mundo, que lhe deu o Seu Filho Unigênito, para que todo aquele que Nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.
“17 Porquanto Deus enviou o Seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por Ele”.
Ora, dessa Medida Celeste de ascensão moral e espiritual das criaturas resultará o definitivo erguimento social das massas se elas, convictamente, portanto com perseverança, cumprirem este ensinamento do Cristo (Evangelho, consoante Mateus, 6:33): “Buscai primeiramente o Reino de Deus e Sua Justiça, e todas as coisas materiais vos serão acrescentadas”.
Que custa, sem fanatismos, experimentá-lo?
Diante desse roteiro magnífico de Libertação Divina, quantas vezes, por causa de um simples “me-dá-lá-aquela-palha”, esquecemos as munificências que o Pai preparou para que não nos atrasemos, presos às garras da ignorância.

Tudo acabou, nada!

Muita vez você está desesperado (ou desesperada) e exclama: “Tudo acabou! Nada mais existe. Não resta a mínima esperança!”. No entanto, o Sol continua brilhando lá fora; o ar, circulando à sua volta; a vida, vivendo… A Humanidade persiste, repleta de confiança, malgrado tantos tropeços. Pessoas se amando, existindo, realizando… Todavia, Você vê e sente tudo com azedume, porque se tornou particularmente amargo (ou amarga). Talvez falte um pouco de piedade no seu coração. Ensina o Profeta Muhammad — “Que a Paz e as bênçãos de Deus estejam sobre ele!”: “A misericórdia é a riqueza dos crentes”.
Há dois mil anos, porém, Jesus advertia: “Se os teus olhos são trevas, que grandes trevas serão!” (Evangelho, segundo Mateus, 6:23).
Isto é, quão sombria será a sua sorte!
Entretanto, milênios de Cristianismo humano transcorreram. E, quando o Mestre, apesar de todas as aparências em contrário, se aproxima para iluminar, por meios que apenas Ele conhece, o planeta, com o Seu Cristianismo total, sublimando realmente a trajetória terrena, você pensa em desistir?!… Querer “morrer na praia”, depois de atravessar oceanos de lutas e dificuldades, que pareciam desejar afogá-lo (ou afogá-la) no desespero?!
Nos momentos de desânimo, lembre-se destes dizeres do saudoso papa João XXIII (1881-1963), que, com o seu conhecido alto-astral, afirmava: “Sou sempre otimista, ainda quando exprimem perto de mim profunda inquietação pelo destino da Humanidade”.
O Sol nasce para todos. Não tem culpa de que o egoísmo ainda vigore na Terra. “Quousque tandem, Catilina*?”
Winston Churchill (1874-1965), não obstante os seus muitos críticos, foi um exemplo de pertinácia. Na hora dramática em que, com mão poderosa, conduzia a sua “pequena ilha” na resistência a Adolf Hitler (1889-1945), a voz dele levantava-se contra o medo. E o povo fortalecia-se na férrea decisão de não ceder aos nazistas. Isto já faz parte da História.
Contudo, nestas palavras que retratam bem sua forte determinação, até hoje nos convida a jamais desanimar:
“Nunca desista,
“Nunca, nunca, nunca!
“Em nada, grande ou pequeno,
“Importante ou insignificante…
“Nunca desista!”.

Acertada medida é, pois, em ocasião alguma capitular ante os desafios da existência espiritual e física. Mas entenda, acima de tudo, a lição do Educador Celeste tal como os Seus Apóstolos a compreenderam: insista sempre mais um pouco e sentirá que a sua redenção está próxima.
Disse o Cristo: “Na vossa perseverança, salvareis as vossas almas” (Evangelho, segundo Lucas, 21:19).
Por conseguinte, é proveitoso guardarmos esse Divino Alertamento no coração e na mente em todos os instantes de nosso viver. Dessa forma, trilharemos cada vez mais no rumo da felicidade eterna e da Glória de Deus.
Jesus é forte mensagem de esperança numa época de tamanha desilusão para tantos.

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

Nota do autor
* Frase de Cícero (106-43 a.C.) — Marcus Tullius Cícero: orador e político romano. Ficou famoso o seu eloquente repúdio a Catilina (Lucius Sergius Catilina), quando este teve a audácia de comparecer ao Senado Romano, depois de descoberta a sua conspiração contra a República: “Quousque tandem abutere, Catilina, patientia nostra?” (Até quando, Catilina, abusarás da nossa paciência?). Cícero publicou, além de tratados de retórica, obras de Filosofia.

O bom uso do tempo

O ambiente fraterno e acolhedor que se estabelece no fim do ano, reunindo as famílias, os amigos, as comunidades, enfim, os corações, leva todos a projetar sempre um novo ano melhor. É preciso, porém, que mantenhamos a veemência inicial, trabalhando, incansavelmente, sem perder nenhum ensejo de atuação em prol do desenvolvimento espiritual, humano e social de nosso país, a partir de nós mesmos. Assim, o novo ano que tem início terá maiores oportunidades de sucesso.
Nos meus bate-papos com os jovens da Religião de Deus, do Cristo e do Espírito Santo e no livro Jesus, a Dor e a origem de Sua Autoridade (2014), alerto-os para o fato de que o tempo vai passar de qualquer jeito. Por isso, façamos bom uso dele na vivência diária do Amor Solidário, que nos coloca sob o amparo de Deus Todo-Poderoso, fonte da verdadeira solução para os desafios particulares e coletivos, se houver decisivamente em nós a indispensável humildade para senti-Lo e compreendê-Lo, sem radicalismos.
Sempre haverá saída para os problemas, por piores que sejam, desde que o ser humano realmente respeite o ser humano. Ele não vai apenas pensar com o cérebro, usará também o coração. À vista disso, é imprescindível educarmos nossos sentimentos no Bem, pois, quando a criatura tem seu interior poluído, tudo à sua volta é contaminado.

Mente, coração, generosidade

Falar em mente e coração dá-se pela necessidade de evidenciarmos um simbolismo essencial à clareza do que lhes apresento, de modo que estejam nitidamente expressas duas das condições mais importantes da Alma: pensar e sentir, ou, na ordem moral mais perfeita, sentir e pensar. Eu poderia expor que, sendo a mente o contato principal do Espírito com o corpo, nela estaria o centro do pensar e do sentir (amar). Contudo, procuro uma forma mais simples de me comunicar com Vocês, porque aqui estão pessoas de mais idade e temos crianças também.
Ora, o grande objetivo da Autoridade do Poder de Jesus, na Política de Deus, é que todos se façam melhores. Sob a ótica da Legislação além da legislação — portanto, a que tem origem em Deus e em Suas Leis Eternas —, somos levados a indagar: se não houver igualmente esse sentido de Solidariedade, de Generosidade, de Altruísmo, de Confiança, de Disciplina e de Justiça, na efetiva transformação de um indivíduo, para que ele se torne ético, quem cumprirá as leis terrenas?
Em meu livro Reflexões e Pensamentos — Dialética da Boa Vontade (1987), registrei: Quantas leis sejam feitas, tantas maneiras o ser humano encontrará de fraudá-las, enquanto não entender que temos solidários compromissos uns para com os outros, sem os quais não pode existir genuína vida em sociedade. Isso é exercer a cidadania, que começa no Espírito. É fortalecer as comunidades. Não há departamentos estanques no mundo, principalmente agora, na era da rapidez das comunicações e da constante ameaça nuclear, entre outras, talvez piores.
Não basta desenvolver o intelecto, como muitos pensam relativamente à Educação. Por isso, criei a Pedagogia do Afeto, para iluminar os corações dos pequeninos, porquanto uma civilização exige que haja um refinamento dos costumes. Como realizá-lo, senão cultivando o que de bom existe no íntimo de cada criatura? É preciso desarmar os corações desde a infância, como explico em É Urgente Reeducar! (2000). Nele digo que a estabilidade do mundo começa no coração da criança.
Tal ponto de vista — o da necessidade de desarmar os corações humanos desde os pequeninos — não nos impede de prepará-los para sobreviver aos piores desafios da vida.
Torna-se mais que básico que nos empenhemos no estudo das Leis Divinas. Como?! Investigando as Sagradas Escrituras e purificando nosso interior com a Bondade e a Justiça de Deus.
Pensem nisso. Governar é educar o sentimento para o Bem.
Alziro Zarur (1914-1979) ressaltava que: “Governar é ensinar cada um a governar a si mesmo”.

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

Direitos Humanos e Deveres Espirituais

Paiva Netto

Em 10/12, comemora-se oficialmente o 68o aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, votada pela Assembleia Geral das Nações Unidas em Paris, no Palácio de Chaillot, no ano de 1948. Ela se tornou uma das principais cartas que regem as nobres iniciativas da ONU, inspirando a elaboração de outros importantes documentos e constituições, a exemplo da Carta brasileira, proclamada em 1988, a “constituição cidadã”, na definição do deputado Ulysses Guimarães (1916-1992), que presidiu a Assembleia Nacional Constituinte.

O “Rascunho de Genebra”
Eleanor Roosevelt (1884-1962), viúva do presidente norte-americano Franklin Delano Roosevelt (1882-1945), comandara desde janeiro de 1947 o Comitê dos Direitos Humanos, reunido pela ONU, até a adoção dos 30 artigos naquele memorável dezembro de 1948. Considerada a força motriz do projeto, dona Eleanor liderou um grupo com 18 integrantes de heterogênea formação cultural, política e religiosa, elaborando o que ficou conhecido como o “Rascunho de Genebra”, em setembro de 1948, apresentado e submetido à aprovação dos mais de 50 países membros. É com grande orgulho que recordamos a participação do ilustre jornalista brasileiro, meu dileto amigo, Austregésilo de Athayde (1898-1993), um dos mais destacados colaboradores desse extraordinário trabalho. Ele também ocupou a presidência da Academia Brasileira de Letras (ABL) e do Conselho de Honra para a construção do ParlaMundi da LBV, em Brasília/DF.

A almejada liberdade
Ao longo das eras, o estudo do Direito foi sendo aperfeiçoado, a fim de dar garantias cada vez mais sólidas à sociedade. O século 20, por exemplo, nos legou um imenso aprendizado por meio de sucessivas conquistas civis.
Em homenagem a tantos ativistas que, ao longo da História, almejaram liberdade e condições dignas de vida, e em contribuição a tão significativo marco, trago-lhes trecho de modesta palestra que proferi, publicada, entre outros, em Reflexões e Pensamentos — Dialética da Boa Vontade (1987) e no Manifesto da Boa Vontade (21 de outubro de 1991):
Acreditar que possa haver direitos sem deveres é levar ao maior prejuízo a causa da liberdade. Importante é esclarecer que, quando aponto os deveres do cidadão acima dos seus próprios direitos, em hipótese alguma defendo uma visão distorcida do trabalho, em que a escravidão é uma de suas facetas mais abomináveis.
Por isso, queremos que todos os seres humanos sejam realmente iguais em direitos e oportunidades, e cujos méritos sociais, intelectuais, culturais e religiosos, por mais louvados e reconhecidos, não se percam dos direitos e liberdades dos demais cidadãos. Porquanto, liberdade sem fraternidade é condenação ao caos. Almejamos ainda uma sociedade em que Deus e Suas Leis de Amor e Justiça inspirem zelo à liberdade individual, para garantir segurança política e jurídica a todos, como nos inspira o Natal do Cristo de Deus. Falo do Criador Supremo, não do errôneo entendimento que procura fazer Dele, que é Amor, instrumento execrável de fanatismo e tirania, preconceito e ódio. Consequentemente, não me refiro ao deus antropomórfico, caricato, criado à imagem e semelhança do homem imperfeito. (…)
As virtudes reais serão aquelas constituídas pela própria criatura na ocupação honesta dos seus dias, na administração dos seus bens e no respeito pelo que é alheio, na bela e instigante aventura da vida. Uma nação que se faça de tais elementos será sempre forte e inviolável.
Desejo que, em pleno século 21, consigamos consolidar esses ideais e expandi-los aos povos da Terra, para que sejam plenamente vivenciados. E jamais repetir o século 20 naquilo em que ele foi um fracasso.

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

Dia Nacional da Família

Em 8 de dezembro comemoramos, no Brasil, o Dia Nacional da Família. Na Declaração Universal dos Direitos Humanos, no artigo 16, podemos ler: “A família é o elemento natural e fundamental da sociedade e tem direito à proteção desta e do Estado”.
Em nossos pensamentos diários, observemos sempre se estamos dando o justo valor à Família. Um país melhor, mais feliz e, por consequência, uma Humanidade equilibrada dependem dos núcleos familiares bem constituídos, devidamente prestigiados por seus integrantes e pela comunidade. A importância da família transcende a compreensão mais comum. Nela, a vida humana encontra o seu refúgio, a exemplo da criança especial, que tem o seu dia celebrado em 9 de dezembro.

Apostemos nas famílias
O ilustre Espírito dr. Adolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti (1831-1900), que foi prefeito da cidade do Rio de Janeiro no tempo do Império, numa mensagem por intermédio do Sensitivo Legionário Chico Periotto, deu ênfase ao nosso tema de hoje. Peço-lhes a atenção para suas palavras:
“A existência na Terra é de luta — não há outra denominação melhor —, mas a tranquilidade de Alma existe quando vemos que as Forças Benditas envolvem a família e os casais, elevando-os a patamares de compreensão, buscando as sementes que germinaram os frutos da semeadura, por intermédio dos filhos.
“Apostemos na ideia das famílias unidas pelo Cristo de Deus. Apostemos nisso. Que a palavra da Boa Vontade de Deus possa fazer o trabalho preponderante do Bem e ser ouvida e seguida na Terra. (…)
“Falamos sobre a importância da egrégora familiar, assunto recorrente e sempre de necessária abordagem, porque necessitamos oferecer condições de segurança, principalmente às mulheres (na Humanidade), às mulheres esposas e às crianças, com a parede, com a muralha dos bons sentimentos e das boas ações, fazendo descer sobre elas a cachoeira espiritual de bons fluidos que vem do Etéreo.
“Muitos casais e muitas famílias se desfazem porque não se preocupam com o diálogo salutar, com a compreensão mútua, enfim, com a presença do símbolo da unidade familiar, cujos arroubos sempre causam transtornos perigosos, problemáticos e danos irreparáveis aos que postulam a sedimentação da família no planeta Terra.
“Constituímos nossas vidas, também no Etéreo, pelo espírito de família que trazemos dos laços aflorados e traduzidos em harmonia e união advindos da matéria. Somos mais felizes no Espaço quando encontramos o nosso verdadeiro Amor na Terra.
“Se Jesus aproximou, uniu e fez com que frutificasse o Amor por intermédio dos filhos, dos felizes filhos que desabrocham, temos que trabalhar para suprir as deficiências do cotidiano, da convivência, do livre-arbítrio e de raciocínios que, às vezes, fogem do verdadeiro prumo necessário ao desenvolvimento da família. (…)
“Saibam que, na Pátria da Verdade, não nos descuidamos das lutas em que todos estão envolvidos no mundo. Mas queremos ainda maior afinação dos seres terrestres com seus Anjos da Guarda. Não deixem vícios humanos atingir seus Espíritos nem suas famílias, principalmente esses vícios que são fartamente divulgados nas mídias. Desde um simples cigarro, aparentemente inofensivo, às drogas, às bebidas. Blindem, blindem suas Almas. O corpo, o vaso físico que todos recebem na encarnação presente, é instrumento de Deus emprestado, inclusive os órgãos genitais, pois procriam, interagem a energia do homem com a da mulher para a evolução, a continuidade na Terra”.
Dr. Bezerra — muito conhecido também como “Médico dos Pobres” — continua vivo no Céu, no Mundo Espiritual, como Espírito, Anjo da Guarda, Nume Tutelar, enfim, há vários nomes que definem a mesma condição de prosseguir existindo. O princípio de tolerância, que deve reger a convivência em sociedade, nos inspira este raciocínio: ainda que nem todos acreditem na possibilidade da vida eterna ou que exista diálogo entre Céu e Terra, hão de levar em consideração o conteúdo da mensagem. É um texto sensato e que merece reflexão. A segurança material e espiritual de nossas famílias significa a boa guarda de nós mesmos.

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

Prece, União e Esperança

O mundo uma vez mais se uniu em demonstrações de fé e de fraternidade diante de um momento de grande dor. Comoventes gestos de afeto e apoio de várias partes do planeta marcaram o dia 29 de novembro de 2016, quando a aeronave que levava à Colômbia a delegação da Associação Chapecoense de Futebol, incluindo jogadores, profissionais da imprensa brasileira, tripulação e demais passageiros caiu na cidade de La Unión, próximo a Medellín, deixando 71 mortos e 6 sobreviventes (até o fechamento desta edição). O time de Santa Catarina disputaria a primeira partida da final da Copa Sul-Americana contra o Club Atlético Nacional.

Profundamente sensibilizado por esse triste acontecimento, peço-lhes permissão para, nesta hora, fazer uso da prece, procurando mitigar o sofrimento de familiares, amigos das vítimas do acidente e do povo de Chapecó. São modestas palavras que elevei a Jesus, o Cristo Ecumênico, o Divino Estadista, em Santa Maria do Arnoso, Portugal, em 10 de setembro de 2001.

Aos Pés de Jesus

Jesus, sois a misericórdia de todos os que padecem, Providência dos sofredores e aflitos. Ó Sublime Educador, Mestre da Serenidade Infinita, Alma Celestial, espelho de toda a Generosidade, Potência Divina de nossa crença e de nossa Fé, em Quem permanentemente depositamos a confiança! Nós Vos amamos!
Jesus, sois o Maior e o Melhor dos Amigos, o Decifrador de todos os mistérios e das equações do Universo Infinito.
Ó Senhor! Conduzi-nos, por Vossas Seguras Mãos, pelos iluminados caminhos que só Vós conheceis, rumo ao destino que erguestes para nós, humildes servos, consoante o merecimento de cada um, pois sois o Realizador das Determinações Corretíssimas da Justiça que promana de Deus, Nosso Pai.
Em Vós confiamos sempre, Companheiro Fiel dos que, neste e no Outro Mundo, lutam sem cessar pela concretização do Vosso Reino, conforme anunciastes em Amor, Espírito, Justiça e Vida.
Sabemos que — de acordo com as Vossas Palavras, no Evangelho e no Apocalipse — apenas aguardais de nós a pertinácia na Fé e o inderrotável esforço no trabalho.
Quem em Vós realmente crê não perde o próprio tempo.
Fidelissimamente, em Vós confiamos.
Humildemente, ajoelhados, elevamos aos Vossos Pés esta promessa em forma de oração.
Recebei, Senhor, a nossa comovida súplica.

A todos os que passam por este tempo de luto, a nossa solidariedade. Rogamos ao Pai Celestial que lhes conforte os corações, de modo que, fortalecidos, possam reconstruir suas vidas. Aos que partiram inesperadamente, mas continuam vivos, pois os mortos não morrem, a nossa mais elevada vibração de Paz.

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

Fale conosco Siga-nos no Twitter RSS